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Nytt Land “Oðal” [Nota: 7/10]

Diogo Ferreira

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Editora: Cold Spring
Data de lançamento: Março 2018
Género: folk

Em apenas três anos, os Nytt Land, com line-up intocável, já chegaram ao quarto álbum que é nada mais, nada menos do que uma tela pintada por cores sonoras que evoluíram muito à custa de terem sido captadas no Radio Sibir, um dos estúdios russos mais conceituados.

Nestas novas nove faixas, a banda faz reviver o folclore e a verdadeira magia do Norte Ancestral através daquilo que, musicalmente, os siberianos fazem melhor: o canto difónico, comummente designado por throat singing a nível global e por kargyraa a nível regional. Esta é uma técnica vocal com contornos monásticos que é maioritariamente praticada por homens, sendo que no caso de Nytt Land é Anatoly ‘Nordman’ Pakhalenko quem se atravessa perante o ouvinte, mas este projecto tem também a característica menos habitual de mostrar as capacidades femininas nesse campo vocal com a sua esposa Natalya ‘Krauka’ Pakhalenko a elevar o canto difónico a texturas sedutoras, embora sempre com um sentimento xamânico presente. Contudo, há todo um fundo musical elaborado por instrumentos como a jew’s harp (ou berimbau de boca), a tagelharpa (muito utilizada neste tipo de bandas), as flautas metálicas e, claro, a percussão composta por tambores de peles que lançam sobre nós todo aquele batuque cálido e forte. Interessante é também a participação de Yuri Pakhalenko, o filho de quatro anos de Anatoly e Natalya, que na faixa “Deyr Fé / The Heritage” repete carinhosamente as palavras do pai indo ao encontro do próprio título do tema: passagem de testemunho e herança.

Enigmático, especialmente para quem não cresceu no seio das comunidades siberianas, “Oðal” também é aconchegante, quente (mesmo que oriundo de terras tão frias quando o Inverno impiedoso ataca) e sobretudo hipnotizante. Indicado para fãs de Wardruna e Forndom.

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Mantar “The Modern Art of Setting Ablaze”

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Editora: Nuclear Blast
Data de lançamento: 24 Agosto 2018
Género: sludge metal

Poucas bandas conseguem escapar-se de receber um rótulo no que toca à sua sonoridade, algumas podem até aceitá-los de bom grado e há outras, como é o caso de Mantar, que tornam este processo uma das tarefas mais difíceis que já tivemos. Foi sem grandes complicações ou pretensiosismos que este duo germânico conseguiu, desde o lançamento do seu primeiro álbum, enquadrar o punk e o black metal nos meandros do sludge.

Em apenas seis anos de carreira, e sobretudo desde o lançamento de “Ode To The Flame”, provou-se que esta assinatura sonora, tanto em palco como fora dele, lhes valeu um grande e merecido reconhecimento. É então através da Nuclear Blast que nos fazem chegar “The Modern Art of Setting Ablaze.” Este é o seu terceiro álbum de estúdio e volta a apontar holofotes na direcção de Hanno e Erinc, sem nunca se afastar da fórmula original, onde dois bastam para fazer o estrago de cinco ou mais.

“The Knowing” é a faixa introdutória, que rapidamente descontrai e prepara os ouvidos dos mais atentos para um dos momentos mais catchy deste trabalho: o riff inicial de “Age of the Absurd.” Os temas “Seek + Forget” e “Taurus” abrandam ligeiramente o ritmo, mas nem por isso desfalcam a descarga massiva de riffs memoráveis, que ficam alojados naquele sítio mais escondido e obscuro da nossa cabeça. Sempre sob a máxima ‘dois é bom, três é demais’, o ritmo galopante de Erinc nunca esmorece, juntando-se à voz e guitarra animalescas de Hanno, numa feroz contribuição para o build-up que sentimos ao longo destes doze temas.

A meio do álbum, o tema “Dynasty of Nails” chega acelerado e relembra que grande parte das raízes deste duo assenta efetivamente no punk. Mesmo com algumas oscilações de ritmo, o compasso abrasivo mantém-se e é apenas nos últimos “Teeth of the Sea” e “The Funeral” que podemos reconhecer um tom mais melancólico, onde a vertente mais doom da banda volta a merecer algum destaque.

Uma produção mais cuidada revela-se talvez uma novidade não tão bem-vinda neste terceiro trabalho. O registo mais limpo facilita a coesão entre faixas, mas descarta aquele som pantanoso, repleto de pormenores ásperos, a que já nos tínhamos habituado. Ainda assim, na maior parte do tempo, as letras dos temas compensam este ponto com linhas como “since you are born, you are waiting for death.”

Um álbum coeso e straightforward, com mais uma pitadinha de in-your-face do que lançamentos anteriores. Aqui não há direito a pausas para descanso.

Nota Final

 

 

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King Dude “Music To Make War To”

Diogo Ferreira

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Editora: Ván Records
Data de lançamento: 24 Agosto 2018
Género: blues / country / rock

King Dude não é um artista de massas, mas tem fãs leais por todo o mundo e ao fim de quase 10 anos é evidente que ajudou a modificar, para melhor, a cultura musical norte-americana. Se os primeiros discos eram direccionados às guitarras acústicas e já com muita atmosfera, em “Fear” (2014) introduziu a guitarra eléctrica, em “Songs Of Flessh & Blood – In The Key Of Light” (2015) surgiu com piano e em “Sex” revelou a sua faceta punk. Agora, com “Music To Make War To”, o músico adorado por tantas e tantos junta um pouco de tudo o que já fez.

Com a loucura de guerra como fundo, King Dude oferece uma mescla de country, blues, americana e rock, sempre, claro, com o seu cunho tão pessoal. Se a guerra provoca náuseas, desorientação e doença, a música de King Dude tenta curar tudo isso sem nunca omitir a negritude da base conceptual. A inaugural “Times To Go To War” apresenta uma faceta obscura e extremamente atmosférica, “Velvet Rope” atira-nos para campos sonoros relacionados ao rock, “I Don’t Write Love Songs Anymore” recorda-nos o post-punk de Inglaterra, “Dead On The Chorus” expõe mais uma vez uma inclinação punk, “In The Garden” apresenta uma paisagem sonora meia electrónica com loops cativantes, “Let It Burn” evoca uma espécie de cenário western e “Good And Bad” põe-nos à mesa de uma boîte envolta em fumo de cigarros onde, no palco, poderá estar uma cantora de vestido vermelho que chora ao lado de um saxofone.

Ao fim de sete álbuns, este “Music To Make War To” prova que parar e ficar numa zona de conforto não é o trato de King Dude. Relevando novamente que TJ Cowgill é parte importante da transformação da música underground norte-americana, este disco prova também que nunca sabemos ao certo o que acontecerá a cada álbum que é lançado. E isso é bom! Aliás, tem sido bom. Qualquer trabalho de King Dude é um must-have.

Nota Final

 

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Helion Prime “Terror Of The Cybernetic Space Monster”

Diogo Ferreira

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Editora: AFM Records
Data de lançamento: 31 Agosto 2018
Género: heavy/power metal

Desde a sólida estreia com o álbum de título homónimo, datado de 2016, algumas coisas mudaram em Helion Prime, principalmente devido à adição de uma voz masculina pela primeira vez. Depois de Heather Michele Smith (Graveshadow) e Kayla Dixon (Witch Mountain), os californianos chamaram a si Sozos Michael, que se apresenta um vocalista com uma voz aberta e poderosa, por vezes até com laivos de Hansi Kürsch (Blind Guardian).

Focados em analisar a natureza humana e a luta interna entre bem e mal, os Helion Prime, e a sua mascote Saibot, não deixam de parte um teor cósmico que aparece principalmente na intro “Failed Hypothesis” para, seguidamente, enveredarem por um heavy/power metal que não recorre a floreados orquestrais, tirando um ou outro breve segmento de piano. Para além da voz cativante e profissional de Sozos Michael, é a execução das guitarras, por Jason Ashcraft e Chad Anderson, que mais salta à nossa atenção devido principalmente à orientação thrashy que dá uma energia imparável e imperativa a este álbum, culminando numa epopeia de 17 minutos na nona, e última, “Terror Of The Cybernetic Space Monster”.

Se Jason Ashcraft não tinha bem a certeza daquilo que faria e como seria o resultado final do segundo álbum da banda que fundou, então todas as dúvidas estão dissipadas neste “Terror of the Cybernetic Space Monster”. É indicado para fãs de Blind Guardian e para os adeptos da ala mais agressiva do heavy/power metal.

Nota Final

 

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