Oceans Of Slumber “The Banished Heart” [Nota: 7.5/10] – Ultraje – Metal & Rock Online
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Oceans Of Slumber “The Banished Heart” [Nota: 7.5/10]

700550Editora: Century Media Records
Data de lançamento: 02 Março 2018
Género: doom metal progressivo

Não é que meta os dois discos longa-duração e o EP anteriores da banda no chinelo, mas o novo registo dos Oceans Of Slumber entra num novo nível. Depois da experimentação técnica, de diferentes níveis de intensidade, de escrita complexa de multicamadas e de ripanços mais ou menos óbvios às suas influências, o quinteto norte-americano começa a explorar a sua própria sonoridade por via das trevas interiores. Aparentemente, um período mais conturbado na vida pessoal dos principais autores da música e letras – o baterista Dobber Beverly e a vocalista Cammie Gilbert – fez de “The Banished Heart” uma biblioteca de temáticas intensas, negras e de súbitos banhos de realidade. E a música acompanha esta descida aos infernos.

Nada que mude a direcção musical a que os Oceans Of Slumber já tinham apontado anteriormente – dissonância doom, trejeitos prog, composições labirínticas e constantes piscadelas de olho a outros géneros –, mas o novo disco revela um esclarecimento e uma visão que não parecia estar presente na banda antes. Por isso, quando no tema “Dawn” a coisa se vira para black/death metal cheio de blastbeats e cenas, o colectivo sabe moldar essa viragem à sua própria sonoridade e incorporar a secção no tema ao invés de parecer apenas que está para ali a mudar as estações de um rádio. Continua a não ser o disco perfeito e existem partes das músicas perfeitamente dispensáveis que parecem estar ali só para acompanhar a escrita febril de letras de Cammie. Mas o desespero e a desilusão entranham-se e ensopam cada riff, cada linha vocal e cada dissonância, colocando muito pouca luz ao fim do túnel e dando uma espécie de unidade e coerência a “The Banished Heart” que fazem dele um verdadeiro álbum, em oposição a apenas um conjunto de canções.

Não é fácil interiorizar – e gostar de – “The Banished Heart”. As melodias não são óbvias, a banda não dá muitos pontos de referência nas estruturas e não se refreia quando dá largas aos instintos mais progressivos. Mas desta vez, um pouco ao contrário daquilo que aconteceu com “Aetherial”, “Blue” e “Winter”, a recompensa por ultrapassar estes obstáculos é bastante palpável, abrasiva e valiosa.

 

Recorda a entrevista com Cammie Gilbert AQUI.

7.5/10
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