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Opinião: Não somos (muitos de) nós fruto do nu-metal?

Diogo Ferreira

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Sem o nu-metal não éramos os metálicos devotos que somos.

Falemos de pessoas que hoje têm algures entre 27 e 32 anos. Vamos considerar que essas pessoas foram apresentadas ao metal há 15 anos atrás. Actualmente, muitos de nós dizem o pior que se pode sobre nu-metal, mas não sejamos hipócritas e tenhamos a coragem de admitir que hoje somos acérrimos entusiastas do heavy metal à custa do famigerado nu-metal.

Os anos 90 foram complicados para o metal em geral. E, sim, já sabemos que há grandes álbuns e bandas provenientes dessa altura… Aquela vaga sinfónica de black metal com Cradle Of Filth e Dimmu Borgir, o incomensurável “Tomb Of The Mutilated” dos Cannibal Corpse, o mítico “Storm Of The Light’s Bane” dos Dissection e por aí fora – podia estar aqui o dia todo. Mas foi uma época difícil para o metal por causa do boom do grunge e do pós-grunge que ainda chorava a morte de Cobain, por causa da explosão do R’n’B mais popalhudo das Destiny’s Child, por causa do rap comercial de Eminem ou por causa das incontáveis boy e girl bands (Spice Girls, lembram-se?).

Há pouco mais de 15 anos, a TV por cabo estava já implementada em muitas casas, a MTV (já moribunda) ainda era um canal de música e tinha nascido a Sic Radical. Foi no final dos 1990s e no início dos 2000s que começaram a surgir os álbuns mais sonantes de Soulfly, Slipknot, Godsmack, Linkin Park (destes nunca gostei!), Limp Bizkit (quem não perguntava o que estava o Wes Borland ali a fazer?), System Of A Down, Papa Roach… Tudo detestável, ãh? Pois é, mas foi no Curto Circuito, da Sic Radical, que muitos de nós começaram a ouvir umas guitarradas bem mais pesadas do que o normal e uns berros que até então ainda não tínhamos ouvido no rádio do carro dos nossos pais.

A partir daí, cada um escolhe o seu caminho e, com ou sem ajuda, vai à procura do que mais lhe apraz. Eu fui à procura de onde realmente vinham aquelas distorções e aquela raiva maioritariamente juvenil e ingénua. Já conhecia Metallica, mas também toda a gente conhecia… Descobri Iron Maiden com uns 12 ou 13 anos. Tarde? Devia conhecer Iron Maiden desde que nasci? Acho que não, e vivia numa casa onde tanto se ouvia Pink Floyd como Ágata

Escalei, escalei… A internet ainda era lenta e as revistas eram compradas consoante a boa vontade dos pais ou dos tios. Descobri o heavy metal, o power metal, o goth metal… Até que esbarrei com Kataklysm e passei a adorar death metal. Mas o último estádio, e aquele que mais amo, assenta na essência musical, teatral e histórica do black metal.

Não somos todos iguais e os percursos podem ser dos mais díspares possíveis, mas por mais que o nu-metal esteja morto e por mais que o detestemos, também lhe temos que agradecer, porque sem ele não éramos os metálicos devotos que somos.

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Lançamentos de 15.02.2019 (Rotting Christ, Asphodelus, Diabolical, Saor)

Diogo Ferreira

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Rotting Christ “The Heretics” (Season Of Mist)

«Sempre com a assinatura do black metal helénico tão característico e evoluído dos Rotting Christ, este álbum ganha novas cores sonoras com a introdução de uma espécie de cânticos eucarísticos e até gregorianos. Melódico do princípio ao fim, os leads e solos cativantes são também elementos preponderantes na intenção de agarrar quem ouve um álbum que surge no melhor momento de sempre da carreira desta banda devido não só à mestria de composição e execução mas também por causa da exposição mundial que Sakis e companheiros têm vivido nos últimos 10 anos.» (DF)

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Asphodelus “Stygian Dreams” (Terror from Hell Records)

«Ao longo de oito faixas, ouvem-se riffs/leads melódicos e tristes que são complementados por arranjos luminosos de teclados em contraste com a voz áspera que fornece ainda mais negritude a todo um conceito sempre bonito de se ouvir se for bem feito, como é o caso.» (DF)

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Diabolical “Eclipse” (Indie Recordings)

«Será “Eclipse” o melhor álbum dos Diabolical? Sim. (…) “Eclipse” é como se Enslaved e Behemoth nas suas fases actuais tivessem um filho chamado Diabolical.» (DF)

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Saor “Forgotten Paths” (Avantgarde Music)

«Entre a natureza das highlands e a herança escocesa, Marshall mistura tradição sonora com o folk/black metal já conhecido de Saor através de outros elementos habituais, como flautas e violinos. De audição intensa e emocional – devido à voz que tanto sofre como revela valentia ou devido à melodia das guitarras em conluio com flautas -, “Forgotten Paths” é autêntico e prova que evoluir faz bem sem se esquecer o caminho trilhado até à actualidade.» (DF)

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Sabaton History Channel: segundo episódio dedicado a “Blood of Bannockburn”

Diogo Ferreira

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No segundo episódio do Sabaton History Channel, Indy Neidell e Joakim Brodén trazem o tema “Blood of Bannockburn”, do álbum “The Last Stand” (2016), que versa sobre a batalha com o mesmo nome que ocorreu durante a Primeira Guerra da Independência da Escócia (1296-1328). Robert the Bruce é uma das principais figuras deste momento histórico ao ter-se oposto aos invasores ingleses liderados por Eduardo I.

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Phil Demmel (ex-Machine Head): «Detestei o último disco.»

Diogo Ferreira

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Foi em Setembro de 2018 que Robb Flynn, dos Machine Head, anunciou que o guitarrista Phil Demmel e o baterista Dave McClain iam abandonar a banda. Ainda assim, os dois músicos despediram-se dos fãs de Machine Head com a digressão norte-americana Freaks & Zeroes.

Meses volvidos, Demmel falou sobre este assunto durante um episódio do podcast Talk Tommey. «Não vou dizer mal desta separação ou do Robb. Acho que ele é um músico fantástico e os tempos que passei em Machine Head foram maravilhosos. Os últimos anos apenas não foram. Já não trabalhávamos como pessoas.»

Depois de afirmar que já não estavam a percorrer o mesmo caminho, Demmel faz a revelação chocante sobre o álbum “Catharsis”: «Detestei o último disco. Há momentos daquilo que compus que gosto. Compus a maior parte da [faixa] “California Bleeding”, mas o Robb escreveu as letras.» «Acho que [Machine Head] tornou-se no projecto a solo do Robb Flynn, e não foi para isso que me alistei», remata.

«Os últimos anos foram apenas para receber salário – e não posso fazer isso», referindo que não aguentava constantes indicações como «não podes fazer isto, não podes fazer aquilo, não fiques aí, não digas isto, não cantes as letras para o público, não apontes».

Em última análise, o guitarrista acha que ambos estavam fartos um do outro – «acho que lhe fiz um favor ao não ter que me despedir», saindo assim pelo próprio pé.

Phil Demmel, que esteve nos Machine Head primeiramente em 2001 e depois no período entre 2003 e 2018, conclui: «Ajudei esta banda desde o ponto mais baixo ao mais alto. Fizemos álbum fantásticos, demos concertos fantásticos. Por isso, estou a tentar reflectir sobre as cenas positivas.»

Actualmente, Demmel está a substituir Gary Holt (Exodus) nos Slayer e ressuscitou o projecto Vio-lence. Por sua vez, o baterista Dave McClain reuniu-se aos Sacred Reich.

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