Sorrows Path: para o infinito e mais além (entrevista c/ Kostas Salomidis) | Ultraje – Metal & Rock Online
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Sorrows Path: para o infinito e mais além (entrevista c/ Kostas Salomidis)

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«Tive um período muito complicado entre 2001 e 2004. Felizmente consegui melhorar, mas tive de tocar sentado numa cadeira durante alguns anos.» – Kostas Salomidis

Quando se fala de doom/heavy metal na sua expressão mais clássica, os nomes que nos ocorrem automaticamente são: Black Sabbath, Candlemass e Solitude Aeturnus. No entanto, quando questionados sobre bandas do género formadas nas duas últimas duas décadas, os fãs tendem a não ter respostas muito homogéneas, tirando talvez os While Heaven Wept. De entre as dezenas de projectos mais jovens que habitam o imaginário dos admiradores de doom/heavy metal, no entanto, os gregos Sorrows Path ganham um natural destaque. A banda formou-se em 1993 e manteve-se activa durante cinco anos, iniciando depois um longo hiato devido a um acidente que quase deixou o guitarrista Kostas Salomidis paraplégico. «Tive um período muito complicado entre 2001 e 2004», explica-nos o músico a partir da sua casa em Atenas. «Felizmente consegui melhorar, mas tive de tocar sentado numa cadeira durante alguns anos. Hoje em dia sinto-me melhor e continuo a recuperar, mas isto não nos causa problemas há cerca de uma década porque recrutámos dois guitarristas adicionais. O primeiro foi o Gianni  Tziligkakis e, nos dois últimos anos, contámos com o George Vichos. Ter dois guitarristas é também essencial para as bandas de metal nas actuações ao vivo.» A verdade é que, na sua segunda “vida”, iniciada em 2005, os Sorrows Path já editaram três álbuns de originais, sendo “Touching Infinity”, lançado por estes dias, o mais recente. Kostas contou-nos que a banda tinha os objectivos bem definidos: «Depois da edição do [último disco] “Doom Philosophy” em 2014, já tínhamos decidido quase tudo em relação ao passo seguinte: a produção do álbum, o artwork, os convidados e até mesmo o realizador do videoclip. Queríamos estar preparados, porque muito pouco tempo depois do lançamento do disco assinámos pela nossa editora – a Iron Shield – para mais um trabalho. Este novo álbum é também um fecho de um conceito. O final de uma trilogia de todos os nossos longa-duração conceptuais e, depois, podemos ter um pouco mais de liberdade nesse departamento. Tentámos também estar mais tempo em estúdio, para que pudéssemos ficar plenamente satisfeitos com todos os detalhes. O disco foi gravado, misturado e masterizado pelo nosso produtor Vangelis Yalamas no estúdio grego Fragile desde o Verão de 2016 até ao Verão de 2017. O Vangelis também aparece como músico convidado a tocar algumas partes de teclados e a cantar alguns coros, juntamente com o Thiago Oliveira, o guitarrista brasileiro do grande Warrel Dane, que foi responsável por um solo de guitarra no álbum. Os artwork e fotografias foram da responsabilidade do Nikos Markogiannakis e o realizador do vídeo foi o Antonis Mandranis.»

Com este nível de detalhe envolvido no planeamento, não admira que os gregos tenham uma boa dose de metal progressivo na mistura de doom e heavy/power metal clássico que praticam. Para o nosso interlocutor, no entanto, esta combinação não é feita de calculadora e régua na mão. «Surge tudo de forma muito natural», começa. «Não tentamos seguir um determinado tipo de metal. Tentamos simplesmente ser livres e dar corpo aos nossos pensamentos e sentimentos. E eles acabam por soar a doom metal com elementos prog e power metal. Adoramos a música que fazemos e gostamos de fazê-la, por isso não ligamos muito a regras e identidades. O nosso único grande esforço é tornarmo-nos músicos e compositores melhores. A partir daí, é tudo uma questão de alma e coração.» E a alma e coração dos Sorrows Path, para Kostas, correspondem a identidade e personalidade própria. Mesmo que o ponto de partida tenha sido o habitual numa banda de doom/heavy metal. «Quando formámos a banda em 1993 inspirávamo-nos em nomes como Memento Mori, Solitude Aeturnus e Candlemass», diz-nos. «Agora considero que encontrámos a nossa própria sonoridade. É claro que leva sempre o seu tempo e é muito difícil para um projecto, mas a maioria dos jornalistas e pessoas do metal em geral reconhecem que os Sorrows Path são neste momento uma banda única, mesmo que alguns não gostem da nossa música.»

E depois há a Grécia, claro. Qualquer estilo de metal mais tradicional, quando é feito em território helénico, ganha um misticismo, uma aura de autenticidade e de entusiasmo que poucos grupos fora da cena grega conseguem reunir. Instado a explicar este fenómeno (que torna os Iced Earth, por exemplo, uma espécie de heróis no país), o nosso interlocutor começa por agradecer o elogio antes de se atirar a uma espécie de teoria: «Os gregos são pessoas muito entusiasmadas por natureza. E isso inclui também o metal. Existe também uma forte ligação com a tragédia e os sentimentos mais profundos. Por outro lado, os gregos sofreram imenso na sua longa história e este país é também o ponto de encontro de duas civilizações e mundos diferentes: o oriental e o ocidental. Talvez isto ajude a explicar, não sei.»

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