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[Reportagem] Moita Metal Fest 2018: Lobos à porta (dia 2)

João Correia

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Depois de uma boa sexta-feira de aquecimento, sábado começou cedo, como já é habitual no Moita Metal Fest. Cerca das 14h30 subiram ao palco os thrashers/speedsters Toxikull, projecto de Alex Carrapiço, também vocalista dos Midnight Priest. Vamos por partes: os Toxikull estão mais verdes do que a banda principal de Alex – diferença de sons à parte, os Midnight Priest são muito mais coesos em termos de rodagem do que os Toxikull, mas estes (nas palavras de um amigo nosso) esbanjam atitude em palco, o que lhes vale por si só metade do concerto. Na estrada a promover o EP “The Nightraiser”, lançado há pouco mais de duas semanas, fizeram o serviço de forma competente, mas pouco emocionante. O esforço em palco foi visível, mas a falta de público devido a serem a banda de abertura também não ajudou a criar um clima melhor.

rsz_toxikull_-_félixToxikull (Foto: Pedro Félix)

Seguiram-se-lhes os lisboetas Wells Valley e foi então que começou a martelada sónica do Moita. A banda pratica um misto de doom metal, sludge e algum industrial a lembrar por vezes Godflesh (éramos capazes de jurar ter ouvido fortes influências de temas como “Like Rats” em determinados momentos). O trio não precisou de muito para impressionar, executando malha atrás de malha de uma mistura de géneros heterodoxa e que não resulta em todos os festivais, mas que assentou como uma luva neste. É uma pena que se apresentem ao vivo tão pontualmente, até porque e são uma experiência bastante agradável e representativa do melhor que se faz presentemente em Portugal.

rsz_wells_valley_2Wells Valley (Foto: João Correia)

Duas horas após o início do segundo dia foi a vez de os Low Torque apresentarem o seu rock/metal moderno com influências tão distintas como Mastodon, Melvins e Pantera, entre bastantes outros. O grande trunfo desta banda de Palmela é a diversidade que apresenta com o seu som, que continua a trilhar a senda do metal, mas que serve como agente de desenfastio precisamente devido à variação de estilos nele incluído. David Pais, o vocalista, dá tudo o que tem em cima do palco, e não foi difícil abanar a cabeça nos momentos musicais a lembrar o southern rock dos Down e dos Eyehategod misturados com um feeling clássico de Hawkwind/Zeppelin.

rsz_low_torque_1Low Torque (Foto: João Correia)

Cerca das 17h15 o compasso atingiu uma velocidade alarmante – era tempo de Dead Meat. Se só o nome não nos atinge em cheio na cara devido à brutalidade explícita destes albicastrenses, a coisa muda de figura quando reparamos no Rolando Barros atrás da bateria. Executantes de brutal death/gore metal combinado com grindcore, os Dead Meat são uma das bandas mais extremas em solo nacional e continuam a promover “Preachers of Gore”, lançado em Dezembro passado. Beneficiaram de um bom som e de uma secção rítmica bastante forte que atingiu um pico em “Sliced in Pieces” e “Symphonies of Impalement”. O pouco público não ajudou muito, ainda que tivessem incitado ao slam e aos circle pits. No geral, foi um concerto acima da média por parte da banda, cuja prestação de Rolando Barros ajudou a exponenciar. Um enorme abraço e obrigado ao Josen pelo auxílio durante o festival.

rsz_dead_meatDead Meat (Foto: João Correia)

Logo após foi a vez dos Equaleft, que continuam a somar pontos e a converter fãs um pouco por todo o país. Uma característica do pessoal da cena no Porto (e no Norte em geral) é que parecem viver noutro país, tal é a originalidade e a vontade em seguirem o seu próprio caminho e que levaram à edição de alguns dos trabalhos mais originais dentro dos diversos espectros do metal nos últimos 20 anos. A banda de groove/thrash/prog metal começou (“New False Horizons”) como acabou (“Maniac”), disposta a fazer-se ouvir e a ser vista, e resultou. Entre temas, valeu tudo: Miguel Inglês e restantes elementos não pararam, sendo que o vocalista chegou a fazer uma incursão pelo público para cantar com alguns fãs. O público contribui para a festa com algum slam e circle pits, numa casa então mais cheia. Agora, resta esperar pelo novo disco e acompanhar a banda nos concertos de promoção do mesmo.

rsz_equaleftEqualeft (Foto: João Correia)

Cerca de 90 minutos depois os ‘estudantes’ Terror Empire iniciaram o seu concerto. Pouco mais há que dizer da banda de Rui “o crl” Alexandre: debita thrash metal moderno com influências de bandas clássicas, potente e profissional, e tem a particularidade de fazer o que quer do público com malhas como “Burning the Flags” e “You’ll Never See Us Coming”, ambas presentes no repertório da banda nesta actuação. O truque é simples, mas eficaz: thrash metal com blastbeats e partes a piscar o olho a crossover, honestidade e noção suficiente para serem apenas quem são e não se espalharem ao comprido tentando ser terceiros. Resulta e recomenda-se, como foi visível pela confusão em frente ao palco devido à actividade do público em circle pits e slam com fartura.

rsz_terror_empire_2_-_félixTerror Empire (Foto: Pedro Félix)

Mas se a actividade do público só começou a aquecer a sério com os Terror Empire, com os Malevolence a coisa tomou uma proporção épica. Quando se ouviu o nome Malevolence houve quem ficasse com a ideia de que se tratava dos nacionais, os do death metal técnico/progressivo e que lançaram há cinco anos um disco digno de nota. Não façamos confusão: estes são os praticantes ingleses de metalcore e que, dentro do seu espectro musical, são um dos nomes cimeiros na cena, mas vamos ao que interessa. Mal iniciaram a sua actuação, houve uma clara divisão do público em duas faixas etárias: a mais velha recuou para ver o concerto, talvez desconfiada com o preconceito do “core”, enquanto a mais nova foi a correr para a frente do palco para prestar culto aos seus ídolos. A verdadeira estupefacção residiu nos pequenos ninjas das Caldas que, aos acordes iniciais da banda, iniciaram uma sessão de crowd kill inédita no Moita Metal Fest. Acham que os circle pits, os stagedivings e as wall of death são violentos? Pensem outra vez. A meio da actuação, a faixa etária mais velha já abanava a cabeça ao som dos Malevolence, até porque peso é uma constante no som da banda. Ficámos com a ideia de que o que poderia ter sido uma escolha duvidosa para um evento como o Moita foi, afinal, uma aposta ganha bem cedo.

rsz_malevolence_1Malevolence (Foto: João Correia)

Felizmente e infelizmente, seguiram-se os For The Glory, ‘apenas’ um dos maiores bastiões do hardcore europeu. É curioso: se nunca saímos da cepa torta, então é porque somos todos muito maus, mas quando nomes nacionais como For The Glory, Moonspell, Filii Nigrantium Infernalium, Black Cilice, Analepsy, Scarificare, Irae, Corpus Christii e tantos, MAS TANTOS, outros de inegável qualidade começam a levar o nosso país a cumes mais elevados, então continuamos a ser maus. Somos maus, sim, quando ignoramos os 15 prolíficos anos de existência dos For The Glory. Tratou-se do último concerto da banda e o público não saiu defraudado: os lisboetas tocaram como se fosse o seu primeiro concerto e deram cartas como “Survival of the Fittest” para depois as voltarem a baralhar. Para o final, a devida vénia do público que repetiu muitas vezes o nome de mais uma banda que teve a infelicidade de ‘nascer’ em Portugal, uma banda que ganhou reconhecimento e culto no estrangeiro, que foi (e é) maioritariamente desprezada em Portugal e que foi confrontada com a escolha entre vida pessoal/família e showbiz. Um até já e muito obrigado por tudo.

rsz_switchtense_3_-félixSwitchtense (Foto: Pedro Félix)

Para colmatar a ausência indefinida dos For The Glory, os Switchtense aplicaram a habitual chapada na tromba do público com o seu thrash/groove metal a lembrar The Haunted e Pantera. Já no último evento em que os vimos ficámos com a nítida impressão de que deram a melhor actuação da noite, e no sábado voltaram a mostrar o motivo da sólida legião de fãs um pouco por todo o país: em palco são uma máquina oleada que já funciona de forma automática, sem más surpresas ou momentos mortos. Mas o que esperar de temas já habituais como “Face Off” e “Infected Blood”? O povo respondeu com mais slam e circle pits, prova inequívoca da satisfação da pomada aplicada.

rsz_switchtense_1Switchtense (Foto: João Correia)

Seguiram-se os Ibéria, veneráveis dinossauros do heavy metal tradicional made in Portugal com 34 anos de actividade (e que venham pelo menos mais 34). O que chama automaticamente a atenção nos Ibéria é a qualidade vocal e a prestação em palco do frontman Hugo Soares – atípicas no bom sentido. Desfiaram temas como “God’s Euphoria” e “Hollywood”, a pièce de résistance do quinteto da Margem Sul e que é um dos pais fundadores do heavy metal em Portugal. Por raros momentos aproveitámos a ausência natural do mosh para captarmos algumas das nossas melhores imagens da noite. Também nisto o festival pontua: dá oportunidade a bandas novas, antigas, extremas e clássicas da mesma forma, o que acaba por juntar várias gerações e faunas do metal no mesmo recinto.

rsz_ibÉria_1Ibéria (Foto: João Correia)

A noite avançava rápido de mais e só nos apercebemos que a festa estava a caminhar para o fim a passos largos com a entrada em palco dos Benighted, uma das coqueluches do metal extremo mundial. Os franceses lançaram “Necrobreed” há cerca de um ano e, já nessa altura, a Ultraje deslocou-se a Espanha para fazer a cobertura do seu concerto. Essa actuação apanhou de surpresa o público presente pelo descompromisso e violência gratuita a rodos; logo, quando ouvimos que a banda viria ajudar à festa no Moita Metal Fest, já sabíamos o que esperar. Julien Truchan e seus copains vieram para fazer estragos e estragos fizeram. O grupo deu início à selvajaria com a intro “Hush Little Baby”, seguida logo após por “Reptilian”, um dos temas mais fortes do último trabalho, que a banda revisitou ainda com rendições de “Reeks Of Darkened Zoopsia” e “Necrobreed”. Acabaram por dedicar uma malha aos Analepsy – mais um reconhecimento de uma das bandas nacionais mais faladas lá fora. Prestação memorável de uma raça violentíssima proveniente de uma das maiores promessas do death/gore/grind técnico do nosso tempo.

rsz_benighted_2_-_félixBenighted (Foto: Pedro Félix)

Também era noite de Bizarra Locomotiva, mais uma banda veterana nacional que aposta em ritmos industriais, rock, metal e muita teatralidade em palco para criar um ambiente que varia entre o onírico e o experimental. Por esta altura a casa já estava praticamente cheia, com muita gente exclusivamente à espera de Bizarra Locomotiva. Logo ao início de “A Procissão dos Édipos” nota-se uma aura de Mão Morta a circular a banda, o que em parte lhe dá mais interesse. Os Bizarra Locomotiva sofreram de um som lastimável durante toda a sua actuação e nem o mergulho de Rui Sidónio no mar de gente à sua frente ou o constante movimento em palco melhoraram a qualidade do que nos ofereceram. Revisitaram clássicos como “Grifos de Deus”, “Ergástulo” e “Flauta do Leproso”, debalde, e nem a interpretação de “O Anjo Exilado” ou de “Escaravelho” auxiliaram a banda a sair de palco com a sensação de dever cumprido. Há noites menos boas e, gostos ou tendências à parte, foi o que aconteceu aos Bizarra Locomotiva no Moita Metal Fest.

rsz_foto_de_capa_-_bizarra_locomotiva_-_foto_do_fÉlixBizarra Locomotiva (Foto: Pedro Félix)

Por fim, era chegada a vez dos Vader. Pioneiros mundiais do death metal, a banda de Piotr Wiwczarek apresentou o término da tournée “The Ultimate Incantation – 25 Years of Chaos”. Nitidamente exaustos (na verdade, Piotr disse-nos que a banda já não dormia em condições há quatro noites), mas nitidamente ainda mais profissionais do que cansados, os quatro magníficos (agora com James Stewart ao comando da bateria) demoraram a entrar em palco devido a um soundcheck meticuloso. A espera foi recompensada com uma prestação na periferia da perfeição, com um som limpo, mas, ao mesmo tempo, grave o suficiente para que a essência dos Vader não ficasse pelo caminho. É impossível nomear um ou outro clássico quando todos os temas da banda são clássicos, mas os desempenhos em temas como “The Crucified Ones”, “Send Me Back To Hell”, “Vicious Circle” e a derradeira “Cold Demons”, esta última a contar com por vezes 4 e 5 stage divers em cima do palco, foram os alicerces de uma actuação em tudo obrigatória para fãs de death metal de primeira categoria. Adicionalmente, este é o tipo de tours com um significado histórico importante dentro do seu estilo; logo, a presença era obrigatória para os fãs do metal mais extremo.

rsz_vader_2_-_félixVader (Foto: Pedro Félix)

Outro ponto alto do Moita Metal Fest foi a after-party fora do cartaz que encerrou a edição de 2018 com o DJ Rui “Joj” Alexandre, o DJ João Duarte e o DJ Ivo Conceição, que desfiaram vários clássicos de várias épocas, uma espécie de celebração como a dos Vader, mas com muito azeite nacional a escorrer da mesa da mistura e dos pratos dos três Di Jeis: Ágata, Quim Barreiros e tantos outros nomes de vulto da música menos extrema de Portugal foram os escolhidos para terminar a cerimónia de invocação iniciada pelos Vader cerca de duas horas antes. Contas feitas, o Moita Metal Fest continua a manter os fiéis do costume e a angariar novos festivaleiros todos os anos devido a esta festa em família que insiste em renovar a cada 365 dias. Os culpados são a boa comida disponível, os bons acessos, uma toada muito mais descontraída e easy going do que qualquer outro festival em Portugal e, claro, a qualidade dos artistas presentes, nacionais e estrangeiros. Hugo Andrade, a mente por detrás do Moita Metal Fest, revelou satisfação com a edição deste ano, mesmo depois do cancelamento de um dos cabeças-de-cartaz. «Para o ano quero ver se vos facilito um local só para imprensa», disse-nos, o que nos indica que o Moita ainda está a crescer, muito e com vontade. Quem não esteve presente não faz ideia do que perdeu, tanto ao nível das actuações como do ambiente aqui vivido. MOITA, C*****O!!!

rsz_vaderVader (Foto: João Correia)

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Possessed: primeiro episódio de “The Creation of Death Metal”

Diogo Ferreira

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O novo álbum dos padrinhos do death metal Possessed intitula-se “Revelations Of Oblivion” e será lançado a 10 de Maio pela Nuclear Blast. O primeiro single “No More Room in Hell” já está em rotação.

A banda liderada por Jeff Becerra passará por Portugal para duas datas:

Entretanto, a banda em parceria com a editora disponibilizam a primeira parte de “The Creation of Death Metal”, uma mini-série documental que podes acompanhar com a Ultraje.

 

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Satyricon: discografia 1994-2017

Diogo Ferreira

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Dark Medieval Times
1994, Moonfog Productions

A sonoridade aliada ao título é das combinações mais perfeitas do black metal. O primeiro álbum dos Satyricon é gelado, arcaico q.b. e folclórico como os invernos medievais. “Dark Medieval Times” soa a florestas nevoeirentas e castelos abandonados que, pedra a pedra, ruirão. A semente estava assim lançada no ano mais prolífico do black metal.

 

The Shadowthrone
1994, Moonfog Productions

Ainda que lançado no mesmo ano do debutante, “The Shadowthrone” mostra-se um disco mais maduro e com malhas de guitarra bem mais apelativas. A frieza continua e o lado medieval prossegue com teclados a fazer lembrar Mortiis e Wongraven (projecto ambient de Satyr). Há, por seu turno, uma intenção narrativa por todo o álbum.

 

Nemesis Divina
1996, Moonfog Productions

Para uma enorme parte de adeptos do género, a perfeição do black metal chegou em 1996 com “Nemesis Divina”. É, de facto, um ponto de viragem no estilo em geral e uma influência ainda hoje sentida em bandas de black metal melódico, nomeadamente finlandesas. Deste terceiro disco exalta-se a imortal “Mother North”, um hino autêntico.

 

 

Rebel Extravaganza
1999, Moonfog Productions

Representa a primeira mudança sonora do duo norueguês e, mais uma vez, o nome é indicado para o momento. Com o quarto álbum, tornam-se realmente rebeldes a modificar o género com a inclusão de malhas groovadas antecedendo o que viria num futuro nada distante, ainda que a velocidade do black metal continuasse presente.

 

Volcano
2002, Moonfog Productions

Se em 1999 o groove era uma ferramenta experimental, em 2002 tornou-se uma certeza e os Satyricon começaram também a fugir aos rótulos quadrados. “Volcano” é afinal o quê? Black metal? Groove metal? Rock pesado com vozes furiosas? É isso tudo. O quinto álbum dos nórdicos é, essencialmente, uma oferta de riffs dissonantes e inquietantes.

 

Now, Diabolical
2006, Roadrunner Records

Este seria o momento para se fazer as pazes com alguns fãs, mas Satyr e Frost sempre fizeram o que lhes dá na veneta. Empurraram a sua sonoridade ainda mais em direcção ao metal/rock musculado/groovado, mas desta vez até se saíram melhor. Para a posteridade fica “K.I.N.G.” que hoje em dia encerra concertos.

 

 

The Age Of Nero
2008, Roadrunner Records

Ouvir “The Age Of Nero” é quase como se “Now, Diabolical” tivesse um segundo CD. A receita é praticamente a mesma, ainda que seja um pouco mais rijo e interligado do que o antecessor. Os riffs quase hipnóticos e as estruturas cíclicas criam a atmosfera de um álbum que prometia actuar como um grande regresso.

 

 

Satyricon
2013, Roadrunner Records

Ainda que nem todas as faixas sejam verdadeiros win-win, o álbum homónimo é uma experiência melancólica em quase toda a sua duração. Entre temas crus, melódicos e agressivos, a ‘balada’ “Phoenix” (c/ a voz sedutora de Sivert Høyem) acaba por ser a melhor composição de um disco que dividiu opiniões. Os Satyricon não querem saber.

 

 

Deep calleth upon Deep
2017, Napalm Records

Numa entrevista concedida por Frost aquando do #4 da Ultraje (2016), o baterista reiterou que os Satyricon não são entertainers, mas artistas que fazem aquilo que unicamente ambicionam – prova disso é que tanto tivemos um “Nemesis Divina” (1996) que ajudou a mudar o paradigma do black metal melódico como um álbum homónimo (2013) que muito pouco tinha de metal extremo. Recuperado de um tumor cerebral, Satyr voltou a reunir-se com Frost e 2017 foi um ano em grande para a dupla com este nono álbum. A inaugural “Midnight Serpent” até pode soar a “Now, Diabolical” (2006), mas a seguinte “Blood Cracks Open the Ground” oferece riffs mais trabalhados do que o normal e uma bateria complexa que quase nos atrevemos a classificar como prog (algo que se prolonga pelo disco todo). Com uma produção mais crua do que tem sido comum na última década de Satyricon, tudo aqui soa seco e orgânico em comunhão com a capa arcaica, havendo espaço para uma faixa melancólica em “To Your Brethen in the Dark”, incursões esotéricas/ritualistas no tema-título com a inclusão de cânticos/coros e instrumentos de sopro em “Dissonant”. E quando menos esperamos, “The Ghost of Rome” é post-punk! Começa a ser vago, confuso e erróneo explicar o que é black metal e esta banda já há muito está separada de rótulos, portanto Satyricon é simplesmente Satyricon. Grande regresso!

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Sabaton History Channel: sétimo episódio dedicado a “Shiroyama” e à rebelião samurai de 1877

Diogo Ferreira

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No sétimo episódio do Sabaton History Channel, Indy Neidell e Joakim Brodén trazem-nos o tema “Shiroyama”, do álbum “The Last Stand” (2016), que versa sobre a Rebelião Satsuma ocorrida no Japão em 1877.

O que fazer quando o modo de vida tradicional é ameaçado por uma força poderosa dentro de fronteiras? Os samurais não hesitaram e responderam a esta pergunta com a espada. Durante a Rebelião Satsuma, o líder dos samurais, Saigō Takamori, lutou contra o governo imperial em voga e o desfecho teve lugar na Batalha de Shiroyama, o último reduto dos eternos guerreiros da cultura nipónica.

Mais episódios AQUI.

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