Paratra: o trance pela cítara (entrevista c/ Akshat Deora) | Ultraje – Metal & Rock Online
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Paratra: o trance pela cítara (entrevista c/ Akshat Deora)

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Por mais discrepâncias que haja na sociedade indiana, é facto que o país possui uma das economias mais promissoras do mundo. A sua História e Mitologia são igualmente fortes, por isso não é com espanto que de lá surjam interessantes projectos musicais. Um deles chegou à Ultraje e chama-se Paratra. Dos lados do Índico é Akshat Deora quem nos responde sobre as questões feitas em relação ao conceito da banda, a dualidade entre electro e rock, os poderes da cítara e, claro, a actualidade alternativa indiana.

«Queremos inspirar as pessoas com a nossa música de modo a terem uma atitude positiva na vida e para descobrirem a sua própria espiritualidade.»

Paratra é um termo sânscrito para ‘jornada transcendental para o outro mundo’. Anda a banda essencialmente à volta deste conceito? Como é que podemos incluir o álbum “Genesis” (palavra e conceito) nessa jornada?
A ideia por detrás da música e da banda é a descrição da jornada de uma pessoa para a sua paz e tranquilidade (o outro mundo). Queremos inspirar as pessoas com a nossa música de modo a terem uma atitude positiva na vida e para descobrirem a sua própria espiritualidade.
Isto também é a descrição da jornada da banda para encontrar o seu próprio “além”. Tanto o Samron Jude como eu vimos de esferas de vida muito diferentes e, de alguma forma, os nossos caminhos cruzaram-se para formar Paratra – embora nos tenhamos conhecido em 2008, Paratra só foi formado em 2012 e levou-nos muito tempo para decidir que tipo de música queríamos fazer. Ao longo dos anos ambos vimos os altos e baixos de cada um, apenas para perceber que o objectivo de um homem é, eventualmente, o mesmo.
Génesis significa literalmente ‘origem ou formação de algo’, portanto é natural que o nosso primeiro álbum se chame assim – marca o início da jornada de Paratra. Ao mesmo tempo, é a origem de trazermos a nossa dualidade única entre cítara e guitarra neste formato de música.

Por que é que dividiram o vosso trabalho em electro de um lado e rock do outro?
Originalmente, quando criámos “Genesis”, queríamos mais plataformas para experimentar e mostrar a nossa música (para além do rock), por isso pensámos em tentar um arranjo electrónico para a faixa “Duality”. Ficámos tão espantados com o resultado que decidimos ter uma versão diferente do álbum. A vantagem que obtemos dos arranjos electrónicos é um acesso sem restrições a uma infinidade de instrumentos, mas, em comparação à versão rock, o toque não é orgânico, então voltamos sempre ao arranjo rock quando compomos. Estamos quase a acabar o segundo álbum, mais uma vez em volumes separados de rock e electrónica.

A cítara foi um instrumento obrigatório de se incluir? Ajuda-vos a ligarem-se à vossa cultura, certo? Que poderes musicais tem uma cítara?
Fomos capazes de incluir alguns elementos de clássico indiano (Hindustani) com a cítara. Há muita profundeza, conhecimento e poder meditativo na música clássica indiana, mas é preciso desenvolver o ouvido para compreender. De certo modo, a nossa música poderá providenciar uma plataforma de cruzamento com o mundo ao desenvolver semelhanças com instrumentos indianos. Muita da nossa cultura é definida pela música folclórica/clássica, e a cítara é um poderoso instrumento de expressão.

«Muita da nossa cultura é definida pela música folclórica/clássica, e a cítara é um poderoso instrumento de expressão.»

Achas que as incursões electrónicas ajudam mais facilmente a atingir-se um trance em vez do rock? Obviamente sem nos esquecermos da cítara…
O trance de cada um pode ser induzido diferentemente – alguns através de incursões melódicas, outros pelos padrões rítmicos. O nosso arranjo electrónico é com sintetizadores melódicos e padrões de ritmo 4×4, mas se alguém conseguir [o trance] através de pura música orgânica, as nossas versões rock têm isso tudo! Pessoalmente, nem nós somos capazes de decidir qual é a melhor versão; são ambas tão variadas. Basicamente é uma questão de opinião pessoal.

Acho que quanto mais a oriente formos, mais transcendentais e espirituais são as civilizações – o que é muito bom para se criar música psicadélica. Como é que está a cena alternativa no teu país?
Não há país mais versátil para criar estilos de música do que a Índia. Cada parte da Índia tem o seu estilo folclórico/clássico. Há algumas bandas muito boas que se estão a virar para a música progressiva inspirada em elementos indianos, mas a cena independente está a crescer.

Como está o progresso da vossa exposição internacional?
Estamos a ver se fazemos algumas digressões internacionais na Europa e na América.

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