[Resurrection Fest] Warmup: Ao sétimo dia, Deus criou o Resurrection Fest | Ultraje – Metal & Rock Online
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[Resurrection Fest] Warmup: Ao sétimo dia, Deus criou o Resurrection Fest

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Dez horas de viagem repartidas entre um expresso e uma boleia depois, cheguei ao Resurrection Fest e comecei a tratar dos devidos protocolos: banca de imprensa, seguida de acampamento e agrupar com os colegas de viagem e restantes amigos, conhecer os cantos à casa e, por fim, preparar o material para o warmup do festival. Com cerca de dez mil comparências na festa de aquecimento, o Resurrection bateu quaisquer recordes anteriores com esta edição, a décima primeira da sua história. Atentando ao cartaz deste ano, é compreensível: Anthrax, Suicidal Tendencies, Animals As Leaders, Sepultura, Mayhem, Annihilator, Dropkick Murphys, Arch Enemy, Rammstein, Mastodon, Rancid, Sabaton, Alcest, Krisiun, Obituary, Agnostic Front, Conan, Napalm Death e dezenas de outras bandas de primeira linha e novas promessas que compõem um cartaz dividido por três dias de muito ferro e aço.

As instalações são algo de inédito em comparação com qualquer festival onde tenha marcado presença: campismo pago com um valor invulgarmente alto, e onde até o simples carregar de um telemóvel custa dinheiro aos festivaleiros. Se no Resu Camping, mesmo à entrada do evento, um bilhete para o campismo custa 70€ (válido para duas pessoas), menos sorte têm os festivaleiros que não conseguiram reservar a sua entrada a tempo e tiveram que optar pelo Beach Camping, onde o valor do bilhete, 53€, não justifica as condições apresentadas: banhos de água fria, todos os extras pagos (incluindo, por exemplo, a taxa de 1€ para carregar um telemóvel) e, pior, uma distância de 30 minutos a pé desde o recinto do festival, cerca de 3 quilómetros. Exige-se mais e melhor, principalmente quando os valores pagos são desfasados da oferta.

Para além dos quatro palcos, o recinto do festival, enorme como é exigido, apresenta tudo o que qualquer fã de metal necessita para enfrentar os três dias de desgraça que se seguem: imensas bancas de merchandise, incluindo algumas especializadas, mais de dez bancas de alimentação para todos os gostos, stands de bebidas e uma banca enorme para o merch oficial do festival e das bandas que nele se apresentam.

Parazit (Méx), Aphonnic (Esp), We Ride (Esp) e Here Comes The Kraken (Méx) foram as bandas escolhidas para aquecer o primeiro nome de peso do cartaz, C. J. Ramone. O ex-baixista dos Ramones entreteve a audiência com clássicos como “Commando” e “Do You Wanna Dance?”, dos Ramones, num espectáculo de aproximadamente cinquenta minutos. O som, bem alto, mas cristalino, ajudou a bater o pé dos milhares que se apresentaram para dar as boas-vindas a uma das poucas lendas vivas do rock.

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(C. J. Ramone)

Seguiram-se os Soziedad Alkoholika, uma das instituições metálicas espanholas, e compará-los aos “nossos” Xutos & Pontapés em termos de popularidade não é hipérbole. A promover o seu último registo, “Sistema Antisocial”, de 2017, fizeram o público saltar, cantar em uníssono, repetir refrões que toda a gente conhecia e, com “Jaulas de Tierra!”, finalizaram uma prestação um pouco abaixo de perfeita.

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(Sepultura)

Por fim, foi a vez dos Sepultura espalharem a sua magia em palco mas, pelo concerto que deram ontem, quase diria que ainda são aprendizes de feiticeiros. Iniciaram com o seu último álbum de 2017, “Machine Messiah”, e só começaram a obter resposta do público com o seu primeiro clássico da noite, “Desperate Cry”. Daí em diante, a máquina não parou; depois de “Sworn Oath”, novamente de “Machine Messiah”, “Inner Self” fez a audiência agitar-se, seguida de uma indiferente “Resistant Parasites” e começando de facto com os clássicos maiores da banda: “Territory” (em que a banda teve um contratempo com guitarra e voz durante mais de um minuto), “Refuse/Resist”, “Ratamahatta” e finalizando com “Roots”. Do ponto de vista de espectador sempre isento, sentiu-se que o concerto começou bem, piorou e, no final, foi bastante enérgico. Do ponto de vista do público, os Sepultura podiam ficar a tocar durante uma semana, que os saltos da multidão não parariam de qualquer forma. Ainda que os novos temas de “Machine Messiah” possam parecer desprovidos de grande criatividade, em palco a máquina está mais do que oleada. «Esta foi a melhor data desta tournée», afirmou Green antes de “Roots”, levando a audiência à loucura; não tendo sido uma prestação sofrível, e porque somos todos humanos, foi um espectáculo que não me aqueceu e nem arrefeceu, exceptuando nos últimos quatro temas. Já a reacção do público se resume, em poucas palavras, a satisfação total.

Texto e Fotos: João Correia

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