Mountaineer “Passages” [Nota: 7.5/10] – Ultraje – Metal & Rock Online
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Mountaineer “Passages” [Nota: 7.5/10]

Editora: Lifeforce Records
Data de lançamento: 29 Junho 2018
Género: post metal

O segundo disco dos Mountaineer bem podia figurar naquelas vitrines que às vezes se encontram nas áreas de serviço e em supermercados com um letreiro bem grande a dizer “Música Zen e de Relaxamento” junto à típica imagem de um reconhecido número de acrobacia de três calhaus empilhados uns sobre os outros numa poça de água. Sim, é um álbum de metal e uma boa parte desse metal é composto por sludge, gritaria e algum doom, mas não deixa de ser um disco que, mesmo nesses momentos, é sereno.

Lançado praticamente um ano depois do disco de estreia, “Passages” é uma obra dividida em duas partes – “Hymnal” e “Catacombs” – que a banda afirma como sendo «dois longos temas repartidos em passagens individuais» – ui, lá está o nome do álbum! Será que desvendámos o segredo do significado? O curioso é que não soa como dois longos temas; entenda-se antes como temas completamente distintos uns dos outros mas que têm algumas características que os ligam dentro de cada conjunto. Por exemplo, os temas que compõem as passagens de “Hymnal” têm uma natureza muito mais contemplativa e dispersa que os de “Catacombs”, que conseguem aglomerar melhor a sonoridade da banda num baile bem orientado de peso com suavidade.

Por falar em sonoridade, é bom ouvir que a mesma deu um salto qualitativo em comparação com aquilo que os Mountaineer apresentaram no disco de estreia. Depois de uma afinação na produção, reduzindo drasticamente o reverb das guitarras, o qual simplesmente não se encaixava bem no trabalho que estavam a criar, e ajustando as melodias e os momentos mais agressivos, pois ambos também não se estavam a encaixar bem nas faixas de “Sirens & Slumber”. A banda americana esforçou-se por explorar muito melhor cada um destes elementos, conseguindo momentos melódicos quase etéreos (com uma valente ajuda da voz suave, que nem mel, de Miguel Meza), como os que se ouvem em “Hymnal: Passage III” ou no refrão de “Catacombs: Passage IV”, sendo este último dos melhores temas do álbum, e sabendo mostrar peso arrastado e ecoante na doomy “Hymnal: Passage II” e na primeira passagem de “Catacombs”. Sendo, no entanto, pesado mas não opressivo, contribuindo para que toda a experiência seja bastante contemplativa e tranquila.

O que falta aqui? Talvez uma cola mais forte para ligar certas “passagens” no interior das passagens, pois vários serão os momentos em que há uma mudança abrupta no fluxo do tema, o que, para um trabalho que parece almejar um propósito tão zen, seria mais benéfico e interessante se tudo fluísse de uma forma muito mais orgânica.

Um álbum que faz esquecer as falhas maiores do disco de estreia e que mostra uma banda ainda longe de atingir o nirvana sonoro, mas realmente determinada em fazê-lo.

 

7.5/10
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