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The Howling Void “The Darkness at the Edge of Dawn” [Nota: 7/10]

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cover-thvEditora: Avantgarde Music
Data de lançamento: 18 Dezembro 2017
Género: doom metal atmosférico

Ryan Wilson é um multi-instrumentalista envolvido num molhe de projectos musicais underground que passam pelo death metal, black metal e funeral doom. Este último subgénero é a sonoridade de raiz do projecto The Howling Void, o qual foi gradualmente afastando-se dos rugidos guturais e da velocidade da tinta a secar nos seus dez anos de existência.

Claro que ainda continua bem lento e bastante doomy quando posto ao lado de álbuns iniciais como o belo “Shadows Over The Cosmos” e os primeiros minutos da faixa introdutória “Distant Shores”. Com a ambiência dos teclados e a ressonância das guitarras acompanhados do badalar de sinos revela desde logo toda a essência melancólica do registo que estamos prestes a ouvir. A voz de Ryan é suave, fazendo lembrar a de John Haughm, dos Agalloch, sendo um dos elementos principais que fazem deste “The Darkness at the Edge of Dawn” um álbum essencialmente contemplativo, algo na linha daquilo que uns Saturnus mais melódicos ou uns Draconian menos compostos poderiam soar. O tremolo picking que já nos lançamentos anteriores era uma das características da sonoridade deste projecto parece trazer os ares frios do black metal para contribuir para a atmosfera triste e meditativa do disco.

Não há propriamente um lado mau no novo álbum de The Howling Void. Para aquilo que é serve bem. A variedade é quase nula, mas para a sonoridade que estão a praticar (não, não me estou a referir ao doom metal no geral) acaba por não pecar na fórmula.

É um bom álbum para se ouvir numa tarde fria e cinzenta, dando um passeio por um parque ao ver as folhas a caírem das árvores. Fora deste tipo de contexto não é lá muito relevante.

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Avantasia “Moonglow”

Diogo Ferreira

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Editora: Nuclear Blast
Data de lançamento: 15 Fevereiro 2019
Género: power metal sinfónico

Com 41 anos, Tobias Sammet é dos compositores e vocalistas mais respeitados na Alemanha dentro do panorama hard rock e heavy metal. Este caminho iniciou-se em 1992 com os reconhecidos Edguy e ganhou enorme visibilidade quando em 2001 e 2002, como Avantasia, lançou as duas partes da “Metal Opera”, uma história fantástica no encalço de salvação que incluiu dezenas de artistas inigualáveis, como Michael Kiske, Kai Hansen, Timo Tolkki, André Matos, entre muitos outros. O sucesso ditou que o projecto megalómano não iria ficar por aí, seguindo-se mais seis álbuns, em que se inclui a novidade “Moonglow” neste lote. Nesta nova aventura, Sammet chamou a si vozes como Michael Kiske, Jørn Lande, Geoff Tate, Hansi Kürsch, Mille Petrozza ou Candice Night.

Longe vão os tempos dos gloriosos coros, dos debates entre personagens e da velocidade estonteante do power metal magicado por Sammet, mas ao fim de quase 20 anos também é evidente que o alemão pretende desenvolver novas tácticas musicais e manter-se no rumo da evolução natural da indústria. Ainda assim, e caso tenhamos saudades dos dois primeiros discos, há refrãos energéticos e catchy a rodos, solos de guitarra, segmentos complexos de baixo e arranjos orquestrais que se desdobram em introduções/interlúdios electrónicos. Porém, e recuperando uma das observações feitas atrás, o que mais sentimos falta é dos diálogos entre personagens vincadas – hoje em dia, é como se cada convidado tivesse que cantar a sua parte e já está. Não quer isso dizer que o tenham feito por favor e que Avantasia seja a autocracia de Tobias Sammet, mas é uma lacuna que os fãs acérrimos vão notar. Todavia, apontamos a épica “The Raven Child” (com Jørn Lande e Hansi Kürsch) como o pináculo musical de um álbum que bebe do hard rock dos 80s em porções generosas e, claro, de musicais à Broadway.

Quase duas décadas depois, o projecto Avantasia não perdeu a noção de fantasia – e “Moonglow” até consegue oferecer um sentido noctívago e por vezes medieval -, mas sente-se que agora é mais um conjunto de boas músicas do que propriamente uma história corrida que nos faz fugir da realidade ao ponto de conseguirmos mentalmente percorrer estradas, florestas e montanhas à procura de um qualquer artefacto que salvará o mundo de poderes malignos.

Nota Final

 

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Diabolical “Eclipse”

Diogo Ferreira

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Editora: Indie Recordings
Data de lançamento: 15 Fevereiro 2019
Género: progressive death/black metal

Será “Eclipse” o melhor álbum dos Diabolical? Sim. Seis anos depois do quarto “Neogenesis”, estes suecos estão mais refinados do que nunca. Num disco conceptual que reflecte o lado negro da humanidade e que força quem ouve a explorar as suas facetas diabólicas, o quarteto tanto oferece refrãos com vozes limpas e melódicas a fazer lembrar uns Enslaved como incorre por robustas e negras paredes sonoras na onda de uns Behemoth. Aliado a isso, existe uma estética musical ainda mais complexa com coros altivos e algumas orquestrações majestosas que proporcionam uma jornada auditiva épica com resquícios de Dimmu Borgir dos nossos dias. Com ideias refinadas que se transportam da mente até à sua real execução, a coesão entre prática e produção é extremamente evidente, originando um álbum que se ouve do princípio ao fim e mais do que uma vez sem qualquer queixume. Para além dos coros, das orquestrações e dos confrontos entre limpo e pesado, há mais alguns destaques que vão invariavelmente para a produção cristalina, para os leads de guitarra que proporcionam dinâmica e para algum experimentalismo quanto a tempos musicais, como se pode ouvir na faixa “Hunter”. A inaugural “We Are Diabolical”, pelo seu sentido melódico, e a última “Requiem”, pela sua abordagem progressiva, serão os temas a ter mais em atenção. Recuperando observações efectuadas atrás, “Eclipse” é como se Enslaved e Behemoth nas suas fases actuais tivessem um filho chamado Diabolical.

Nota Final

 

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Sollar “Translucent”

Diogo Ferreira

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Editora: Raising Legends
Data de lançamento: 25 Janeiro 2019
Género: rock/metal progressivo

Oriundos do Porto, os Sollar, que se propõem a fazer música com melodias fortes e enfáticas, lançaram recentemente o álbum de estreia “Translucent”, um trabalho composto por 10 faixas que se debruçam em sonoridades rock e metal cheias de detalhes que vão para além dos géneros-base. Prova disso surge logo na inaugural “Birth” que se desmonta em orquestrações épicas, mas a banda sabe que o que é bom cedo se pode esgotar, por isso é com sapiência que não incluem este tipo de arranjos a toda a hora e momento, fazendo com que o ouvinte se lembre daquela faixa e daquele segmento específicos quando se chegar ao fim da audição. Com uma bateria trabalhadora, que até brinca com tempos na faixa “See”, todo o disco vive à volta de guitarras com malhas cíclicas e tantas vezes groovadas naquela onda nórdica e sóbria como uns Wolverine são capazes de oferecer. Quem também não pode ser esquecido é o baixo que, descansadinho no seu canto, vai proporcionando algumas linhas importantes ao bass geral do álbum. Faltando mencionar o departamento vocal, Mariana Azevedo apresenta-se diversificada, indo de manifestações de rock alternativo a execuções mais fortes quando a ala metal da banda o diz ser necessário, não esquecendo uma abordagem algo ritualista na faixa “Naked”. Melódicos a toda a largura, os Sollar são também capazes de criar segmentos inquietantes e perturbadores, através dos quais quererão decerto mostrar as facetas mais obscuras do conceito gerado em “Translucent”. Nas menções honrosas podemos destacar “The Image Of Man”, com participação vocal de Miguel Inglês (Equaleft), e a final “The Right Men” com o seu solo emotivo.

Nota Final

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