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O metal e a segurança em recintos fechados

Rui Vieira

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Todos adoramos quando as nossas bandas preferidas vêm a Portugal e acabamos por marcar presença naquele pavilhão ou clube “quentinho” e acolhedor, onde a adrenalina corre a mil e a regra é celebrar. Tudo bem até aqui, e essa é a premissa principal, mas costumam reparar na segurança dos espaços onde vão? Costumam verificar onde estão as saídas de emergência? Lêem a planta de evacuação ou imaginam uma situação extrema e quais as atitudes a tomar? Claro que muito poucas pessoas farão isto, e é compreensível até certo ponto. Como a Ultraje também se preocupa com a segurança da comunidade metálica, aqui ficam algumas considerações sobre este assunto, raramente abordado.

Na chegada ao local gostamos de meter a conversa em dia com os amigos (alguns que já não vemos há muito tempo), pedir mais uma cerveja para celebrar esse acontecimento, fumar um cigarro, etc.. É tudo perfeitamente normal e natural. Mas não só de emoções deve viver a nossa ida a um concerto, acima de tudo aos que estão ao “barrote”. Alguma razão e pragmatismo devem estar presentes também. E não é necessário muito tempo para “estudar” o ambiente da sala. Por exemplo, enquanto não começa a primeira banda ou enquanto vemos a banca do merch. Tal como as indicações de salvamento nos aviões, fornecidas antes de levantar voo, dar uma voltinha pelo recinto do espectáculo poderá fazer toda a diferença numa situação complicada, seja ela qual for. E não vale a pena pensar que nunca acontecerá porque a realidade, invariavelmente, encarrega-se de nos provar o contrário. Pesquisem no YouTube “The Great White + Station Club” e irão perceber.

Nos últimos anos, e após a “recuperação” da crise financeira de 2008, temos assistido a uma crescente presença de pessoas nos festivais e concertos em clubes nocturnos, nomeadamente, quando os artistas são internacionais. As pessoas desinibiram-se, libertaram as amarras da austeridade e a sua afluência aos espectáculos musicais tem crescido exponencialmente. Mas todos os espaços são limitados e não cabe toda a gente. Como tal, e acreditando na segurança e respectivos regulamentos desses recintos, também nós podemos fazer esse “trabalhinho” de investigação. E como diz o outro, “são 5/7 minutos…”.

Há regras básicas a que devemos atentar, tais como:
– manter a calma (difícil mas imprescindível) e “usar a cabeça”
– perceber e marcar mentalmente todas as saídas, nomeadamente, a sua largura e eventuais obstáculos
– verificar onde estão posicionados os extintores
– que tipo de escadarias existem
– perceber se há material facilmente inflamável (tectos em madeira ou poliuretano, principalmente)

Estas são apenas algumas das pesquisas e que poderão fazer toda a diferença na hora de aperto. Mas existe uma muito importante que é o nosso simulacro mental, ou seja, o que faríamos numa situação de pânico ou emergência naquele local. A conclusão a que (muitas vezes) chegamos, quando uma sala está apinhada, é: “Estava bem tramado!” Infelizmente, as coisas acontecem quando menos esperamos e – nunca descurando o divertimento e saudável headbang – saibam sempre posicionar-se num recinto fechado e tendo em conta algumas destas regras.

Para saberem mais sobre estas questões, verifiquem a portaria n.º 102/2014, que regula a segurança nos recintos, AQUI.

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[Reportagem] Brujeria + Simbiose + Systemik Viølence (09.12.2018 – Lisboa)

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Brujeria (Foto: Solange Bonifácio)

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Brujeria + Simbiose + Systemik Viølence
09.12.2018 – RCA Club, Lisboa

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A noite começou em literal “anarquia violência” musical – nome que se associa por diversas razões aos Systemik Viølence que nos fizeram viajar até ao underground d-beat japonês, onde manifestaram a sua prática musical e atitude punk de desobediência, agressividade e sujidade, onde o frontman Iggy Musashi conseguiu cativar o público de formas variadas. E como já é costume, misturou-se dentro da multidão, com uma performance absolutamente incansável, cativante e esmagadora.

De seguida, os Simbiose – com toda a eficiência a que já nos habituaram também – descarrilaram a sua energia característica. Com o vocalista Jonhie comunicativo e a cumprimentar o público como usual, ecoaram desdém e repulsão de manifesto com o seu punk / crust / grindcore, reforçando mais uma vez que são a grande instituição musical dentro do género a nível nacional.

Não é usual ter a oportunidade de ver ao vivo superbandas e, ainda para mais, uma tão peculiar como Brujeria o é. Poder assistir, no mesmo palco, a artistas gigantes e de culto, como Shane Embury dos Napalm Death ou o Nicholas Barker – um dos bateristas mais rápidos da história do metal, com uma técnica musical absolutamente explosiva – é um grande privilégio, e assim o foi.  “Juan Brujo” e “Fantasma” abriram as hostilidades de uma celebração ao death grind em que se revistaram temas clássicos. Os Brujeria são uma força musical absolutamente bruta, divertida, barulhenta e politicamente carregada – elementos que tornaram este concerto memorável. Finalizou-se a noite com parte do público – que foi incansável e envolvente desde o início do concerto – em palco e em ambiente de festa no tema “Marijuana”, que encerrou este grande concerto.

Texto e fotos: Solange Bonifácio

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[Reportagem] Alestorm + Skálmöld (05.12.2018 – Graz, Áustria)

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Alestorm (Foto: Lukas Dieber)

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Alestorm + Skálmöld
05.12.2018 – Dom Im Berg, Graz, Áustria

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Ancoramos a nau longe da margem e remamos o nosso barco em direcção a terra. As águas do rio Mur estavam escuras e agitadas. Passei o dedo na esteira da água e saboreei algo doce que se espalhava. Rum. Estávamos no caminho certo. Olhei para o topo da montanha e vi o X do nosso mapa: a torre com o Grazer Uhrtum, o relógio construído pouco antes da batalha de Cartagena, que marcava o tesouro da lenda de Alestorm. Ao chegar ao sopé da montanha, barris de rum, ganchos e tricórnios! Casacos de veludo e bandoleiras, espadas curvas e canecas de madeira a transbordar, inundando o chão.

Não éramos os únicos nesta caça ao tesouro e a entrada da caverna estava barrada. Antes de ouvirmos as crónicas do velho escocês e do seu fiel pato de ar, teríamos de enfrentar os guardiões Skálmöld.

Vindos da terra fria, estes sobreviventes da Sturlungaöld, a maior batalha ocorrida na Islândia, e que já lutaram lado-a-lado com a orquestra Sinfóníuhlijómsveit Íslands, aqueceram as hostes com histórias de “Baldur”, “Börn Loka” ou “Sorgir”, álbum lançado em Outubro deste ano.

Os temas narrados em fornyrðislag (técnica nórdica repleta de aliterações) e sléttubönd (versos islandeses com rimas palindrómicas) garantem um groove e um balanço único ao vivo, como cânticos de batalha.

“Áras”, “Gleipnir”, “Sverðið” ou “Móri”, esta com uma introdução vocal de Helga Ragarsdóttir, que substitui o talentoso Gunnar Ben nos teclados, foram cantadas em uníssono, para surpresa dos próprios guardiões.

Visivelmente agradecidos e entusiasmados, debitaram cacetadas com o seu martelo nórdico, fazendo abanar cabeças ao som de riffs NWOBHM com algum balanço de thrash metal, mantendo a base épica folk sempre presente. E antes de se tornarem um ancião chato, caquéctico e repetitivo, terminaram a sua torrente com “Að Vetri” e “Kvaoning”, empurrando os ventos da montanha para os mares navegados por Alestorm.

Guardiões enfrentados, a caverna estava agora à nossa mercê.
Aguardávamos um velho escocês de perna de pau e pala no olho. Apareceram-nos cinco marmanjos com ar de skaters dos anos 80 viciados no Porkys, prontos para a depravação, histórias bebedolas de piratas e infinitos brindes aos seus elixires predilectos: rum e cerveja.

Com Christopher Bowes ao leme, os Alestorm começaram a festa… E os piratas não precisaram de ordens. Sentaram-se no chão e remaram ao ritmo de “1741 The Battle of Cartagena”; abraçados, balouçaram-se com a canção de embalar “Nancy the Tavern Wench”; vibraram com os solos a la 80s do guitarrista Bobo; “Bar und Imbiss” levou-os ao rubro com a sugestão de que era uma música sobre matar alemães e beber até não poder mais… E quando “Hangover” foi antecedida por Beef Guy a emborcar quatro cervejas de penalti e “Captain Morgan’s Revenge” por uma wall of death desengonçada, a demência de alto mar tomou lugar, permanecendo até ao encore com “Drink”, “Wolves of the Sea” e “Fucked with an Anchor”.

No final, como verdadeiros piratas depois de uma noite de deboche, muitos por ali ficaram a afogar as mágoas… Lado-a-lado com os membros da banda que não arredaram pé.

Não percam a oportunidade de enfrentar Alestorm em alto mar, em breve atracados em Lisboa, pois é dos concertos mais divertidos que poderão assistir. Alestorm vivem o que propõe: True Scottish Pirate Metal com humor mordaz, histórias de antologia, excelente profissionalismo e muita cerveja.

Texto: Daniel Antero
Fotos: Lukas Dieber

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[Nacional] Equaleft: o desafio que se segue (c/ Miguel Inglês)

Diogo Ferreira

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Foto: João Fitas

Quase cinco anos depois de “Adapt & Survive”, os portuenses Equaleft chegam finalmente ao segundo longa-duração – chama-se “We Defy” e, segundo o vocalista Miguel Inglês, «o desafio deste álbum é a forma mais dinâmica com que soamos e a própria mistura do peso e do groove que nos caracteriza». O repto deste novo trabalho passa ainda por experiências que, garantimos, têm tudo para resultar: «Temos agora alguns ambientes através de sintetizadores, o que fez com que o álbum soe muito mais intenso», refere Inglês, aguçando o apetite auditivo ao rematar que «o primeiro single, que em breve vamos disponibilizar, espelha isso mesmo». «Com a gravação do álbum sinto que já que crescemos musicalmente e isso vai-se reflectir também em palco», esperando «poder surpreender quem já nos conhece e também chegar cada vez mais a um público variado».

Na derradeira recta no que à finalização do disco diz respeito, o vocalista conta que «falta só a masterização e uns pequenos toques no artwork». O lançamento de “We Defy” acontecerá no início de Fevereiro de 2019 e pela Raising Legends e Raging Planet.

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