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Thantifaxath “Void Masquerading as Matter” [Nota: 7.5/10]

Diogo Ferreira

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thantifaxath_capaEditora: Dark Descent Records
Data de lançamento: 24 Novembro 2017
Género: black metal / experimental

Quem se lembra de “White Sacred Noise”, de 2014, revela-se automaticamente alguém conhecedor da cena mais alternativa do black metal. Por outro lado, é também alguém com condão felizardo por ter tido a oportunidade de ouvir brutal álbum. Neste Novembro, os Thantifaxath fecham 2017 com o EP “Void Masquerading as Matter” em mais um exercício hediondo – no bom sentido da palavra; estamos a falar de black metal – envolto em dissonâncias experimentais.

Ao longo de quatro compridas faixas, os canadianos oferecem-nos aquilo a que já estamos habituados vindo deles. Mesmo que as estruturas possam nem sempre ser complexas, os ritmos são do mais inquietante: por vezes são tão hipnoticamente autómatos que só se imaginam facas a entrar e a sair de abdómens – se for nos próprios torna a coisa ainda melhor! – ou correrias ziguezagueantes em fuga de nada com uma carrada de ansiolíticos a carburar no cérebro. E depois, claro, persistem as dissonâncias horripilantes que funcionam tão bem e que são lixadas de se fazerem entender na maioria dos casos – a verdade é esta: assim de rajada, para além dos Thantifaxath e Blut Aus Nord, não se está a ver quem melhor utiliza a ferramenta dissonante desta forma tão bem interligada e com sentido estético. Desde shredding nas guitarras à inclusão de outros instrumentos exteriores ao black metal, este terceto constrói uma atmosfera sonora endoidecida que evolui dentro de si através de números amaldiçoados e úteros que se devoram a si próprios, tudo para ser expulso da esfera Thantifaxathiana que é a sua música.

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The Browning “Geist”

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Editora: Spinefarm Records
Data de lançamento: 26 Outubro 2018
Género: metalcore / electro

A nova proposta da banda de Kansas City deixa bem patente, desde os primeiros instantes, que continua fiel às raízes no metalcore mas que o futuro está inevitavelmente associado a sonoridades mais industriais. A electrónica encontra-se mais uma vez profundamente integrada nas malhas de guitarra, assumindo sem medo um papel cada vez mais importante, guiando o desenrolar das músicas.

O álbum oscila entre momentos fortes, preenchidos de muita intensidade, e espaços para respirar onde a electrónica sustenta todo o criar de ambientes, bem como a diversidade temática. A prestação vocal de Jonny McBee uma vez mais cobre todo o terreno, desde as passagens mais melódicas e ternas até aos típicos growls de death metal, servindo-se, como seria de esperar, de toda estilística associada ao metalcore. Ao nível das guitarras estamos totalmente submersos no universo do metalcore, alicerçado em riffs e desprezando os leads.

A maior surpresa é sem dúvida “Carnage”, que inclui uma arriscada secção que estaríamos à espera numa qualquer faixa de pop/hip-hop, e que conta com a presença do rapper Jake Hill – que irá certamente polarizar a legião de fãs da banda. A música que dá nome ao álbum contém, provavelmente, os melhores riffs de todo o lançamento, enquanto em “Amnesia” e “Skybreaker” encontramos as maiores tentativas de expandir os horizontes em termos de composição.

Um passo importante para a banda que, contudo, não fará grande mossa no panorama actual.

Nota Final

 

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Blaze Bayley “The Redemption of William Black (Infinite Entanglement Part III)”

Rui Vieira

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Editora: Blaze Bayley Recording
Data de lançamento: 26 Outubro 2018
Género: heavy metal

Se alguém pensa que Blaze Bayley é apenas um mero tradicionalista por ter passado pelos Iron Maiden, engana-se. “The Redemption of William Black” é um álbum futurista, em diversos sentidos. Não só pelo “surfista prateado” que aparece na capa, mas pela sua produção, músicas e as pequenas histórias sci-fi aqui contadas – uma tradição do próprio Blaze (para quem esteja com atenção à sua carreira). Acresce a tudo isto o modernismo implícito neste álbum, uma obra da cabeça de Blaze mas coadjuvado – principalmente – pela banda britânica Absolva. Esta cápsula de 47 minutos (certinhos) traz a voz inconfundível do homem que gravou dois álbuns com a Dama de Ferro (bons, diga-se) mas que acabou por voltar ao seu mundo, após desintegrado o projecto Wolfsbane, para ir em socorro dos britânicos. Em 1999, após sair de Maiden, funda Blaze e, em 2007, Blaze decide enveredar por uma carreira em total nome próprio, e este já é o sexto álbum de originais desde então. O subtítulo “Infinite Entanglement Part III” define mais um capítulo de uma trilogia que começou em 2016. Este é o fim da trilogia de Wiliam Black, a personagem que viverá por 1000 anos e que aqui encontra a sua redenção.

Musicalmente, Blaze é muito esclarecido e “objectivo” actualmente. O importante são músicas simples mas grandiosas, melodias semi-orelhudas e um grande sentido épico. Não sei porquê mas sempre que oiço a voz de Blaze sou automaticamente enviado para as montanhas escocesas e para a altura de Sir William Wallace. Deve ser pelo clássico “The Clansman”, música que gravou com Iron Maiden no álbum “Virtual XI” de 1998, estar tão colado ao cérebro. O arranque com “Redeemer”, e o seu refrão incisivo, marca o tom para o andamento de todo o disco com excepção para os momentos acústicos e de mais introspecção. Há logo aqui um piscar de olho a Maiden (ok, é chapado) e às suas harmonias/construção de músicas (até os ‘Oh! Oh! Oh!’). Aliás, este tema de abertura remete um pouco para “Man On The Edge”, single de estreia de Blaze com Maiden em 1995 para o álbum “The X-Factor”. Longe de ser cópia, este trabalho é daqueles que vai crescendo a cada audição. Diria que é uma obra de elite – a espaços também lembrando Accept ou UDO – que se vai apreciando lentamente, qual vinho envelhecido. O álbum é arrojado – tal como a descoberta do busão de Higgs – e moderno q.b.. Há toques de industrial com notas dissonantes (“Immortal One”), melodias acústicas ao lado da fogueira (“Human Eyes”), um groove apuradíssimo (“Already Won”), melodias orelhudas (“Prayers Of Light”) ou uns ressemblances de Helloween (“The Dark Side Of Black”). A produção assemelha-se à do último de Judas Priest, “Firepower”, com tudo no sítio certo.

Blaze Bayley não é Bruce Dickinson, mas isso não importa até porque este senhor de 55 anos em nada fica a dever a qualquer outro vocalista deste mundo, pois tem o seu timbre muito pessoal e facilmente reconhecível, e isso marca muitos pontos. Sempre achei que Blaze tinha uma voz única e muito boa (quando muitos o criticavam) mas a herança e os agudos de Bruce mataram o seu desempenho em Maiden, principalmente ao vivo. Bayley Alexander Cooke é homem de graves e isso lixou-o. Vi-o em Cascais e, tirando algumas excepções, a coisa era um bocadinho feia. Com a saída de Maiden, a sua reputação foi gravemente atingida e teve de fazer o dobro do que fazia. Mas com este álbum, Blaze não procura a redenção mas antes uma sweet revenge, e consegue. “The Redemption of William Black” dá 10-0 ao último de Iron Maiden, “The Book Of Life”!

Nota Final

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Eneferens “The Bleakness of Our Constant”

Diogo Ferreira

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Editora: Bindrune Recordings / Nordvis
Data de lançamento: 26 Outubro 2018
Género: post black metal

Imagina um espírito solitário que decidiu viajar pelo globo à procura de respostas para os mistérios do mundo natural e da condição humana. Endurecido por essa batalha e espiritualmente enriquecido, o eremita regressa com muitas questões respondidas. Algumas ainda não estão claras no seu cérebro e outras não estão aptas a serem transmitidas por palavras, mas, irredutível, o viajante decide espalhar a sua mensagem através de música, já que as respostas são demasiado etéreas para meras palavras.

E é assim, muito à volta deste conceito, que Eneferens chega a um terceiro álbum impossível de rotular numa só expressão. Neste “The Bleakness of Our Constant” há toda uma paleta de cores sonoras que se baseia nas regras desreguladas da cena post e que lança até nós várias alusões de várias influências. Evidentemente triste e/ou melancólico, Jori Apedaile criou um álbum que espelha a beleza da natureza e da auto-reflexão da experiência humana numa química delicada, por vezes áspera, e astuta que entrelaça luta e triunfo. “The Bleakness of Our Constant” é um lugar – se assim acharmos correcto utilizar tal palavra – onde crueldade e aconchego representam uma dicotomia cada vez mais próxima, um lugar que uma vez visitado será revisitado vezes sem conta.

Ao longo de sete faixas dinâmicas e bem conseguidas, há espaço para black metal contemporâneo, segmentos calmos que exalam um pouquinho de prog à Opeth mas que depressa nos fazem lembrar uns Alcest, e até funeral doom metal em pontuais partes mais arrastadas e densas. De facto, Jori Apedaile tem razão: não é com simples palavras que vamos conseguir desmitificar “The Bleakness of Our Constant” – é preciso ouvi-lo.

Nota Final

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