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[Reportagem] The Outer Ones Global Domination II Tour (12.12.2018 – Porto)

João Correia

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Revocation (Foto: João Correia)

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Revocation + Archspire + Soreption + Rivers of Nihil
12.12.2018 – Hard Club, Porto

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Que a SWR – Sonic Events já muito fazia pelo ecossistema da música extrema em Portugal não é novidade – basta pensarmos no SWR Barroselas Metalfest e a questão começa e acaba com esse festival apenas. No entanto, muitas foram as vozes que, ao longo dos anos, tinham vindo a pedir aos irmãos Veiga uma presença de um género específico dentro do SWR – o death metal técnico/progressivo. Ainda que o SWR detenha as condições propícias para acolher bandas desse estilo particular, até agora os pedidos tinham sido infrutíferos, mas, em vez de dormentes, os Veiga prestavam atenção ao que o povo queria nas redes sociais. Dessa feita, trouxeram até Portugal uma tour em data única que pouco menos seria do que épica para os amantes do estilo quando pelo menos dois dos maiores nomes actuais do death metal técnico mundial constavam no cartaz.

Quando os Rivers of Nihil começaram a tocar, o Hard Club já tinha uma lotação acima dos 50%, prova inolvidável de aposta ganha. A banda da Pensilvânia foi uma das grandes surpresas do ano graças a “Where Owls Know My Name”, um misto de death metal técnico com elementos progressivos e terceiro álbum pela editora Metal Blade. O público respondeu bem à prestação do colectivo liderado por Jake Dieffenbach, com demonstrações de apreço na forma de slam e crowdsurfing. Para além de promoverem o novo disco na forma de temas favoritos como “Home” e “A Silent Life”, houve ainda tempo para composições mais antigas, caso de “Soil & Seed”.

Seguiram-se os não tão sonantes Soreption, que uma boa fatia do público tinha curiosidade em conhecer. As dúvidas foram rapidamente desfeitas com o violento assalto presenciado no Hard Club. Na estrada a promoverem “Monument Of The End”, editado pela Sumerian Records em Agosto de 2018, os suecos não só são ridiculamente técnicos como apostam com mais ênfase na brutalidade do que qualquer outra banda do cartaz, particularmente devido à voz de Fredrik Söderberg que tanto lembra as investidas vocais dos Origin. Cerca de 45 minutos passaram a voar, bem como alguns corpos na sala, com o destaque do público a ir para um respeitável circle pit que tomou forma pela primeira vez nesta noite. Curiosidade satisfeita e prova superada.

Mas a grande surpresa do serão foram os canadianos Archspire que, insatisfeitos com o lançamento de “Relentless Mutation”, a proposta absurda do death metal técnico do ano passado, ainda conseguiram replicá-lo fielmente em palco, qualidade sonora incluída. Como uma equação matemática elegante (bom, talvez elegante não seja a palavra mais adequada…), tal é a essência dos Archspire: algo imutável, exacto e, sinistramente, possuidor de uma beleza característica. Dividindo as atenções entre a velocidade terminal de Oliver Aleron (voz) e as estruturas polirrítmicas de Morelli e Lamb (guitarras), os Archspire foram a banda da noite sem margem para dúvidas, coroando uma actuação perfeita com “Human Murmuration” e (principalmente) “Involuntary Doppelganger”, que causaram mais movimento terrestre e aéreo no meio do público. Se um concerto de death metal técnico puder atingir um ponto de referência, esse concerto será certamente proporcionado pelos Archspire.

Por fim, foi a vez de os norte-americanos Revocation convencerem o público português do porquê de serem uma das bandas  mais bem cotadas a nível mundial no que toca a uma mistura de death metal técnico, thrash progressivo e elementos de outros géneros da enorme família do heavy metal. Nos bastidores, Dean Lamb (guitarrista dos Archspire) segredou-nos que «os Revocation são tão, mas tão melhores do que nós…». De “Teratogenesis” a “The Outer Ones”, nenhum trabalho passou abaixo do radar dos naturais de Boston assinados pela Relapse Records, sempre comunicativos e que aproveitaram para gravar excertos da movimentação entre o público para uma edição futura. Malhas como “Chaos Of Forms”, “The Outer Ones”, “Existence Is Futile” ou a final “Witch Trials” deixaram uma marca duradoura nos presentes, cientes do acontecimento especial em geral que tinham acabado de presenciar. A SWR – Sonic Events está de parabéns pela iniciativa e pela forma suave como tudo decorreu, mas também pela coragem em trazer uma digressão ao norte do país, uma região que cada vez mais combate o centralismo despropositado m Portugal. Mesmo sendo uma iniciativa de nicho, conseguiu encher uma casa a meio da semana sem dificuldades. Que venham mais e melhores eventos; o público lá estará para agradecer.

Texto e fotos: João Correia

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[Reportagem] Septicflesh + Krisiun + Diabolical + Xaon (15.03.2019 – Porto)

Diogo Ferreira

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Septicflesh (Foto: Vânia Matos)

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Septicflesh + Krisiun + Diabolical + Xaon
15.03.2019 – Porto

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Antes das previstas 19h30 já os Xaon estavam em palco. Oriundo da Suíça, o jovem grupo tem em “Solipsis” o novo álbum, que será lançado em Maio próximo, e esta digressão já serve para o promover. Com a ingrata posição de abrir a noite a uma hora tão peculiar para o público português, a sala pequena do Hard Club estava a meio gás para receber o sangue-novo do metal helvético. Praticantes de death metal melódico com uma forte componente sinfónica, os Xaon não se fizeram rogar pela hora a que estavam a tocar ou pela (ainda) escassa audiência e deram um portento concerto como se se tratasse de um festival com milhares de pessoas. Nota muito positiva para a prestação de Rob que, muito mais do que um frontman de uma banda metal, é, de facto, um cantor.

Com os seguintes Diabolical, a sala encontrava-se praticamente cheia e os suecos vieram a Portugal promover o novíssimo trabalho intitulado “Eclipse”. Num concerto com uma componente cénica e visual, os nórdicos focaram-se, como seria de esperar, no novo disco que será, porventura para alguns, mais prazeroso de se ouvir em casa do que ao vivo. Tudo funcionou, é certo, mas muitos detalhes audíveis em “Eclipse” parecem ter sido abafados pela conjuntura sonora de um concerto. Ainda assim, certinhos naquilo que fazem, ninguém ficou indiferente à voz limpa de Carl Stjärnlöv, a fazer lembrar Enslaved, que cria a ala melódica de um death/black metal contemporâneo. Um das particularidades deste concerto, que uniu som e imagem, acontece na última “We Are Diabolical” em que se critica fortemente a industrialização capitalista da actualidade.

Do outro lado do Atlântico Sul, chegava a vez de uma das bandas mais esperadas da noite: Krisiun. Entusiasmados desde o início por estarem a tocar em Portugal, o público retribuiu com os primeiros (e únicos) momentos de moshpit na zona frontal ao palco. A união pela língua e pela colonização (expressão usada por Alex Camargo para unir e não para achincalhar) foi uma constante ao longo de um concerto veloz (Max Kolesne na bateria é uma fera autêntica!), frenético (os solos de Moyses Kolesne são apenas insanos!), agressivo e com muito groove. Com “Scourge of the Enthroned” (2018) na bagagem, os brasileiros tocaram, por exemplo, o tema-título desse álbum, assim como revisitações a outros tempos da carreira com temas como “Blood of the Lions” ou “Slaying Steel”. O trio aproveitou ainda para homenagear um ídolo de todos nós, que dá pelo nome de Lemmy (1945-2015), ao interpretar a muito batida, mas sempre bem-recebida, “Ace Of Spades”.

Continuamente a viverem dos louros angariados com “Codex Omega” (2017), os Septicflesh regressaram ao nosso país menos de um ano depois. À medida que os gregos iam entrando em cena, os aplausos iam-se intensificando e explodiu-se em êxtase quando o primeiro tema da setlist fora logo “Portrait of a Headless Man”. O mais recente registo de originais seria promovido mais à frente com execuções de faixas como “Martyr”, “Dante’s Inferno”, “Enemy Of Truth” ou a última “Dark Art” que encerrou o concerto e o encore em que também se ouviu “Anubis” com a sua melodia a ser entoada pelo público. Por entre interpretações de músicas como “Communion” ou “Prometheus”, o baixista/vocalista Spiros Antoniou exultou a energia sentida e a que desejava sentir, incentivando aquele aglomerado de fãs intensos a mostrarem os seus devil horns, sem esquecer o chavão final de que por estas regiões sulistas da Europa, portugueses, espanhóis, italianos e gregos são todos os mesmo – união foi o que não faltou durante toda a noite. Coesos até ao tutano, os atenienses mostraram aquilo de que são feitos: profissionais, artisticamente dotados e sonicamente imperiais. Nada, mas mesmo nada, há a apontar de negativo àqueles minutos fervorosos que passaram rápido demais…

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Texto: Diogo Ferreira
Fotos: Vânia Matos
Agradecimentos: Rocha Produções

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Sabaton History Channel: sexto episódio dedicado ao tema “Talvisota” e à defesa finlandesa face à URSS

Diogo Ferreira

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No sexto episódio do Sabaton History Channel, Indy Neidell e Joakim Brodén trazem-nos o tema “Talvisota”, do álbum “Art Of War” (2008), que versa sobre uma espécie de David contra Golias numa guerra moderna.

Conhecida como Guerra de Inverno, este conflito durou desde Novembro de 1939 até Março de 1940, mesmo nos primórdios daquela que ficaria para a História como a II Grande Guerra Mundial. Contra todas a probabilidades, os defensores finlandeses sustiveram as investidas dos invasores soviéticos.

Mais episódios AQUI.

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Death metal em todo o seu esplendor (Septicflesh, Krisiun, Diabolical, Xaon)

Diogo Ferreira

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Foto: Stella Mouzi

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Da Suíça já vimos surgir bandas como Hellhammer, Celtic Frost, Samael e Eluveitie, mas o sangue novo não parou de jorrar e a nova jóia helvética dá pelo nome de Xaon. Com uma carreira ainda curta, iniciada em 2014, os Xaon têm em “Solipsis” o segundo álbum que será lançado em Abril próximo pela Mighty Music. Ao oferecer um death metal contemporâneo com uma forte componente orquestral, esta banda será decididamente uma excelente abertura para uma noite de inigualável death metal.

 

Mais acima, vindos da Suécia, os Diabolical já cá andam há pouco mais de duas décadas e sempre foram capazes de lançar discos sólidos. Há seis anos que não lançavam um longa-duração, mas o início de 2019 mostrou-se importante para o regresso dos nórdicos com o muito bem-conseguido “Eclipse” (Indie Recordings). Num disco conceptual que reflecte o lado negro da humanidade e que força quem ouve a explorar as suas facetas diabólicas, o quarteto tanto oferece refrãos com vozes limpas e melódicas a fazer lembrar uns Enslaved como incorre por robustas e negras paredes sonoras na onda de uns Behemoth.

 

Uma das bandas de metal extremo mais bem-sucedidas da América do Sul chama-se Krisiun e é oriunda do expectável Brasil. Com quase 30 anos de existência, os brasileiros têm 11 coesos álbuns na sua discografia, sendo “Scourge of the Enthroned”, lançado em Setembro de 2018 pela Century Media Records, o mais recente. A evolução da indústria não afectou a faceta orgânica da banda e neste disco temos precisamente isso, por exemplo, através da bateria seca de Max Kolesne. Rapidez e caos são também elementos a ter em conta nos Krisiun, o que pode ser testemunhado no single “A Thousand Graves”. É um regresso ao nosso país que não deixará ninguém indiferente.

 

De volta à Europa, e neste caso representando também um regresso a Portugal, os Septicflesh são um dos expoentes máximos no que concerne a death metal sinfónico. Igualmente veteranos como a banda introduzida atrás, ainda que com um hiato entre 2003 e 2007, estes gregos têm em “Codex Omega” (2017, Season Of Mist) o mais recente álbum, mas também um dos seus melhores trabalhos até à data, o que valeu ao grupo a montra de Álbum do Mês em muitas publicações mundiais, incluindo a Ultraje. Do Inferno de Dante aos mares de Cthulhu, passando pela mente genial de Hypatia, os helénicos foram capazes de criar andamentos cinematográficos interligados com guitarradas que rasgam e uma bateria nuclear que explode a cada batucada. As palavras até podem sair da boca de Spiros Antoniou, mas, e sem inferiorizar os restantes membros da banda, é Christos Antoniou o culpado disto tudo – é dele que nasce uma amálgama sinfónica/orquestral de dinâmicas e cores sonoras interpretada pela FILMharmonic Orchestra of Prague.

 

As quatro bandas juntam-se no Hard Club (Porto), no próximo dia 15 de Março, para uma noite que facilmente será uma das melhores de 2019 no que a death metal de excelência diz respeito. As informações necessárias podem ser acedidas AQUI.

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