[Reportagem] SMSF Warm-up: Nocturnal Depression + Psychonaut 4 + Humanart @ Cave 45, Porto | Ultraje – Metal & Rock Online
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[Reportagem] SMSF Warm-up: Nocturnal Depression + Psychonaut 4 + Humanart @ Cave 45, Porto

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Nocturnal Depression + Psychonaut 4 + Humanart @ Cave 45, Porto – 02/04/2017

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Abrir uma noite de concertos é sempre lixado, especialmente num evento underground a um domingo e ainda antes das 21h – claramente não estamos habituados às lides de Paris e Londres. A (muitas vezes) ingrata missão coube aos portugueses Humanart que trouxeram ao Cave 45 o seu black metal honesto que, apesar de bem executado e certinho, não arrepia as peles, mas não olhemos para isto como algo verdadeiramente negativo – depois do que se viu esta banda merece o nosso apoio. Podem não fornecer os riffs mais fantásticos e arriscados, mas fazem-no com garra e profissionalismo. Pelo meio de uma actuação bem conseguida, o grupo insistiu em pedir apoio a uma sala tímida, houve tapping no baixo e solos de guitarra com pitadas de heavy metal (o que, comicamente, fez lembrar a expressão “no black metal não há solos!” – claro que há).

Depois não foi preciso esperar que os georgianos Psychonaut 4 subissem realmente ao palco para que o público – maior e mais coeso – se chegasse às fronteiras da baixa estrutura para aguardar pela banda enquanto o sexteto já fumava os últimos cigarros na entrada lateral. Ao som de uma intro foram até aos respectivos instrumentos e prepararam-se para fazer aquilo que se esperava: um concerto decadente. Munidos de uma mistura entre black metal e algum rock, o grupo ofereceu de mão-beijada a sua música urbano-depressiva cheia de histórias de alcoolismo, ressacas, solidão e alienação. Com uma postura em palco distinta entre cada performer – uns maioritariamente quietos, outros sóbrios e outros nem tanto –, o foco virou-se principalmente para o guitarrista Drifter e para o vocalista Graf, este que, mal abrindo os olhos, berrou, abanou a cabeça e ajoelhou quando a música assim o incitava. Os momentos mais marcantes prendem-se à conhecida “La Deca[Dance] II” e à cativante “Sweet Decadence”.

Com a forte comunhão entre banda e público que se viu durante a actuação dos Psychonaut 4, a fasquia só tinha que permanecer alta – e assim foi! Lord Lokhraed e os seus companheiros surgiram sob a bandeira de Nocturnal Depression para então executarem um black metal cru e melancólico de uma forma como há muito não via numa banda do underground – e garanto que vou a muitos concertos de black metal. Com maior incidência no lançamento de título “Deathcade” (2017), que percorre alguns temas dos últimos dez anos, o quarteto foi exemplar na forma como espirrou fúrias, desejos de suicídio e momentos de desgosto infligido pelo isolamento (com Lord Lokhraed a esfregar a cara salpicada por sangue e os cabelos suados). Entre riffs brutos e directos – mas intencionados – e leads melódicos, os Nocturnal Depression passaram por temas como “Her Ghost Haunts These Walls”, “They” ou “Anthem To Self-Destruction” para finalizarem com “Nostalgia” e “Dead Children”, mas sem antes brindarem o Cave 45 com uma nova e bonita composição (em que se inclui um solo simples de Lord Lokhraed) de nome “S.I.C.K”.

Foi, por fim, uma noite de domingo que não se fez rogada com três óptimos concertos pensados para encherem as medidas aos aficionados e que, certamente, culminaram numa escolha acertada da organização do Santa Maria Summer Fest (Beja), que subiu ao Porto para aquecer o festival que se realiza entre os dias 8 e 10 de Junho.

Texto: Diogo Ferreira
Fotos: Sílvia Micaelo
Agradecimentos: Santa Maria Summer Fest

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