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[Reportagem] Moonspell: depois da tempestade não vem a bonança (27.10.2018 – Figueira da Foz)

João Correia

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Foto: João Correia

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Moonspell
27.10.2018 – CAE, Figueira da Foz

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Cinco bilhetes. Faltaram vender cinco bilhetes para que o CAE da Figueira da Foz tivesse a lotação esgotada neste espectáculo da digressão dos Moonspell. A determinada altura do evento, Fernando Ribeiro chegou mesmo a dizer: «À medida que nos iam informando na Califórnia que cada vez se estavam a vender mais bilhetes para este concerto, ficámos surpreendidos». Ironicamente, poucas semanas após a tempestade Leslie quase ter dizimado a Figueira da Foz, com notícias de gruas dobradas ao meio, árvores adultas arrancadas pelas raízes e milhões de euros em prejuízos, os brandoenses fizeram uma prece pelas 795 almas presentes com a sua interpretação do maior evento cataclísmico alguma vez registado em Portugal – o grande terramoto de Lisboa, tão bem representado em “1755”.

Aos instantes iniciais de “Em Nome do Medo”, a banda recebeu uma enorme ovação dos sentados e levantados. “Sou sangue de teu sangue, sou luz que se expande”, gritou Ribeiro, vestido de homem da lanterna do Barroco, e que foi replicado em uníssono num auditório rendido às evidências em poucos instantes. “1755” logra ser o trabalho mais ambicioso, complexo e arrojado de toda a carreira dos Moonspell, bem como um dos mais bem cotados pela imprensa especializada um pouco por todo o mundo. Os segredos para isso são simples: apoiaram-se no drama natural e real mais profundo do nosso país, apostaram em elementos sinfónicos que visaram mimetizar o caos, medo, desespero e mortandade que as populações de Lisboa sofreram com um evento que demorou na sua totalidade menos de uma hora e, novidade das novidades, compuseram um disco integralmente em língua portuguesa. Este último pormenor faz toda a diferença junto do público e fãs, que não só entendem perfeitamente as letras, como as repetem com muito mais facilidade – assim foi com o tema seguinte, “1755”, com o seu “Não, não deixarás pedra sobre pedra” e com o que veio a seguir, “In Tremor Dei”, em que os fãs ecoaram “Lisboa em chamas, caída”. Por esta altura, poucas eram as pessoas sentadas e ainda menos eram as desinteressadas.

De seguida, os Moonspell passaram da catástrofe divina actual para as avenidas do passado com um set que incluiu as obrigatórias “Opium” e “Awake”. Feito isto, entrelaçaram “Ruínas” e “Evento”, ambas de “1755”, com os clássicos “Vampiria” e “Herr Spiegelman”, dando término à primeira parte da actuação com uma versão de “Lanterna dos Afogados”, também esta presente no último longa-duração. Durante todo o evento foi notória a aposta em mais truques de luzes como lasers verdes emanados das mãos de Fernando Ribeiro ou uma cruz que emitiu lasers vermelhos e que o mesmo empunhou, aliando à faceta sonora efeitos visuais cujas metáforas ficam abertas à interpretação. Finda a primeira parte, a sensação geral foi a de que o tempo passou a voar, prova nítida de que um concerto bem-conseguido não é apenas uma demonstração musical, mas, principalmente, um acto de entretenimento, que convenceu desde as crianças mais tenras coladas ao palco, aos idosos que, movidos pela curiosidade e pela parca oferta de cultura nesta cidade balnear, compareceram e abanaram o capacete, ainda que (presumivelmente) alheios à banda.

Para o final, “Todos Os Santos” (em que, uma vez mais, a repetição da frase chave “Faz dia em Portugal” abalou a estrutura arquitectónica do CAE), a imprescindível “Alma Mater”, cujo refrão em português também foi repetido amiúde e, em jeito de despedida, mas também do chamado dos lobos, “Fullmoon Madness”, na qual o macho alfa uivou aos betas e aos ómegas, reunindo a cada vez maior alcateia e firmando a supremacia da espécie na sua zona de origem. A cada concerto, do Japão ao México, cada vez menos falta cumprir-se Portugal. Para não variar, a matilha fez questão de dar autógrafos, conviver com fãs e tirar fotos com quem assim quisesse, passando quase tanto tempo dedicada a esta actividade como o fez a tocar – é uma coisa muito metaleira, uma coisa muito nossa. A jogar em casa, os Moonspell vão somando pontos e conquistando igualmente gerações mais recentes e da velha-guarda, tudo fruto da seriedade com que encaram o seu trabalho, de um talento inquestionável e de um esforço e de uma crença inauditos na nossa praça. Entre mortos e feridos, os Moonspell saem sempre incólumes. Dizer o contrário seria uma “infâmia, infâmia”.

Texto e fotos: João Correia

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Possessed: primeiro episódio de “The Creation of Death Metal”

Diogo Ferreira

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O novo álbum dos padrinhos do death metal Possessed intitula-se “Revelations Of Oblivion” e será lançado a 10 de Maio pela Nuclear Blast. O primeiro single “No More Room in Hell” já está em rotação.

A banda liderada por Jeff Becerra passará por Portugal para duas datas:

Entretanto, a banda em parceria com a editora disponibilizam a primeira parte de “The Creation of Death Metal”, uma mini-série documental que podes acompanhar com a Ultraje.

 

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Satyricon: discografia 1994-2017

Diogo Ferreira

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Dark Medieval Times
1994, Moonfog Productions

A sonoridade aliada ao título é das combinações mais perfeitas do black metal. O primeiro álbum dos Satyricon é gelado, arcaico q.b. e folclórico como os invernos medievais. “Dark Medieval Times” soa a florestas nevoeirentas e castelos abandonados que, pedra a pedra, ruirão. A semente estava assim lançada no ano mais prolífico do black metal.

 

The Shadowthrone
1994, Moonfog Productions

Ainda que lançado no mesmo ano do debutante, “The Shadowthrone” mostra-se um disco mais maduro e com malhas de guitarra bem mais apelativas. A frieza continua e o lado medieval prossegue com teclados a fazer lembrar Mortiis e Wongraven (projecto ambient de Satyr). Há, por seu turno, uma intenção narrativa por todo o álbum.

 

Nemesis Divina
1996, Moonfog Productions

Para uma enorme parte de adeptos do género, a perfeição do black metal chegou em 1996 com “Nemesis Divina”. É, de facto, um ponto de viragem no estilo em geral e uma influência ainda hoje sentida em bandas de black metal melódico, nomeadamente finlandesas. Deste terceiro disco exalta-se a imortal “Mother North”, um hino autêntico.

 

 

Rebel Extravaganza
1999, Moonfog Productions

Representa a primeira mudança sonora do duo norueguês e, mais uma vez, o nome é indicado para o momento. Com o quarto álbum, tornam-se realmente rebeldes a modificar o género com a inclusão de malhas groovadas antecedendo o que viria num futuro nada distante, ainda que a velocidade do black metal continuasse presente.

 

Volcano
2002, Moonfog Productions

Se em 1999 o groove era uma ferramenta experimental, em 2002 tornou-se uma certeza e os Satyricon começaram também a fugir aos rótulos quadrados. “Volcano” é afinal o quê? Black metal? Groove metal? Rock pesado com vozes furiosas? É isso tudo. O quinto álbum dos nórdicos é, essencialmente, uma oferta de riffs dissonantes e inquietantes.

 

Now, Diabolical
2006, Roadrunner Records

Este seria o momento para se fazer as pazes com alguns fãs, mas Satyr e Frost sempre fizeram o que lhes dá na veneta. Empurraram a sua sonoridade ainda mais em direcção ao metal/rock musculado/groovado, mas desta vez até se saíram melhor. Para a posteridade fica “K.I.N.G.” que hoje em dia encerra concertos.

 

 

The Age Of Nero
2008, Roadrunner Records

Ouvir “The Age Of Nero” é quase como se “Now, Diabolical” tivesse um segundo CD. A receita é praticamente a mesma, ainda que seja um pouco mais rijo e interligado do que o antecessor. Os riffs quase hipnóticos e as estruturas cíclicas criam a atmosfera de um álbum que prometia actuar como um grande regresso.

 

 

Satyricon
2013, Roadrunner Records

Ainda que nem todas as faixas sejam verdadeiros win-win, o álbum homónimo é uma experiência melancólica em quase toda a sua duração. Entre temas crus, melódicos e agressivos, a ‘balada’ “Phoenix” (c/ a voz sedutora de Sivert Høyem) acaba por ser a melhor composição de um disco que dividiu opiniões. Os Satyricon não querem saber.

 

 

Deep calleth upon Deep
2017, Napalm Records

Numa entrevista concedida por Frost aquando do #4 da Ultraje (2016), o baterista reiterou que os Satyricon não são entertainers, mas artistas que fazem aquilo que unicamente ambicionam – prova disso é que tanto tivemos um “Nemesis Divina” (1996) que ajudou a mudar o paradigma do black metal melódico como um álbum homónimo (2013) que muito pouco tinha de metal extremo. Recuperado de um tumor cerebral, Satyr voltou a reunir-se com Frost e 2017 foi um ano em grande para a dupla com este nono álbum. A inaugural “Midnight Serpent” até pode soar a “Now, Diabolical” (2006), mas a seguinte “Blood Cracks Open the Ground” oferece riffs mais trabalhados do que o normal e uma bateria complexa que quase nos atrevemos a classificar como prog (algo que se prolonga pelo disco todo). Com uma produção mais crua do que tem sido comum na última década de Satyricon, tudo aqui soa seco e orgânico em comunhão com a capa arcaica, havendo espaço para uma faixa melancólica em “To Your Brethen in the Dark”, incursões esotéricas/ritualistas no tema-título com a inclusão de cânticos/coros e instrumentos de sopro em “Dissonant”. E quando menos esperamos, “The Ghost of Rome” é post-punk! Começa a ser vago, confuso e erróneo explicar o que é black metal e esta banda já há muito está separada de rótulos, portanto Satyricon é simplesmente Satyricon. Grande regresso!

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Sabaton History Channel: sétimo episódio dedicado a “Shiroyama” e à rebelião samurai de 1877

Diogo Ferreira

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No sétimo episódio do Sabaton History Channel, Indy Neidell e Joakim Brodén trazem-nos o tema “Shiroyama”, do álbum “The Last Stand” (2016), que versa sobre a Rebelião Satsuma ocorrida no Japão em 1877.

O que fazer quando o modo de vida tradicional é ameaçado por uma força poderosa dentro de fronteiras? Os samurais não hesitaram e responderam a esta pergunta com a espada. Durante a Rebelião Satsuma, o líder dos samurais, Saigō Takamori, lutou contra o governo imperial em voga e o desfecho teve lugar na Batalha de Shiroyama, o último reduto dos eternos guerreiros da cultura nipónica.

Mais episódios AQUI.

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