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[Reportagem] XXXicken Party: a galinha atravessou a estrada

João Correia

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rsz_galinha(XXXicken)

E atravessou-a [ver título] porque, do outro lado, havia uma festa de três dias prestes a começar. A segunda edição da XXXicken Party, que decorreu entre 21 e 23 de Julho, em Cantanhede, prometia um fim-de-semana em cheio para amantes de música extrema mas, muito ao contrário do que ocorre em outros festivais, a música, aqui, é um complemento quase secundário para os festivaleiros, que vêm para aquilo que já sabem com o que podem contar: três dias de diversão, bastante álcool, uma piscina, pistas de bowling, cocktails, mesas de snooker, arcade, uma esplanada agradável e confortáveis sofás no interior, uma minipista de dança e muita, mas mesmo muita, conversa sempre bem regada com disparates. Revêem-se velhas caras, conhecem-se novas e, no final, o veredicto é consensual: três dias passam a voar e, para o ano que vem, cá se estará. Ainda assim, é normal que a música seja a cola que agrega todos os festivaleiros e, com um cartaz onde pontuaram algumas das melhores bandas internacionais de grindcore e de death metal, o festival era sinónimo de obrigatoriedade.

rsz_sadistic_emergency(Sadistic Emergency)

Os death metallers nacionais Nihility deram o pontapé-de-saída do festival seguidos pelos também portugueses Undersave, tendo ambos dado duas actuações coesas. A estes, seguiu-se a primeira banda internacional, os alemães Sadistic Emergency, uma banda de gore/grind (ou melhor, de “nursegrind”) na qual todos os membros se vestem de enfermeiras. É uma banda básica em termos musicais, ainda que apresente bastante groove, logo, o gimmick da farda de enfermeira auxilia a ignorar a música primária debitada pelo colectivo. Tudo mudou para melhor com a entrada em palco dos flamengos Braincasket, senhores de um death metal brutal amadurecido e muito bem desempenhado, e que andam na estrada a promover o seu primeiro longa-duração. Também a promover o seu novo álbum de 2017, os Basement Torture Killings seguiram a mesma toada da banda anterior, apresentando-nos um death/gore bastante bem executado, com alguns solos melódicos, mas bastante rápidos, a fazer lembrar Carcass/Impaled, sempre com a sorridente Millie Crampton ao comando do microfone. Após, os italianos SpermBloodShit exemplificaram como se deve dar um concerto de grindcore: extremamente agressivo, sujo e anti-establishment, e cujas prestações de Torturer e Tamoth elevaram a insanidade musical apresentada. Mas foi de seguida que a maior surpresa do dia, os romenos Necrovile, subiram ao palco. Pareceu-me reconhecer o baterista e não estava enganado: tratava-se de Septimiu Hărşan, o percussionista dos Pestilence. A banda pratica um death metal técnico brutal, matemático, multifacetado e Euclidiano, e não deixou ninguém indiferente devido ao seu set curto, mas intenso. Os death-grindsters espanhóis Gruesome Stuff Relish aqueceram a plateia para os death-grindsters franceses Sublime Cadaveric Decomposition e, para finalizar o primeiro dia, os nacionais RDB deram mais uma lição de construção civil sem alvará.

rsz_cephalic_carnage(Cephalic Carnage)

No piso de cima decorriam as aulas de dança de quizomba e afins. A festa a sério surgiu com a after-party, que durou até cerca das seis da manhã. Poucas horas depois começava o segundo dia com os internacionais Slamentation e os britânicos Sodomized Cadaver, ambos coesos praticantes de death metal. Logo após, aconteceram as primeiras baixas do festival com as ausências dos nacionais Vai-te Foder e dos jovens alemães Placenta Powerfist; os primeiros por motivos de saúde e os segundos por problemas com voos, o que auxiliou a empobrecer um cartaz promissor. Nada que desmotivasse os italianos Rabid Dogs, que tão bem executaram o seu spaghetti punk/grind, ou até os portugueses Dead Meat, que debitaram o seu brutal death/grind sem problemas. Os grindsters catalães Mixomatosis apanharam-me de surpresa graças ao seu vocalista que, a determinada altura, se lançou para o chão do recinto, foi alvo de mosh no chão e, ainda assim, continuou a vociferar as letras, enterrado numa tumba de corpos em movimento.

rsz_mixomatosis(Mixomatosis)

Mas foram os death metallers germânicos Dead que acabaram por proporcionar o melhor concerto do festival sem margem para dúvidas. Conheço a banda desde os anos 90, altura em que começaram a dar que falar no circuito underground e, ao vê-los em 2017, concluí que a chama ainda está presente. Beneficiaram ainda do melhor som dos três dias, tendo deixado muita gente bem impressionada. Finalmente era hora dos cabeças-de-cartaz desta edição, os norte-americanos Cephalic Carnage. Com “Mislead By Certainty”, a banda atingiu o patamar cimeiro do death metal progressivo/vanguardista de primeira linha, mas, com esta actuação (boa, mas a anos-luz de imperdível), gorou um pouco as expectativas de quem se deslocou ao festival apenas para a ver. Comecemos pelos factos: Nick Schendzielo (baixista) esteve ausente, e quem conhece os Cephalic Carnage sabe que a ausência do baixista é quase tão grave como a do baterista. Por causa disso, a banda foi forçada a centrar a sua setlist em temas mais antigos, sempre bons, claro, mas uns furos abaixo da genialidade demonstrada no último álbum. Assim, quem ia à espera de um concerto de death metal mais técnico e esmerado deparou-se com uma actuação mais a fugir para o grindcore. Finalmente, os Serrabulho encerraram o segundo dia com um carrossel de gente em cima do palco, um caótico mar de gente (totalmente vestido e totalmente nu) fora dele e, surpresa das surpresas, um dueto entre o vocalista Toká e Alexandre “NH” Mota, mentor de Corpus Christii, que se encontrava a desempenhar funções de stage manager e que decidiu entrar no serrabulho. São estes “pormaiores” que fazem de um pequeno festival um festival enorme.

rsz_dead(Dead)

Uma vez mais, no fim dos concertos a festa estava apenas a começar e, se a after-party da noite anterior foi forte, a de Sábado para Domingo foi surreal, acabando com os seguranças a “expulsar” os festivaleiros mais rijos para fora das instalações, sempre sem desordem ou conflitos. Nota mental: para a próxima edição, levar tenda para o verdadeiro festival, aquele que acontece sempre depois da última banda terminar a sua actuação. No terceiro dia, já se sentia um cansaço generalizado, mas é óbvio que o álcool e outras substâncias em excesso não estavam directamente relacionadas com a exaustão. Os verdadeiros culpados pelo cansaço dos festivaleiros foram as bolas-de-Berlim e os pastéis-de-nata à venda no recinto: ambos os bolos eram tão grandes que demoravam, pelo menos, 30 minutos a comer. Depois, a qualidade das bolas-de-Berlim era tão duvidosa que tive que comer seis nos dois primeiros dias para chegar a uma conclusão: podiam ser um bocadinho maiores. Para ajudar, imperiais baratas, café de boa qualidade e comida quente com a qualidade e quantidade “da terra” ajudaram muita gente a sair do recinto a rebolar.

rsz_burned_blood(Burned Blood)

Para fazer a digestão, nada como assistir à actuação dos Rectal Depravity, um conjunto suíço em que o vocalista parece Jesus Cristo, o baixista parece o Incrível Hulk e o baterista… parece o baterista. Muito pig squeal e muita diversão em palco, culpa principal do vocalista que, ora imitava um lutador de sumo, ora voltava à “normalidade” e debitava mais e mais squeals. Seguiram-se os portugueses Shoryuken que proporcionaram um set de porno grind/gore sem mácula. Os portugueses Burned Blood e os espanhóis Reincarnation viraram o bico ao prego para o death metal, tendo os Burned Blood apresentado a baixista temporária mais competente de todo o festival, não desfazendo da técnica e do sex appeal de Cláudio Melo, baixista da banda e que, durante todo o set, brincou com o baixo como se se tratasse de apenas mais um membro do seu corpo.

rsz_inhume(Inhume)

Seguiram-se os ingleses CxBxFxIxHxFxLxFxRxE que, para além de esfrangalharem os nervos dos jornalistas que têm que escrever o nome da banda mais do que uma vez, também debitam gorenoise impróprio para os mais sensíveis e, logo após, os suíços Enzephalitis, colectivo portador de um dos espectáculos de brutal slam death metal mais falados em toda a Europa. É fácil de perceber o porquê depois de ver o seu concerto: sólido, brutal e implacável. Ainda nessa mesma linha, os finlandeses Cumbeast excederam as minhas expectativas ao vivo tanto por causa da sua brutalidade a evocar o melhor que o death metal norte-americano nos ofereceu em tempos como por causa do groove incisivo da banda. Seguiram-se os fabulosos mestres holandeses Inhume, graças aos quais assisti ao melhor concerto de grindcore clássico dos três dias – brutalidade, energia, visceralidade, irrequietude… Tudo sinónimos para Inhume, que brindaram a audiência com um concerto simplesmente profissional e em que foi fácil de sentir o empenho da banda em todos os momentos. Outra das grandes expectativas do cartaz, os Milking the Goatmachine, cancelaram a sua actuação devido a mais problemas com voos, o que me deixou meio desanimado por não poder comprovar ao vivo clássicos como “Sour Milk Boogey”, “Only Goat Can Judge Me” ou a sua brilhante versão de “Ace of Spades”, dos Motörhead.” Assim, o cartaz terminou mais cedo com a actuação dos Ass Deep Tongued, um trio francês difícil de catalogar, ainda que se ouça bastante grindcore e, por vezes… param o concerto, vão para o público distribuir autocolantes e, quando regressam ao palco, começam a dançar música rave. Ainda que com momentos insólitos e divertidos, foram sinistros. Muito sinistros.

rsz_ass_deep_tongued(Ass Deep Tongued)

Feitas as contas e, ainda que com menos público que no ano passado, a segunda edição da XXXicken Party foi um sucesso em várias frentes. Foi o festival mais relaxado e em que mais me diverti em 2017 – vi concertos na íntegra (coisa rara), conheci caras novas e gente bastante interessante, bebi mais do que habitualmente (trabalho, a quanto obrigas), lidei com uma organização sempre em cima do assunto… Grosso modo, foi um fim-de-semana comprido de férias com boa música, boas companhias e alguns insólitos positivos dignos de nota. A organização, essa, está de parabéns por um festival bem organizado, com alguns nomes ilustres a liderar o cartaz e outros menos ilustres a dar a conhecer tudo o que têm para oferecer. Pessoalmente, ando a contar os minutos para a próxima edição. Venha 2018!

Concertos

[Festivais] Under The Doom V: A antevisão

Joel Costa

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O Under The Doom está a exactamente uma semana de ter início, com o RCA Club (Lisboa) a abrir as portas no dia 30 de Novembro para acolher nomes como Earth Electric, Mourning Sun, Painted Black e When Nothing Remains.

Os Painted Black têm em “Raging Light” – editado em Outubro passado – o seu mais recente trabalho, que vê a banda lisboeta com raízes na Covilhã a apresentarem uma sonoridade rejuvenescida, fugindo um pouco do doom que os caracterizou na altura da estreia, em 2010, com “Cold Comfort”, e explorando pastagens mais post. A estrearem-se este ano com “Vol.1: Solar”, que mereceu uma edição através da prestigiada Season Of Mist, estão os Earth Electric de Rune Eriksen (conhecido como Blasphemer durante a sua incursão nos noruegueses Mayhem) e Carmen Simões, dos agora extintos Ava Inferi. Bem conhecidos do público português e não só, esta dupla regressa com um projecto hard rock que se funde com um lado mais doom e progressivo, sem esquecer a vertente ritualista que sempre os acompanhou em projectos anteriores. Do lado internacional do cartaz para este dia, encontram-se os chilenos Mourning Sun que apresentarão o seu novo EP “Latitud:56’S” e os suecos When Nothing Remains, que têm em “In Memoriam”, de 2016, o seu mais recente e terceiro longa-duração.

O que esperar dos outros dias? A resposta é fácil: muito doom e gothic metal! Se bem que se estivermos a falar de Lacuna Coil – cabeças-de-cartaz para o dia 1 de Dezembro – haverá certamente quem diga que o que se pode esperar seja uma espécie de pop metal. Passando à frente, a banda de Cristina Scabbia traz “Delirium” aos palcos nacionais, um álbum que dividiu opiniões mas cuja actuação trará certamente alguns dos temas que marcaram o novo século, com álbuns como “Unleashed Memories” ou até mesmo “Comalies” a figurarem entre os melhores do género. E o que dizer de Liv Kristine? Com um percurso sólido tanto a solo como na sua passagem por bandas como Theatre of Tragedy ou Leaves’ Eyes, a cantora norueguesa peca apenas por não ter novidades discográficas desde “Vervain”, editado há três anos. “Vervain” oferece uma compilação bem variada de temas inéditos e que reúne as melhores qualidades que a artista foi capaz de desenvolver desde que se aventurou na sua carreira a solo, em 1997. Como seria de esperar de alguém que sabe o que está a fazer dentro da cena gótica, contem com uma actuação negra, bela e acima de tudo coerente.

No último dia do festival o RCA Club será invadido pelas florestas norueguesas, com os In The Woods… a trazerem a sua viciante atmosfera ao palco da capital. Com uma discografia repleta de pontos altos, “Pure” é a última novidade do quarteto, onde os temas lá presentes assumem uma identidade bem vincada e, como é habitual com os In The Woods…, esquecem as leis do tempo e criam todo um impressionante ambiente, que se vai construindo até dar origem a uma explosão de som. Os Ahab também marcarão presença, com o seu funeral doom metal a servir de marcha fúnebre para assinalar o começo do fim, daquela que será certamente uma excelente edição deste festival.

Pelos palcos do Under The Doom passam ainda nomes como os “nossos” Process Of Guilt – que são a mais recente confirmação para o cartaz de dia 2 de Dezembro -, Novembers Doom, Acherontas, Gold, Green Carnation, Inhuman, The Foreshadowing e Cellar Darling.

Mais informações abaixo:

Dia 30 Novembro – RCA Club / Lisboa
EARTH ELECTRIC – MOURNING SUN – PAINTED BLACK – WHEN NOTHING REMAINS 
Abertura de Portas – 20:30 / Início 21:00
Bilhete: 15€

Dia 01 Dezembro – Lisboa ao Vivo – Lisboa
LACUNA COIL – LIV KRISTINE – GREEN CARNATION – INHUMAN – THE FORESHADOWING – CELLAR DARLING
Abertura de Portas – 18:00 / Início 18:30
Bilhete: 35€ (Pré-venda / 36€ Próprio dia)

Dia 02 Dezembro – RCA Club – Lisboa
IN THE WOODS – AHAB – PROCESS OF GUILT – NOVEMBERS DOOM – ACHERONTAS – GOLD
Abertura de Portas – 18:00 / Início 18:30
Bilhete: 30€ (Pré-venda / 31€ Próprio dia)

Onde comprar bilhetes:
Venda Online (LetsGo.pt): http://bit.ly/2v5ruIl

Venda Online (unkind.pt):
http://www.unkind.pt/catalogo/listaprodutosbanda.php…

Bilhetes físicos e personalizados:

– Glam o Rama Rock Shop – Lisboa
– Loja Carbono – Amadora
– Quiosque ABEP- Lisboa (só bilhetes diários)
– RCA Club- Lisboa (só bilhetes de 3 dias e para dia 2 dez.)
– Fnac Almada – (só bilhetes para dia 1 Dezembro)
– Fnac Colombo – (só bilhetes para dia 1 Dezembro)
– Fnac Vasco da – Gama (só bilhetes para dia 1 Dezembro)
– Loja Piranha – Porto
– Loja Bunker – Porto

Preço dos bilhetes:

(30 nov). = 15€ – (á venda apenas no próprio dia)
(01 dez.) = 35€ – (36€ Próprio dia)
(02 dez.) = 30€ – (31€ Próprio dia)
Golden Tickets / Bilhetes 3 dias – 60€

Links:
https://www.facebook.com/UndertheDoomFestival/

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Concertos

[Festivais] XXI SWR Barroselas Metalfest: Suffocation e Carpathian Forest entre as primeiras 15 confirmações

Diogo Ferreira

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A XXI edição do SWR Metalfest Barroselas já se começa a compor com as primeiras 15 bandas que podes conferir no cartaz abaixo, sendo Suffocation e Carpathian Forest os nomes mais sonantes.

O festival realiza-se em Barroselas entre os dias 27 e 29 de Abril de 2018. O X-MAS Pack já pode ser adquirido AQUI. O evento oficial no Facebook já se encontra disponível AQUI.

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Concertos

[Concertos] Iron Maiden actuam em Lisboa a 13 de Julho de 2018

Diogo Ferreira

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A digressão mundial “Legacy of The Beast World Tour”, dos Iron Maiden, passa por Lisboa a 13 de Julho de 2018 na Altice Arena. Os bilhetes estarão à venda a partir de 24 de Novembro.

Segundo o post da Prime Artist, esta tour foi inspirada no jogo para telemóvel e no livro de banda-desenhada com o mesmo título e o design do palco para as actuações contará com uma série de “mundos” diferentes, mas interligados, com um alinhamento definido que vai cobrir uma grande selecção de material dos anos 80 e algumas surpresas de álbuns posteriores para adicionar diversidade.

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