Ordem Satânica: Ventanias que carregam ódio (entrevista c/ Occelensbrigg) – Ultraje – Metal & Rock Online
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Ordem Satânica: Ventanias que carregam ódio (entrevista c/ Occelensbrigg)

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Por mais que a banda não o diga abertamente, a Ordem Satânica é fruto de uma recente vaga de black metal em Portugal; uma vaga que veio agitar o underground sem desrespeitar as leis cegas do género em causa. Para perceber a Ordem e os “Ventos de Ódio”, entrámos em contacto com o guitarrista Occelensbrigg. Nas linhas que se seguem, este porta-voz da Ordem explica sucintamente, mas com palavras directas, qual é a mensagem deste colectivo enigmático, cru e venerador das trevas.

“Criamos black metal como expressão da Ordem de Satanás, com frieza e negritude invocamos as trevas, as noites eternas, o fogo do Inferno…”

Acabaram 2015 em grande com o split com Irae e Wømb, não perderam tempo e 2016 já conta com outro split e o novo LP “Ventos de Ódio”. O que é que o resto de 2016 nos reserva?
Ainda esperamos, neste ano, terminar mais um ou dois lançamentos, mas não temos mais nada programado… Logo se verá. As nossas sessões surgem de forma muito natural e não traçamos planos para o futuro.

Podemos dizer que houve uma primeira vaga de black metal com Corpus Christii, Irae, Cripta Oculta e Mons Veneris, mas temos vindo a testemunhar uma redefinição da cena sem trair os valores com Ordem Satânica, OCerco, Ruach Raah e Wømb. Sentem que são parte de uma segunda vaga? Há realmente uma segunda vaga de black metal português?
Criamos black metal como expressão da Ordem de Satanás, com frieza e negritude invocamos as trevas, as noites eternas, o fogo do Inferno… O templo e o triunfo do grande mestre das artes negras, as leis de Satanás. O caminho das trevas é eterno e intemporal, sentimos que isto é a essência da Ordem, muito para além de primeira, segunda ou terceira vaga…

O que é certo é que já não se via um ressurgimento tão rijo como agora há vários anos. Estarei correcto?
Talvez possa compreender esta questão, mas no caso de Portugal achamos que sempre tem havido boas bandas de black metal.

“Ventos de Ódio” é um trabalho mais esotérico, ainda que dentro da crueza própria de Ordem Satânica, ou é um exagero dizer isso?
Adicionámos algumas ambiências e ventos de ódio neste trabalho, [mas] sempre sem perder a crueza e obscuridade de Ordem Satânica. O caminho de Satanás é naturalmente um caminho mais esotérico, obscuro e vasto na imensidão do negro e eterno vácuo.

Creio que, desta vez, deram um pouco mais atenção ao lado melódico e à melhor percepção de tudo o que se passa no disco. É um dos aspectos positivos que apontariam?
Tudo surgiu de uma forma muito natural e espontânea. Todas as nossas sessões são, no geral, feitas e gravadas no próprio dia ou, melhor dizendo, na própria noite num lugar bem longe da trampa de civilização. Obviamente, a inspiração é maior.Ventos de Ódio” é um trabalho em nome da causa de Satanás e isso é o fundamental em Ordem Satânica.

“Estamos muito para além do que se passa no mundo actual.

Sobre os ditos ventos… Nada no mundo actual agoura bons portos, pois não? Como transpõem esse sentimento e visão para a vossa música?
Estamos muito para além do que se passa no mundo actual. As nossas visões são sobre a supremacia e a Ordem de Satanás.

Afirmam que a vossa estadia por cá enquanto banda é um manifesto antitudo? Isso nota-se muito na vossa musicalidade e na vossa estética.
Representamos a Ordem e Causa de Satanás em trevas e eterna negritude. Um manifesto antitudo é uma lógica e uma causa natural.

Prezam muito a cena dos anos 90… Qual a vossa opinião sobre a morte lenta desse panorama?
Nos anos 90 houve trabalhos muito bons, mas essas bandas, dessa altura, foram todas ‘limpando o som’, desaparecendo a frieza, o cru e a obscuridade, e passaram a tocar mais metal mainstream [e] comercial. Algo que nunca acontecerá com Ordem Satânica! Muitas dessas bandas actualmente até tocam melhor, mas o que fazem já não soa a black metal.

O que vos irrita mais no tal black metal moderno que estão tão contra?
Quando ouço um som que não me soa obscuro, sombrio e sujo, não me venham dizer que é black metal. Como já tinha dito, todas as nossas sessões são gravadas num lugar bem longe da civilização, num raw bunker das trevas, e obviamente o nosso som nunca irá soar todo limpinho, comprimido e com baterias trigadas. Algo que me irrita particularmente: grandes produções mecanizadas em estúdio, no geral, não são black metal na sua mais pura forma e essência. Tal como a cristandade, não passam de uma mentira vendida prestes a ser consumida. Isto é um mundo de massas; massas, essas, que vendem e no fim são todas ovelhas. Rendam-se… Nós não.

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A review a “Ventos de Ódio” pode ser encontrada no #4 da Ultraje Magazine. Encomendas AQUI.

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