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Metallica: “Kill ‘Em All” foi lançado há 35 anos

Diogo Ferreira

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Quando nascemos depois do tempo inicial de certas coisas é normal que se descubram os seus primórdios muitos anos depois da partida original. Como muitos que nasceram nos derradeiros anos da década de 1980, descobri músicas e bandas durante os 90s que já tinham sido confeccionadas há 15, 20 ou 30 anos. Ainda miúdo tive que ouvir “Como o Macaco Gosta de Banana” ou “Na Cabana Junto à Praia” – duas canções de José Cid incontornáveis no cancioneiro nacional – para mais tarde descobrir que havia uma banda chamada Quarteto 1111 ou um disco intitulado “10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte”. Primeiro tive de ver, vezes sem conta, o Phil Collins a não saber dançar no single “I Can’t Dance”, dos Genesis, para, quase em adulto, ter conhecimento de um Peter Gabriel e de vinis espantosos como “Foxtrot” ou “Selling England By The Pound”. Mas nem tudo foi mau, porque o Top+, da RTP, ainda passava umas coisas engraçadas de rock e grunge – fazia-me confusão, ainda infante, como é que às duas da tarde se emitiam coisas obscuras como o clip da “Greedy Fly”, dos Bush. Vim a descobrir que afinal gostava daquilo, o pouco tempo de vida neste mundo é que ainda não me deixava usufruir de tais caminhos.

Durante anos a fio ouvi a “Nothing Else Matters” na TV e na rádio sem saber o que era metal e sem saber que havia uma expressão musical muito mais violenta do que aquela que conhecia em casa. Afinal tinha 4 anos quando saiu o “Black Album”. Quando o pessoal começou a gravar CDs e a vendê-los por 500 paus ou, mais tarde, a 5€, as coisas chegavam mais facilmente às mãos dos miúdos – foi um upgrade às mixtapes. Os CDs originais custavam 3 contos, caraças! Pode parecer igual a 15€, mas quem viveu antes do Euro sabe que 3 contos era muito dinheiro e não é, de todo, comparável a uns meros 15€ de hoje em dia. Foi então essa pirataria que me deu Iron Maiden, The Offspring, Bush, Slipknot, System Of A Down e, claro, Metallica. Mesmo assim, ainda teria que passar pelo “Load” – o que para um rapazola entre os seus 10-12 anos nem era nada mau. A “Ain’t My Bitch” era pesadona, a “The House Jack Built” era enigmática e a “Mama Said”, bem… era a ‘mama sáide’.

A evolução das tecnologias e a implementação da Internet em larga escala na casa de cada um foi um abre-latas. Finalmente tinha descoberto o “Kill ‘Em All” e o “Ride The Lightning”! E sozinho. Com esses dois álbuns era abalroado por guitarradas, que nunca tinha ouvido, cheias de electricidade e rapidez que tentava recriar numa guitarra acústica com metade das cordas, como se estivesse a dar um concerto – mas era só o meu quarto, que nem espelho grande tinha para me ver. E os solos eram uma anormalidade que excitava qualquer um. Durante horas indefinidas, o baixo de Cliff Burton hipnotizou-me com “Anesthesia (Pulling Teeth)”, e foi aí que percebi que heavy metal também podia ser melódico e bonito – Iron Maiden provou-me igual nos mesmos meses de ávida descoberta. “The Four Horsemen” deixou-me baralhado porque tinha acabado de arranjar um concerto de Megadeth em São Francisco, algures em 83 ou 84, que tinha por lá uma “Mechanix” igualzinha. E a “Seek And Destroy” embebedava-me de violência lírica ao imaginar gangues de coletes cheios de remendos a partir carros e montras em nome de uma música que escarrava gosmas anti-sociais e de morte.

“Kill ‘Em All”, que tinha o título original de “Metal Up Your Ass”, foi gravado durante Maio de 1983 e lançado a 25 de Julho do mesmo ano. Faz 35 anos. Já é um álbum adulto, mas para sempre representará a infância de Metallica e a existência de resquícios criativos de Dave Mustaine. É, enfim, o primeiro LP de uma banda que em poucos anos se transformaria na mais bem-sucedida saída de um movimento e género musical que queria tudo menos pertencer ao mainstream. Mas isso é outra história que dará pano para mangas e discussões intermináveis…. Acho que ficamos por aqui: pela comemoração dos 35 anos de “Kill ‘Em All”.

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Sabaton History Channel, ep. 15: o Barão Vermelho

Diogo Ferreira

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No novo episódio do Sabaton History Channel, Joakim Brodén e Indy Neidell escolhem falar do tema “The Red Baron” que pertence ao próximo álbum “The Great War”, a ser lançado a 19 de Julho pela Nuclear Blast.

O Barão Vermelho é um do ícones heróicos da I Guerra Mundial que, simultaneamente, engloba a mecanização e a romantização da guerra moderna com as suas habilidades e heroísmo. Manfred von Richthofen é o nome verdadeiro do piloto que é, então, recordado em mais um episódio do Sabaton History Channel.

Mais episódios AQUI.

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Jinjer ao vivo no Resurrection 2018 (c/ vídeo)

Diogo Ferreira

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Foto: Veronika Gusieva

Abaixo podes assistir à prestação dos Jinjer no Resurrection de 2018. Recentemente disponibilizado pelo próprio festival, este vídeo servirá para aguçar a vontade que os fãs desta banda têm para os ver no Vagos Metal Fest deste ano. Nos quase 40 minutos de concerto, os Jinjer executaram temas como “Words Of Wisdom”, “I Speak Astronomy”, “Pisces” ou “Captain Clock”.

O EP “Micro”, lançado em Janeiro de 2019 pela Napalm Records, é o registo mais recente dos ucranianos que, como referido, actuarão no Vagos Metal Fest, evento que se realiza entre 8 e 11 de Agosto. Stratovarius, Six Feet Under, Satyricon, Candlemass, Death Angel, Watain e Alestorm são alguns dos nomes do cartaz.

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[Reportagem] Bad Religion + Mad Caddies + Less Than Jake (15.05.2019 – Lisboa)

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Bad Religion (Foto: Solange Bonifácio)

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Bad Religion + Mad Caddies + Less Than Jake
15.05.2019 – Lisboa

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Após quase 20 anos de terem dado o seu único concerto em Portugal – no festival de Paredes de Coura -, os Bad Religion voltaram finalmente a Portugal. A Sala Tejo da Altice Arena marcou a estreia desta banda lendária em Lisboa, tendo Mad Caddies e Less Than Jake (LTJ) como suporte. 

Os LTJ foram a primeira banda a subir ao palco. É inevitável não associar o nome desta banda à Vans Warped Tour, em que se inserem com uma das bandas-ícone que deste evento itinerante fizeram parte. Durante mais de 20 anos, esse festival atravessou os EUA e Canadá – chegando a passar por Portugal em 1999 – e foi palco não só para bandas consideradas hoje em dia como marcos na história do punk rock, como um local onde se deu a conhecer diversos talentos entre outros subgéneros musicais.
Com mais de 25 anos de carreira, os LTJ são conhecidos pelos seus hinos musicais e pelo bom ambiente que proporcionam em concerto. Antes de tocarem “All My Best Friends Are Metalheads”, convidaram para subir ao palco dois jovens metaleiros que se encontravam no público, sendo constante a interacção entre a banda e a plateia durante todo o concerto. Inclusive, voaram bananas do palco para o público e foram disparados rolos de papel higiénico em modo de canhões de confetis. Tudo isto veio consolidar o ambiente festivo que começava a surgir ainda em início da noite. 

De seguida, os Mad Caddies começaram a tocar para uma multidão que continuava em ambiente de festa. A banda já passou por Portugal diversas vezes e é provavelmente das mais acarinhadas pelo público português dentro do estilo musical que tocam, que vai desde o punk ao ska e até ao reggae. São conhecidos pela boa energia em palco, e o concerto resumiu-se a uma explosão contínua de bom ambiente festivo. 

Após os Mad Caddies terem terminado, os cânticos continuaram até finalmente os headliners desta noite subirem ao palco, onde encontraram um publico eufórico. Além de uma das maiores referências dentro do seu estilo musical, os Bad Religion representam a mais pura essência do punk rock, tanto a nível lírico como instrumental. As letras das suas músicas são conhecidas por aludirem a temas sociais e por abordarem a sua ideologia pelo uso de metáforas. Têm um catálogo discográfico extenso e uma série de músicas que se tornaram grandes sucessos, em que tocados ao vivo não deram qualquer descanso ao público presente e foram constantes as sing-alongs de uma multidão ainda em festa. A banda californiana trouxe consigo o seu mais recente disco “Age Of Unreason”, saído a 3 de Maio e produzido por Carlos de la Garza, embora também tenham revistado parte do seu repertório e clássicos. Havendo ainda espaço de tempo para um encore com os temas “Sorrow”, “You” e “American Jesus”, a Sala Tejo da Altice Arena esteve de casa cheia, com um público entusiasta e em celebração por finalmente receber a banda em Lisboa pela mão da Hell Xis. Esta noite só veio recordar aos presentes que os Bad Religion são uma das maiores instituições do punk rock mundial.

Texto e fotos: Solange Bonifácio

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