Sol Invictus “Necropolis” [Nota: 8/10] | Ultraje – Metal & Rock Online
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Sol Invictus “Necropolis” [Nota: 8/10]

a3152405249_10Editora: Prophecy Productions
Data de lançamento: 23 Março 2018
Género: neofolk

Kill, kill, kill! / London’s very ill. / Burn, burn, burn! / London takes a turn. / Kill! Burn! Kill! Burn! / Burn the plague out / London will get well again, / There isn’t any doubt”.

Tony Wakeford sempre foi um tipo que não compromete a sua arte. Na viagem de mais de 30 anos e dezenas de discos que empreendeu do folk apocalíptico dos primeiros lançamentos até ao neofolk elaborado que pratica hoje em dia, sempre fez música com a convicção necessária para que ela seja mais do que apenas música. É algo que os fãs tomam como garantido, mas que não conseguem explicar por meras palavras a quem não é fã, a quem não tem sensibilidade suficiente para “ver” as imagens evocadas por Wakeford em tudo o que escreve, em tudo aquilo que lhe sai da alma para os discos. Por isso, “Necropolis”, o novo álbum (que pode ser o último de Sol Invictus, se acreditarmos no press-release da editora), vai ser um álbum apenas para os fãs. E é pena, porque é um verdadeiro tratado de neofolk sofisticado, evocativo e de profundidade extrema.

Comecemos pelo melhor tema do disco: “Set The Table” é uma espécie de hino agridoce, de refrão cantável e melódico, à Londres nocturna, à Londres feminina que, decadente e para lá de qualquer salvação, continua a provocar uma atracção irresistível em quem tem um pingo de sensibilidade. Wakeford, raposa velha nestas coisas de fazer neofolk diferente com a receita de toda a gente, foi buscar um mestre para a guitarra (o ex-Agalloch Don Andersson), um coro (o The Green Army Choir) e espalha magia e instrumentação diferente (piano, violino, flauta, etc.) um pouco por todos os temas. A base temática é, já adivinharam, Londres. A velha Londres atravessada pela serpente Thames e da qual parte uma linha de ferro centenária (inaugurada em 1854) para o mais imponente, gigante e bucólico cemitério dos arredores da cidade: o Brookwood Cemetery. A linha de ferro, cujo nome é precisamente “Necropolis”, é cantada por Wakeford como eufemismo para a decadência da “ex-capital do império”, espécie de pólvora para a bomba de melancolia e evocação que, mais uma vez, os Sol Invictus nos oferecem em forma de disco.

Não pensem que “Necropolis” é uma viagem fácil. É dolorosa, suja, áspera e dissonante por vezes, cheia de becos onde temos medo de entrar. E é precisamente isso que faz dele um trabalho excepcional, transbordante de melancolia viva e, em última análise, a banda-sonora perfeita para a Londres que todos temos por dentro.

8/10
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