Myrkur: “Vikings”, Chelsea Wolfe e interpretação de sonhos | Ultraje – Metal & Rock Online
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Myrkur: “Vikings”, Chelsea Wolfe e interpretação de sonhos

Ester SegarraFoto: Ester Segarra

“Mareridt” é o título do novo álbum de Myrkur, o projecto folk/black metal da dinamarquesa Amalie Bruun. A Ultraje falou com a compositora e multi-instrumentista a respeito da nova proposta discográfica, que significa “pesadelos”. A entrevista poderá ser lida na edição #12 da Ultraje, no entanto deixamos aqui alguns excertos exclusivos onde a artista fala da série “Vikings”, de Chelsea Wolfe e dedica ainda algum tempo a interpretar os sonhos da minha mãe.

VIKINGS
Ao ouvir “Crown”, um tema folk com uma atmosfera nostálgica e sonhadora onde a voz angelical de Amalie Bruun faz as delícias do ouvinte, fui prontamente transportado para os cenários presentes na série de TV do canal História “Vikings”. Por alguma razão também viajei até ao Princeton-Plainsboro Teaching Hospital de Dr. House, mas achei que não valia a pena mencioná-lo. Perguntei a Amalie se via esta série televisiva influenciada por Ragnar Lothbrok, lendário herói da poesia nórdica, e outras séries recentes dentro da mesma temática:
«Gosto de programas históricos e vejo Game Of Thrones, apesar disso não ser uma série sobre vikings. Ainda não vi nenhuma dessas séries, para te ser honesta. Acho que por vezes podem ser enganadoras, e uma vez que eu faço este tipo de música penso que devemos manter as coisas puras e o mais historicamente correctas possível. Há muitas pessoas que gostam de “Vikings” e dizem que é uma série que é historicamente precisa, impressionante e bonita, pelo que se calhar vou começar a ver também.»

CHELSEA WOLFE
Presente no novo álbum, encontra-se um tema intitulado “Gladiatrix”. Amalie admite considerar-se «uma guerreira», por ter tido de «lutar durante toda a minha vida, e ainda o faço. Todos travam as suas próprias batalhas e algumas são mais violentas que outras».
Outra guerreira que marca presença em “Mareridt” é Chelsea Wolfe, ao emprestar a voz em temas como “Funeral” e “Kvindelil”. A artista fala da colaboração: «Ficámos amigas há algum tempo e quando compus “Funeral” pensei logo nela. Começámos a tocar juntas e depois apareceu essa música… Foi algo que aconteceu naturalmente.»

SONHOS
Falamos muito de sonhos e pesadelos, visto ser o tema principal deste “Mareridt”. Enquanto Amalie confessava ser muito influenciada por aquilo que os seus sonhos lhe diziam, expliquei-lhe que a minha mãe sempre adivinhou quando alguém da família iria ficar doente através de um sonho específico. Este sonho não é sempre o mesmo e pode apresentar infinitas variantes. Manifesta-se, no entanto, através de um elemento comum: merda. Coincidência ou não, estes sonhos são sempre tiro certeiro e só vêm com o defeito de não nos dizerem como havemos de nos prevenir, pois por muito que se faça, perdemos sempre a batalha e acabamos doentes.
«Parece ser mais superstição, mas ao mesmo tempo também acho que a tua mãe poderá ter uma espécie de habilidade psíquica, e creio que se isso lhe acontece então ela está certa. O melhor é ouvi-la. Quanto ao que me acontece, é mais uma espécie de aviso sobre algo que já sabes, mas não sabes que sabes, pois já o sabes no teu coração, no teu espírito ou no subconsciente, mas ainda não foi processado pelo teu cérebro lento. [risos]»

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