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Meyhnach “Non Omnis Moriar” [Nota: 2/10]

Diogo Ferreira

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Meyhnach_Non_Omnis_Moriar_coverEditora: Osmose Productions
Data de lançamento: 24 Novembro 2017
Género: black metal

Fundador de Mütilation (banda de culto da cena black metal francesa) e com passagem pelos Hell Militia, Meyhnach volta a dar ar de si, desta vez em nome próprio com o álbum “Non Omnis Moriar”. Conhecido também pelo seu black metal cru, o francês incorre praticamente pelos mesmos caminhos de sempre ao apresentar-se totalmente minimalista em termos de composição de guitarras e bateria, o que não abona nada a favor deste regresso. Não há muita hipótese de estarmos aqui com rodeios: “Non Omnis Moriar” é um álbum muito fraco. Sim, podem existir coisas simplistas e minimalistas boas, mas não é o caso com Meyhnach. Ingénuo e dissonante, este disco apresenta pouca paixão e muito pouca inspiração, como se o artista se estivesse a marimbar para o resultado final ou então é mesmo isso que queria, pretendendo apenas mandar cá para fora aquilo que lhe surgia no momento. É claro que, e olhando para trás, Meyhnach pouco ou nada quer saber do que se pensa fora do seu ambiente, mas o que é facto é que as malhas de guitarra são insípidas e o ritmo vocal monocórdico acaba por irritar – nem mesmo a inclusão de artefactos industriais salva este disco. Resta-nos sublinhar o evidente: por alguma razão o francês estava meio desaparecido da cena – este retorno aos lançamentos discográficos é só uma possível prova da falta de ânimo por parte de Meyhnach. O homem deve estar mesmo chateado com alguma coisa.

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Manes “Slow Motion Death Sequence”

Diogo Ferreira

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Editora: Debemur Morti Productions
Data de lançamento: 24 Agosto 2018
Género: avant-garde / rock / electro

Com 25 anos de carreira, os noruegueses Manes têm a cartada ideal para comemorar este aniversário – é um álbum e chama-se “Slow Motion Death Sequence”.

Com 25 anos de carreira – e este início de frase repetido é propositado –, os Manes não só não têm nada a provar como ainda se mostram artisticamente maturados e humildes ao ponto de apontarem influências contemporâneas, como In The Woods…, Solefald e Ulver.

Assim, e com muito avant-garde, à medida que o álbum cresce em nós, é imensamente evidente que a inclinação à pop faz parte dos nórdicos. Mas num muito bom sentido! Isto é, a bateria aliada aos loops electrónicos funcionam como uma dança síncrona entre dois pares muitíssimo bem treinados que sabem que o resultado final tem de ser emotivo e negro. Por outro lado, o grupo adiciona rock e algum metal com malhas de guitarra bem eléctricas e presentes em momentos críticos que desse instrumento necessitam.

Se a inaugural “Endetidstegn” pode ser indicada para fãs do som actual e mais amigável de uns Leprous, a seguinte “Scion” é como ouvir Karin Dreijer (The Knife, Fever Ray) em masculino, sendo que até o fundo sonoro cheio de loops repetitivos e melodias melancólicas se encaixam na personalidade vocal de Karin Dreijer, mas não esqueçamos que falamos de Manes.

Com base musical idêntica à dos mais recentes Árstíðir, mas ao contrário do que esses islandeses andam a fazer com composições quentes e aconchegantes, os veteranos Manes atiram-se para territórios mais inóspitos que carecem de calor amoroso e alimentam-se do queixume doente originado de algo que muitas vezes não nos quer deixar viver em paz – como por exemplo ataques de ansiedade e experiências de quase-morte. “Last Resort” é, assim, um tema indicado para quem já conhece Árstíðir, mas “Poison Enough For Everyone” já tem muito mais a ver com uns Manes inquietados e obscurecidos, enquanto “Building The Ship Of Theseus” nos entristece com um sentido de partida. Entretanto, a penúltima “Night Vision” é um casamento ménage à trois em que vão para a cama a dissonância, a veia experimental que percorre todo o disco e um jogo de vozes.

Com uma boa dose de música própria a destoar do mainstream, “Slow Motion Death Sequence” é um alinhamento ecléctico por vezes epiléptico, por outras eléctrico, mas sempre contagiante, mesmo na loucura da combinação de sons que se constrói ao longo de nove faixas. Os Manes estão garantidos para noites tardias em que seis horas sem dormir fazem crescer em nós o receio de andarmos zombies em mais um dia que se aproxima.

Nota Final

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Rebel Wizard “Voluptuous Worship of Rapture and Response”

Diogo Ferreira

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Editora: Prosthetic Records
Data de lançamento: 17 Agosto 2018
Género: heavy/black metal

O projecto australiano Rebel Wizard pertence àqueles casos de nicho e de segredo mas está na altura de puxar Bob Nekrasov da toca, ainda que o projecto não esteja esquecido nos meandros do underground – afinal de contas, Rebel Wizard está na Prosthetic Records, casa de bandas como Exmortus, Hour Of Penance, Skeletonwitch ou Venom Prison.

O que se passa de tão interessante nesta banda, e em especial neste “Voluptuous Worship of Rapture and Response”, é a mistura que o artista faz entre black metal e heavy metal tradicional. Curioso é também o detalhe que Nekrasov deseja dar aos seus temas, com foco directamente apontado ao comprimento dos títulos: “The prophecy came and it was soaked with the common fools forboding”, “The poor and ridiculous alchemy of Christ and Lucifer and us all” e “Mother Nature, oh my sweet mistress, showed me the other worlds and it was just fallacy” são os melhores exemplos.

Mas como o que importa realmente é a música, em Rebel Wizard tanto podemos sentir o poder melódico e épico de um lead virtuoso heavy metal sacado lá dos anos 1980 – o que geralmente acontece no início dos temas – como podemos ser invocados a participar em rituais misticamente obscuros através de paredes de som cruas e agressivas que nos remetem a sonoridades black metal típicas de países como Austrália e Nova Zelândia, falando portanto de uma crueza sónica bastante pestilenta e gritante.

Que é bom não há dúvida, restando apenas a questão: e se isto fosse captado e produzido de forma mais profissional e polida? Se ouvires este disco poderás fazer a mesma pergunta e talvez não saibas a resposta, porque se a ala heavy metal é capaz de pedir uma captação mais diamantina, as excursões ao black metal estão bem pensadas por mais que se ouça muito ruído estridente. Todavia não será esta dicotomia que nos vai travar de ouvir Rebel Wizard.

Nota Final

 

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Massive Wagons “Full Nelson”

Diogo Ferreira

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Editora: Earache Records
Data de lançamento: 10 Agosto 2018
Género: rock

O Verão de 2018 tardou mas chegou e para tal nada melhor do que rodar um bom disco de rock n’ roll. Como o Verão não há-de ir já embora, acreditamos que ainda vamos ter muitas ocasiões para ouvir este regresso dos Massive Wagons que, ao longo de 12 faixas directas, nos proporcionam um bom momento musical repleto de malhas rock n’ roll que se inspiram no passado mas que se projectam no presente devido a uma muito boa produção. Todos os membros desta banda inglesa sabem onde se posicionar e todos têm o seu spotlight, mas na verdade esta é uma banda de colectivismo e não individualismo, sendo que tudo funciona muito bem quando unidos faixa após faixa. No entanto, o destaque vai indubitavelmente para Baz Mills que se apresenta um vocalista rock dos quatro costados com um sentido de catchiness incrível que resulta em refrãos orelhudos – mas lá está, sem os companheiros seria impossível chegar-se a secções musicais tão boas, caindo nós na mesma observação anterior de que os Massive Wagons funcionam realmente bem em conjunto. Particularmente, e mesmo com muito humor à mistura, a banda não esquece a crítica à vida digital que levamos em “China Plates”, arranja espaço para uma power-ballad em “Northern Boy” e recorda Rick Parfitt (Status Quo) numa nova versão de “Black to the Stack”. Indicado para fãs de Audrey Horne.

Nota Final

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