Nightbringer: Terra Maldita (entrevista c/ Naas Alcameth) | Ultraje – Metal & Rock Online
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Nightbringer: Terra Maldita (entrevista c/ Naas Alcameth)

rsz_nightbringer_0667Foto: cortesia Season Of Mist

Com “Terra Damnata” (lançado em Abril passado pela Season Of Mist), os norte-americanos Nightbringer dão um passo em frente na sua percepção do que é o black metal, tanto musical como conceptualmente. Para dissertar sobre tudo isso, e após várias trocas de e-mails, obtivemos a réplica de Naas Alcameth que, sempre seguro de si e da sua banda, começa por responder rapidamente a uma pergunta também ela rápida: se vê o novo trabalho como uma espécie de trance. «De certa maneira suponho que pode ser visto assim, embora não tenha sido a intenção», responde.

Olhando para o catálogo da banda, muitos podem achar que os Nightbringer estão realmente a dar um passo em frente com “Terra Damnata”, havendo mesmo novas dimensões musicais e espirituais a serem desenvolvidas. «Tentámos melhorar as coisas na frente composicional. Este é o nosso álbum mais agressivo, [mas] ainda assim sinto que está longe de ser directo», porque «há muito para analisar, o que provavelmente precisa de algumas audições». E acrescenta: «As dinâmicas estão muito envolvidas e há um certo nível de obscuridade misturada com magnificência. Quanto à frente espiritual, expomos as crenças que mantivemos este tempo todo.»

Estas ditas frentes, a composicional e a espiritual, conduzem-nos a mais dois campos de discussão: a sonoridade e o conceito. Sobre a ala conceptual, temáticas como a morte, a metafísica e as premonições sempre foram abordadas no seio da banda, sendo que, na actualidade, o título do disco faz-nos aterrar na Terra, uma Terra condenada. Estará Naas a lidar só com experiências terrenas ou serão as forças exteriores uma grande ferramenta para tudo o que é Nightbringer? «As “forças exteriores” – como colocas – serão sempre o centro do nosso trabalho, ainda que tenhamos posto muito ênfase em como certas forças desta era se manifestam dentro do mundo físico e das realidades que o rodeiam.» Depois há ainda a exploração do ‘eu’ que erradamente pode ser tomada como egocentrismo ou individualismo. O artista até consente que existe, de facto, essa exploração mas não da forma como pensamos: «Na verdade, o conceito do ‘eu’ de que falamos é a antítese de egocentrismo – é o ego-death [morte do ego].» Partindo depois para a sonoridade, a guitarra lead tem uma enorme importância em “Terra Damnata”, sendo ela uma força motriz dos sentidos. Naas anui tal observação e completa: «Sinto que os nossos leads sempre foram uma parte muito importante e é o que dá um som distinto aos Nightbringer.»

Já no fim voltámos ao passado, não em termos discográficos mas históricos, indagando Naas a tentar lembrar-se do que o fez surgir com algo diferente numa fase estranha do black metal, nos idos de 1999. Finaliza eloquentemente: «Penso que é natural lutar por se engendrar arte com a sua própria identidade. Isto dá mesmo vida a tudo e dá força e forma à arte – distinguível do desonesto e do desinspirado.»

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