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[Reportagem] SWR Barroselas Metalfest: a caminho do Wacken Open Air (dia 0)

Pedro Felix

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Porco no espeto, wook ou kebab. A escolha tornava-se difícil neste dia que marcava o pontapé de saída da vigésima edição do SWR. Como já é hábito, o bar, em posição central, é o ponto de recolha de líquidos, verdadeiros combustíveis para uma noite que se previa memorável.

Cinco bandas nacionais, e uma convidada, garantiam o cartaz de arranque de uma edição que tem tudo para se tornar histórica. Cinco bandas nacionais, mais uma vez, frente a frente, à procura de garantir a presença no Wacken, o festival dos festivais, no que toca a metal.

O sorteio tinha determinado que os Destroyers Of All teriam a responsabilidade de lançar a primeira pedra do festival, e não se fizeram rogados, descarregando toda a sua irreverência demonstrando estar bem à altura do exigido.

Aos Toxikull coube a difícil tarefa de dar seguimento às hostilidades. Sem acusarem a responsabilidade, apresentaram o seu heavy metal musculado, contornado de forma exímia os problemas técnicos com que se depararam, premiando a plateia com uma excelente sequência de solos de guitarra.

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Uma sala cheia foi o que recebeu os Analepsy. Já bem aquecido pelas prestações anteriores, o público entrou em verdadeira ebulição quando começaram a soar os riffs intensos que trouxeram a avalanche de brutalidade contida que é Analepsy.

Depois da tempestade vem a calma… Ou talvez não. O regresso do heavy metal pela mão dos Deadly Force encerrou com chave-de-ouro a batalha. Agora só faltava saber qual era a banda vencedora. Mas a noite ainda não tinha terminado, pois o palco ainda ia receber os Test. Um duo do Brasil, cujo estilo muito pessoal de grind misturado com tudo e mais alguma coisa, teve grande adesão por parte do público presente.

Enquanto os Test actuavam, o júri deliberava, e a decisão não se antevia fácil. No final, e após os devidos agradecimentos, foi anunciado que seriam os Analepsy a ter a honra de defender o vermelho e o verde na Alemanha, mais propriamente, no Wacken Open Air.

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[Reportagem] The Outer Ones Global Domination II Tour (12.12.2018 – Porto)

João Correia

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Revocation (Foto: João Correia)

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Revocation + Archspire + Soreption + Rivers of Nihil
12.12.2018 – Hard Club, Porto

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Que a SWR – Sonic Events já muito fazia pelo ecossistema da música extrema em Portugal não é novidade – basta pensarmos no SWR Barroselas Metalfest e a questão começa e acaba com esse festival apenas. No entanto, muitas foram as vozes que, ao longo dos anos, tinham vindo a pedir aos irmãos Veiga uma presença de um género específico dentro do SWR – o death metal técnico/progressivo. Ainda que o SWR detenha as condições propícias para acolher bandas desse estilo particular, até agora os pedidos tinham sido infrutíferos, mas, em vez de dormentes, os Veiga prestavam atenção ao que o povo queria nas redes sociais. Dessa feita, trouxeram até Portugal uma tour em data única que pouco menos seria do que épica para os amantes do estilo quando pelo menos dois dos maiores nomes actuais do death metal técnico mundial constavam no cartaz.

Quando os Rivers of Nihil começaram a tocar, o Hard Club já tinha uma lotação acima dos 50%, prova inolvidável de aposta ganha. A banda da Pensilvânia foi uma das grandes surpresas do ano graças a “Where Owls Know My Name”, um misto de death metal técnico com elementos progressivos e terceiro álbum pela editora Metal Blade. O público respondeu bem à prestação do colectivo liderado por Jake Dieffenbach, com demonstrações de apreço na forma de slam e crowdsurfing. Para além de promoverem o novo disco na forma de temas favoritos como “Home” e “A Silent Life”, houve ainda tempo para composições mais antigas, caso de “Soil & Seed”.

Seguiram-se os não tão sonantes Soreption, que uma boa fatia do público tinha curiosidade em conhecer. As dúvidas foram rapidamente desfeitas com o violento assalto presenciado no Hard Club. Na estrada a promoverem “Monument Of The End”, editado pela Sumerian Records em Agosto de 2018, os suecos não só são ridiculamente técnicos como apostam com mais ênfase na brutalidade do que qualquer outra banda do cartaz, particularmente devido à voz de Fredrik Söderberg que tanto lembra as investidas vocais dos Origin. Cerca de 45 minutos passaram a voar, bem como alguns corpos na sala, com o destaque do público a ir para um respeitável circle pit que tomou forma pela primeira vez nesta noite. Curiosidade satisfeita e prova superada.

Mas a grande surpresa do serão foram os canadianos Archspire que, insatisfeitos com o lançamento de “Relentless Mutation”, a proposta absurda do death metal técnico do ano passado, ainda conseguiram replicá-lo fielmente em palco, qualidade sonora incluída. Como uma equação matemática elegante (bom, talvez elegante não seja a palavra mais adequada…), tal é a essência dos Archspire: algo imutável, exacto e, sinistramente, possuidor de uma beleza característica. Dividindo as atenções entre a velocidade terminal de Oliver Aleron (voz) e as estruturas polirrítmicas de Morelli e Lamb (guitarras), os Archspire foram a banda da noite sem margem para dúvidas, coroando uma actuação perfeita com “Human Murmuration” e (principalmente) “Involuntary Doppelganger”, que causaram mais movimento terrestre e aéreo no meio do público. Se um concerto de death metal técnico puder atingir um ponto de referência, esse concerto será certamente proporcionado pelos Archspire.

Por fim, foi a vez de os norte-americanos Revocation convencerem o público português do porquê de serem uma das bandas  mais bem cotadas a nível mundial no que toca a uma mistura de death metal técnico, thrash progressivo e elementos de outros géneros da enorme família do heavy metal. Nos bastidores, Dean Lamb (guitarrista dos Archspire) segredou-nos que «os Revocation são tão, mas tão melhores do que nós…». De “Teratogenesis” a “The Outer Ones”, nenhum trabalho passou abaixo do radar dos naturais de Boston assinados pela Relapse Records, sempre comunicativos e que aproveitaram para gravar excertos da movimentação entre o público para uma edição futura. Malhas como “Chaos Of Forms”, “The Outer Ones”, “Existence Is Futile” ou a final “Witch Trials” deixaram uma marca duradoura nos presentes, cientes do acontecimento especial em geral que tinham acabado de presenciar. A SWR – Sonic Events está de parabéns pela iniciativa e pela forma suave como tudo decorreu, mas também pela coragem em trazer uma digressão ao norte do país, uma região que cada vez mais combate o centralismo despropositado m Portugal. Mesmo sendo uma iniciativa de nicho, conseguiu encher uma casa a meio da semana sem dificuldades. Que venham mais e melhores eventos; o público lá estará para agradecer.

Texto e fotos: João Correia

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Vagos Metal Fest 2019: Watain entre as novas confirmações

Diogo Ferreira

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Nome incontornável do black metal ocultista e ritualista que segue as pisadas de Dissection, os Watain, liderados por Erik Danielsson, vão passar pela vila de Vagos para uma actuação que, com certeza, será coroada com fogo e sangue. “Trident Wolf Eclipse”, lançado no início de 2018, é o álbum mais recente e representa uma das fases mais furiosas da banda.

Noutras confirmações, aparecem em cena os ucranianos Ignea com a sua mistura de metal e folk oriental, o heavy metal tradicional dos Midnight Priest e o sludge meets post metal dos Redemptus.

Em notícias relacionadas (ver AQUI), o Vagos Metal Fest tinha já revelado a presença de bandas como Stratovarius, Candlemass, Alestorm, Napalm Death, Jinjer, entre outros. A quarta edição do Vagos Metal Fest acontece a 8, 9, 10 e 11 de Agosto de 2019 na vila de Vagos (distrito de Aveiro). Os early-birds já se encontram esgotados, mas uma promoção até 31 de Dezembro está em vigor com bilhetes a 72€ AQUI.

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[Reportagem] Alestorm + Skálmöld (12.12.2018, Lisboa)

Diogo Ferreira

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Alestorm (Foto: João “Speedy” Santos)

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Alestorm + Skálmöld
12.12.2018 – Lisboa Ao Vivo, Lisboa

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A atracar pela segunda vez na costa portuguesa, os islandeses Skálmöld fizeram bom uso de todo o traquejo que as constantes digressões lhes deram e souberam tornear com mestria os problemas sonoros que marcaram o início da actuação. Ainda assim, o som meio embrulhado não os impediu de montarem uma festa viking ao som do folk metal escandinavo que praticam, com boa aderência do público e um espectáculo mexido – para os parâmetros islandeses, note-se. Montados em “Sorgir”, o mais recente dos seus cinco trabalhos de originais, desfilaram um conjunto de temas interessantes, que fazem deles um dos mais sérios casos do viking metal actual.

Os Alestorm são um fenómeno de popularidade entre os frequentadores de salas de espectáculos e festivais e, se fosse necessária algum tipo de confirmação disto, os escoceses encarregaram-se de fazer uma demonstração cabal na noite lisboeta da digressão. Com um pato de borracha gigante em palco e o vocalista a usar o habitual outfit de kilt e keytar, a festa ficou montada a partir do momento em que os piratas pisaram o palco e foi sempre a enrijecer até à interpretação de “Fucked With An Anchor”, sensivelmente uma hora e meia depois. O pirate metal dos Alestorm é uma mistura perfeita de refrãos cantáveis, “Eis” e “Oh-oh-ohs” estrategicamente colocados e melodias orelhudas, com ocasionais espaços para bons solos de guitarra. Temas simples e milhões de visualizações no YouTube é uma combinação que não falha, e canções como “Mexico”, “The Sunk’n Norwegian”, “Hangover” (versão de um tema de Taio Cruz), “Shipwrecked” e “Drink” contam-se entre as favoritas do público português que cantou, bebeu cerveja, abriu um moshpit considerável e até brindou a banda com uma wall of death. Em palco, os Alestorm nunca falharam na arte de interpretar os seus temas da forma mais entusiasta possível, puxar pelo público e mantê-lo efectivamente entretido, seja com um solo de keytar de Bowes enquanto bebia uma Super Bock de penalti ou a usar o típico humor britânico quando apresentava as músicas. Lisboa não resistiu ao ataque pirata do quinteto escocês e capitulou, numa noite chuvosa em que a fila se mudou para a casa de banho dos homens e em que andar à chapada no meio do mosh com um fato de elefante era uma coisa perfeitamente normal.

Texto: Fernando Reis
Fotos: João “Speedy” Santos
Edição de fotos: Rute Gonçalves

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