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[Reportagem] Avelion + Halcyon Way + Operation: Mindcrime + Angra (29.03.2018, Porto)

João Correia

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rsz_angra_1Angra (Foto: João Correia)

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Avelion + Halcyon Way + Operation: Mindcrime + Angra
29.03.2018, Hard Club, Porto

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Após o recente lançamento de “Ømni” as expectativas para os concertos no Hard Club e no RCA Club eram muito elevadas, principalmente depois da saída amigável de Kiko Loureiro para os Megadeth e a sua substituição por Marcelo Barbosa – será que os Angra conseguiriam sobreviver à partida de um dos alicerces da banda? E como seria estar na pele de Marcelo, que teria agora de preencher a lacuna criada pela ausência de Kiko? Embora sejam questões pertinentes quando falamos de uma das bandas de power/progressive metal mais celebradas na história do género, não é a primeira vez que o agrupamento de São Paulo atravessa uma fase complicada, longe disso. No entanto, é impossível de ignorar que, a cada novo revés, a banda lança um disco melhor do que o anterior. Recordam-se da saída de André Matos? Os Angra responderam com o fantástico “Rebirth”. Logo após, meteram esse álbum a um canto com “Temple of Shadows”, para muitos o melhor disco dos brasileiros, e daí em diante continuaram a gravar disco sólido atrás de disco sólido de forma tão natural como respirar. Com tudo isto em mente (e também porque já fazia muito tempo que não nos visitavam), é natural que as expectativas fossem elevadas.

rsz_avelionAvelion (Foto: João Correia)

A noite começou com os Avelion, um colectivo italiano relativamente desconhecido do público português. A banda pratica uma mescla de rock/metal progressivo com toques de power metal em que o genial trabalho de sintetizador é a marca de referência. Na estrada a promover o novo “Illusion of Transparency”, pecou pela curta prestação e teve como principal obstáculo uma sala ainda despida de gente. Mesmo assim, é difícil de não perceber a qualidade técnica dos Avelion, bastante seguros de si ao longo dos cerca de 30 minutos em palco e com uma presença bastante profissional. Esperar o quê de uma banda que carrega aos ombros o peso do nome dos cabeças-de-cartaz?

rsz_halcyon_wayHalcyon Way (Foto: João Correia)

De seguida foi a vez dos já mais conhecidos Halcyon Way. Bem antes do concerto estivemos na cavaqueira com o seu baterista, que revelou estar a adorar a cidade do Porto. «Era bem gajo para me adaptar à cidade; isto é lindo!» – disse. Já tinha ouvido “Mentalize” e o mais recente “The Turn of The Lights” (este último de 2012) destes norte-americanos e ficado com a sensação de que, de facto, existem bandas de power metal em que vale a pena investir. Esta é claramente uma delas. O que me atrai nos Halcyon Way em particular é o peso com que executam os seus temas, com composições de guitarra bastante agressivas e até back vocals de death metal, tudo regado com metal progressivo de qualidade. Peso, excelente comunicação com o público numa sala agora mais cheia e muito humor à mistura mostraram que um concerto de power metal pode ser emocionante – para isso, basta escolher bem as bandas a figurar no cartaz.

rsz_operation_mindcrimeOperation: Mindrime (Foto: João Correia)

E foi pelas 23h que os Operation: Mindcrime subiram ao palco, agora com uma casa a mais de meio da sua capacidade. Esperava-se mais gente – afinal, em véspera de feriado e com a inauguração de mais um bar rock no Porto, este concerto era a escolha óbvia para iniciar a noite. Mas isso não inibiu Geoff Tate de espalhar magia no Hard Club com a execução integral de “Operation: Mindcrime”. Para os menos instruídos na coisa, este longa-duração dos Queensrÿche é o último diamante perfeito do heavy metal dos anos 80 e é considerado unanimemente um dos discos mais importantes de sempre do género. Foi um dos raros discos de heavy metal a vender mais de 1 milhão de unidades na década de ouro do metal, e quem se recorda de o ouvir nessa altura sabe que se trata de um trabalho único. Tema após tema, foi impressionante verificar que a voz de Tate parece que foi enterrada numa cápsula do tempo em 1988 para ser exumada 30 anos depois com a mesma qualidade e frescura daquela época. Brilhou principalmente em temas como “Revolution Calling” e “Operation: Mindcrime”, altura em que se começaram a ouvir coros vindos do público mais velha-guarda no recinto.

rsz_angra_2Angra (Foto: João Correia)

Por fim, foi a vez de os Angra mostrarem de que massa são feitos. Iniciaram a sua prestação sem contemplações com “Travellers of Time”, um dos melhores temas do seu último disco, seguido de “Nothing To Say”, que criou os primeiros coros da assistência, agora quase a lotar a casa. Em termos gerais, a banda está no ponto, mesmo com uma ou outra falha muito ligeira na voz de Lione. Os dotes técnicos de Marcelo Barbosa deixam uma pessoa pasmada, o mesmo podendo dizer-se da sua presença em palco, que em parte ofusca um pouco a de Rafael Bittencourt. Não há dúvida de que a escolha foi uma vez mais acertada e que os Angra só têm a ganhar com este guitarrista. A banda continuou a debitar temas clássicos cruzados com temas novos, sendo uma pena a ausência de malhas novas como “Black Widow’s Web” ou   de clássicos como “Spread Your Fire” – houve tempo para “Lisbon” e para um medley final de “Carry On” e “Nova Era”, com o qual encerraram o concerto. Em suma, tratou-se de uma muito boa prestação, ainda que tímida em termos de tempo e temas tocados, mas que saciou a fome de Angra da audiência portuguesa.

rsz_angra_3Angra (Foto: João Correia)

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Dead (1969-1991): a morte faz 50 anos

Diogo Ferreira

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Consideramos com facilidade que o berço do black metal é a Noruega com todas as suas importantes bandas: Mayhem, Burzum, Immortal, Darkthrone, Satyricon, Gorgoroth… Mas há uma realidade da qual nos esquecemos ingenuamente: 1) Quorthon e os seus Bathory eram suecos, reinando na cena extrema nórdica anos antes das bandas atrás mencionadas; 2) Dead, que foi vocalista dos Mayhem entre 1988 e 1991 e que se tornara no mais infame frontman da época, era sueco. Posto isto, as bases do black metal têm, e muito, de sangue sueco… E de sangue percebia Dead.

Per Yngve Ohlin, mais conhecido por Dead, nasce a 16 de Janeiro de 1969 em Estocolmo, Suécia. Faria hoje 50 anos.

Depois de uma infância conturbada, especialmente por causa de problemas de saúde e alegado bullying, Per, tantas vezes chamado de Pelle, iniciaria a sua vida artística ainda na adolescência ao ajudar a fundar os Scapegoat e depois os Morbid em 1987, banda em que grava as três primeiras demos já como Dead, alcunha que escolhe para relembrar a sua experiência de quase-morte. No ano seguinte ingressava nos noruegueses Mayhem depois de ter entrado em contacto com o baixista Necrobutcher. Na encomenda que enviou para a Noruega, relata-se que constava uma cassete, uma carta com as suas ideias e um animal morto.

Por obra do destino, Dead chega aos Mayhem logo após “Deathcrush” (1987) e bem antes de “De Mysteriis Dom Sathanas” (1994), mas isso não lhe retira importância na banda numa altura em que o primeiro disco, o tal de 1994, já andava a ser composto. A voz e performance de Dead eterniza-se no icónico “Live in Leipzig” de 1993, álbum ao vivo lançado após a sua morte em 1991.

A 8 de Abril de 1991, Dead suicida-se. Corta os pulsos e a garganta e dá um tiro na cabeça. Deprimido por natureza, Dead possuía ainda um sentido de humor nato ao deixar a nota “desculpem o sangue”, bem como outros pensamentos e a letra de “Life Eternal” que seria incluída em “De Mysteriis Dom Sathanas”. Euronymous (1968-1993), ao encontrar o corpo do amigo e colega, decide então fotografá-lo, dando origem à capa de “The Dawn of the Black Hearts – Live in Sarpsborg, Norway 28/2, 1990”. Esta mórbida decisão levara o baixista Necrobutcher a abandonar os Mayhem e a não participar na formação histórica de “De Mysteriis Dom Sathanas”, retornando  ao grupo só depois deste lançamento. A voz ficava ao cargo do húngaro Attila Csihar.

Quase 30 anos depois de acontecimentos como o suicídio de Dead, o homicídio de Euronymous, a prisão de Varg Vikernes e as igrejas incendiadas, o livro “Lords Of Chaos”, de Michael Moynihan (Blood Axis), lançado em 1998, é a base para o filme com o mesmo título realizado por Jonas Åkerlund (primeiro baterista de Bathory), película em que se contam episódios importantes daqueles poucos, mas intensos, anos vividos no seio do black metal norueguês. Apresentado no Sundance Film Festival em 2018, o filme deverá chegar a mais público durante este ano de 2019.

 

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[Exclusivo] Mastodon: “Sempre que voamos para o outro lado do Atlântico, Portugal tem de estar na lista”, diz Troy Sanders

Diogo Ferreira

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Será a 17 de Fevereiro que os Mastodon passam por Portugal para um concerto em Lisboa e, em conversa com a Ultraje, o baixista/vocalista Troy Sanders só tem coisas boas a dizer sobre o nosso país: «Portugal é um país muito belo e os fãs são dos mais fiéis que temos.» Todavia, a grande revelação do excerto que aqui partilhamos viria a seguir: «Deixa-me pôr isto de forma mais clara – demos a indicação específica ao nosso agente para não confirmar a digressão enquanto Portugal não estivesse confirmado. Sempre que voamos para o outro lado do Atlântico, Portugal tem de estar na lista. Ficámos bastante aliviados quando o nosso agente nos deu a confirmação do concerto em Lisboa, pois esta parte da digressão só aconteceu porque respeitaram a nossa exigência de tocarmos em Portugal, baseámos a digressão em redor de tocarmos aí. Estamos bastante ansiosos por chegar a Lisboa, pois não só o país é muito bonito, como as pessoas são fantásticas.»

Ao lado dos Mastodon actuarão os Kvelertak e os Mutoid Man. Os bilhetes podem ser adquiridos AQUI.

 

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Ghost – Capítulo VI: A Visita

Diogo Ferreira

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Foto: Mikael Eriksson

Numa clara alusão à digressão europeia que se avizinha, Sister Imperator está recuperada do seu acidente e recebe a vista de Cardinal Copia que, com Papa Nihil, sai do hospital rumo a um destino desconhecido. Um desses destinos, que Cardinal Copia não tem conhecimento, passará pelo Estádio do Restelo (Lisboa) onde Ghost, Metallica e Bokassa têm encontro marcado com o público português a 1 de Maio.

O álbum mais recente da banda liderada por Tobias Forge intitula-se “Prequelle” e foi lançado em Junho de 2018 pela Spinefarm Records.

 

 

 

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