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[Reportagem] Gaerea + Redemptus + Beastanger (22.06.2018 – Porto)

João Correia

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Foto: João Correia

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Gaerea + Redemptus + Beastanger
22.06.2018 – Porto

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Autores de uma das maiores surpresas nacionais e internacionais do black metal na forma de “Unsettling Whispers”, lançado há pouco menos de duas semanas, os Gaerea realizaram a cerimónia inicial de lançamento do seu álbum de estreia no Metalpoint (Porto). A Ultraje foi convidada para fazer a reportagem da primeira data e, como apoiante sem reservas do que se passa no movimento português, marcou presença numa noite abafada e com previsão de chuva – de enxofre e lava, portanto.

Juntamente com o ataque sonoro ainda por vir, o calor dentro do Metalpoint ajudou a infernizar o ambiente que os Beastanger sobrecarregaram dando início à celebração com o seu black metal conservador. Ainda que formados em 2009, nesta data notou-se ainda falta de rodagem, talvez devido à falta de um disco que os leve a percorrer a estrada, talvez pelas interrupções relativamente constantes e que os forçaram a nem sempre estarem presentes no panorama. Ainda assim, tiveram o seu momento notável com “In The Eye Of The Crow”. Deram um concerto algo tímido com alguns problemas de som e necessitamos de vê-los com mais rodagem em cima para termos uma melhor opinião formada do seu trabalho.

De seguida foi a vez de os Redemptus invocarem demónios com o seu doom metal com pinceladas de sludge ou aquilo que lhe quiserem chamar. Possuem uma maturidade indiscutível, bem como a capacidade de criarem temas interessantes e com grandes doses de ritmos muito pesados, o que os levou a embarcarem numa recente tour europeia de sucesso. Pela altura que a banda começou a tocar, a massa humana já estava mais composta na sala. Por um lado, é louvável, demonstra interesse da parte do público; por outro, fez subir a temperatura num ambiente já sufocante. Os Redemptus decidiram apostar numa mistura de temas curtos / rápidos e mais lentos / compridos, caso de “A Grim Reminder” e “Peered Into Everyone’s Thoughts” respectivamente, mas também em passagens mais experimentais/ambientais como “Unravelling the Garden of All Forking Paths”. No geral foi uma actuação bastante positiva apadrinhada por uma qualidade de som acima da média.

Chegados os Gaerea, o Metalpoint já estava no ponto de rebuçado: apinhado, com um ambiente impossível de respirar e com um odor forte a suor para onde quer que nos virássemos. Se o inferno existir, é a isto que ele cheira e é a Gaerea que ele soa. A banda tocou “Unsettling Whispers” na íntegra, adicionando ainda “Void Of Numbness” a um set entorpecedor. Não são de estranhar os burburinhos e os sussurros inquietantes que se ouvem de todos os pontos do globo em relação ao trabalho de estreia da nova sensação nacional do black metal. De facto, “Unsettling Whispers” é a lufada progressiva de ar fresco que o movimento necessita de tempos a tempos para não se autoconsumir, sempre sem descurar a sensação doentia que apenas as melhores bandas de black metal conseguem providenciar. Ao vivo, o quinteto reproduz quase fielmente aquilo que consegue em estúdio, sem tempo para conversa ou outras futilidades que quebrem o clima da cerimónia. Dispuseram de uma qualidade de som robusta, ainda que longe de perfeita, mas o essencial estava lá. Em termos visuais, a banda bebe da eterna e cada vez mais estereotipada fonte dos Portal, mas não só apresenta um som muito próprio, como consegue atingir a dose de teatralidade certa, sem entrar em exageros e sem pecar por defeito. Em término, os Gaerea reproduziram ao vivo um álbum que tem tudo o que é necessário para se juntar à linha da frente do black metal de elite mundial. Agora que corram todas as estradas que puderem em direcção a portais mais amplos que encerrem terrores ainda mais inomináveis.

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Texto e fotos: João Correia

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[Reportagem] Septicflesh + Krisiun + Diabolical + Xaon (15.03.2019 – Porto)

Diogo Ferreira

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Septicflesh (Foto: Vânia Matos)

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Septicflesh + Krisiun + Diabolical + Xaon
15.03.2019 – Porto

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Antes das previstas 19h30 já os Xaon estavam em palco. Oriundo da Suíça, o jovem grupo tem em “Solipsis” o novo álbum, que será lançado em Maio próximo, e esta digressão já serve para o promover. Com a ingrata posição de abrir a noite a uma hora tão peculiar para o público português, a sala pequena do Hard Club estava a meio gás para receber o sangue-novo do metal helvético. Praticantes de death metal melódico com uma forte componente sinfónica, os Xaon não se fizeram rogar pela hora a que estavam a tocar ou pela (ainda) escassa audiência e deram um portento concerto como se se tratasse de um festival com milhares de pessoas. Nota muito positiva para a prestação de Rob que, muito mais do que um frontman de uma banda metal, é, de facto, um cantor.

Com os seguintes Diabolical, a sala encontrava-se praticamente cheia e os suecos vieram a Portugal promover o novíssimo trabalho intitulado “Eclipse”. Num concerto com uma componente cénica e visual, os nórdicos focaram-se, como seria de esperar, no novo disco que será, porventura para alguns, mais prazeroso de se ouvir em casa do que ao vivo. Tudo funcionou, é certo, mas muitos detalhes audíveis em “Eclipse” parecem ter sido abafados pela conjuntura sonora de um concerto. Ainda assim, certinhos naquilo que fazem, ninguém ficou indiferente à voz limpa de Carl Stjärnlöv, a fazer lembrar Enslaved, que cria a ala melódica de um death/black metal contemporâneo. Um das particularidades deste concerto, que uniu som e imagem, acontece na última “We Are Diabolical” em que se critica fortemente a industrialização capitalista da actualidade.

Do outro lado do Atlântico Sul, chegava a vez de uma das bandas mais esperadas da noite: Krisiun. Entusiasmados desde o início por estarem a tocar em Portugal, o público retribuiu com os primeiros (e únicos) momentos de moshpit na zona frontal ao palco. A união pela língua e pela colonização (expressão usada por Alex Camargo para unir e não para achincalhar) foi uma constante ao longo de um concerto veloz (Max Kolesne na bateria é uma fera autêntica!), frenético (os solos de Moyses Kolesne são apenas insanos!), agressivo e com muito groove. Com “Scourge of the Enthroned” (2018) na bagagem, os brasileiros tocaram, por exemplo, o tema-título desse álbum, assim como revisitações a outros tempos da carreira com temas como “Blood of the Lions” ou “Slaying Steel”. O trio aproveitou ainda para homenagear um ídolo de todos nós, que dá pelo nome de Lemmy (1945-2015), ao interpretar a muito batida, mas sempre bem-recebida, “Ace Of Spades”.

Continuamente a viverem dos louros angariados com “Codex Omega” (2017), os Septicflesh regressaram ao nosso país menos de um ano depois. À medida que os gregos iam entrando em cena, os aplausos iam-se intensificando e explodiu-se em êxtase quando o primeiro tema da setlist fora logo “Portrait of a Headless Man”. O mais recente registo de originais seria promovido mais à frente com execuções de faixas como “Martyr”, “Dante’s Inferno”, “Enemy Of Truth” ou a última “Dark Art” que encerrou o concerto e o encore em que também se ouviu “Anubis” com a sua melodia a ser entoada pelo público. Por entre interpretações de músicas como “Communion” ou “Prometheus”, o baixista/vocalista Spiros Antoniou exultou a energia sentida e a que desejava sentir, incentivando aquele aglomerado de fãs intensos a mostrarem os seus devil horns, sem esquecer o chavão final de que por estas regiões sulistas da Europa, portugueses, espanhóis, italianos e gregos são todos os mesmo – união foi o que não faltou durante toda a noite. Coesos até ao tutano, os atenienses mostraram aquilo de que são feitos: profissionais, artisticamente dotados e sonicamente imperiais. Nada, mas mesmo nada, há a apontar de negativo àqueles minutos fervorosos que passaram rápido demais…

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Texto: Diogo Ferreira
Fotos: Vânia Matos
Agradecimentos: Rocha Produções

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Sabaton History Channel: sexto episódio dedicado ao tema “Talvisota” e à defesa finlandesa face à URSS

Diogo Ferreira

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No sexto episódio do Sabaton History Channel, Indy Neidell e Joakim Brodén trazem-nos o tema “Talvisota”, do álbum “Art Of War” (2008), que versa sobre uma espécie de David contra Golias numa guerra moderna.

Conhecida como Guerra de Inverno, este conflito durou desde Novembro de 1939 até Março de 1940, mesmo nos primórdios daquela que ficaria para a História como a II Grande Guerra Mundial. Contra todas a probabilidades, os defensores finlandeses sustiveram as investidas dos invasores soviéticos.

Mais episódios AQUI.

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Death metal em todo o seu esplendor (Septicflesh, Krisiun, Diabolical, Xaon)

Diogo Ferreira

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Foto: Stella Mouzi

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Da Suíça já vimos surgir bandas como Hellhammer, Celtic Frost, Samael e Eluveitie, mas o sangue novo não parou de jorrar e a nova jóia helvética dá pelo nome de Xaon. Com uma carreira ainda curta, iniciada em 2014, os Xaon têm em “Solipsis” o segundo álbum que será lançado em Abril próximo pela Mighty Music. Ao oferecer um death metal contemporâneo com uma forte componente orquestral, esta banda será decididamente uma excelente abertura para uma noite de inigualável death metal.

 

Mais acima, vindos da Suécia, os Diabolical já cá andam há pouco mais de duas décadas e sempre foram capazes de lançar discos sólidos. Há seis anos que não lançavam um longa-duração, mas o início de 2019 mostrou-se importante para o regresso dos nórdicos com o muito bem-conseguido “Eclipse” (Indie Recordings). Num disco conceptual que reflecte o lado negro da humanidade e que força quem ouve a explorar as suas facetas diabólicas, o quarteto tanto oferece refrãos com vozes limpas e melódicas a fazer lembrar uns Enslaved como incorre por robustas e negras paredes sonoras na onda de uns Behemoth.

 

Uma das bandas de metal extremo mais bem-sucedidas da América do Sul chama-se Krisiun e é oriunda do expectável Brasil. Com quase 30 anos de existência, os brasileiros têm 11 coesos álbuns na sua discografia, sendo “Scourge of the Enthroned”, lançado em Setembro de 2018 pela Century Media Records, o mais recente. A evolução da indústria não afectou a faceta orgânica da banda e neste disco temos precisamente isso, por exemplo, através da bateria seca de Max Kolesne. Rapidez e caos são também elementos a ter em conta nos Krisiun, o que pode ser testemunhado no single “A Thousand Graves”. É um regresso ao nosso país que não deixará ninguém indiferente.

 

De volta à Europa, e neste caso representando também um regresso a Portugal, os Septicflesh são um dos expoentes máximos no que concerne a death metal sinfónico. Igualmente veteranos como a banda introduzida atrás, ainda que com um hiato entre 2003 e 2007, estes gregos têm em “Codex Omega” (2017, Season Of Mist) o mais recente álbum, mas também um dos seus melhores trabalhos até à data, o que valeu ao grupo a montra de Álbum do Mês em muitas publicações mundiais, incluindo a Ultraje. Do Inferno de Dante aos mares de Cthulhu, passando pela mente genial de Hypatia, os helénicos foram capazes de criar andamentos cinematográficos interligados com guitarradas que rasgam e uma bateria nuclear que explode a cada batucada. As palavras até podem sair da boca de Spiros Antoniou, mas, e sem inferiorizar os restantes membros da banda, é Christos Antoniou o culpado disto tudo – é dele que nasce uma amálgama sinfónica/orquestral de dinâmicas e cores sonoras interpretada pela FILMharmonic Orchestra of Prague.

 

As quatro bandas juntam-se no Hard Club (Porto), no próximo dia 15 de Março, para uma noite que facilmente será uma das melhores de 2019 no que a death metal de excelência diz respeito. As informações necessárias podem ser acedidas AQUI.

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