Oxidised Razor: no fio da navalha oxidada (entrevista c/ Aáron) – Ultraje – Metal & Rock Online
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Oxidised Razor: no fio da navalha oxidada (entrevista c/ Aáron)

«Procurávamos uma mistura de hardcore tingido com grind e death, até acabar por passar para o que se viria a chamar de goregrind.»

Com data marcada para o dia 9 de Junho do corrente, o primeiro Oliveira Grind Assault vai trazer a Guimarães isso mesmo, um assalto grind em todas as frentes. A encabeçar os exércitos do grind estarão os Oxidized Razor. Originários do México, estes mariachis do inferno já levam 20 anos de carreira a triturar ossos e esmagar órgãos. «A banda iniciei-a eu, em 1998», recorda o guitarrista Aáron, «junto com o Jony [vocalista], e procurávamos uma mistura de hardcore tingido com grind e death, até acabar por passar para o que se viria a chamar de goregrind». A banda sofre algumas alterações de line-up durante a sua carreira, nomeadamente de bateristas, mesmo antes de gravarem a primeira demo, e mais tarde de baixistas até o lugar ser ocupado por Chapetes. Durante aproximadamente 10 anos dão concertos por todo o país natal, junto com bandas nacionais e estrangeiras, até surgir uma grande oportunidade: a primeira tour europeia, tour essa que os traz pela primeira vez ao nosso país. «Tocámos na Covilhã», conta-nos Aáron, «num grande festival junto com Decayed». «Foi uma grande festa, um público muito amigável e entregue à música.» Esta afirmação leva-nos à inevitável pergunta do que espera o público no dia 9: «Vai ser como na primeira vez», responde-nos Aáron, «vamos dar tudo em palco».

O regresso a casa da tour europeia marca a despedida do baterista que os acompanhara na jornada desde os tempos da primeira demo, e a entrada de Jona para o seu lugar. Mais 10 anos se seguiram em que a banda voltou a correr o país tocando com bandas de reconhecimento internacional. Durante esse período lançam o seu quarto álbum, “Rise Of The Worms”, que, segundo nos conta Aáron, foi «censurado [em 69 países], e tivemos que tapar a capa original». A discografia da banda, após este lançamento, continua a crescer, nomeadamente com a gravação de mais de uma mão cheia de splits. O último, intitulado “Raw War”, vê os Oxidised Razor a partilhar o seu som com um dos grandes nomes do género, os Agathocles. «Na Tour passada», explica o músico, «fizemos muitos amigos, entre eles o Nils [baterista de Agathocles]. Em 2009 estivemos com eles e, nesse mesmo ano, vieram ao México; conversa puxa conversa e o resultado está aí, um bom disco que está quase esgotado».

A última mudança que a banda sofre ocorre recentemente, com a saída do membro-fundador Jony por razões pessoais, sendo substituído por Adrian. É com este novo alinhamento que a banda avança para a gravação do novo trabalho que, como nos diz Aáron, «está pronto e a ser cozinhado com o selo da grande Bizarre Leprous Prods, da República Checa. Esperamos ter alguns prontos para o concerto em Portugal». Relativamente às alterações na formação, avisa-nos que a entrada de Adrian «dá mais frescura e potência à banda», sendo a formação actual «mais fresca e esmagadora».

«No México já se transformou numa anedota, com tanto disparate que faz e diz o presidente dos Estados Unidos, já ninguém o leva a sério. [risos]»

O decorrer da conversa levou-nos ao México e à cena metálica de lá. «Na realidade», esclarece-nos o músico, «estamos um pouco distantes do metal, o nosso género é mais cru e espesso, pelo menos assim considero o grind, mas [ser uma banda de metal no México] é, ao fim de contas, difícil, há muitas bandas e pouco apoio». Estas palavras de Aáron estreitam a distância entre os nossos países, pois os problemas mostram-se os mesmos, confirmando-se quando refere que «tens que aguentar muito e superar-te para poderes sobressair e manter-te. Há muita gente e muitos gostos musicais». Mas, à parte da música, o México é conhecido na Europa pelos níveis de violência que o assolam, e Aáron confirma-nos essa ideia: «É verdade, há muita violência.» «Não só no México mas em toda a Latino-América, é uma grande bolha de pressão. É difícil viver sendo explorados e burlados por governantes numa escala maior que na Europa ou nos Estados Unidos.» Estes problemas sociais inevitavelmente influenciam a música, como nos confirma Aáron, quando nos refere que eles «fazem-nos ser mais críticos e honestos nas situações sociais que nos afectam para compor e criar música underground de todos os géneros». A conversa não podia terminar sem referir a nova relação turbulenta entre o México e a actual administração americana, em especial o caso Trump e o muro entre os Estados Unidos e o México. Esta situação, que nos parece complicada, recebe uma resposta inesperada por parte de Aáron: «No México já se transformou numa anedota, com tanto disparate que faz e diz o presidente dos Estados Unidos, já ninguém o leva a sério. [risos]»

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