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Savage Messiah “Hands of Fate” [Nota: 4.5/10]

João Correia

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unnamed (18)Editora: Century Media Records
Data de lançamento: 27 Outubro 2017
Género: heavy metal

É expectável que, ao quarto registo, um colectivo já tenha um caminho minimamente orientado, um plano e um estilo musical de base. Por outro lado, certos géneros como o thrash, o heavy metal e o hard rock conseguem combinar na perfeição para formar um híbrido poderoso desde que seja bem balançado. No caso dos Savage Messiah parece que não existe um caminho ainda decidido, tal é a profusão de estilos diferentes que caracterizam cada um dos álbuns da banda – “Insurrection Rising” é um magnífico álbum de thrash metal moderno, “Plague of Conscience” é um excelente disco a roçar o metal progressivo e “The Fateful Dark” é uma extravagância técnica sinfónica/melódica com algum peso, mas cada vez mais discreto. Portanto, variar não é mau sinal desde que feito como deve de ser e os Savage Messiah sempre o souberam fazer. Isso fez com que o público aguardasse com expectativa “Hands of Fate”, certo de que a banda iria apresentar algo de novo e, de facto, os Savage Messiah cumpriram para com as expectativas… apenas da forma errada.

É simples de classificar “Hands of Fate” como uma mescla de Judas Priest / Metallica / qualquer banda de AOR nos seus períodos de rock. Esqueçam as deliciosas sequências de pedal duplo que a banda sempre utilizou tão bem em álbuns anteriores, bem como peso e velocidade – na verdade não é irrazoável pensar que se alguém ouvisse este disco sem saber a banda que o compôs, dificilmente diria tratar-se do novo trabalho dos Savage Messiah, tão distinto que é de qualquer álbum anterior. Depois, e de forma mais gritante, falta aquela chama que estes ingleses sempre souberam entregar com classe. Recordam-se da orelhudice e da batalha épica de riffs e de solos de guitarra de, por exemplo, “Hellblazer”? Tal coisa não existe em “Hands of Fate”. Lembram-se da carnificina presente em temas como “Enemy Image (Dehumanization)” ou da prodigalidade musical de “He Who Laughs Last”? Tal coisa não existe em “Hands of Fate”. Assim, o que é que existe digno de nota em “Hands of Fate”?

De forma breve, pouco. Trata-se de um álbum atípico, desinspirado, composto por excelentes profissionais que quiseram experimentar com o rock ou tiveram a crise de criatividade da década se tivermos em conta todos os seus registos anteriores. Assim como no primeiro parágrafo, misturar heavy metal com rock não é despropositado quando é bem feito e repleto de originalidade e competência técnica para o fazer, mas só competência técnica não chega para ofuscar qualquer disco dos Savage Messiah anterior a este. Mais: “Hands of Fate” é uma sombra do que os Savage Messiah já foram, aquela banda inglesa que era dada como certa de ser a next big thing do thrash/power metal técnico. Salvam-se dois temas em dez: “Blood Red Road” e “The Crucible” que, de certa forma, fazem lembrar a banda do antigamente. De forma simpática, é um disco aceitável para fãs de heavy/rock. De forma sincera, entrará na lista de desilusões de 2017 pela porta de frente, com a cabeça baixa. Pior que isso é a ingrata tarefa que os Savage Messiah têm pela frente: voltar a convencer tudo e todos de que são uma banda de metal.

 

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Dead Witches “The Final Exorcism”

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Editora: Heavy Psych Sounds
Data de lançamento: 22 Fevereiro 2019
Género: doom metal

O novo lançamento destes italo-britânicos vem cheio de expectativa após o sucesso do seu álbum de estreia, “Ouija”, lançado em 2017. Um dos traços mais prementes da banda é a pegada musical de Mark Greening, na bateria, que fica cada vez maior de álbum para álbum. O ex-Electric Wizard continua a dar à banda um percurso de doom metal, com uma mistura de rock psicadélico e uma temática de metal quase ‘depressivo e obscuro’ .

Agora, para este “The Final Exorcism”, a banda foi remodelada com a entrada de dois novos membros – Oliver Irongiant e Soozi Chameleone, na guitarra e vocal respectivamente. Enquanto no primeiro álbum a fórmula podia não ser a mais original possível – reproduzindo muito do clássico doom metal depressivo e eléctrico que vem sendo produzido -, em “The Final Exorcism”, o grupo inova um pouco com mais guitarras e uma expressão vocal mais clínica, audível e produzida.

Em termos de produção, este álbum bate o disco de estreia, existindo uma maior preocupação em tornar os instrumentais e a coesão de grupo o mais perceptível possível, o que motiva a mais audições. É um álbum que, rapidamente, capta a atenção do ouvinte com uma intro quase a roçar o sentido de alerta dos ouvintes para os preparar para o que se segue. A faixa homónima traz um pouco da ‘tempestade depressiva e agressiva’ que os Dead Witches nos têm, para já, habituado sem alguma vez comprometerem o caminho iniciado em “Ouija”; a faixa torna-se ainda mais especial devido ao seu último minuto e meio com a inclusão de falas do filme “Exorcista” e uma maior atenção para a guitarra, que se torna bem mais eléctrica. Sendo um disco curto, com apenas 40 minutos de duração, na terceira faixa chegamos rapidamente a meio de “The Final Exorcism”, destacando-se neste tema os trejeitos quase épicos de uma composição puramente eléctrica e com um doom metal mais apurado. A segunda metade do álbum apresenta o melhor da jovem banda – que ainda está meio em work in progress – com três faixas quase épicas, libertando o grupo e o álbum para uma atmosfera mais madura e rica, com letras mais significativas e críticas, com destaque principal para “Fear The Priest”.

Em jeito de conclusão, “The Final Exorcism” é uma evolução face ao álbum de estreia. A banda reformulou a formação e parece que ficou a ganhar com a mudança. O segundo disco é mais maduro, trabalhado e criativo, com a inclusão de um estilo mais eléctrico e com mais foco na guitarra. É um trabalho a ouvir e garantimos que os fãs não vão ficar desapontados.

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Ghost Ship Octavius “Delirium”

Diogo Ferreira

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Editora: Mighty Music
Data de lançamento: 22 Fevereiro 2019
Género: metal progressivo

Michael H. Andersen, CEO da dinamarquesa Mighty Music, gostou tanto deste álbum dos Ghost Ship Octavius (GSO) que seria impossível deixá-lo viver, e sobreviver, nos ambientes independentes; por isso, e com lançamento original em Setembro de 2018, a editora liderada por Andersen está prestes a redistribuir “Delirium” como ele merece neste mês de Fevereiro.

Fundados em 2012 pelo guitarrista Matthew Wicklund (ex-God Forbid, ex-HIMSA), pelo baterista Van Williams (ex-Nevermore) e pelo vocalista/guitarrista Adōn Fanion, os GSO prometem tornar-se no projecto mais charmoso do prog melódico oriundo dos EUA. Não só melódico, mas também melancólico e emocional – como é exemplo o sofrido refrão de “Chosen” -, este segundo álbum do trio constrói-se através de malhas e ganchos encorpados que, no seu devido tempo e espaço, dão lugar a solos memoráveis e técnicos. Já a bateria é do mais Nevermore imaginável, mas aqui com um toque deveras experimental e explorador, o que se revela no tema-título devido ao método vocal e também pela forma como as guitarras são tocadas. Atmosférico a toda a largura (ouvir a power-ballad “Edge of Time”, em que até é incluído um segmento final semiacústico a fazer lembrar Porcupine Tree), a esperança e uma imagética fantasmagórica andam de mão dada até aos confins de um resultado final que se quer aconchegante mas árctico ao mesmo tempo.

GSO é obviamente indicado para fãs de Nevermore, mas também para uma fase mais recente de Kamelot, sem esquecer influências recebidas de Pain Of Salvation.

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Avantasia “Moonglow”

Diogo Ferreira

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Editora: Nuclear Blast
Data de lançamento: 15 Fevereiro 2019
Género: power metal sinfónico

Com 41 anos, Tobias Sammet é dos compositores e vocalistas mais respeitados na Alemanha dentro do panorama hard rock e heavy metal. Este caminho iniciou-se em 1992 com os reconhecidos Edguy e ganhou enorme visibilidade quando em 2001 e 2002, como Avantasia, lançou as duas partes da “Metal Opera”, uma história fantástica no encalço de salvação que incluiu dezenas de artistas inigualáveis, como Michael Kiske, Kai Hansen, Timo Tolkki, André Matos, entre muitos outros. O sucesso ditou que o projecto megalómano não iria ficar por aí, seguindo-se mais seis álbuns, em que se inclui a novidade “Moonglow” neste lote. Nesta nova aventura, Sammet chamou a si vozes como Michael Kiske, Jørn Lande, Geoff Tate, Hansi Kürsch, Mille Petrozza ou Candice Night.

Longe vão os tempos dos gloriosos coros, dos debates entre personagens e da velocidade estonteante do power metal magicado por Sammet, mas ao fim de quase 20 anos também é evidente que o alemão pretende desenvolver novas tácticas musicais e manter-se no rumo da evolução natural da indústria. Ainda assim, e caso tenhamos saudades dos dois primeiros discos, há refrãos energéticos e catchy a rodos, solos de guitarra, segmentos complexos de baixo e arranjos orquestrais que se desdobram em introduções/interlúdios electrónicos. Porém, e recuperando uma das observações feitas atrás, o que mais sentimos falta é dos diálogos entre personagens vincadas – hoje em dia, é como se cada convidado tivesse que cantar a sua parte e já está. Não quer isso dizer que o tenham feito por favor e que Avantasia seja a autocracia de Tobias Sammet, mas é uma lacuna que os fãs acérrimos vão notar. Todavia, apontamos a épica “The Raven Child” (com Jørn Lande e Hansi Kürsch) como o pináculo musical de um álbum que bebe do hard rock dos 80s em porções generosas e, claro, de musicais à Broadway.

Quase duas décadas depois, o projecto Avantasia não perdeu a noção de fantasia – e “Moonglow” até consegue oferecer um sentido noctívago e por vezes medieval -, mas sente-se que agora é mais um conjunto de boas músicas do que propriamente uma história corrida que nos faz fugir da realidade ao ponto de conseguirmos mentalmente percorrer estradas, florestas e montanhas à procura de um qualquer artefacto que salvará o mundo de poderes malignos.

Nota Final

 

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