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Sabaton: últimos resistentes, uni-vos! (entrevista c/ Pär Sundström)

Diogo Ferreira

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rsz_sabaton2016zFoto: Ryan Garrison

Está quase a passar um mês desde que os Sabaton lançaram o mais recente álbum “The Last Stand”, e na ressaca de críticas positivas e outras nem tanto, publicamos a conversa telefónica que tivemos com Pär Sundström, baixista e membro-fundador. Tinha tudo para correr mal: o colega de imprensa dinamarquês não tinha atendido a chamada de Sundström, o nosso software de gravação não queria funcionar e houve pessoas a telefonarem ao músico durante a entrevista, mas tudo se compôs e acabou por ser uma conversa em modo de almoço virtual – era o que os dois estávamos a fazer naquele momento, a Ultraje deste lado e Sabaton do outro.

«Este é, até agora, o melhor momento da carreira de Sabaton.»

Este ano tem sido de doidos para Sabaton: um álbum ao vivo e um sólido e desafiante novo disco. Dirias que este é o melhor momento na carreira de Sabaton?
Penso que sim. Este é, até agora, o melhor momento da carreira de Sabaton. Está tanto a acontecer e parece-me que está tudo a correr bem. São tempos muito entusiasmantes e é fantástico estar em Sabaton.

Quanto ao DVD gravado no Wacken, deve ter sido fantástico tocar para milhares de pessoas.
Sim, claro. É um sítio fantástico para tocarmos e o público é maravilhoso. Foi absolutamente adorável. O Wacken é um dos melhores festivais de heavy metal do mundo.

O conceito do álbum é muito catchy e pode fazer com que as pessoas leiam, pesquisem ou vejam filmes. Também é algo que querem instigar nos fãs?
Apenas estamos a roçar a superfície. Não somos historicamente perfeitos, nem os melhores tipos do mundo que sabem tudo sobre História, mas sabemos algumas coisas. Temos apenas algum espaço e História é muito mais do que isso. Se alguém quiser saber mais, então deve pesquisar o resto. Estamos apenas a abrir a Caixa de Pandora da História e se alguém quer saber a história toda, então terá que aprofundar.

É engraçado dizeres que estão apenas a roçar a superfície desses momentos históricos, porque a duração das músicas não é assim tão larga e porque querem compor temas catchy, certo?
Sim, claro que queremos fazer isso. Se fizéssemos músicas de 20 ou 25 minutos para contar uma história, estaríamos a fazê-lo de maneira errada. Em primeiro, Sabaton é uma banda de heavy metal; em segundo, precisamos de cantar sobre algo e decidimos cantar sobre algo que é o que achamos ser o tópico mais interessante em que pensámos. Há muitos tópicos sobre os quais podíamos cantar numa banda de heavy metal, mas não quisemos pegar nalguns desses assuntos. Não queremos cantar sobre a nossa vida privada, porque achamos ser privado e queremos manter isso assim… Quem eu amo ou a minha história de amor ou de quem não gosto – mantenho isso para mim. Se me embebedar numa noite, não vou escrever uma canção sobre isso – isso fica para mim. Em vez disso, componho música sobre algo que aconteceu há muito tempo historicamente; é mais interessante para mim e espero que seja para o público, porque não é ficção.

«Em 2005 tivemos muitos problemas na Alemanha, porque o distribuidor disse logo que não ia lançar aquela ‘treta neonazi’.»

Ainda bem que tocaste nessa matéria, porque quando ouvi o álbum “Primo Victoria”, em 2005, e ouvi os refrões, pensei: ‘Estes gajos vão ter problemas na Alemanha…’
E tivemos. Em 2005 tivemos muitos problemas na Alemanha, porque o distribuidor disse logo que não ia lançar aquela ‘treta neonazi’. Tivemos que lhes mandar as letras e ele ficaram tipo ‘afinal isto não é assim tão mau, é interessante’. Depois disso já tivemos mais algumas complicações com as nossas letras e tem sido assim na Alemanha, porque eles são, obviamente, muito sensíveis quanto à II Guerra Mundial. Mas agora já não é tão assim… Eu compreendo perfeitamente, porque se alguém ouvir uma música de Sabaton na rádio vai dizer: ‘O que é isto? Que merda é esta?’ Mas se virem o conceito geral de Sabaton e se alguém sabe sobre o que é Sabaton, então não se fica tão confuso e compreendem. Se se ouvir apenas uma canção, então pode haver problemas, claro. Talvez se tocarem a “Rise Of Evil” na rádio alemã e ouvirem «The Reich will rise!», são capazes de ficar: ‘Mas que c*ralho!?’ Mas se se sentarem a ler umas letras de Sabaton, podem achar que é interessante e que não é propaganda – apenas coisas históricas. Fico contente, porque hoje, ao contrário de 2005, Sabaton tem mais fãs e mesmo que haja alguém a dizer que somos nazis, vai sempre haver outro alguém a dizer-lhes que estão errados, que Sabaton não é uma banda política e que cantam sobre História. Podes dizer que os fãs nos estão a proteger, mas pelo menos estão a espalhar a palavra de Sabaton através de uma boa maneira.

Finalmente os Sabaton pegaram no tema da guerra em que há mais do que espingardas e artilharia. Destaquemos, por exemplo, as faixas “Sparta” e “Shiroyama” – muito boas, por acaso. Como achas que vão funcionar ao vivo?
Já sabemos, porque já as tocámos ao vivo. Tocámos a “Shiroyama” na Alemanha e a “Sparta” na nossa cidade [Falun]. Foi perfeito. E, pessoalmente, foi fantástico tocar a “Shiroyama” – de momento é a canção mais divertida do set. Acho que a “Sparta” tem algo muito forte nela e quando a começámos a tocar nos ensaios começámos logo a dizer que devíamos usar fogo – vimos o espectáculo todo instantaneamente. Já a “Shiroyama” é aquela canção que podes tocar em qualquer altura, de repente cheira-te a heavy metal por todo lado.

 

Em relação à faixa “The Lost Battalion”, vi os trailers e os teus colegas falaram em mudar o som da bateria por sons de armas de fogo. Foi uma das aplicações mais complexas no álbum e até em toda a carreira?
Não… Já fizemos coisas mais complicadas. Foi uma experiência divertida que correu bem. A ideia foi mudar o drumkit para samples em que temos, por exemplo, a tarola a soar a uma bala a bater. Mudámos o drumkit para sons de guerra. Na intro para esta canção – que se chama “Diary Of An Unknown Soldier” –, [a personagem] fala desses sons e como eles se juntam; portanto queríamos criar uma cena para que o ouvinte tivesse uma ideia de que tipo de sons surgiriam na canção. Adorei a ideia. O Joakim [Brodén, vocalista] apresentou-me uma pequena parte da ideia e eu achei que [a música] seria um potencial êxito do álbum – e ele ficou: ‘Tens a certeza? Isto é tão esquisito.’ Acho que vai ser interessante para os fãs, é algo novo e vejo coisas ilimitadas que podemos fazer ao vivo. Não tem muitas guitarras e são as vozes que preenchem a maioria da canção.

 

Sempre olhei para os Sabaton como uma irmandade honesta – não só em relação à formação antiga, mas também quanto à actual –, mas olhando apenas para o novo álbum: vês o Peter Tägtgren [produtor, Hypocrisy, Pain] como o sexto elemento?
Não, porque penso que um membro de Sabaton tem de andar em digressão [connosco]. É um tipo excelente no estúdio e, de certa maneira, está connosco desde 2005 mesmo que tenham sido os irmãos dele [a trabalhar connosco] nos primeiros álbuns, mas o Peter estava sempre em background a dizer coisas como: ‘se fizerem isto desta maneira, as guitarras vão soar melhor.’ – e nós agradecíamos. Ajudou-nos muito. Hoje em dia somos amigos próximos. Vivemos perto e ajudamo-nos uns aos outros. É um grande produtor, faz tudo no estúdio e, por outro lado, eu sou o manager de Sabaton e ele pede-me conselhos [sobre isso] – eu ajudo-o com isso, ele ajuda-nos no estúdio e temos uma relação muito boa. Quando vamos para estúdio com ele, sabemos que, em parte, podemos estar relaxados, porque o conhecemos tão bem, mas ele também sabe quão forte pode puxar por nós. Gravar com ele é uma boa combinação.

Os Sabaton foram de uma banda de suporte para cabeça-de-cartaz muito rapidamente. Há alguma coisa da qual tenhas saudades de quando eram uma banda mais pequena?
Ainda temos disso, sabes? Ainda passamos por sítios onde não somos cabeças-de-cartaz. E não diria que foi rápido, [porque] já se passaram centenas de concertos desde que começámos com as digressões. Não tenho saudades de nada, porque acho que temos de tudo: tanto tocamos nos maiores festivais como depois damos suporte em salas mais pequenas, e fazemos isso tudo em apenas algumas semanas. Hoje em dia temos de tudo. Não podemos comparar com, por exemplo, AC/DC que lhes acontece o mesmo quer seja na Venezuela ou na Alemanha. Para nós é completamente diferente, [porque] se Sabaton for à Venezuela vai ter poucas pessoas, mas se tocarmos na Alemanha vamos ter muitas.

Têm tudo aquilo que sempre quiseram…
Gosto de tudo. É divertido tocar nos grandes festivais, mas é melhor tocar em salas. Pessoalmente, pergunto-me muitas vezes: é melhor tocar em festivais ou em salas? Tocar em salas é melhor, onde tens 1.000 fãs de Sabaton. É a melhor atmosfera que podes ter. Se se torna tudo muito grande, não consegues sentir todo o público. Nalgumas salas podes meter 10.000 pessoas e tens uma boa atmosfera na mesma, mas algumas tornam-se impessoais com 15.000 pessoas. Depende da sala, mas, geralmente, se tens 1.000 pessoas, então é perfeito.

«De todos os sítios europeus por onde passámos [em 2006], Porto foi, de longe, a melhor audiência para Sabaton.»

O que esperas do próximo concerto em Portugal, em Janeiro? Vai ser numa das maiores salas do país…
Quando tocámos pela primeira vez em Portugal com Dragonforce e Edguy, em 2006, éramos algo desconhecidos, mesmo que fossemos uma banda média pela Europa fora. Tínhamos boas reacções onde quer que fossemos – na Alemanha ou em Espanha –, mas tínhamos a melhor resposta na Suécia onde tocávamos muitos e lá éramos tão populares como Edguy, já em 2006. Mas de todos os sítios europeus por onde passámos, Porto foi, de longe, a melhor audiência para Sabaton. Depois, quando fizemos a nossa digressão como cabeças-de-cartaz em 2007, insisti bastante [para voltar], porque tinha isso na cabeça. ‘O nosso melhor concerto foi em Portugal, por que não temos um concerto em Portugal?’ Nenhum promotor nos queria e nós dizíamos que não queríamos nada, que apenas nos dessem um concerto. Demorou, mas voltámos e foi como me recordava: fantástico. Esgotou e foi por isso que, desta vez, quisemos uma sala maior. Penso que vai ser excelente. Só espero uma noite fantástica. Acho que vos pus muita pressão agora [risos], mas vamos dar o nosso melhor. Podem contar com Sabaton. Não vamos levar grandes surpresas, mas vamos fazer uma grande noite e teremos de estar na melhor forma.

A review a “The Last Stand” pode ser lida AQUI.

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Dream Theater: chamada de cortina (entrevista c/ Jordan Rudess)

João Correia

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«Apostámos em fazer um trabalho mais pesado, mas também sem perder a essência progressiva e o espírito metal dos Dream Theater.»

“The Astonishing” foi um registou que confirmou o vívido cansaço em que uma banda de topo pode assentar passados alguns anos a repetir a mesma fórmula. Não podemos culpar uma banda por lançar um mau disco, ainda por cima quando, ao longo de três décadas, essa banda lançou marco incontornável após marco incontornável do heavy metal. Todos temos maus dias, mas, quando temos um conjunto seguido de dias em cheio, então estes serão recordados durante muito tempo. É o que se pode dizer dos Dream Theater e de “The Astonishing”, um trabalho insípido que desapontou muita gente do meio devido ao historial prodigioso destes nova-iorquinos. A pseudocrise parece ter chegado ao fim com “Distance Over Time”. O novo trabalho dos Dream Theater viaja para o passado, para uma época em que pouco mais havia do que uma mão-cheia de bandas virtuosas o suficiente para conquistarem território virgem – os anos 90. As primeiras audições de “Distance Over Time”, as mais superficiais, remetem para as épocas de “Images and Words” e “Awake”. Sim, parece exagerado (e acaba por sê-lo), mas tal é a diferença do trabalho anterior para este.

 

Jordan Rudess, o lendário teclista dos Dream Theater, dedicou quinze minutos da sua restrita agenda à Ultraje para discutir mais pormenorizadamente o novo trabalho. A reacção inicial do homem por trás dos momentos épicos dos Dream Theater foi de concordância. «Bom, quisemos regressar ao nosso som de raiz, quisemos gravar um vídeo todos juntos e passar mais tempo juntos, sempre com muita diversão à mistura. Apostámos em fazer um trabalho mais pesado, mas também sem perder a essência progressiva e o espírito metal dos Dream Theater. Essa união reforçada fez com que nos inspirássemos em compor este novo trabalho.» ‘União reforçada’ é o termo perfeito para descrever o que os Dream Theater fizeram – durante três meses isolaram-se numa propriedade transformada em estúdio de última geração em Nova Iorque para compor o novo registo. «É verdade. Ao princípio estávamos um pouco nervosos com essa situação; quero dizer, somos todos homens adultos e, de repente, parecia que tínhamos acabado de ir para uma colónia de férias. No entanto, quando lá chegámos, gostámos muito do sítio – aquilo é muito porreiro. Imagina um celeiro antigo dividido em duas partes – uma para ensaiares, outra para gravares. E tem quartos enormes! Depois, as nossas instalações em geral foram fantásticas. Então, isso fez com que recuperássemos juntos as nossas energias, sempre a criar música. Entre o trabalho, fazíamos churrascadas, bebíamos bourbon, ríamos imenso… E isso sente-se no disco novo. Acabou por ser um retiro espiritual. Não é que eu não goste do “The Astonishing” – tenho imenso orgulho nesse trabalho, mas o novo álbum está mais à frente. Acho que é importante para nós, enquanto banda, podermos reunir-nos e passar um bom bocado enquanto trabalhamos. Em suma, o processo de composição de “Distance Over Time” foi uma mistura de muito trabalho e muita diversão.»

É fácil de entender o que Rudess quer dizer quando afirma que o novo trabalho está um passo à frente do anterior, principalmente quando atentamos ao trabalho dos dois instrumentos mais notáveis nele: a guitarra e os teclados. De facto, os despiques e batalhas de solos entre Rudess e Petrucci fazem-nos recordar pináculos do rock como “Highway Star”, com todo aquele massacre que bem conhecemos entre Richie Blackmore e John Lord. Depois, “Distance Over Time” aponta para caminhos pouco percorridos quando nos dá a ouvir uma miscelânea de estilos completamente desassociados do metal, como funk, rock progressivo, cock rock, blues… Parte-se do princípio que nada disto terá sido premeditado… Ou terá? «Absolutamente, sim. Queríamos voltar a domar aquela energia clássica dos Dream Theater e trabalhámos muito nesse sentido. Para isso, utilizei um Hammond XK-5, o que fez com que o disco ganhasse um feeling de rock clássico em conjunto com a guitarra do John. Experimentei utilizar um dispositivo chamado Motion Sound para amplificar os teclados e o resultado está à vista – um som bastante forte e claramente rock. Logo, não existem normas e conceitos nos Dream Theater, fazemos aquilo que gostamos.»

 

No entanto, até certo ponto, “Distance Over Time” parece ter um elemento conceitual bem definido e que começa com uma capa futurista. Junte-se a ela o tema “Pale Blue Dot” (talvez a citação de Carl Sagan mais repetida de todos os tempos) e assuntos mundanos – como abuso, frustração e limitações – e a conclusão antecipada a que chegamos é que se trata de um disco que fala sobre a Humanidade. «Não é um disco conceitual, de todo. Mas sim, existe uma história em cada tema; logo, talvez se possa dar a entender que existe um conceito. Como, por exemplo, em “Pale Blue Dot”, sim, com todo aquele discurso icónico do Carl Sagan. Mas existe sempre algo mais pesado do que apenas um conceito, existem tópicos mais profundos como o barulho que fazem as novas gerações, pessoas que vivem a vida através de um computador, a vastidão do espaço, o nosso mundo no futuro devido a toda a poluição… OK, não são canções de amor, nitidamente! [risos] As próprias letras são inorgânicas, matemáticas, físicas; o que ajudou a regressar aos nossos velhos tempos.»

Essa ausência de orgânica também se sente na música, que é, de longe, da mais pesada alguma vez composta pelo quinteto norte-americano. O filão progressivo continua lá, mas não tanto como em trabalhos anteriores, o que indica que talvez os Dream Theater quisessem fazer algo mais in-your-face, um trabalho mais directo mas sem perder o virtuosismo pelo qual são bem conhecidos. «Procurámos obter um som muito mais pesado, daí ter dito que houve necessidade de regressar às nossas raízes. Isso criou uma dinâmica emocional muito maior do que anteriormente. Temos noção de que muitos fãs dos Dream Theater adoram os nossos registos mais pesados e, desta vez, encontrámo-nos em sintonia com eles. Toda a banda sentiu que havia essa necessidade de carregar mais no acelerador. Contudo, também é verdade que não descurámos o nosso lado progressivo, mas quisemos fazer um disco mais pesado e que apelasse aos nossos fãs da mesma maneira que nos apela a nós.»

 

Para o fim ficou a discussão sobre a digressão Distance Over Time coincidir com o vigésimo aniversário do clássico “Metropolis Pt.2: Scenes From a Memory”. Geralmente, há sempre preparativos especiais quando se trata de comemorar um trabalho tão importante e, tendo em conta que as duas ocasiões se fundem numa, quisemos saber o que estava em marcha para a celebração do disco. «O que é realmente especial em relação a esse disco é que fizemos uma celebração dele na sua totalidade na segunda parte do nosso set há algum tempo. Claro que tocaremos faixas dele, ainda que não na sua totalidade – será uma revisitação mais curta. Além disso, teremos elementos visuais lindíssimos nesta nova tournée. Só mesmo vendo para acreditar – são espectaculares, com integrações de media e áudio em simultâneo. Trata-se do primeiro disco em que participei, por isso é óbvio que tem um significado muito especial para mim. Antes de ser um momento assinalável para os Dream Theater, é um momento assinalável para mim! Vai ser muito emocionante, certamente. Adicionalmente, também vou lançar um disco novo este ano chamado “Wired For Madness”, previsto para 19 de Abril.»

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Entrevistas

[Exclusivo] Atrocity revisitam covers pop dos álbuns “Werk” (entrevista c/ Alex Krull e Thorsten Bauer)

Diogo Ferreira

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Os Atrocity são conhecidos por cruzarem estilos como ninguém – do death ao gothic metal, passando pelo industrial. Em 1997 lançavam “Werk 80” e em 2008 era a vez de “Werk 80 II”, dois discos compostos por covers metal de êxitos pop da década de 1980. Claro que o metal moldou estes homens, senão não estariam em bandas do género, mas, e tendo esses dois trabalhos na discografia, temos de saber até que ponto é que a pop também os formou como homens e artistas. «Crescemos com a magia dos 80s – com músicas de Depeche Mode, OMD, Tears For Fears, que eram pop mas que continham uma onda negra», conta Thorsten Bauer, recordando seguidamente a origem de “Werk 80”: «Quando fomos a um festival na Suécia, em 1996, tocar com os Das Ich, ouvíamos muitas dessas canções e tivemos a ideia de que isto podia funcionar muito bem de uma maneira metal. Tenho saudades disso – pelo menos aqui na Alemanha, a pop soa toda igual, está cheia de autotune, não há carácter. O início dos 80s estava cheio de cruzamentos – wave, new wave, punk, pop, synthpop. Foi muito excitante para a música pop. Vivemos nos 80s, por isso temos boas memórias e ao mesmo tempo a música tinha substância, o que a pop moderna não tem.» Antes de tomar palavra, Alex Krull já se estava a rir: «Agora tenho de falar por mim. [risos] Não ouvia nada disso! [risos]Sentia sempre falta das guitarras, mas lembro-me que havia grandes canções, como a “Shout” dos Tears For Fears.» Contudo, o vocalista teve de fazer a sua parte para dar vida aos empreendimentos de 1997 e 2008 ao explicar que «a ideia era temperar tudo e tornar essas músicas em metal».

Estávamos num momento mais saudosista da conversa e Alex prosseguia: «As pessoas dizem que os 80s foram os melhores tempos da pop, mas eu ouvia metal! [risos] Tinha uma amiga do universo punk e new wave. Ela tinha amigos da cena gótica e eu era da malta do metal. Fazíamos festas em casas, e numa sala estava o pessoal do metal e na outra estavam os góticos, que ouviam synthpop e Depeche Mode – nem nos falávamos! [risos] Mais tarde chegou o momento de fazer um crossover enquanto músico, quando tive uma banda. Encontrei essa amiga muitos anos mais tarde, quando ela estava a trabalhar num musical em Estugarda, e perguntei-lhe se ela se lembrava das festas e se tinha ouvido o crossover que tínhamos feito com o “Werk I” e “Werk II”… Ela ficou ‘what the fuck?’. [risos] Não acreditava.» Já na fase derradeira desta entrevista reafirmou-se que as músicas escolhidas para esses dois discos eram já por si negras, ficando ainda mais com o toque metal dos Atrocity. Porém, perguntámos se se imaginavam a fazer covers da pop actual, com temas de Katy Perry ou Lady Gaga, o que provocou risada geral! «Tipo… Não… [risos]», assegura Krull. «Como o Thorsten disse, há uma parte nostálgica e era algo revolucionário na música. Havia a Neu Deutsche Welle, que também abordámos nos álbuns “Werk” – era muito fixe para aquela altura. Mesmo enquanto miúdo do metal, gostava dessas canções em alemão – era uma estranha combinação musical que teve muito sucesso. Tem que haver algum tipo de ligação para se fazer um projecto assim. Não vamos pegar em qualquer música pop e torná-la metal só porque foi um êxito – não era essa a ideia.» [A entrevista integral foi originalmente publicada no #17 da Ultraje (Ago/Set 2018)]

O álbum mais recente dos Atrocity intitula-se “Okkult II” e foi lançado em Julho de 2018 pela Massacre Records. A banda passará pelo Lisboa Ao Vivo a 12 de Maio numa noite partilhada com I Am Morbid, Vital Remains e Saddist.

 

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Marduk: a morte é cega (entrevista c/ Morgan)

Diogo Ferreira

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Foi em Junho de 2018, pela Century Media Records, que saiu “Viktoria”, o mais recente álbum dos bélicos Marduk e que será formalmente apresentado em Portugal em dois concertos já marcados para 2019. O primeiro acontece a 3 de Maio no RCA Club de Lisboa e o segundo a 4 de Maio no Hard Club do Porto.

Recordando uma entrevista que o mentor Morgan concedeu à Ultraje pela altura do lançamento de “Viktoria”, o sueco considerava que «todos os álbuns [de Marduk] são uma lição de como metal extremo deve ser feito». «Fazemos aquilo em que acreditamos e o que as pessoas pensam é com elas – é assim que vejo as coisas.» Tal como o recente trabalho, Morgan é um tipo espontâneo e veloz a responder às questões que lhe são impostas, e tudo isso espelha-se na forma directa como “Viktoria” é apresentado através de faixas muitíssimo orientadas à guitarra, sendo que cada riff e cada palavra cuspida por Mortuus são como um murro na cara. Ter uma atitude in-your-face é aquilo que, segundo o nosso entrevistado, a banda almeja sempre que grava um álbum. «Ainda é mais directo do que o anterior [“Frontschwein”]», admite Morgan. «Temos uma guitarra e isto é basicamente compor de uma maneira in-your-face – curto, agressivo e pesado em músicas de três minutos. É directo. É como um álbum extremo deve ser.»

“Frontschwein” data de 2015 e ainda está muito fresco por ser um álbum tão bom em vários anos de carreira, por ser imensamente atmosférico e por ter uma temática tão eficaz como a confrontação perante os horrores da guerra. Se fizermos uma ligação ao título, muitos podem achar que os Marduk viraram-se agora para o lado vitorioso da guerra com “Viktoria”. Nada mais errado. «Toda a gente tenta ver a vitória à sua maneira e acho que, no fim, só há uma personagem que sai vitoriosa: a morte. Queríamos um título frio, que funciona muito bem com o simbolismo da capa: simplista, gelado, duro. Queríamos um título simples e directo que fosse o reflexo da temática do álbum.» A capa de “Viktoria” pode parecer imediatamente descomplicada, mas podemos fazer tantas analogias: da cegueira da justiça ao tiro certeiro da morte, a lista de exemplos pode ser longa. Morgan mostra-se, mais uma vez, instantâneo: «Queríamos algo frio e com um estilo de propaganda. Ficámos presos à imagem e acho que funciona muito bem com o simbolismo do álbum. Acho que as pessoas se vão lembrar [de Marduk] quando virem a capa. Às vezes põe-se muita coisa no artwork, mas desta vez fizemos algo mais relaxado e velha-guarda.»

Se antes falou o artista, agora fala o crítico, o old-schooler, o mentor de uma das bandas mais importantes do black metal – mas uma coisa é certa: papas na língua é coisa que nunca demonstra ter. «Nunca quisemos saber de cenas e do que as outras bandas fazem. Não nos sentamos a discutir o que é popular – sabemos o que queremos fazer, deixamos a energia fluir. As pessoas têm medo de dizer o que pensam porque querem manter-se em grupos específicos. Para nós é sobre ter a liberdade total de se fazer o que se quer – que é o que sempre fizemos. Os limites das outras pessoas não são os meus limites, e não quero saber o que os outros fazem. Fazemos as coisas à nossa maneira.»

Quão longe irá Morgan para defender a sua arte? Não muito longe. Ou melhor, a lado nenhum. «Nunca a defendi, não tenho que a defender. Tenho orgulho no que faço, e se as pessoas têm um problema com isso, por mim tudo bem, estou-me nas tintas para quem tenta boicotar ou censurar. Prefiro passar por cima disso e continuar a fazer aquilo em que acredito. Nunca deixaria alguém dizer o que podemos e não podemos fazer. Se as pessoas têm um problema, está tudo bem – farei sempre aquilo que quero. É assim mesmo: ser verdadeiro e leal comigo mesmo.»

(Entrevista integral e original aqui.)

Os primeiros 50 bilhetes têm um preço especial de 18€. Depois de esgotados passarão a custar 20€ em venda antecipada e 23€ na semana do evento. Mais informações estão disponibilizadas nas páginas da Larvae e da Notredame.

 

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