#ChooseUltraje

Reviews

Neocaesar “11:11” [Nota: 8.5/10]

João Correia

Publicado há

-

Neocaesar_-_11_11_12x12cmEditora: Xtreem Music
Data de lançamento: 05 Dezembro 2017
Género: death metal

É agradável verificar que certas coisas nunca mudam. Nascidos das cinzas do que foi a nata da nata dos Sinister clássicos, os holandeses Neocaesar são uma banda que é impossível de ignorar não só pelo legado histórico que os seus membros carregam aos ombros como pelo facto de “11:11” representar a verdadeira essência do death metal da velha-guarda. O núcleo duro dos Neocaesar é composto pelo vocalista Mike van Mastrigt (vocalista de Sinister entre 1988 e 1996), pelo guitarrista Bart van Wallenberg (baixista e guitarrista dos Sinister entre 1992 e 2002), é reforçado no baixo por Michel Alderliefsten (baixista dos Sinister em 1996) e na bateria por Eric de Windt (vocalista de Sinister entre 1997 e 1999); logo, o que poderia correr mal? Muito pouco.

A intro “Initium Novum” envia-nos directamente para “Hate”, o último clássico de Sinister datado de 1995, e qualquer semelhança com a intro desse álbum não é pura coincidência. De seguida, “From Hell” eclipsa qualquer dúvida que ainda restasse sobre a natureza de “11:11” – trata-se de um disco de death metal furioso e impetuoso a espumar com raiva, o tipo de álbum que só os velhos mestres ainda sabem fazer, podendo mesmo considerar-se uma arte perdida. “Victims of Deception”, a faixa seguinte, abranda a velocidade apenas para investir na densidade megalítica das guitarras, sempre pujantes e afinadas à velha moda dos Sinister, mas também claras e tocadas com garra. Tanto a viola-baixo como a bateria também seguem as mesmas pegadas do melhor que os Sinister fizeram, com aquele jeito bastante especial que faria com que qualquer fã de death metal reconhecesse a banda apenas pelo tipo de som, como se da voz de James Hetfield ou da forma de tocar bateria de Dave Lombardo se tratasse.

“Angelic Carnage” atira-nos de novo contra uma parede de blastbeats estrategicamente inseridos, ao contrário de 90% ou mais dos trabalhos de bateria das bandas de death metal actuais, que competem para ver qual consegue mais bpm em detrimento de alma. Se toda a gente consegue tocar de forma extremamente rápida com prática, o mesmo não se pode dizer de possuir a alma necessária para compor um bom álbum, e é esse o caso dos Neocaesar. “Sigillorum Satanas”, faixa instrumental e penúltimo trabalho do álbum, prepara caminho para “Blood of the Nephilim”, um momento épico de quase oito minutos em que a banda concilia lentidão e velocidade, agressividade e melodia, riffs e um solo inspirado (que teima em ficar na nossa memória, coisa rara hoje em dia), e vocalizações que não poderiam ser de outra pessoa que não van Mastrigt.

“11:11” é fruto da genialidade de quatro músicos que, embora afastados dos principais palcos mundiais da cena durante anos, conseguem chegar ao final de 2017 e lançar um álbum digno de nota. Por outro lado, dá para imaginar o que seriam hoje em dia os Sinister caso o sucessor de “Hate” fosse “11:11”, tal é a semelhança (para melhor) deste último com o primeiro. Poderá causar uma lágrima no canto do olho aos fãs acérrimos de Sinister e certamente que cativará os fãs de death metal mais iniciados que prefiram pureza e agressividade incontida a modas passageiras onde a velocidade é rainha, mas a inspiração é camponesa.

Reviews

Ancst “Abolitionist”

Diogo Ferreira

Publicado há

-

Editora: Lifeforce Records / Yenohala Tapes
Data de lançamento: 16 Novembro 2018
Género: black metal / hardcore / crust

Mesmo a tempo de partirem para uma digressão norte-americana em Novembro com os Dawn Ray’d, os proeminentes alemães Ancst voltam à carga com o EP “Abolitionist”. Por esta altura do campeonato, e tendo em conta que a banda de Berlim existe desde 2011, os mais atentos adeptos de sonoridades extremas já devem estar a par do que esta banda é capaz.

Produtivos e eficazes no que fazem, esta proposta, que estará disponível em CD e vinil, não traz nada de novo ao som da banda, mas continua com a fasquia elevada naquela que é uma mistura sedutora e cativante de black metal moderno e hardcore/crust metalizado.

Motivados pelo sucesso underground que têm obtido, os Ancst mostram-se neste EP um pouco mais crus a nível de produção, mas em nada isso lhes retrai as capacidades criativas que têm para oferecer músicas ultravelozes repletas de riffs orelhudos e vocais raivosos que, como tem sido desde sempre, se debruçam nos problemas sociopolíticos mundiais.

“Abolitionist” acaba por ser uma combinação entre o passado não muito longínquo da banda e o presente que lhes proporcionou um enorme salto na carreira com o álbum “Ghosts of the Timeless Void” (Março, 2018). A máquina é jovem e não pode parar. Os Ancst sabem disso e estão a puxar por si próprios – os fãs agradecem.

Nota Final

Continuar a ler

Reviews

Unleashed “The Hunt For White Christ”

João Correia

Publicado há

-

Editora: Century Media Records
Data de lançamento: 26 Outubro 2018
Género: death metal

É louvável que, ao fim de 29 anos de actividade, uma banda de death metal continue a surpreender como quando o fazia nos idos de 90. É o caso dos eternos Unleashed, banda pioneira do viking
death metal que lançou de rajada três álbuns fundamentais (“Where No Life Dwells”, “Shadows In The Deep” e “Across The Open Sea”) e que, com eles, ajudou a alicerçar o futuro do death metal sueco puro: inicialmente básico, mas pleno de originalidade/vitalidade, e porque os solos técnicos estavam quase sempre ausentes, os Unleashed tinham a capacidade de criarem riffs simples, mas imortais (quem não se recorda de temas como “Before The Creation Of Time” ou “To Asgaard We Fly”?). Eram tempos mais simples, tempos em que conseguíamos identificar uma banda pela produção e afinação de apenas uma guitarra, tempos em que cada logótipo era completamente distinto de banda para banda, em contraste com a actualidade.

A partir de 1995, os suecos extinguiram um pouco a sua chama inicial e caíram num limbo de incertezas. Mesmo no princípio dos 2000, os mestres pagãos poucos concertos davam fora da Suécia, excepção feita a concertos de grande dimensão (como o Wacken, em 2002). Ademais, o género de death metal praticado pouco evoluiu, o que quase fez da banda uma glória antiga com pouco ou nada mais a acrescentar. Porém, mais recentemente os Unleashed voltaram a provar de que massa são feitos quando lançaram o muito bem conseguido “Odalheim” (2012), um registo mais violento do que anteriormente e orientado para o death metal com toques de black sueco muito discretos, com uma produção e uma sensação de actualidade sempre com o death metal sueco clássico de fundo e, pasme-se, com solos de alta categoria, oscilando entre o caos e a melodia e, finalmente, os riffs de marca dos Unleashed. Desaceleraram para uma toada mais épica e lenta no álbum seguinte, “Dawn Of The Nine” (2015), mas continuaram a convencer com a crescente qualidade das composições. Tudo isto apontava para um sucessor à altura das lendas escandinavas.

Chegados a 2018, “The Hunt For White Christ” é uma rodela que apresenta todo o potencial de uma banda que fez do death metal o seu ganha-pão. “Lead Us Into War” – a primeira de 11 faixas cuja duração média é quatro minutos e que assenta arraiais na clássica declaração veni, vidi, vice – é um tema extremamente rápido que grita “UNLEASHED!” com todas as letras, principalmente graças aos riffs inconfundíveis de Tomas Olsson e aos solos de classe de Fredrik Folkare, que são caóticos, complexos e perfeitos. Esta fórmula repete-se a cada tema do novo registo, com a particularidade de não aborrecer ou de dar a impressão de dejá vu – “Stand Your Ground” (com a sua afinação de guitarras nitidamente sueca), “The City Of Jorsala Shall Fall” (com o seu compasso mais lento, o que permite a Fredrik demonstrar o quanto evoluiu, que aliás é uma constante em cada tema) ou a final “Open To All The World” (que coroa uma vez mais a cabeça dos verdadeiros reis do deah metal sueco) são temas que marcam e que nos apresentam ainda uma influência de death metal mais técnico extraído de outras paragens que a Escandinávia, com toques de Gojira e até de bandas norte-americanas aqui e ali. O contexto, esse, não varia – anticristianismo, paganismo, os feitos dos vikings e a eterna necessidade dos einherjar em tombarem honrosamente em combate para ascender gloriosamente a Valhalla.

Gravado e produzido nos Chrome Studios por Fredrik Folkare, “The Hunt For White Christ” é um trabalho algo improvável e que nos prova que os Unleashed não são apenas mais uma banda relevante da época de platina do metal extremo, mas sim um trabalho em progresso que logra surpreender mais e mais a cada nova audição e a cada novo registo. Feitas as contas, “The Hunt For The White Christ” vale pelo seu todo e pelos factores novidade (tendo em conta a banda de que se trata) e qualidade, sempre presentes em doses muito generosas e que fazem com que este seja um dos álbuns a ter em atenção dentro do género em 2018.

Nota Final

 

 

Continuar a ler

Reviews

The Casualties “Written in Blood”

Diogo Ferreira

Publicado há

-

Editora: Cleopatra Records
Data de lançamento: 26 Outubro 2018
Género: punk rock

Fundados em 1990, chegamos a 2018 e nenhum dos membros actuais de The Casualties pode contar a história desde o início, ainda que o primeiro álbum “For the Punx” date apenas de 1997. O único original até há bem pouco tempo era o vocalista Jorge Herrera que abandonou a lendária banda de punk rock em 2017. A substituí-lo temos David Rodriguez que até empresta o seu conhecimento em línguas hispânicas ao longo do álbum, aqui e ali. Posto isto, Jake Kolatis é o elemento mais antigo, a tocar guitarra no grupo desde 1993, seguindo-se-lhe Marc Eggers na bateria desde 1995 e Rick Lopez no baixo desde 1998. E pegando neste último, refira-se desde já que o seu instrumento está muito bem representado ao ponto de se ouvir incessantemente e de forma preponderante em relação ao rumo que o ritmo e melodia dos temas ganham – o que é tão necessário e bonito de se ter no punk rock. Conceptualmente, a banda de Nova Iorque continua a desafiar as normas sociais e a querer derrubar a injustiça sociopolítica; já as riffalhadas mantêm-se coesas e corridas como a malta deseja no género e na banda, mas também podemos encontrar uma ou outra malha mais thrashy e leads mais rock n’ roll, o que não é de estranhar e até salpica o som dos The Casualties com as influências que ainda hoje Kolatis & Cia. têm dentro de si.

“Written in Blood” é um disco que pode não trazer nada de novo ao punk – salvo, porventura, um arranjo ao piano na faixa “Feed Off Fear” –, mas a essência honesta da música que tocam é intocável ao fim de 11 álbuns. Com uma produção limpa – os punks também merecem –, é impossível estar-se quieto a ouvir The Casualties, por isso não te assustes se as tuas pernas começarem a querer dar coices.

Nota Final

Continuar a ler

Facebook

#UltrajeRadar

Ultraje #17