[Reportagem] Moita Metal Fest 2018: Moita’s Not Dead (dia 1) – Ultraje – Metal & Rock Online
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[Reportagem] Moita Metal Fest 2018: Moita’s Not Dead (dia 1)

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Depois da aposta no novo recinto em 2017, o Moita Metal Fest entrou na primeira liga de festivais de metal em Portugal. É verdade que o festival já tinha apresentado bandas de renome internacional em edições anteriores, mas a mudança de local no ano passado fez a organização ampliar tanto o espaço como o cartaz. Ainda que regado com alguma chuva, o primeiro dia do Moita Metal Fest 2018 repetiu a dose com quatro bandas nacionais e duas internacionais a entreter os cerca de mil presentes que se deslocaram de todo o país à vila da Moita. Faça chuva ou faça sol, o festival já é um ponto de encontro para a irmandade metálica nacional.

rsz_vira_lata_-_alteradaViralata (Foto: João Correia)

Devido a atrasos imprevistos, a Ultraje não conseguiu presenciar a actuação dos Dark Oath (uma banda de Soure, distrito de Coimbra) e dos lisboetas Sacred Sin, aos quais sucederam os também alfacinhas Viralata. Este quarteto toca punk rock clássico sem complicações, fazendo lembrar por vezes Peste & Sida e Censurados. Apanhámo-los a meio, o que foi suficiente para testemunharmos circle pits e uma comunicação profissional com o público. Aqueceram bem as hostes para os lisboetas Filii Nigrantium Infernalium (FNI), os semideuses do panteão pagão português. Mas quão bons serão os FNI? Depende. Nas palavras do próprio Belathauzer, são a pior banda portuguesa de heavy metal. Nas palavras de quem os ouve desde 1993, são a banda mais incompreendida desde a sua fundação, mas não há problema: mesmo que fossem maus, os FNI venciam-nos pelo cansaço, tal é a insistência do quarteto há 26 anos. Tocaram cerca de 30 minutos, com uma interrupção técnica de uns cinco minutos que ameaçou um set ainda menor, mas não há problema técnico que resista aos clássicos dos Abba. “Gostam de Abba? Gostam? Gostam de Abba?”, perguntou Belathauzer. E foi assim que os FNI terminaram a sua actuação, com Abba… Perdão, com “Abadia do Fogo Negro”, clássico incontornável de “A Era do Abutre”.

rsz_filii_1_-_alteradaFilii Nigrantium Infernalium (Foto: João Correia)

Menos de meia hora de concerto foi o suficiente para os FNI terem realizado a melhor prestação da noite, ex aequo com uma banda um tudo-nada menos metálica – já lá vamos. Depois dos FNI, subiram ao palco os gregos Suicidal Angels que praticam thrash metal clássico moderno de alta qualidade. O thrash é um género constante no Moita, tanto por já fazer parte da natureza do festival como por ser um género que continua a atrair muitos fãs devido à sua franqueza e facilidade de audição. Acontece que os Suicidal Angels não apresentam grandes novidades; sim, são bons músicos (principalmente Gus Drax, o verdadeiro mago destes helenos), bem como catchy e profissionais, mas quem vê um concerto de Suicidal Angels vê-os todos. O mar de gente que assistiu ao concerto e que gerou circle pits e vôos atrás de vôos desde o palco para o público não ficou desiludido com a actuação dos gregos.

rsz_suicidal_angels_3_-_alteradaSuicidal Angels (Foto: João Correia)

Por fim, foi a vez dos escoceses The Exploited subirem ao palco e mandarem abaixo o recinto com uma violenta mistura de Oi! punk, thrash metal e crossover. O colectivo de Wattie Buchan já anda na estrada há quase 40 anos e, depois do desaire cardíaco que ia custando a vida ao vocalista há quatro anos em Portugal, a vontade de rever uma das poucas verdadeiras bandas punk era visível. Sem cerimónias, os The Exploited deram início ao massacre com “Let’s Start A War”, que de imediato gerou um enorme circle pit em frente ao palco e que decuplicou a quantidade de stagedivers, que só paravam os vôos entre temas. Daí em diante foi uma enxurrada de clássicos: abordaram a época mais metálica da sua carreira com temas como “The Massacre” e “Porno Slut”, virando depois o bico ao prego para o punk com, entre muitos outros, “Cop Cars”, Sex & Violence”, “Fuck The U.S.A.” e “PGS”, que levou cerca de 60 fãs para cima do palco a convite do vocalista para cantarem em uníssono o clássico tema. Wattie e Irish Rob (baixista) não só não deram tréguas ao público como mantiveram comunicação permanente com ele, tanto ao que assistia em frente ao palco como ao que decidia participar na acção ao subir para ele, fosse para cantar, abraçar ou dançar com os elementos dos The Exploited. Cerca de uma hora de concerto revelou uma banda que não tem intenções de abrandar aquilo que faz de melhor: embarcar em extensas tournées pelo mundo fora para fazer as delícias dos fãs e converter novos adeptos.

rsz_the_exploited_4_-_alteradaThe Exploited (Foto: João Correia)

Bom dia de abertura de um festival que cada vez mais aposta em boas bandas e, principalmente, em bom convívio e bom ambiente quase às portas do Alentejo.

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