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Ramp “Thoughts” – …a espera acabou

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O título desta feature, apesar de parecer algo estranho, tem muito de pessoal. A primeira vez que me cruzei com Ramp foi no saudoso Dramático de Cascais quando lá me desloquei para ver Sepultura na tour do “Arise”. A abertura da noite coube aos Ramp que vinham defender as cores deste seu EP de estreia. A entrega com que descarregaram o seu thrash valeu-lhes uma prestação inesquecível para mim, naquela noite. No final, todos os presentes, com a adrenalina a correr no sangue, só ansiavam pela prestação dos Sepultura. Isto levou a que os Ramp fossem os carrascos dos Fudge Tunnel, a banda que acompanhava os Sepultura e que lhes seguiu no palco. A resposta dos presentes foi de tal forma que só o respeito e a educação evitaram que todos virassem as costas ao palco. Dos Fudge apenas me lembro de os ver no palco, do som – nada ficou…

Naquelas coisas que, como diz o povo, ‘não lembram ao Diabo’, acabei por não adquirir a edição em CD deste EP. Quando me apercebi do erro já a mesma estava totalmente esgotada. Desde esse dia, que será talvez uma vida para alguns de vocês que lêem estas linhas, aguardei pela oportunidade de ter este título na minha colecção, enquanto ia arrecadando todos os outros.

Assim, finalmente, a espera acabou e já posso desfrutar devidamente desta pérola que faltava na minha colecção. No entanto, desenganem-se aqueles que, após lerem a minha narrativa, deduzam que é apenas pelo meu gosto pessoal ou infortúnio passado que este lançamento merece estas linhas.

«Se recuarmos aos inícios dos anos 90 do século XX, a cena metálica nacional vivia no mais puro underground.»

Se recuarmos aos inícios dos anos 90 do século XX, a cena metálica nacional vivia no mais puro underground. Isto manteve-se, no caso particular do thrash, até ao dia em que os Ramp, uma banda nacional, assina contrato por uma multinacional e lança um EP de estreia, para além de abrirem para uma banda com o estatuto dos Sepultura (naqueles tempos conseguir tal coisa era um feito digno de menção).

O EP de Ramp teve um impacto muito significativo na cena nacional e mostrou que o sonho de lançar por editoras maiores do que as locais estava ao alcance das bandas lusas. Mas não é apenas pelos factos apresentados que este EP tem mérito: o seu conteúdo é composto por oito temas, e uma cover, de verdadeiro e inadulterado thrash. Apesar das influências que se conseguem reconhecer, não deixa de ter grande mérito e de continuar a ser uma proposta muito válida dentro do estilo. Como o vinho, envelheceu bem e agora, com nova roupagem, merece ser apreciado devidamente e em grandes doses. Embebeda mas não entorpece os sentidos.

«“Thoughts” é presença obrigatória em todas as colecções de thrash que se prezem.»

Tudo isto faz com que este “Thoughts” seja presença obrigatória em todas as colecções de thrash que se prezem e de quem se orgulhe em ser português.

Falando unicamente da edição, a mesma respeita o design da original, embora com algumas diferenças subtis, e, no interior do seu booklet de 16 páginas, podemos encontrar as letras dos temas, fotos da banda e um texto de António Sérgio.

Em termos sonoros, este remaster apresenta uma qualidade extraordinária que respeita o original, mas dá nova vida aos temas. O som está mais forte, mais límpido e de uma actualidade impressionante, embora, obviamente, se note que não foi gravado com os meios actuais. Onde se nota mais esta diferença é no som seco da bateria, mas, por outro lado, o baixo ganhou vida e agora já dá um ar da sua graça em temas como “Disillusions”.

Por estas e por outras, e consciente que me estou a repetir, “Thoughts” é de presença obrigatória em toda e qualquer colecção musical dos thrashers nacionais.

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