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Mortillery “Shapeshifter” [Nota: 7.5/10]

Pedro Felix

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567028Editora: Napalm Records
Data de lançamento: 27 Maio 2016
Género: thrash metal

A abordagem a esta nova proposta destes canadianos, que nos chegam pelas mãos da Napalm Records, não pode ser feita sem serem referidos os álbuns que a antecedem. Após “Murder Death Kill”, a estreia dos Mortillery em águas internacionais, onde descarregaram o seu thrash clássico com fortes influências das bandas da Bay Area, rápido e agressivo, seguiu-se “Origin Of Extiction”, que baixou um pouco o tom e a velocidade cedendo mais espaço à melodia, podendo-se identificar influências de bandas como Judas Priest e Iron Maiden, principalmente na voz de Cara McCutchen, que, com um fantástico alcance vocal, apresentou laivos de Robert Halford (Judas Priest) e do vibrato de Bruce Dickinson (Iron Maiden).

Três anos volvidos e “Shapeshifter” apresenta-nos uns Mortillery a voltar à velocidade e agressividade, embora mantendo a melodia que os caracteriza. No entanto, agora, às influências thrash acrescem influências de hardcore, principalmente em temas como o rápido “Age Of Stone”, ou no ainda mais óbvio “Mantis”. Abrindo com o tema do lyric-video de apresentação do álbum, rápido e com um refrão bastante catchy, uma característica da maioria dos temas aqui apresentados, o álbum segue uma senda de agressividade e velocidade nos temas seguintes, que incluem os atrás mencionados, acabando por entrar em territórios mais de puro thrash onde, progressivamente, a velocidade vai dando lugar à melodia, apresentando-nos temas com estruturas mais diversificadas. Aqui encontramos os melhores temas, como “Black Friday” e o excelente “Wendigo”, este último com riffs que ficam no ouvido e um excelente solo. O álbum termina com o tema-título, o mais melódico de todos, onde as influências heavy presentes no álbum anterior voltam para dar um ar da sua graça.

“Shapeshifter” é um álbum que nos apresenta uma banda thrash madura, que sabe beber das influências clássicas do thrash. Não se limitam a seguir o caminho que as bandas dos anos 80 e 90 traçaram, mas vão beber à fonte, trilhando assim o seu próprio caminho. Rico em riffs que ficam no ouvido, diversificado em ritmos e melodias e com um alinhamento de temas que não deixa de ser do mesmo estilo, mas que apresentam uma identidade própria e bem definida. No entanto, comum a todos os temas, sejam lentos ou rápidos, com mais ou menos melodia, é a agressividade que se sente. Se não é pela música, é pela voz de Cara McCutchen que, se no álbum anterior exalava agressividade, agora exala fúria pura em grande parte do tempo. Como se diz na gíria, berra que se farta, o que, em si, não é um factor negativo, embora, em diversas ocasiões, se sinta que o esforço é levado longe demais e se note talvez um certo exagero. Detentora de uma excelente voz, é claramente capaz de fazer melhor do que isto. O futuro o dirá.

 

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Manes “Slow Motion Death Sequence”

Diogo Ferreira

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Editora: Debemur Morti Productions
Data de lançamento: 24 Agosto 2018
Género: avant-garde / rock / electro

Com 25 anos de carreira, os noruegueses Manes têm a cartada ideal para comemorar este aniversário – é um álbum e chama-se “Slow Motion Death Sequence”.

Com 25 anos de carreira – e este início de frase repetido é propositado –, os Manes não só não têm nada a provar como ainda se mostram artisticamente maturados e humildes ao ponto de apontarem influências contemporâneas, como In The Woods…, Solefald e Ulver.

Assim, e com muito avant-garde, à medida que o álbum cresce em nós, é imensamente evidente que a inclinação à pop faz parte dos nórdicos. Mas num muito bom sentido! Isto é, a bateria aliada aos loops electrónicos funcionam como uma dança síncrona entre dois pares muitíssimo bem treinados que sabem que o resultado final tem de ser emotivo e negro. Por outro lado, o grupo adiciona rock e algum metal com malhas de guitarra bem eléctricas e presentes em momentos críticos que desse instrumento necessitam.

Se a inaugural “Endetidstegn” pode ser indicada para fãs do som actual e mais amigável de uns Leprous, a seguinte “Scion” é como ouvir Karin Dreijer (The Knife, Fever Ray) em masculino, sendo que até o fundo sonoro cheio de loops repetitivos e melodias melancólicas se encaixam na personalidade vocal de Karin Dreijer, mas não esqueçamos que falamos de Manes.

Com base musical idêntica à dos mais recentes Árstíðir, mas ao contrário do que esses islandeses andam a fazer com composições quentes e aconchegantes, os veteranos Manes atiram-se para territórios mais inóspitos que carecem de calor amoroso e alimentam-se do queixume doente originado de algo que muitas vezes não nos quer deixar viver em paz – como por exemplo ataques de ansiedade e experiências de quase-morte. “Last Resort” é, assim, um tema indicado para quem já conhece Árstíðir, mas “Poison Enough For Everyone” já tem muito mais a ver com uns Manes inquietados e obscurecidos, enquanto “Building The Ship Of Theseus” nos entristece com um sentido de partida. Entretanto, a penúltima “Night Vision” é um casamento ménage à trois em que vão para a cama a dissonância, a veia experimental que percorre todo o disco e um jogo de vozes.

Com uma boa dose de música própria a destoar do mainstream, “Slow Motion Death Sequence” é um alinhamento ecléctico por vezes epiléptico, por outras eléctrico, mas sempre contagiante, mesmo na loucura da combinação de sons que se constrói ao longo de nove faixas. Os Manes estão garantidos para noites tardias em que seis horas sem dormir fazem crescer em nós o receio de andarmos zombies em mais um dia que se aproxima.

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Rebel Wizard “Voluptuous Worship of Rapture and Response”

Diogo Ferreira

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Editora: Prosthetic Records
Data de lançamento: 17 Agosto 2018
Género: heavy/black metal

O projecto australiano Rebel Wizard pertence àqueles casos de nicho e de segredo mas está na altura de puxar Bob Nekrasov da toca, ainda que o projecto não esteja esquecido nos meandros do underground – afinal de contas, Rebel Wizard está na Prosthetic Records, casa de bandas como Exmortus, Hour Of Penance, Skeletonwitch ou Venom Prison.

O que se passa de tão interessante nesta banda, e em especial neste “Voluptuous Worship of Rapture and Response”, é a mistura que o artista faz entre black metal e heavy metal tradicional. Curioso é também o detalhe que Nekrasov deseja dar aos seus temas, com foco directamente apontado ao comprimento dos títulos: “The prophecy came and it was soaked with the common fools forboding”, “The poor and ridiculous alchemy of Christ and Lucifer and us all” e “Mother Nature, oh my sweet mistress, showed me the other worlds and it was just fallacy” são os melhores exemplos.

Mas como o que importa realmente é a música, em Rebel Wizard tanto podemos sentir o poder melódico e épico de um lead virtuoso heavy metal sacado lá dos anos 1980 – o que geralmente acontece no início dos temas – como podemos ser invocados a participar em rituais misticamente obscuros através de paredes de som cruas e agressivas que nos remetem a sonoridades black metal típicas de países como Austrália e Nova Zelândia, falando portanto de uma crueza sónica bastante pestilenta e gritante.

Que é bom não há dúvida, restando apenas a questão: e se isto fosse captado e produzido de forma mais profissional e polida? Se ouvires este disco poderás fazer a mesma pergunta e talvez não saibas a resposta, porque se a ala heavy metal é capaz de pedir uma captação mais diamantina, as excursões ao black metal estão bem pensadas por mais que se ouça muito ruído estridente. Todavia não será esta dicotomia que nos vai travar de ouvir Rebel Wizard.

Nota Final

 

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Massive Wagons “Full Nelson”

Diogo Ferreira

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Editora: Earache Records
Data de lançamento: 10 Agosto 2018
Género: rock

O Verão de 2018 tardou mas chegou e para tal nada melhor do que rodar um bom disco de rock n’ roll. Como o Verão não há-de ir já embora, acreditamos que ainda vamos ter muitas ocasiões para ouvir este regresso dos Massive Wagons que, ao longo de 12 faixas directas, nos proporcionam um bom momento musical repleto de malhas rock n’ roll que se inspiram no passado mas que se projectam no presente devido a uma muito boa produção. Todos os membros desta banda inglesa sabem onde se posicionar e todos têm o seu spotlight, mas na verdade esta é uma banda de colectivismo e não individualismo, sendo que tudo funciona muito bem quando unidos faixa após faixa. No entanto, o destaque vai indubitavelmente para Baz Mills que se apresenta um vocalista rock dos quatro costados com um sentido de catchiness incrível que resulta em refrãos orelhudos – mas lá está, sem os companheiros seria impossível chegar-se a secções musicais tão boas, caindo nós na mesma observação anterior de que os Massive Wagons funcionam realmente bem em conjunto. Particularmente, e mesmo com muito humor à mistura, a banda não esquece a crítica à vida digital que levamos em “China Plates”, arranja espaço para uma power-ballad em “Northern Boy” e recorda Rick Parfitt (Status Quo) numa nova versão de “Black to the Stack”. Indicado para fãs de Audrey Horne.

Nota Final

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