#ChooseUltraje

Features

[Reportagem] Moita Metal Fest 2018: Moita’s Not Dead (dia 1)

João Correia

Publicado há

-

22365397_1578373528886782_7656043292497899377_n

Depois da aposta no novo recinto em 2017, o Moita Metal Fest entrou na primeira liga de festivais de metal em Portugal. É verdade que o festival já tinha apresentado bandas de renome internacional em edições anteriores, mas a mudança de local no ano passado fez a organização ampliar tanto o espaço como o cartaz. Ainda que regado com alguma chuva, o primeiro dia do Moita Metal Fest 2018 repetiu a dose com quatro bandas nacionais e duas internacionais a entreter os cerca de mil presentes que se deslocaram de todo o país à vila da Moita. Faça chuva ou faça sol, o festival já é um ponto de encontro para a irmandade metálica nacional.

rsz_vira_lata_-_alteradaViralata (Foto: João Correia)

Devido a atrasos imprevistos, a Ultraje não conseguiu presenciar a actuação dos Dark Oath (uma banda de Soure, distrito de Coimbra) e dos lisboetas Sacred Sin, aos quais sucederam os também alfacinhas Viralata. Este quarteto toca punk rock clássico sem complicações, fazendo lembrar por vezes Peste & Sida e Censurados. Apanhámo-los a meio, o que foi suficiente para testemunharmos circle pits e uma comunicação profissional com o público. Aqueceram bem as hostes para os lisboetas Filii Nigrantium Infernalium (FNI), os semideuses do panteão pagão português. Mas quão bons serão os FNI? Depende. Nas palavras do próprio Belathauzer, são a pior banda portuguesa de heavy metal. Nas palavras de quem os ouve desde 1993, são a banda mais incompreendida desde a sua fundação, mas não há problema: mesmo que fossem maus, os FNI venciam-nos pelo cansaço, tal é a insistência do quarteto há 26 anos. Tocaram cerca de 30 minutos, com uma interrupção técnica de uns cinco minutos que ameaçou um set ainda menor, mas não há problema técnico que resista aos clássicos dos Abba. “Gostam de Abba? Gostam? Gostam de Abba?”, perguntou Belathauzer. E foi assim que os FNI terminaram a sua actuação, com Abba… Perdão, com “Abadia do Fogo Negro”, clássico incontornável de “A Era do Abutre”.

rsz_filii_1_-_alteradaFilii Nigrantium Infernalium (Foto: João Correia)

Menos de meia hora de concerto foi o suficiente para os FNI terem realizado a melhor prestação da noite, ex aequo com uma banda um tudo-nada menos metálica – já lá vamos. Depois dos FNI, subiram ao palco os gregos Suicidal Angels que praticam thrash metal clássico moderno de alta qualidade. O thrash é um género constante no Moita, tanto por já fazer parte da natureza do festival como por ser um género que continua a atrair muitos fãs devido à sua franqueza e facilidade de audição. Acontece que os Suicidal Angels não apresentam grandes novidades; sim, são bons músicos (principalmente Gus Drax, o verdadeiro mago destes helenos), bem como catchy e profissionais, mas quem vê um concerto de Suicidal Angels vê-os todos. O mar de gente que assistiu ao concerto e que gerou circle pits e vôos atrás de vôos desde o palco para o público não ficou desiludido com a actuação dos gregos.

rsz_suicidal_angels_3_-_alteradaSuicidal Angels (Foto: João Correia)

Por fim, foi a vez dos escoceses The Exploited subirem ao palco e mandarem abaixo o recinto com uma violenta mistura de Oi! punk, thrash metal e crossover. O colectivo de Wattie Buchan já anda na estrada há quase 40 anos e, depois do desaire cardíaco que ia custando a vida ao vocalista há quatro anos em Portugal, a vontade de rever uma das poucas verdadeiras bandas punk era visível. Sem cerimónias, os The Exploited deram início ao massacre com “Let’s Start A War”, que de imediato gerou um enorme circle pit em frente ao palco e que decuplicou a quantidade de stagedivers, que só paravam os vôos entre temas. Daí em diante foi uma enxurrada de clássicos: abordaram a época mais metálica da sua carreira com temas como “The Massacre” e “Porno Slut”, virando depois o bico ao prego para o punk com, entre muitos outros, “Cop Cars”, Sex & Violence”, “Fuck The U.S.A.” e “PGS”, que levou cerca de 60 fãs para cima do palco a convite do vocalista para cantarem em uníssono o clássico tema. Wattie e Irish Rob (baixista) não só não deram tréguas ao público como mantiveram comunicação permanente com ele, tanto ao que assistia em frente ao palco como ao que decidia participar na acção ao subir para ele, fosse para cantar, abraçar ou dançar com os elementos dos The Exploited. Cerca de uma hora de concerto revelou uma banda que não tem intenções de abrandar aquilo que faz de melhor: embarcar em extensas tournées pelo mundo fora para fazer as delícias dos fãs e converter novos adeptos.

rsz_the_exploited_4_-_alteradaThe Exploited (Foto: João Correia)

Bom dia de abertura de um festival que cada vez mais aposta em boas bandas e, principalmente, em bom convívio e bom ambiente quase às portas do Alentejo.

-/-

 

Features

[Reportagem] Haggard + Sound Storm + Eternal Silence: na caverna dos bardos (31.10.2018 – Graz, Áustria)

Publicado há

-

Haggard (Foto: Ágata Serralva)

-/-

Haggard + Sound Storm + Eternal Silence
31.10.2018 – DomImBerg, Graz (Áustria)

-/-

Subimos pelo interior da montanha em busca dos bardos. Literalmente.

Percorremos um trilho de túneis perfurados durante a Segunda Guerra Mundial, para abrigo da população. Enquanto avançamos lado-a-lado com pequenas galerias de abrigo, a temperatura arrefece ao longo dos 17000 m2, prontos para resguardar 50.000 pessoas de raides aéreos. Só pela envergadura desta obra, já vale o esforço da caminhada íngreme para o DomimBerg, a Catedral na Montanha.

É nesta caverna feita catedral que nos preparamos para assistir aos bardos Haggard e aos seus convidados pontuais desta tertúlia de Outono: os italianos Eternal Silence e Sound Storm.

Eternal Silence (Foto: Ágata Serralva)

Ainda com a caverna mais repleta de sombras que corpos, os Eternal Silence iniciaram às 20h em ponto, com o seu metal gótico/sinfónico cheio de energia e descomplexado.

Com um set curto, pelas vozes de Marika Vanni e Alberto Cassina, saltaram e pediram palmas, debitando uma secção rítmica festiva e arranjos vocais criativos, como é apanágio das bandas italianas deste género.

Temas como “Dreambook”, “Unbreakable Wil”l e “Hell on Earth”, do álbum “Chasing Chimer”, ou “Lucifer´s Lair” e “Fighter”, do álbum “Mastermind Tyranny”, mostraram uma alegria trovadoresca de uma banda que é a primeira a chegar, mas também é a última a ir embora da festa.

Sound Storm (Foto: Ágata Serralva)

Os Sound Storm tocaram de seguida e interpretaram o bardo engatatão, meloso, com algum excesso de teatralidade, que canta as ladainhas comuns do power metal sinfónico.

Com dois vocalistas novos no projecto, demonstraram falta de naturalidade em palco, mas com alguns momentos vocais surpreendentes: se a vocalista feminina Chiara Tricario é inconsistente no seu modo operático, Andrea Racco tem um registo agudo inesperado de grande força. Mas é o gutural death metal de Chiara que nos faz erguer o sobrolho e perceber que devia inverter os papéis com o vocalista masculino.

Assentando o setlist no seu álbum “Vertigo”, de 2016, e introduzindo temas de “Immortalia”, foram uma cópia de Epica sem capacidade de composição – embora a solidez da banda surgisse quando a teclista Elena Crolle tomava conta dos arranjos.

O concerto arrancou para o seu final com “To The Stars”, o single de apresentação dos novos membros, e desfilou com “Torquemada” e “The Portrait” até à chuva de palmas… quando chamaram por Haggard.

Haggard (Foto: Ágata Serralva)

Com o último álbum lançado em 2008, vários membros e formatos de banda passados, a curiosidade sobre Haggard era muita. Apresentaram-se com dez membros em palco, com recurso a violino, viola de arco, violoncelo, órgão e flauta transversal, a par da formação metal habitual.

Conduzidos por Asis Nasseri, maestro metódico e minucioso que abriu o concerto com “Midnight Gathering”, a mini-orquestra tocou contos death metal com registo medieval: “Prophecy Fulfilled”, “Tales of Ithiria” ou “Eppur Si Muove” foram interpretados com entusiasmo, onde a força e o balanço vieram das cordas, e a delicadeza do órgão feito cravo e da voz soberba da soprano Janika Gross, sempre acompanhada de forma cristalina pela flauta transversal. A interpretação da vocalista germânica foi tremenda, repleta de confiança e afinação.

Nasseri foi um comunicador erudito e consciencioso do lugar de Haggard no metal, pautando o concerto de momentos mais intimistas de conversa com o público com outros mais inspirados e proféticos.

Com o tríptico “In a Pale Moon´s Shadow”, “Per Aspera Ad Astra” e “Seven From Afar”, o bardo alemão preparou o encore de “Awaking the Centuries”, despedindo-se, ecoando pelas cavernas a sinfonia do seu metal.

-/-

Texto: Daniel Antero
Fotos: Ágata Serralva

Continuar a ler

Features

[Reportagem] Moonspell: depois da tempestade não vem a bonança (27.10.2018 – Figueira da Foz)

João Correia

Publicado há

-

Foto: João Correia

-/-

Moonspell
27.10.2018 – CAE, Figueira da Foz

-/-

Cinco bilhetes. Faltaram vender cinco bilhetes para que o CAE da Figueira da Foz tivesse a lotação esgotada neste espectáculo da digressão dos Moonspell. A determinada altura do evento, Fernando Ribeiro chegou mesmo a dizer: «À medida que nos iam informando na Califórnia que cada vez se estavam a vender mais bilhetes para este concerto, ficámos surpreendidos». Ironicamente, poucas semanas após a tempestade Leslie quase ter dizimado a Figueira da Foz, com notícias de gruas dobradas ao meio, árvores adultas arrancadas pelas raízes e milhões de euros em prejuízos, os brandoenses fizeram uma prece pelas 795 almas presentes com a sua interpretação do maior evento cataclísmico alguma vez registado em Portugal – o grande terramoto de Lisboa, tão bem representado em “1755”.

Aos instantes iniciais de “Em Nome do Medo”, a banda recebeu uma enorme ovação dos sentados e levantados. “Sou sangue de teu sangue, sou luz que se expande”, gritou Ribeiro, vestido de homem da lanterna do Barroco, e que foi replicado em uníssono num auditório rendido às evidências em poucos instantes. “1755” logra ser o trabalho mais ambicioso, complexo e arrojado de toda a carreira dos Moonspell, bem como um dos mais bem cotados pela imprensa especializada um pouco por todo o mundo. Os segredos para isso são simples: apoiaram-se no drama natural e real mais profundo do nosso país, apostaram em elementos sinfónicos que visaram mimetizar o caos, medo, desespero e mortandade que as populações de Lisboa sofreram com um evento que demorou na sua totalidade menos de uma hora e, novidade das novidades, compuseram um disco integralmente em língua portuguesa. Este último pormenor faz toda a diferença junto do público e fãs, que não só entendem perfeitamente as letras, como as repetem com muito mais facilidade – assim foi com o tema seguinte, “1755”, com o seu “Não, não deixarás pedra sobre pedra” e com o que veio a seguir, “In Tremor Dei”, em que os fãs ecoaram “Lisboa em chamas, caída”. Por esta altura, poucas eram as pessoas sentadas e ainda menos eram as desinteressadas.

De seguida, os Moonspell passaram da catástrofe divina actual para as avenidas do passado com um set que incluiu as obrigatórias “Opium” e “Awake”. Feito isto, entrelaçaram “Ruínas” e “Evento”, ambas de “1755”, com os clássicos “Vampiria” e “Herr Spiegelman”, dando término à primeira parte da actuação com uma versão de “Lanterna dos Afogados”, também esta presente no último longa-duração. Durante todo o evento foi notória a aposta em mais truques de luzes como lasers verdes emanados das mãos de Fernando Ribeiro ou uma cruz que emitiu lasers vermelhos e que o mesmo empunhou, aliando à faceta sonora efeitos visuais cujas metáforas ficam abertas à interpretação. Finda a primeira parte, a sensação geral foi a de que o tempo passou a voar, prova nítida de que um concerto bem-conseguido não é apenas uma demonstração musical, mas, principalmente, um acto de entretenimento, que convenceu desde as crianças mais tenras coladas ao palco, aos idosos que, movidos pela curiosidade e pela parca oferta de cultura nesta cidade balnear, compareceram e abanaram o capacete, ainda que (presumivelmente) alheios à banda.

Para o final, “Todos Os Santos” (em que, uma vez mais, a repetição da frase chave “Faz dia em Portugal” abalou a estrutura arquitectónica do CAE), a imprescindível “Alma Mater”, cujo refrão em português também foi repetido amiúde e, em jeito de despedida, mas também do chamado dos lobos, “Fullmoon Madness”, na qual o macho alfa uivou aos betas e aos ómegas, reunindo a cada vez maior alcateia e firmando a supremacia da espécie na sua zona de origem. A cada concerto, do Japão ao México, cada vez menos falta cumprir-se Portugal. Para não variar, a matilha fez questão de dar autógrafos, conviver com fãs e tirar fotos com quem assim quisesse, passando quase tanto tempo dedicada a esta actividade como o fez a tocar – é uma coisa muito metaleira, uma coisa muito nossa. A jogar em casa, os Moonspell vão somando pontos e conquistando igualmente gerações mais recentes e da velha-guarda, tudo fruto da seriedade com que encaram o seu trabalho, de um talento inquestionável e de um esforço e de uma crença inauditos na nossa praça. Entre mortos e feridos, os Moonspell saem sempre incólumes. Dizer o contrário seria uma “infâmia, infâmia”.

Texto e fotos: João Correia

Continuar a ler

Features

Warrel Dane (1961-2017): mini-documentário de “Shadow Work”

Diogo Ferreira

Publicado há

-

A 13 de Dezembro de 2017 a comunidade metal era tomada de assalto pela notícia que dava conta da morte de Warrel Dane, voz inconfundível de bandas como Sanctuary e Nevermore.

Dane encontrava-se em São Paulo (Brasil) a gravar o seu novo álbum a solo quando o coração falhou. Todavia, muito já estava feito para se parar e, após revisão de todo o material disponível, as pessoas envolvidas decidiram levar em frente o lançamento deste “Shadow Work”. Será lançado a 26 de Outubro pela Century Media Records.

A poucos dias dessa edição, a Century Media Records reúne as imagens captadas durante as sessões de “Shadow Work” para revelar um mini-documentário que inclui as últimas aparições de Warrel Dane.

 

 

Continuar a ler

Facebook

#UltrajeRadar

Ultraje #17