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Ramp “Thoughts” – …a espera acabou

Pedro Felix

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O título desta feature, apesar de parecer algo estranho, tem muito de pessoal. A primeira vez que me cruzei com Ramp foi no saudoso Dramático de Cascais quando lá me desloquei para ver Sepultura na tour do “Arise”. A abertura da noite coube aos Ramp que vinham defender as cores deste seu EP de estreia. A entrega com que descarregaram o seu thrash valeu-lhes uma prestação inesquecível para mim, naquela noite. No final, todos os presentes, com a adrenalina a correr no sangue, só ansiavam pela prestação dos Sepultura. Isto levou a que os Ramp fossem os carrascos dos Fudge Tunnel, a banda que acompanhava os Sepultura e que lhes seguiu no palco. A resposta dos presentes foi de tal forma que só o respeito e a educação evitaram que todos virassem as costas ao palco. Dos Fudge apenas me lembro de os ver no palco, do som – nada ficou…

Naquelas coisas que, como diz o povo, ‘não lembram ao Diabo’, acabei por não adquirir a edição em CD deste EP. Quando me apercebi do erro já a mesma estava totalmente esgotada. Desde esse dia, que será talvez uma vida para alguns de vocês que lêem estas linhas, aguardei pela oportunidade de ter este título na minha colecção, enquanto ia arrecadando todos os outros.

Assim, finalmente, a espera acabou e já posso desfrutar devidamente desta pérola que faltava na minha colecção. No entanto, desenganem-se aqueles que, após lerem a minha narrativa, deduzam que é apenas pelo meu gosto pessoal ou infortúnio passado que este lançamento merece estas linhas.

«Se recuarmos aos inícios dos anos 90 do século XX, a cena metálica nacional vivia no mais puro underground.»

Se recuarmos aos inícios dos anos 90 do século XX, a cena metálica nacional vivia no mais puro underground. Isto manteve-se, no caso particular do thrash, até ao dia em que os Ramp, uma banda nacional, assina contrato por uma multinacional e lança um EP de estreia, para além de abrirem para uma banda com o estatuto dos Sepultura (naqueles tempos conseguir tal coisa era um feito digno de menção).

O EP de Ramp teve um impacto muito significativo na cena nacional e mostrou que o sonho de lançar por editoras maiores do que as locais estava ao alcance das bandas lusas. Mas não é apenas pelos factos apresentados que este EP tem mérito: o seu conteúdo é composto por oito temas, e uma cover, de verdadeiro e inadulterado thrash. Apesar das influências que se conseguem reconhecer, não deixa de ter grande mérito e de continuar a ser uma proposta muito válida dentro do estilo. Como o vinho, envelheceu bem e agora, com nova roupagem, merece ser apreciado devidamente e em grandes doses. Embebeda mas não entorpece os sentidos.

«“Thoughts” é presença obrigatória em todas as colecções de thrash que se prezem.»

Tudo isto faz com que este “Thoughts” seja presença obrigatória em todas as colecções de thrash que se prezem e de quem se orgulhe em ser português.

Falando unicamente da edição, a mesma respeita o design da original, embora com algumas diferenças subtis, e, no interior do seu booklet de 16 páginas, podemos encontrar as letras dos temas, fotos da banda e um texto de António Sérgio.

Em termos sonoros, este remaster apresenta uma qualidade extraordinária que respeita o original, mas dá nova vida aos temas. O som está mais forte, mais límpido e de uma actualidade impressionante, embora, obviamente, se note que não foi gravado com os meios actuais. Onde se nota mais esta diferença é no som seco da bateria, mas, por outro lado, o baixo ganhou vida e agora já dá um ar da sua graça em temas como “Disillusions”.

Por estas e por outras, e consciente que me estou a repetir, “Thoughts” é de presença obrigatória em toda e qualquer colecção musical dos thrashers nacionais.

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[Antevisão] SWR Barroselas Metalfest XXII: faz-te ao aço!

Diogo Ferreira

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A realizar-se entre os dias 26 e 28 de Abril, a 22ª edição do SWR Barroselas Metalfest conta, à cabeça, com três nomes históricos. Na abertura dos anos 1980 apareceram os californianos Saint Vitus com o seu doom metal old-school, sendo que o terceiro álbum “Born Too Late” (1986) é um dos marcos discográficos; o álbum homónimo, que repete o título do debutante de 1984, é o trabalho que se segue e será lançado na Europa pela Season Of Mist em Maio.  Fundados na mesma década, mas já no seu final, os ingleses Godflesh são pioneiros da combinação entre metal e industrial; com um hiato pelo meio, a dupla tem sido capaz de lançar álbuns regularmente, sendo “Post Self”, de 2017, o mais recente. A finalizar este pertinente trio no panorama da música negra e pesada, os também ingleses Benediction serão a atracção principal do SWR no que ao death metal diz respeito; muito activos no lançamento de álbuns nos anos 1990, estes veteranos têm em “Killing Music” (2008) o último longa-duração, mas têm comemorado a sua ligação à Nuclear Blast com a box “The Nuclear Blast Recordings”.

 

O black metal fica assegurado com a presença de Craft, banda sueca que tem sido um dos baluartes do subgénero na Season Of Mist; quebraram um silêncio de sete anos quando, em Junho de 2018, lançaram o aguardado “White Noise and Black Metal”. Ainda referente ao black metal, o SWR receberá a prestação dos, agora mais progressivos, Ascension, dos ritualistas Barshasketh ou dos fúnebres portugueses Morte Incandescente. Por seu turno, a veterania ficará ao cargo dos recém-regressados death metallers Vomitory – suecos que lançaram cinco álbuns na primeira década do Séc. XXI -, e o sangue novo será jorrado pelas brasileiras Nervosa que com “Downfall of Mankind” (2018) deram mais patada ao seu thrash metal veloz com a inclusão de condimentos death metal.

 

Analepsy e Serrabulho são duas bandas portuguesas que têm dado que falar pela Europa fora e darão o seu contributo artístico a um dos mais importantes festivais do nosso país. Dispensando grandes apresentações, o death metal técnico dos primeiros, ouvido em “Atrocities from Beyond” (2017), continua a rodar incessantemente, e a paródia fará parte da prestação dos Serrabulho com o seu happy/party grindcore renovado no álbum “Porntugal (Portuguese Vagitarian Gastronomy)” (2018). Menções honrosas para o regresso dos nacionais Namek, para os franceses Arkhon Infaustus, para os finlandeses Demilich e para os norte-americanos Imperial Triumphant.

 

Para além dos dois palcos interiores, onde irão desfilar as bandas atrás referidas, haverá espaço para a habitual SWR Arena onde mais de 20 bandas iniciarão e encerrarão cada dia do SWR, com destaque para Grog, Sacred Sin, Scúru Fitchádu, Humanart, Nakkiga, Son Of Cain, Summon e Greengo. Sem merch, comida e bebida não há festivaleiro que aguente, portanto quem se deslocar a Barroselas poderá com certeza adquirir aquela t-shirt ou aquele vinil que tanto quer de barriga cheia.

 

O passe-geral tem um preço de 78€ e o bilhete diário tem um custo de 38€. Todas as informações estão disponibilizadas no site oficial do festival.

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[Reportagem] Sick Of It All + Good Riddance + Blowfuse (21.04.2019, Lisboa)

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Sick Ot It All (Foto: Solange Bonifácio)

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Sick Of It All + Good Riddance + Blowfuse
21.04.2019 – Lisboa

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O nome Sick Of It All destaca-se por si mesmo, sendo uma das maiores referências no hardcore de Nova Iorque. A banda formada, em 1986, pelos irmãos Lou e Pete Koller, Rich Cipriano e Armand Majidi ajudou a consolidar este estilo musical e a comunidade existente até aos dias de hoje. Deste modo, esperava-se mais uma noite lendária no RCA Club, em Lisboa – uma sala completamente esgotada.

Os Blowfuse são actualmente uma das bandas de punk-rock/hardcore espanholas mais conhecidas e activas e os escolhidos a abrirem as hostilidades desta noite de concertos. Com recentes passagens por Portugal, a banda tentou cativar um público – ainda um pouco tímido – com a sua atitude energética.

Mal os Good Riddance subiram ao palco, o público perdeu rapidamente a inibição e começou de imediato o circle pit. A banda mostrou-se bastante contente devido ao facto de finalmente voltarem a tocar em Portugal após tantos anos de ausência. São muito conhecidos por temas líricos que vão desde análises de críticas à sociedade americana a lutas pessoais, tendo sempre como base um punk-rock rápido e melodias cativantes. Nada disso faltou no concerto que deram, tocando uma setlist bastante diversificada. O baixista Chuck Platt, sempre com discursos divertidos, chegou inclusive a pedir para vestir uma t-shirt com o símbolo anarquista de um dos fãs com a promessa de a devolver no final do concerto. Houve ainda oportunidade para se cantar os parabéns ao baterista Sean Sellers.

Os Sick Of It All estão na sua terceira década de carreira entre tours e gravações, tendo lançado até à data mais de duas mãos cheias de discos sólidos mais outros tantos EPs, isto com quase nenhuma mudança na sua formação. Com o lançamento de “Scratch the Surface”, em 1994, levaram o hardcore nova-iorquino até ao resto do mundo e, desde então, raramente pararam para respirar. A banda é das poucas lendas dentro do hardcore ainda no activo com formação inicial e de modo consistente. Entre sing-alongs, stage divings e um wall of death, os Sick Of It All tocaram com uma frescura tremenda, evocando tempos antigos, e consolidando novamente o facto de serem umas verdadeiras lendas vivas, reverenciadas por diversos motivos. Mais do que isso, são um exemplo de ideais e raízes, das quais futuras gerações podem ter como base e referência. BLOOD, SWEAT AND NO TEARS – o hardcore mantém-se bem vivo.

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Texto e fotos: Solange Bonifácio

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Possessed: terceiro episódio de “The Creation of Death Metal”

Diogo Ferreira

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O novo álbum dos padrinhos do death metal Possessed intitula-se “Revelations Of Oblivion” e será lançado a 10 de Maio pela Nuclear Blast. Os singles “No More Room in Hell” e “Shadowcult” já estão em rotação.

A banda liderada por Jeff Becerra passará por Portugal para duas datas:

Entretanto, já podes ver o terceiro episódio de “The Creation of Death Metal” em que a banda fala sobre as diferenças regionais da sonoridade death metal nos EUA.

 

 

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