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[Reportagem] King Dude + Kælan Mikla: o encantador de serpentes (25.09.2018 – Viena)

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King Dude + Kælan Mikla
25.09.2018 – Viper Room, Viena (Áustria)

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Ao entrar no Viper Room, um cartaz preto com uma víbora amarela de dentes afiados ameaça-nos, abrindo o caminho para dois andares debaixo do solo.

As paredes de um corredor competem entre si. De um lado, bancas de King Dude e Kælan Mikla apresentam o merchandise de uma tour europeia de 19 dias; do outro, cartazes de vários futuros eventos mostram que este concerto é somente mais uma refeição no interior desta serpente de Viena.

Enquanto aguardamos as Kælan Mikla, apercebemo-nos de que algo já se manifestou anteriormente no palco e constatamos que Tosten Larson, guitarrista e teclista de King Dude, apresentou o seu projecto The Dark Red Seed

As islandesas tardam em surgir em palco, mas 40 minutos volvidos, depois de muito aperto com cabos e amplificadores em mau estado, sobem descontraídas em vestes negras rendilhadas de branco, prontas para surpreender o público. Com incenso a fumegar e vídeo projectado nas suas faces, debitam um monólito de poesia gélida, teclados synthwave e baixo post-punk.

São banshees que alinham o seu setlist como um lento acordar, dançando temas como “Hvernig Kemst ég upp?” ou “Glimmer og Aska” num trance de movimentos naïve, para serem interrompidos num registo dançante com “Andvaka”.

Mais curto do que o esperado, mas intenso para quem não esperava, Kælan Mikla é um segredo nórdico que contamos rever em breve em Portugal.

Pausa para abrir as pupilas e ver as ruas de uma Viena vazia às 22h. Com a expectativa alta, a dúvida e o desafio acompanha-nos: King Dude é um entertainer, mas como será com o público plácido e resistente de Viena?

Com a iminência da sua chegada, entramos e vemos a sala preenchida com cerca de 100 pessoas prontas para partilhar o novo álbum “Music to Make War To”.

Ao nosso redor, os ânimos estão excitados demais para o lema da tour, elevando a toada da música de King Dude: amor possessivo e guerra. “Velvet Rope” enceta os ânimos de uma noite rouca e melosa guiada pelo nosso crooner, que partilha de seguida a melodia de “ I Don´t Write Love Songs Anymore” com a sua nova víbora de palco, Josephine Olivia.

Sem esforço, com um poder intrínseco, “Twin Brother of Jesus”, “In the Garden”, “Deal With The Devil” e “Death Won´t Take Me” doutrinam a noite fria com um rito southern gothic e um pulsar lamacento, pausado brevemente pelo humor descontraído de King Dude, que arranca para uma vigorosa “I Wanna Die at 69”, em que TJ Cowgill (nome próprio do nosso MC) puxa do seu registo gutural e sedutor transformando-se num motoqueiro dos pântanos, ao som de um riff que acorda os vampiros de meia Viena.

Pronto para a tríade “Silver Crucifix”, “Jesus in the Courtyard” e “Death Before the Chorus”, o público balança-se repetidamente até à sua pequena morte e deleita-se com uma “God Like Me” em encore – King Dude ao teclado, sozinho, de cigarro preso no cabo do microfone, a desacreditar um deus que só quer fazer guerra, quando ele só quer… amor.

Numa noite sedutora, reinou o encantador de serpentes.

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[Reportagem] Alestorm + Skálmöld (12.12.2018, Lisboa)

Diogo Ferreira

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Alestorm (Foto: João “Speedy” Santos)

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Alestorm + Skálmöld
12.12.2018 – Lisboa Ao Vivo, Lisboa

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A atracar pela segunda vez na costa portuguesa, os islandeses Skálmöld fizeram bom uso de todo o traquejo que as constantes digressões lhes deram e souberam tornear com mestria os problemas sonoros que marcaram o início da actuação. Ainda assim, o som meio embrulhado não os impediu de montarem uma festa viking ao som do folk metal escandinavo que praticam, com boa aderência do público e um espectáculo mexido – para os parâmetros islandeses, note-se. Montados em “Sorgir”, o mais recente dos seus cinco trabalhos de originais, desfilaram um conjunto de temas interessantes, que fazem deles um dos mais sérios casos do viking metal actual.

Os Alestorm são um fenómeno de popularidade entre os frequentadores de salas de espectáculos e festivais e, se fosse necessária algum tipo de confirmação disto, os escoceses encarregaram-se de fazer uma demonstração cabal na noite lisboeta da digressão. Com um pato de borracha gigante em palco e o vocalista a usar o habitual outfit de kilt e keytar, a festa ficou montada a partir do momento em que os piratas pisaram o palco e foi sempre a enrijecer até à interpretação de “Fucked With An Anchor”, sensivelmente uma hora e meia depois. O pirate metal dos Alestorm é uma mistura perfeita de refrãos cantáveis, “Eis” e “Oh-oh-ohs” estrategicamente colocados e melodias orelhudas, com ocasionais espaços para bons solos de guitarra. Temas simples e milhões de visualizações no YouTube é uma combinação que não falha, e canções como “Mexico”, “The Sunk’n Norwegian”, “Hangover” (versão de um tema de Taio Cruz), “Shipwrecked” e “Drink” contam-se entre as favoritas do público português que cantou, bebeu cerveja, abriu um moshpit considerável e até brindou a banda com uma wall of death. Em palco, os Alestorm nunca falharam na arte de interpretar os seus temas da forma mais entusiasta possível, puxar pelo público e mantê-lo efectivamente entretido, seja com um solo de keytar de Bowes enquanto bebia uma Super Bock de penalti ou a usar o típico humor britânico quando apresentava as músicas. Lisboa não resistiu ao ataque pirata do quinteto escocês e capitulou, numa noite chuvosa em que a fila se mudou para a casa de banho dos homens e em que andar à chapada no meio do mosh com um fato de elefante era uma coisa perfeitamente normal.

Texto: Fernando Reis
Fotos: João “Speedy” Santos
Edição de fotos: Rute Gonçalves

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Coisas estúpidas que a Ultraje vai tentar difundir em 2019

Diogo Ferreira

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[Reportagem] Brujeria + Simbiose + Systemik Viølence (09.12.2018 – Lisboa)

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Brujeria (Foto: Solange Bonifácio)

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Brujeria + Simbiose + Systemik Viølence
09.12.2018 – RCA Club, Lisboa

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A noite começou em literal “anarquia violência” musical – nome que se associa por diversas razões aos Systemik Viølence que nos fizeram viajar até ao underground d-beat japonês, onde manifestaram a sua prática musical e atitude punk de desobediência, agressividade e sujidade, onde o frontman Iggy Musashi conseguiu cativar o público de formas variadas. E como já é costume, misturou-se dentro da multidão, com uma performance absolutamente incansável, cativante e esmagadora.

De seguida, os Simbiose – com toda a eficiência a que já nos habituaram também – descarrilaram a sua energia característica. Com o vocalista Jonhie comunicativo e a cumprimentar o público como usual, ecoaram desdém e repulsão de manifesto com o seu punk / crust / grindcore, reforçando mais uma vez que são a grande instituição musical dentro do género a nível nacional.

Não é usual ter a oportunidade de ver ao vivo superbandas e, ainda para mais, uma tão peculiar como Brujeria o é. Poder assistir, no mesmo palco, a artistas gigantes e de culto, como Shane Embury dos Napalm Death ou o Nicholas Barker – um dos bateristas mais rápidos da história do metal, com uma técnica musical absolutamente explosiva – é um grande privilégio, e assim o foi.  Juan Brujo e El Sangron abriram as hostilidades de uma celebração ao death grind em que se revistaram temas clássicos. Os Brujeria são uma força musical absolutamente bruta, divertida, barulhenta e politicamente carregada – elementos que tornaram este concerto memorável. Finalizou-se a noite com parte do público – que foi incansável e envolvente desde o início do concerto – em palco e em ambiente de festa no tema “Marijuana”, que encerrou este grande concerto.

Texto e fotos: Solange Bonifácio

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