[Reportagem] Pain Of Salvation + Forgotten Suns (30.06.2018 – Lisboa) – Ultraje – Metal & Rock Online
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[Reportagem] Pain Of Salvation + Forgotten Suns (30.06.2018 – Lisboa)

Foto: João Lambelho

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Pain Of Salvation + Forgotten Suns
30.06.2018 – Lisboa

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Durante alguns anos – talvez demasiados anos – os Pain Of Salvation foram um segredo bem escondido por parte dos fãs de metal progressivo. A instabilidade na formação da banda ao longo dos anos impediu-os, no entanto, de darem verdadeiramente o salto para o estrelato quando se predispuseram a isso e quando começaram a fazer álbuns com potencial comercial (a partir do disco “Be”, em 2004), que juntaram à incrível qualidade de interpretação e composição que já possuíam. Ainda assim, a carreira dos suecos tem sido sempre em crescendo de popularidade e, ao terceiro concerto em Portugal, encheram o RCA Club para uma noite de celebração dos seus 27 anos de carreira. O regresso do guitarrista Johan Hallgren era a novidade desta digressão e os temas do último álbum “In The Passing Light Of Day” tiveram um natural destaque na noite lisboeta da banda liderada por Daniel Gildenlöw. Depois de entrarem a matar com “Full Throttle Tribe”, “Reasons” e “Linoleum”, percebeu-se logo ali que os Pain Of Salvation já tinham o RCA na mão, partindo, depois do incontornável “Meaningless”, numa viagem ao passado com “Ashes”, “Beyond The Pale” e “Kingdom Of Loss” a destacarem-se. Todos os quatro músicos revelavam-se excelentes vocalistas sempre que eram chamados a fazer harmonias ou mesmo a cantar a solo (nesse particular, o baterista Léo Margarit ganhou o prémio Surpresa da Noite), enquanto Gildenlöw, sussurrava, gritava, vociferava e pregava ao microfone, num misto de espectáculo de metal progressivo e catarse que tem tanto de energético como de frágil. A noite terminou com o tema-título do novo disco já em regime de encore, num momento perfeito de comunhão com o público em que os Pain Of Salvation voltaram a provar que, apesar da erosão de quase três décadas de carreira, apesar das cicatrizes das adversidades, continuam a ser uma das melhores bandas da actualidade para ouvir em disco e ver ao vivo.

Os lisboetas Forgotten Suns confirmaram, durante uma hora, na primeira parte da noite, o estatuto de melhor banda portuguesa de metal progressivo. Com Miguel Valadares de regresso aos teclados e o vocalista Nio Nunes a assumir-se como mestre-de-cerimónias, a banda centrou a sua atenção nos dois últimos trabalhos de originais, com natural enfoque no mais recente “When Worlds Collide”. Um excelente aquecimento para uma noite de emoções em que a quinteto nacional conseguiu, de uma assentada, surpreender os presentes que não os conhecia, confirmar os predicados técnicos a quem já os conhecia e riscar um concerto com Pain Of Salvation da bucket list. Nada mau para uma noite que até tinha começado com um amargo de boca no Mundial.

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Texto: Fernando Reis
Fotos: João Lambelho

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