Sortilegia “Sulphurous Temple” [Nota: 8/10] | Ultraje – Metal & Rock Online
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Sortilegia “Sulphurous Temple” [Nota: 8/10]

rsz_sortilegia_coverEditora: Ván Records
Data de lançamento: 24 Novembro 2017
Género: black metal

Com 2017 a entrar rapidamente na ala dos cuidados paliativos, é agradável verificar que o movimento ainda luta com unhas e dentes para adiar o inevitável. “Sulphurous Temple”, dos Sortilegia, é um perfeito exemplo dessa vitalidade e vontade de viver os últimos dias do ano ao máximo. Estes canadianos praticam black metal primitivo, mas pleno de ambiente e atmosfera, como se tivessem sido nascidos e criados na Noruega. Na verdade não é descabido compará-los a alguns dos maiores nomes noruegueses do género, caso dos Kaosritual, dos Mare ou dos Celestial Bloodshed, tal é a qualidade do trabalho apresentado em “Sulphurous Temple”. De modo a acautelar o ouvinte, este não é o tipo de banda de black metal mainstream de que se fala amiúde, mas sim um trabalho underground em que a música é mais importante do que a imagem.

O que assalta primariamente o ouvinte é a quase ausência de letras, que contrasta com os gritos angustiados de Koldovstvo, pontuais e estruturados. Os acordes iniciais de “Night’s Mouth” abrem automaticamente caminho para o abandono da esperança – frios, com gritos de desespero a permeá-los, bastante afastados da luz do astro rei. Tudo continua ao longo do álbum, com pontos altos e baixos, mais ou menos agressivos, mais ou menos atmosféricos, caso de “Ecstasies of the Sabbath” que consegue construir um cenário completo de misantropia muito ao estilo de uns Darkthrone da altura de “Under a Funeral Moon”; “The Veil” honra a parte mais atmosférica e sinistra deste dueto, apenas para regressar à agressividade crua e pura com “Hymn for the Egregor”, um tema que demonstra na perfeição como o black metal mais radical consegue coabitar em harmonia com passagens de teclados estrategicamente inseridas.

Dito isto, não será de estranhar a produção geral do álbum que, se noutros estilos seria uma lástima, neste em particular roça a perfeição – conseguem-se distinguir todas as partes em simultâneo, quer se trate dos sintetizadores atmosféricos, das guitarras a lembrar lamentos ou da bateria em constante ebulição de Haereticus, bem como todos os seus pormenores (da tarola ao ride, tudo é bastante audível, equilibrado e nítido). Começa a tornar-se um hábito verificar que os lançamentos da Ván Records são todos escolhidos a dedo, sendo que “Sulphurous Temple” é um exemplo do que melhor se faz actualmente dentro do género. Juntamente com “Exuvia”, dos germânicos The Ruins of Beverast, trata-se de um dos trabalhos de black metal mais sólidos de 2017.

8/10
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