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[Reportagem] Morbidfest: olhos para ver, ouvidos para ouvir (12.05.2019 – Lisboa)

João Correia

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I Am Morbid (Foto: João Correia)

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I Am Morbid + Atrocity + Vital Remains + Sadist + Arcanus
12.05.2019 – Lisboa

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Exactamente 30 anos passados sobre o lançamento de “Altars Of Madness” (12/05/1989), o disco que alterou o death metal para sempre e que é um registo contemporâneo, os I Am Morbid visitaram Portugal acompanhados pelos Vital Remains, Atrocity e Sadist, três nomes também lendários dentro da cena devido aos seus contributos mais ou menos significativos para ela. Ainda que feliz, a coincidência arrastou pouco mais de duzentas pessoas à sala Lisboa Ao Vivo pela mão da Amazing Events: o facto de ser domingo, da cultura do futebol em Portugal e de as bandas não estarem propriamente na moda foram os três factores determinantes para a afluência moderada de público a este evento. Para não variar, se as bandas não passam por Portugal nas suas digressões, nunca temos nada; se passam, por vezes a muito custo de promotores e agências, então ninguém aparece. Os convidados especiais da digressão para a data de Lisboa foram os espanhóis Arcanus, praticantes de groove metal vulgar que carece de uma âncora que consiga parar a deriva do seu som. Têm umas (muito) poucas ideias que resultam, mas o aborrecimento geral que transmitiram só foi ligeiramente colmatado por uma presença em palco mediana-menos e a fugir para mais do mesmo.Arcanus (Foto: Solange Bonifácio)

A prova do que referimos foi a pronta intervenção dos Sadist logo de seguida, que passou uma borracha na primeira actuação do dia, tendo o festival começado realmente com a prestação dos veteranos italianos. Conhecemos os Sadist desde a sua “Promo Tape 1993”, que ainda hoje é uma das melhores demos de sempre do underground – a sua qualidade geral e intemporalidade são tais que, se tivesse sido lançada ontem, seria perfeitamente actual. Com o recente lançamento de “Spellbound”, os Sadist perpetuam o death metal progressivo recorrendo a sintetizadores e passagens melódicas invulgares; ao vivo, a rendição dos novos temas ganha outra dimensão com a teatralidade nela introduzida pelos italianos com recurso a máscaras, maquilhagem e até uma ameaçadora motosserra. A presença em palco mais notável vai inevitavelmente para Tommy Talamanca, guitarrista e teclista que, ao vivo, consegue revezar-se entre ambos os instrumentos like a boss. Portaram-se como uns senhores, mesmo não tendo tocado alguns dos seus clássicos maiores.

Sadist (Foto: Solange Bonifácio)

Os Vital Remains vieram a seguir conquistar o trono que é deles por direito. A banda de Tony Lazaro é dos colectivos de blackened death metal mais impiedosos de que há memória, tendo como únicos pares directos os Deicide. Doze anos após o seu último disco – e com um novo a caminho –, os norte-americanos são verdadeiramente superpotentes em cima do palco, o seu habitat natural, o que explica a demora do novo LP. Brian Werner (voz) é o responsável máximo pelos desempenhos animalescos da banda: insiste em fazer crowdsurfing, em vociferar em cima dos balcões dos bares e, entre outros, saltar das bancadas superiores em modo stagediving para apreço do público. «Se me der na cabeça, vou ali para cima para a bancada e mando um mortal», diz à multidão, que lhe responde com entusiasmo. Para além da presença em palco simplesmente esmagadora, a banda tocou vários clássicos, com destaque para “Forever Underground”, “Hammer Down The Nails” e, para finalizar, as obrigatórias “Let The Killing Begin” e “Dechristianize”, pontos altos do seu concerto e carreira. Por esta altura, pensámos que o senhor Vincent teria de se esforçar imenso para sequer competir com a prestação dos Vital Remains, que foi soberana.

Vital Remains (Foto: João Correia)

Pouco depois, os Atrocity tomaram a vez dos Vital Remains. É curioso verificar que uma das principais bandas que ajudaram a Nuclear Blast a fazer dela o que é hoje em dia com apenas um disco se perdeu irremediavelmente pelo caminho. De facto, a seguir ao magnífico “Hallucinations” os germânicos começaram a divergir para uma faceta mais gótica que muito rapidamente lhes fez soçobrar a carreira. Foram visualmente fortes, apelaram ao nosso orgulho nacional referindo os Moonspell e os Heavenwood, de quem são amigos, e desfiaram música atrás de música, entre clássicas e recentes, que pouco ou nada interessaram às gentes que se deslocaram ao LAV. Depois da explosão nuclear causada pelos norte-americanos, a tarefa que coube aos Atrocity foi uma missão com bilhete apenas de ida e que rapidamente se varreu da memória do público.

Atrocity (Foto: Solange Bonifácio)

Findo o concerto dos alemães, e após uma ligeira interrupção devido ao quadro ter ido abaixo (porque qualquer quadro iria abaixo depois deste concerto de Vital Remains), os I Am Morbid apresentaram-se às cerca de 200 almas que já compunham, e bem, o LAV. Quando olhamos para uma estrela, o brilho a que assistimos foi emitido por ela muito antes de a civilização começar a gatinhar, mas, devido à sua distância da Terra, a luz só agora teve tempo de chegar aos nossos olhos. Assistir a um concerto de I Am Morbid é um pouco como olhar para uma estrela e para o seu passado glorioso: a música primordial que a banda emana foi emitida quando o death metal ainda gatinhava, o que ajudou a transformá-lo para sempre e, desta forma, chega agora aos nossos ouvidos porque só agora a grande maioria teve a oportunidade de a ouvir tocada por quem fez parte da formação principal dos Morbid Angel.

Sem demoras, David Vincent (baixo/voz) apresentou o quarteto e descarregou de imediato “Immortal Rites”. Daí em diante, o mínimo que se pode dizer é que a sala teve o privilégio de ouvir o best of dos best ofs de Morbid Angel: entre outras, “Maze Of Torment”, “Pain Divine”, “Blessed Are The Sick”, “Rapture”, “Fall From Grace”, “Visions From The Dark Side”, “Eyes To See, Hears To Hear”, “Where The Slime Lives”, “Sworn To The Black” e “God Of Emptiness”. Se isto não é motivo suficiente para celebrar uma das três principais bandas do death metal mundial, pouco ou nada mais será. Em palco, Vincent não se poupa nas vocalizações, rosnando, urrando, fazendo vozes cavernosas e limpas, tentando transmitir o melhor possível a época em que as faixas foram gravadas. O muito discreto Tim Yeung (bateria) poderia passar facilmente por Pete Sandoval graças à perfeição com que toca cada música, ao passo que o erudito Bill Hudson (guitarra), músico de conservatório de profissão que já trabalhou com nomes como Savatage e Circle II Circle, executa cada solo como se tivesse sido ele a compô-los, de forma natural, mas com a sua assinatura técnica. Em termos gerais, o som teve enorme qualidade, ainda que o baixo de Vincent estivesse demasiado alto por vezes. O vocalista/baixista aproveitou para comunicar com o público, agradecendo cada ovação em português e apresentando cada música com entusiasmo. No final, ficaram as memórias dos bons tempos que passámos entre 1988 e 1995, uma época em que cada novo disco de Morbid Angel era um acontecimento aguardado com imensa expectativa à escala global no circuito underground.

I Am Morbid (Foto: João Correia)

Em suma, um concerto capaz de deixar um fã veterano de Morbid Angel com uma lágrima no canto do olho e de proporcionar às gerações mais recentes o referido brilho do passado. Juntando a isso as restantes bandas do cartaz, tratou-se de uma ocasião rara de ver quatro nomes lendários e um colectivo iniciado à razão de cinco euros por actuação. Um negócio da China.

Fotos: Solange Bonifácio

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Fotos: João Correia

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Nuno Bettencourt, Tom Morello e Scott Ian tocam tema de Game Of Thrones

Diogo Ferreira

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Consagrada como uma das séries mais populares de sempre, Game Of Thrones, que terminou na última madrugada, teve a capacidade de exultar nos seus fiéis seguidores todas as emoções desde o seu início com o genérico criado por Ramin Djawadi.

No clip abaixo, Djawadi é acompanhado por Dan Weiss (criador da série), Tom Morello (Rage Against The Machine), Scott Ian (Anthrax), Nuno Bettencourt (Extreme) e Brad Paisley numa jam session com as novas guitarras Fender em que tocam precisamente o tema principal de Game Of Thrones com muito free-style solista pelo meio.

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Sabaton History Channel, ep. 15: o Barão Vermelho

Diogo Ferreira

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No novo episódio do Sabaton History Channel, Joakim Brodén e Indy Neidell escolhem falar do tema “The Red Baron” que pertence ao próximo álbum “The Great War”, a ser lançado a 19 de Julho pela Nuclear Blast.

O Barão Vermelho é um do ícones heróicos da I Guerra Mundial que, simultaneamente, engloba a mecanização e a romantização da guerra moderna com as suas habilidades e heroísmo. Manfred von Richthofen é o nome verdadeiro do piloto que é, então, recordado em mais um episódio do Sabaton History Channel.

Mais episódios AQUI.

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Jinjer ao vivo no Resurrection 2018 (c/ vídeo)

Diogo Ferreira

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Foto: Veronika Gusieva

Abaixo podes assistir à prestação dos Jinjer no Resurrection de 2018. Recentemente disponibilizado pelo próprio festival, este vídeo servirá para aguçar a vontade que os fãs desta banda têm para os ver no Vagos Metal Fest deste ano. Nos quase 40 minutos de concerto, os Jinjer executaram temas como “Words Of Wisdom”, “I Speak Astronomy”, “Pisces” ou “Captain Clock”.

O EP “Micro”, lançado em Janeiro de 2019 pela Napalm Records, é o registo mais recente dos ucranianos que, como referido, actuarão no Vagos Metal Fest, evento que se realiza entre 8 e 11 de Agosto. Stratovarius, Six Feet Under, Satyricon, Candlemass, Death Angel, Watain e Alestorm são alguns dos nomes do cartaz.

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