#ChooseUltraje

Features

[Opinião] Metallica ou não Metallica, eis a questão

Diogo Ferreira

Publicado há

-

125_photo

Na edição especial sobre os dois primeiros álbuns de Metallica, que a Ultraje lançou em Junho passado, escrevi um artigo intitulado “Avanço em retrocesso” onde expliquei como descobri “Kill ‘Em All” e “Ride The Lightning”, e o que representaram para um adolescente. Devia ter uns 10 anos quando o “Load” (num CD pirata) me chegou às mãos, mas na realidade todos os que nasceram na segunda metade da década de 1980 viveram com Metallica, ou não passasse a “Nothing Else Matters” a toda a hora na rádio, na MTV ou no Sol Música. O que é facto é que com 10 anos só conhecia o “Load” e a “Nothing Else Matters”, até que a Internet invadiu em massa as casas das pessoas na entrada do Séc. XXI e o KaZaA ou o Soulseek permitiram que obtivesse também todos os discos anteriores. Daí o avanço em retrocesso – andar para trás na discografia da banda para evoluir o conhecimento.

O “ReLoad” passou-me ao lado – naquela altura queria saber mais do Buereré e do Dragon Ball –, mas com a explosão do nu-metal no final dos 1990s / início dos 2000s a sede por música pesada exerceu a sua força em mim. Primeiro o nu-metal de Papa Roach, Korn e Limp Bizkit, depois o heavy metal dos Iron Maiden, o goth dos The 69 Eyes, o power metal dos Edguy e dos Freedom Call, o death metal dos Kataklysm e mais tarde o black metal que hoje representa a grande maioria dos meus discos. No meio disto tudo havia um “St. Anger” que fez a malta juntar-se para ver o DVD que vinha como bónus e emanar aquela nostalgia ingénua de se querer viver num tempo que não se viveu: «O “Kill ‘Em All” é que era!» ou «Onde estão os solos, c*ralho?» A eterna promessa dos Metallica voltarem às raízes surgiu com “Death Magnetic” que comprei de olhos fechados, mais numa vontade de gastar dinheiro do que outra coisa… Ouvi-o um par de vezes, confesso, e deve estar para ali no meio do monte. (Não mencionar o “Lulu” nesta cronologia de eventos é propositado.)

E agora a energia é renovada com “Hardwired… To Self-Destruct”. Ou não? É aqui que entra a analogia com «ser ou não ser, eis a questão», de Shakespeare. O que representa o lançamento de um álbum de Metallica em 2016? Pessoalmente representa-me muito pouco e penso que até sei respeitar a evolução das coisas, mas já não sinto aquele baque por eles. Lá está, acaba-se por bater no mesmo: se quero ouvi-los vou buscar o “Kill ‘Em All” ou o “Ride The Lightning”.

Em 2016, os Metallica representam uma carrada de facções, sendo que a maior deverá ser – e bem – considerá-los uma instituição que abalou o paradigma da música e que influenciou milhentas bandas. Há os fanboys que os idolatram mesmo que lancem uma das piores merdas de sempre (Lulu…), os que ainda se rendem só e apenas aos primeiros álbuns, os não-metálicos que gostam de Metallica e todo o restante metal é barulho e porcos a morrer, os que lhes chamam vendidos (mas isso já dizem desde o clip da “One”, não?), os que ainda se lembram do Napster e talvez uma pequena franja de betos que dizem gostar de Metallica só para chatear os pais e fazê-los gastar umas dezenas de euros para irem a um concerto, mas só querem ouvir a “Nothing Else Matters” pela 2485ª vez.

Quer se goste quer não, os Metallica estão para o heavy metal como a água está para a sede. Anos passam, polémicas acontecem e álbuns são lançados, mas esta banda de cinquentões continua a mover o mundo. Há que lidar com isso, e se para uns a melhor maneira é insultar ou erguer barricadas porque achincalharam o black metal com o vídeo da “ManUNkind”, para mim, na minha humilde estadia neste planeta, o melhor é respeitá-los por tudo o que já fizeram por uma coisa amada chamada Heavy Metal.

Features

Gojira disponibilizam concerto no Pol’And’Rock Festival

Diogo Ferreira

Publicado há

-

Captado a 2 de Agosto de 2018 no Pol’And’Rock Festival (Polónia), este concerto chega agora às massas através do seu carregamento no canal oficial de YouTube dos Gojira. Ao longo de cerca de 77 minutos, desfilam temas como “Stranded”, “Flying Whales”, “The Cell”, “Silvera”, “L’Enfant Sauvage” ou “The Shooting Star”.

“Magma”, de 2016, é o álbum mais recente dos franceses e fora lançado pela Roadrunner Records.

Continuar a ler

Features

Dead (1969-1991): a morte faz 50 anos

Diogo Ferreira

Publicado há

-

Consideramos com facilidade que o berço do black metal é a Noruega com todas as suas importantes bandas: Mayhem, Burzum, Immortal, Darkthrone, Satyricon, Gorgoroth… Mas há uma realidade da qual nos esquecemos ingenuamente: 1) Quorthon e os seus Bathory eram suecos, reinando na cena extrema nórdica anos antes das bandas atrás mencionadas; 2) Dead, que foi vocalista dos Mayhem entre 1988 e 1991 e que se tornara no mais infame frontman da época, era sueco. Posto isto, as bases do black metal têm, e muito, sangue sueco… E de sangue percebia Dead.

Per Yngve Ohlin, mais conhecido por Dead, nasce a 16 de Janeiro de 1969 em Estocolmo, Suécia. Faria hoje 50 anos.

Depois de uma infância conturbada, especialmente por causa de problemas de saúde e alegado bullying, Per, tantas vezes chamado de Pelle, iniciaria a sua vida artística ainda na adolescência ao ajudar a fundar os Scapegoat e depois os Morbid em 1987, banda em que grava as três primeiras demos já como Dead, alcunha que escolhe para relembrar a sua experiência de quase-morte. No ano seguinte ingressava nos noruegueses Mayhem depois de ter entrado em contacto com o baixista Necrobutcher. Na encomenda que enviou para a Noruega, relata-se que constava uma cassete, uma carta com as suas ideias e um animal morto.

Por obra do destino, Dead chega aos Mayhem logo após “Deathcrush” (1987) e bem antes de “De Mysteriis Dom Sathanas” (1994), mas isso não lhe retira importância na banda numa altura em que o primeiro disco, o tal de 1994, já andava a ser composto. A voz e performance de Dead eterniza-se no icónico “Live in Leipzig” de 1993, álbum ao vivo lançado após a sua morte em 1991.

A 8 de Abril de 1991, Dead suicida-se. Corta os pulsos e a garganta e dá um tiro na cabeça. Deprimido por natureza, Dead possuía ainda um sentido de humor nato ao deixar a nota “desculpem o sangue”, bem como outros pensamentos e a letra de “Life Eternal” que seria incluída em “De Mysteriis Dom Sathanas”. Euronymous (1968-1993), ao encontrar o corpo do amigo e colega, decide então fotografá-lo, dando origem à capa de “The Dawn of the Black Hearts – Live in Sarpsborg, Norway 28/2, 1990”. Esta mórbida decisão levara o baixista Necrobutcher a abandonar os Mayhem e a não participar na formação histórica de “De Mysteriis Dom Sathanas”, retornando  ao grupo só depois deste lançamento. A voz ficava ao cargo do húngaro Attila Csihar.

Quase 30 anos depois de acontecimentos como o suicídio de Dead, o homicídio de Euronymous, a prisão de Varg Vikernes e as igrejas incendiadas, o livro “Lords Of Chaos”, de Michael Moynihan (Blood Axis), lançado em 1998, é a base para o filme com o mesmo título realizado por Jonas Åkerlund (primeiro baterista de Bathory), película em que se contam episódios importantes daqueles poucos, mas intensos, anos vividos no seio do black metal norueguês. Apresentado no Sundance Film Festival em 2018, o filme deverá chegar a mais público durante este ano de 2019.

 

Continuar a ler

Features

[Exclusivo] Mastodon: “Sempre que voamos para o outro lado do Atlântico, Portugal tem de estar na lista”, diz Troy Sanders

Diogo Ferreira

Publicado há

-

Será a 17 de Fevereiro que os Mastodon passam por Portugal para um concerto em Lisboa e, em conversa com a Ultraje, o baixista/vocalista Troy Sanders só tem coisas boas a dizer sobre o nosso país: «Portugal é um país muito belo e os fãs são dos mais fiéis que temos.» Todavia, a grande revelação do excerto que aqui partilhamos viria a seguir: «Deixa-me pôr isto de forma mais clara – demos a indicação específica ao nosso agente para não confirmar a digressão enquanto Portugal não estivesse confirmado. Sempre que voamos para o outro lado do Atlântico, Portugal tem de estar na lista. Ficámos bastante aliviados quando o nosso agente nos deu a confirmação do concerto em Lisboa, pois esta parte da digressão só aconteceu porque respeitaram a nossa exigência de tocarmos em Portugal, baseámos a digressão em redor de tocarmos aí. Estamos bastante ansiosos por chegar a Lisboa, pois não só o país é muito bonito, como as pessoas são fantásticas.»

Ao lado dos Mastodon actuarão os Kvelertak e os Mutoid Man. Os bilhetes podem ser adquiridos AQUI.

 

Continuar a ler

Facebook

#UltrajeRadar

Ultraje #19