[Reportagem] Mosher Fest – Chapter V (Coimbra, 20/05/2017) | Ultraje – Metal & Rock Online
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[Reportagem] Mosher Fest – Chapter V (Coimbra, 20/05/2017)

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Mosher Fest @ Cascata Club (Pedrulha, Coimbra) – 20/05/2017

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Se não me falha a memória, eram 21:28 quando os primeiros acordes dos Trepid Elucidation começaram a ecoar no Cascata Club. Diogo Santana, que nos recebeu com um grande sorriso mal chegámos a Pedrulha (Coimbra), tem dupla responsabilidade: manter elevada a fasquia dos Analepsy e fazer com que Trepid Elucidation não passe de uma banda paralela. Com um death metal técnico na vertente sincopada, o quarteto até já estava a tocar para um sala bem jeitosa, ainda que longe de cheia. Com riffs incisivos e uns guturais de fazer inveja a muito vocalista da velha-guarda, os Trepid Elucidation mostraram-se competentes e astutos naquilo que fazem. “Upcoming Reality” é o primeiro álbum dos lisboetas e foi lançado em Fevereiro passado pela Mosher Records.

 

Seguiram-se os também lisboetas Bleeding Display (death metal) que já não são desconhecidos de ninguém, afinal andam cá desde 2000. Com um álbum distanciado por três anos, “Deviance” foi lançado em 2014, o quinteto está numa forma excelente. A destoar dos seus colegas limpinhos, o vocalista Sérgio Afonso surge de calções e tronco nu banhado em sangue. Cada faixa tocada foi um murro, um encostar à parede e bater sem pena. Grande voz e grande consistência colectiva! Ah, Marco Fresco (Tales For The Unspoken) ainda subiu ao palco para acompanhar a banda numa faixa que fica na memória pelo machado empunhado por Sérgio Afonso.

 

Do death metal avançámos para o hardcore dos, mais uma vez, lisboetas Grankapo. Energético, como se quer no hardcore, não faltaram os saltos em palco nem algum crowdsurfing numa plateia já bastante composta. O sentimento punk não parava de emanar lá em cima no palco, mas vale a pena referir uma inclinação ao metal, concretamente thrash, que faz de qualquer tema dos Grankapo algo bem mais agressivo do que a generalidade do género. Se me perguntarem por uma banda hardcore nacional, é certo que direi Grankapo.

 

O heavy metal tradicional sempre foi um pouco ostracizado em Portugal – ora por falta de público, ora devido a bandas insossas. O concerto dos Attick Demons só veio provar que há espaço e talento para o heavy metal ortodoxo no nosso país. Com entrada de rompante por toda a banda, Artur Almeida (voz) sobe ao palco pela lateral e a deslizar com um suporte de microfone à Freddy Mercury. Com “Let’s Raise Hell” (2016) ainda a ser promovido, a banda da Margem Sul sabe perfeitamente o que é o som do heavy metal e eximiamente debitou uma sonoridade NWOBHM com muito Iron Maiden à cabeça, não só nas passagens épicas, mas também nalgumas secções com twin-guitars , no baixo melódico e audível, e, exagero ou não, na voz de Artur Almeida que, em certos pontos, fez lembrar Bruce Dickinson. Grande concerto!

 

Depois da 1 da matina ainda nos aguardava cerca de 90 minutos de thrash metal espanhol. Acarinhados em Portugal, os Angelus Apatrida deram espectáculo para uma casa cheia que brindou a postura incansável da banda com muito mosh – ou não estivéssemos no Mosher Fest. Com grande ênfase sempre que se introduziam temas pertencentes aos dois primeiros discos (2006 e 2007), o quarteto sabia que tinha de estar na máxima forma para que o público português se mantivesse fiel a estes vizinhos. E assim foi: concerto sempre a esgalhar, violento aqui e melódico ali (a fazer lembrar os refrões mais melodiosos de Megadeth), constante despique de solos entre Izquierdo e Álvarez, coerente e, claro, honesto. Não há fã que resista!

 

Enfim, a verdade é que não há um mau momento a apontar nesta noite de verdadeiro metal, que durou mais de cinco horas. Som impecável em todas as actuações, concertos impressionantes e um público devoto à cena e à estampa que é a Mosher – em cada duas ou três pessoas havia uma t-shirt alusiva ao fest ou à marca. Afinal ainda acontece música pesada em Coimbra, muito à custa da perseverança de Rui Alexandre.

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