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[Reportagem] Batushka + Gaerea: liturgia da extrema unção (25.09.2018 – Porto)

Diogo Ferreira

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Foto: João Correia

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Batushka + Gaerea
25.09.2018 – Hard Club, Porto

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Depois de, no dia anterior, o RCA Club (Lisboa) ter sido transformado num santuário de cristianismo ortodoxo, os pregadores polacos Batushka subiram ao Porto para efectuarem igual transformação ao Hard Club, novamente com os já icónicos portugueses Gaerea.

Num evento que começou cedo demais para o que é habitual no nosso país – algo que já não é nada incomum em cidades como Paris e Londres –, os Gaerea tomaram conta do palco sensivelmente a partir das 20:30. Galvanizados pelo sucesso obtido com o debutante “Unsetlling Whispers”, o quinteto, com a cara coberta por panos estampados de simbologia obscura, focou-se no referido trabalho naquilo que é uma trademark sonora reconhecida na Europa (com Mgła, Behemoth e Ancst à cabeça) e que, pelo tacto criativo dos Gaerea, começa agora a mostrar os seus trunfos em Portugal. Entre a rebeldia da não-interacção entrelinhas com o público até aos espasmos teatrais do vocalista, os Gaerea preencheram o Hard Club com o seu black metal melódico e muito bem executado que «denuncia claramente os cânones de beleza, desafia os alicerces da sociedade organizada e desmonta-a, apresentando-a no seu ponto mais cru», conforme nos fez crer um dos membros na entrevista concedida à Ultraje (in edição #16, 2018). Depois de se ouvir o álbum e após tamanha prestação, não há como falhar: os Gaerea são a jóia do black metal português.

Foto: João Correia

Com a sala cheia, o altar dos sacerdotes polacos Batushka já estava montado quando a longa introdução soou como se de um chamamento eucarístico se tratasse. E era mesmo. Subvertendo a ortodoxia religiosa do cristianismo de Leste para uma sonoridade black metal, os padres encapuzados começaram a tomar as suas posições em palco com maior fulgor, por parte do público, em relação ao vocalista que ostenta a moldura da imagem sagrada – com eles profanada – que também aparece como capa do álbum “Litourgiya” (2015). É verdade que esse primeiro disco já tem três anos e que os fãs pretendem novas composições, mas os Batushka estão, e bem, a ordenhar a vaca até não dar mais, visto que as salas por onde passam continuam praticamente a esgotar e a devoção de quem os segue é intocável. Percorrendo todo esse álbum, não faltaram as palmas em “Yekteniya 3”, as velas tantas vezes levantadas ao alto em forma cruzada, a água benta e o turíbulo de incenso que nos entrava nas narinas com um toque divino. Praticamente paralisados em cima do palco, à excepção dos membros físicos que manejavam os respectivos instrumentos, também a audiência se mostrou entorpecida, não numa atitude de enfado mas antes numa postura de assombração e respeito por aquilo que estava acontecer no Porto. Eventualmente, os cornos do metal foram mesmo substituídos pelo Sinal da Cruz tão usado pelo frontman dos Batushka.

Foto: João Correia

Pela segunda vez em Portugal, os Batushka voltaram decerto a sentir que aqui têm fiéis peregrinos e que serão sempre bem-vindos, especialmente quando tiverem novos salmos para pregar aos crentes e aos descrentes. “Я спасенье роду́ / Человеческому низпославы́й, / Таи́нствами славя́т / Пречестно́е и великолепно́е имя Мо́е, / Ныне и присно́, и во веки веков, аминь. / Аминь!”

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Texto: Diogo Ferreira
Fotos: João Correia

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Lançamentos de 15.02.2019 (Rotting Christ, Asphodelus, Diabolical, Saor)

Diogo Ferreira

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Rotting Christ “The Heretics” (Season Of Mist)

«Sempre com a assinatura do black metal helénico tão característico e evoluído dos Rotting Christ, este álbum ganha novas cores sonoras com a introdução de uma espécie de cânticos eucarísticos e até gregorianos. Melódico do princípio ao fim, os leads e solos cativantes são também elementos preponderantes na intenção de agarrar quem ouve um álbum que surge no melhor momento de sempre da carreira desta banda devido não só à mestria de composição e execução mas também por causa da exposição mundial que Sakis e companheiros têm vivido nos últimos 10 anos.» (DF)

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Asphodelus “Stygian Dreams” (Terror from Hell Records)

«Ao longo de oito faixas, ouvem-se riffs/leads melódicos e tristes que são complementados por arranjos luminosos de teclados em contraste com a voz áspera que fornece ainda mais negritude a todo um conceito sempre bonito de se ouvir se for bem feito, como é o caso.» (DF)

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Diabolical “Eclipse” (Indie Recordings)

«Será “Eclipse” o melhor álbum dos Diabolical? Sim. (…) “Eclipse” é como se Enslaved e Behemoth nas suas fases actuais tivessem um filho chamado Diabolical.» (DF)

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Saor “Forgotten Paths” (Avantgarde Music)

«Entre a natureza das highlands e a herança escocesa, Marshall mistura tradição sonora com o folk/black metal já conhecido de Saor através de outros elementos habituais, como flautas e violinos. De audição intensa e emocional – devido à voz que tanto sofre como revela valentia ou devido à melodia das guitarras em conluio com flautas -, “Forgotten Paths” é autêntico e prova que evoluir faz bem sem se esquecer o caminho trilhado até à actualidade.» (DF)

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Sabaton History Channel: segundo episódio dedicado a “Blood of Bannockburn”

Diogo Ferreira

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No segundo episódio do Sabaton History Channel, Indy Neidell e Joakim Brodén trazem o tema “Blood of Bannockburn”, do álbum “The Last Stand” (2016), que versa sobre a batalha com o mesmo nome que ocorreu durante a Primeira Guerra da Independência da Escócia (1296-1328). Robert the Bruce é uma das principais figuras deste momento histórico ao ter-se oposto aos invasores ingleses liderados por Eduardo I.

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Phil Demmel (ex-Machine Head): «Detestei o último disco.»

Diogo Ferreira

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Foi em Setembro de 2018 que Robb Flynn, dos Machine Head, anunciou que o guitarrista Phil Demmel e o baterista Dave McClain iam abandonar a banda. Ainda assim, os dois músicos despediram-se dos fãs de Machine Head com a digressão norte-americana Freaks & Zeroes.

Meses volvidos, Demmel falou sobre este assunto durante um episódio do podcast Talk Tommey. «Não vou dizer mal desta separação ou do Robb. Acho que ele é um músico fantástico e os tempos que passei em Machine Head foram maravilhosos. Os últimos anos apenas não foram. Já não trabalhávamos como pessoas.»

Depois de afirmar que já não estavam a percorrer o mesmo caminho, Demmel faz a revelação chocante sobre o álbum “Catharsis”: «Detestei o último disco. Há momentos daquilo que compus que gosto. Compus a maior parte da [faixa] “California Bleeding”, mas o Robb escreveu as letras.» «Acho que [Machine Head] tornou-se no projecto a solo do Robb Flynn, e não foi para isso que me alistei», remata.

«Os últimos anos foram apenas para receber salário – e não posso fazer isso», referindo que não aguentava constantes indicações como «não podes fazer isto, não podes fazer aquilo, não fiques aí, não digas isto, não cantes as letras para o público, não apontes».

Em última análise, o guitarrista acha que ambos estavam fartos um do outro – «acho que lhe fiz um favor ao não ter que me despedir», saindo assim pelo próprio pé.

Phil Demmel, que esteve nos Machine Head primeiramente em 2001 e depois no período entre 2003 e 2018, conclui: «Ajudei esta banda desde o ponto mais baixo ao mais alto. Fizemos álbum fantásticos, demos concertos fantásticos. Por isso, estou a tentar reflectir sobre as cenas positivas.»

Actualmente, Demmel está a substituir Gary Holt (Exodus) nos Slayer e ressuscitou o projecto Vio-lence. Por sua vez, o baterista Dave McClain reuniu-se aos Sacred Reich.

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