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Semana Bizarra Locomotiva: The Young Gods e as origens

Joel Costa

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Na entrevista realizada com Rui Sidónio, vocalista e letrista dos Bizarra Locomotiva, começámos por falar dos álbuns que mudaram a sua vida. Na lista original (publicada aqui), foi omitido um álbum por uma razão especial. Trata-se de “T.V. Sky”, o terceiro disco dos The Young Gods, uma banda de industrial da Suíça que esteve na origem dos Bizarra Locomotiva.

Quando questionado sobre o álbum que teria dado o empurrão que faltava para formar a banda, Rui Sidónio leva-nos ao ano de 1993: «Não digo [que foi] o empurrão que faltava mas se calhar foi a banda que mais me influenciou, a mim e ao Armando [Teixeira / maquinaria], na altura em que fizemos os Bizarra. Eu vinha de um background de metal puro e o Armando nem sequer ouvia bandas de metal. Na altura ele tinha uma banda que eram os Boris Ex Machina, tinha tido os Ik Mux, que era uma banda com o Paulo que mais tarde foi dos More República Masónica e de outras bandas, e com outro rapaz que agora não me recordo, que era teclista nessa banda. O Armando era guitarrista. [risos] O background dele não era nada pesado. Nós ensaiávamos no mesmo local, que era no Palco Oriental, em Beato, onde eu também ensaiava com outras bandas. Ele achava piada à minha vocalização e um dia desafiou-me, até por brincadeira, e disse “Epá, temos que fazer assim uma coisa pesada, mas um bocado a brincar com a cena…” – a palavra não será brincar, mas sim irónica – “com a cena pesada”. Ou seja, uma voz e um teclado a fazerem um cagaçal que muitas bandas de peso não fazem. Esta ideia apareceu uns quinze dias antes de nós vermos um anúncio de um concurso de bandas da Câmara Municipal de Lisboa, ao qual decidimos concorrer. Fomos a casa dele, fizemos quatro temas (lembro-me que foram os “Filhos Do Holocausto”, o “C.I.O”, o “Apêndices”), ou seja, tudo letras um bocado… Digamos que básicas, mas que foram feitas também por brincadeira, até porque nós íamos concorrer com os nossos projectos, eu com dois e ele com outros dois – concorreram para aí seiscentos e tal projectos – e por incrível que pareça os Bizarra foram a banda apurada. Ou seja, nós numa semana tivemos que fazer mais trinta minutos de música quando só tínhamos aqueles quatro temas que usámos para concorrer ao concurso. Nessa altura, o ponto comum que tinha com o Armando em termos musicais eram os The Young Gods, os Ministry… Também Nine Inch Nails mas não tanto para mim, pois foi uma coisa que ele me deu a conhecer melhor. Daí que se tiver que escolher uma banda, tenho que referir os The Young Gods como sendo a principal influência do início da Bizarra Locomotiva, sem dúvida nenhuma.»

Recorda o tema “Filhos Do Holocausto”, dos Bizarra Locomotiva, interpretado na TVI em 1994:

Visita a loja online da Rastilho para conheceres as últimas novidades discográficas dos Bizarra Locomotiva, entre elas o mais recente longa-duração “Mortuário” e a re-edição do “Álbum Negro”.

A Ultraje volta com um novo artigo da Semana Bizarra Locomotiva amanhã, dia 5 de Setembro.

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[Antevisão] SWR Barroselas Metalfest XXII: faz-te ao aço!

Diogo Ferreira

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A realizar-se entre os dias 26 e 28 de Abril, a 22ª edição do SWR Barroselas Metalfest conta, à cabeça, com três nomes históricos. Na abertura dos anos 1980 apareceram os californianos Saint Vitus com o seu doom metal old-school, sendo que o terceiro álbum “Born Too Late” (1986) é um dos marcos discográficos; o álbum homónimo, que repete o título do debutante de 1984, é o trabalho que se segue e será lançado na Europa pela Season Of Mist em Maio.  Fundados na mesma década, mas já no seu final, os ingleses Godflesh são pioneiros da combinação entre metal e industrial; com um hiato pelo meio, a dupla tem sido capaz de lançar álbuns regularmente, sendo “Post Self”, de 2017, o mais recente. A finalizar este pertinente trio no panorama da música negra e pesada, os também ingleses Benediction serão a atracção principal do SWR no que ao death metal diz respeito; muito activos no lançamento de álbuns nos anos 1990, estes veteranos têm em “Killing Music” (2008) o último longa-duração, mas têm comemorado a sua ligação à Nuclear Blast com a box “The Nuclear Blast Recordings”.

 

O black metal fica assegurado com a presença de Craft, banda sueca que tem sido um dos baluartes do subgénero na Season Of Mist; quebraram um silêncio de sete anos quando, em Junho de 2018, lançaram o aguardado “White Noise and Black Metal”. Ainda referente ao black metal, o SWR receberá a prestação dos, agora mais progressivos, Ascension, dos ritualistas Barshasketh ou dos fúnebres portugueses Morte Incandescente. Por seu turno, a veterania ficará ao cargo dos recém-regressados death metallers Vomitory – suecos que lançaram cinco álbuns na primeira década do Séc. XXI -, e o sangue novo será jorrado pelas brasileiras Nervosa que com “Downfall of Mankind” (2018) deram mais patada ao seu thrash metal veloz com a inclusão de condimentos death metal.

 

Analepsy e Serrabulho são duas bandas portuguesas que têm dado que falar pela Europa fora e darão o seu contributo artístico a um dos mais importantes festivais do nosso país. Dispensando grandes apresentações, o death metal técnico dos primeiros, ouvido em “Atrocities from Beyond” (2017), continua a rodar incessantemente, e a paródia fará parte da prestação dos Serrabulho com o seu happy/party grindcore renovado no álbum “Porntugal (Portuguese Vagitarian Gastronomy)” (2018). Menções honrosas para o regresso dos nacionais Namek, para os franceses Arkhon Infaustus, para os finlandeses Demilich e para os norte-americanos Imperial Triumphant.

 

Para além dos dois palcos interiores, onde irão desfilar as bandas atrás referidas, haverá espaço para a habitual SWR Arena onde mais de 20 bandas iniciarão e encerrarão cada dia do SWR, com destaque para Grog, Sacred Sin, Scúru Fitchádu, Humanart, Nakkiga, Son Of Cain, Summon e Greengo. Sem merch, comida e bebida não há festivaleiro que aguente, portanto quem se deslocar a Barroselas poderá com certeza adquirir aquela t-shirt ou aquele vinil que tanto quer de barriga cheia.

 

O passe-geral tem um preço de 78€ e o bilhete diário tem um custo de 38€. Todas as informações estão disponibilizadas no site oficial do festival.

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[Reportagem] Sick Of It All + Good Riddance + Blowfuse (21.04.2019, Lisboa)

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Sick Ot It All (Foto: Solange Bonifácio)

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Sick Of It All + Good Riddance + Blowfuse
21.04.2019 – Lisboa

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O nome Sick Of It All destaca-se por si mesmo, sendo uma das maiores referências no hardcore de Nova Iorque. A banda formada, em 1986, pelos irmãos Lou e Pete Koller, Rich Cipriano e Armand Majidi ajudou a consolidar este estilo musical e a comunidade existente até aos dias de hoje. Deste modo, esperava-se mais uma noite lendária no RCA Club, em Lisboa – uma sala completamente esgotada.

Os Blowfuse são actualmente uma das bandas de punk-rock/hardcore espanholas mais conhecidas e activas e os escolhidos a abrirem as hostilidades desta noite de concertos. Com recentes passagens por Portugal, a banda tentou cativar um público – ainda um pouco tímido – com a sua atitude energética.

Mal os Good Riddance subiram ao palco, o público perdeu rapidamente a inibição e começou de imediato o circle pit. A banda mostrou-se bastante contente devido ao facto de finalmente voltarem a tocar em Portugal após tantos anos de ausência. São muito conhecidos por temas líricos que vão desde análises de críticas à sociedade americana a lutas pessoais, tendo sempre como base um punk-rock rápido e melodias cativantes. Nada disso faltou no concerto que deram, tocando uma setlist bastante diversificada. O baixista Chuck Platt, sempre com discursos divertidos, chegou inclusive a pedir para vestir uma t-shirt com o símbolo anarquista de um dos fãs com a promessa de a devolver no final do concerto. Houve ainda oportunidade para se cantar os parabéns ao baterista Sean Sellers.

Os Sick Of It All estão na sua terceira década de carreira entre tours e gravações, tendo lançado até à data mais de duas mãos cheias de discos sólidos mais outros tantos EPs, isto com quase nenhuma mudança na sua formação. Com o lançamento de “Scratch the Surface”, em 1994, levaram o hardcore nova-iorquino até ao resto do mundo e, desde então, raramente pararam para respirar. A banda é das poucas lendas dentro do hardcore ainda no activo com formação inicial e de modo consistente. Entre sing-alongs, stage divings e um wall of death, os Sick Of It All tocaram com uma frescura tremenda, evocando tempos antigos, e consolidando novamente o facto de serem umas verdadeiras lendas vivas, reverenciadas por diversos motivos. Mais do que isso, são um exemplo de ideais e raízes, das quais futuras gerações podem ter como base e referência. BLOOD, SWEAT AND NO TEARS – o hardcore mantém-se bem vivo.

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Texto e fotos: Solange Bonifácio

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Possessed: terceiro episódio de “The Creation of Death Metal”

Diogo Ferreira

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O novo álbum dos padrinhos do death metal Possessed intitula-se “Revelations Of Oblivion” e será lançado a 10 de Maio pela Nuclear Blast. Os singles “No More Room in Hell” e “Shadowcult” já estão em rotação.

A banda liderada por Jeff Becerra passará por Portugal para duas datas:

Entretanto, já podes ver o terceiro episódio de “The Creation of Death Metal” em que a banda fala sobre as diferenças regionais da sonoridade death metal nos EUA.

 

 

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