#ChooseUltraje

Features

Top 10 Metal Português (músicas)

Rui Vieira

Publicado há

-

Portugal tem excelentes bandas, óptimos álbuns e… grandes músicas. É um facto. Também estamos “carecas” de saber que um top é uma escolha (neste caso pessoal) e que há sempre opções que ficam de fora ou poderão ser discutíveis. Independentemente disso tudo, o facto é que acompanho o metal português há 30 anos (não vivi somente a vaga inicial) e, após décadas de devoção, é altura de elaborar uma lista dos 10 temas mais significativos do metal made in Portugal. As escolhas finais têm a ver com a composição em si, letra e até o seu impacto na altura, individualmente ou integrado no respectivo álbum ou demo. Mas, acima de tudo, elejo-os pela magia que transmitem, o “power of the song”. Caros leitores da Ultraje, ‘apertem as beatas e apaguem os cintos’ e embarquem nesta viagem (do décimo para o primeiro) que, espero, muitos disfrutem, se revejam ou dediquem agora mais alguma atenção.

-/-

10. “Machinery” (My Enchantment) – 2005
Esta música é substancialmente diferente do álbum que integra – “SinPhonic” – tendo uma toada mais industrial, um ritmo cadenciado à Rammstein, contrastando com as restantes músicas, todas elas mais próximas do black sinfónico. A construção do tema é perfeita, com uma evolução para middle-section e um final com um solo arrasador e bastante psicológico. Pessoalmente, se todo o álbum tivesse este ritmo cadenciado estaria entre os meus preferidos de sempre.

 

 9. “Morte Geométrica” (Filii Nigrantium Infernalium) – 2005
“Morte Geométrica” é aço e betão, é black/thrash/punk no seu esplendor. Mas há mais diversidade, como blastbeats ou declamações em francês. Belathauzer, o necro-punk português, tem aqui o seu primeiro filho (álbum) a ver a luz (negra) do dia, devidamente acompanhado por Hugo Andremon na guitarra e Rolando Barros na bateria. Dizem que “Deus escreve direito por linhas tortas”; neste caso, FNI escreve ao contrário, afiadíssimo e certeiro. Não há futuro!

 

 8. “…And The Sorrowy Night” (Theriomorphic) – 2005
Este tema não só é um dos melhores do metal português como o seu respectivo álbum – “Enter the Mighty Theriomorphic” – é o melhor de sempre no campo do death metal melódico. O persistente e fundador Jó vê aqui o merecido prémio da sua resiliência e trabalho ao longo dos anos. A middle-section é uma ‘homenagem’ a “Master Of Puppets” mas poucos o fizeram tão bem, nem mesmo os Machine Head. Sid, o guitarrista solo, é também ele um dos grandes responsáveis por este belo conjunto de músicas rápidas, melódicas e que sabem sempre a pouco.

 

 7. “Darkside” (Sacred Sin) – 1993
“Darkside” terá o eterno epíteto de primeiro clip a passar na MTV, neste caso na europeia. José Costa e Tó Pica são os protagonistas desta estreia e nesta música está tudo o que poderia ter feito de Sacred Sin uma das maiores bandas death metal europeias. Entrada imponente, bridge, refrão, middle-section e solo – tudo no ponto. Apesar do “calcanhar de Aquiles” ser a bateria electrónica, não chega para destronar esta música e momento tão importante do top 10 do underground lusitano.

 

 6. “Sinais dos Tempos” (V12) – 1990
Esta música abre o álbum de estreia (e único) dos V12, um disco de heavy metal totalmente cantado em português. “Sinais dos Tempos” é épico em todos os sentidos, transportando o ouvinte para longe através de uma série de camadas e cores, quase cheiros. Toda a arte e técnica dos guitarristas Rui “Fingers” e Paulo “Ossos” estão aqui patentes, aliadas à soberba voz de Jorge Martins. Oriundo do Algueirão, o quinteto não durou muito com esta formação e nada mais gravou em estúdio. Para os anais do metal nacional fica um diamante (esta música) e uma mina (o álbum) que continuam a brilhar e que novos tempos jamais conseguirão apagar.

 

5. “Face To Face (We Are One)” (Alkateya) – 1990
Talvez o tema épico do metal nacional. Os Alkateya foram uma das maiores bandas no seu tempo e, tirando Tarantula, os lisboetas estavam “muito à frente” naquela altura, nomeadamente no estilo heavy mais tradicional, o estilo até mais difícil na altura. Fortes voos se perspectivavam para a alcateia mas, na penumbra, movimentava-se outra banda – curiosamente também alcateia – que o conseguiria: Moonspell. Dotados de um excelente vocalista, exímio guitarrista, criativo baixista e “Animal” baterista, o quarteto constrói uma música absolutamente memorável e para entoação colectiva com uma duração aproximada de 7’30” – um verdadeiro clássico, quais Manowar.

 

4. “Life Is For The Living” (Dinosaur) – 1991
Este instrumental foi considerado o melhor tema em 1991, aparecendo em vários tops de final de ano, sendo o mais notável o da extinta revista Rock Power. A música é épica (como deve ser um bom instrumental) e perfeita a todos os níveis, seja pela estrutura, melodias e harmonias, twin-guitars ou execução técnica. Quando ouço “Life Is For The Living” ocorre-me, com alguma frequência, este pensamento: “E se este tema tivesse sido gravado pelos Metallica?” Estou certo que seria um dos melhores de sempre, ombreando com “Orion”, “The Call Of Ktulu” ou “To Live Is To Die”. Será este o instrumental em falta no “Black Album”, curiosamente também de 1991?

 

3. “Metal Não É Fascismo” (Simbiose) – 2004
Talvez o tema mais inesperado do top, porque Simbiose divide o seu quinhão de fãs por entre metálicos e punks. Mas conseguir colocar tudo o que um grande tema precisa em 02:46 é obra! O guitarrista Hugo Andremon é a força motriz deste tema e do álbum “Bounded In Adversity”. Para além disto tudo, esta música contém – talvez – a mensagem mais importante de uma música cantada em português: relembrando os antigos tempos saudáveis metálicos e onde a mensagem fascista não se imiscuía na nossa música. Metal e Punk são isso mesmo: respeito e combater o que está realmente mal.

 

2. “Black Tie” (RAMP) – 1995
Considero-o o tema perfeito do metal português. Apesar de estar em segundo neste top, toda a construção, voz, solos e melodias e a sua produção fazem dele a perfeição thrash/groove, e poderiam partilhar o primeiro lugar. “Black Tie” tem o poder de nunca mais nos esquecermos da música, do refrão. O quinteto da Amora tem em “Intersection” o seu segundo álbum de originais, o trabalho que os projectou definitivamente no panorama metálico nacional. “Black Tie” é presença assídua nos seus concertos.

 

1. “Alma Mater” (Moonspell) – 1995
O tema maior da maior banda (ou a mais impactante a todos os níveis) de Portugal. Olhando para trás parece que os brandoenses estavam destinados ao sucesso. “Alma Mater” é o resumo de toda a sua coragem enquanto navegadores e conquistadores além-fronteiras. Erguendo a bandeira portuguesa bem alto e nunca virando costas ao trabalho, esta música – do seu primeiro álbum “Wolfheart” – transpira portugalidade, destino, acreditar e orgulho em ser lusitano. Pela grandeza de espírito e pelo que já levou de Portugal ao mundo, o topo é indiscutível.

 

Menções honrosas:
My Hatred (Shrine)
Reckless Hate (Shadowsphere)
Asking More (Procyon)

Features

Vagos Metal Fest: Resumo da conferência de imprensa

Diogo Ferreira

Publicado há

-

A poucas horas de ter início mais uma edição do Vagos Metal Fest, foi realizada uma conferência de imprensa onde Luís Salgado, responsável pela organização, partilhou algumas informações dignas de nota junto dos presentes. Agora com mais opções de lazer e com a existência de dois palcos, o promotor fala em mais volume de trabalho, apontando como aspecto positivo o facto de não haver paragens nas actuações. Foi também comentada a consciência ecológica não só por parte da organização mas também dos festivaleiros, que têm no VMF um festival transgeracional que acolhe pessoas de todas as faixas etárias.

Luís Salgado, que conta ter em 2018 o ano com mais sucesso do festival, avançou que o dia 10 – que recebe nomes como Cradle Of Filth, Moonspell e Ratos de Porão – está próximo de esgotar, com o dia seguinte – onde sobem ao palco bandas como Kamelot ou Enslaved – a estar igualmente próximo disso.

O Vagos Metal Fest decorre entre os dias 9 e 12 de Agosto. Hoje sobem ao palco nomes como Orphaned Land, Dust Bolt e Analepsy.

Continuar a ler

Features

Milhões de Festa: Os 3 nomes que não vais querer perder!

Joel Costa

Publicado há

-

Depois de dez edições, o Milhões de Festa afasta-se do período tradicional dos festivais de Verão portugueses e escolhe o mês de Setembro para reinventar-se. A Ultraje destaca três nomes do cartaz da edição de 2018 que não vais querer perder:

1. ELECTRIC WIZARD

Estabelecidos em 1993, os doomsters britânicos Electric Wizard têm em “Wizard Bloody Wizard” o seu mais recente trabalho de estúdio. Apontados pelos fãs como os sucessores óbvios dos Black Sabbath, os Electric Wizard passaram por diferentes encarnações ao longo da sua carreira, com esta nova proposta a marcar uma nova era do colectivo.

2. CIRCLE

A veia experimental dos finlandeses Circle exigiu que se tornassem senhores de uma enorme discografia. Explorando sonoridades que vão do jazz ao metal, passando pelos ambientes mais psicadélicos, os Circle mostram desde logo que são capazes de derrubar qualquer barreira que encontrem pelo seu caminho. São mais de 50 os discos editados, justificando o selo de banda de culto que trazem consigo.

3. SCÚRU FITCHÁDU

(Fotografia: António Marinho)

«Scúru Fitchádu representa outra África, eu sou outra África.» Foi assim que o produtor Sette Sujidade descreveu o seu projecto à Ultraje, aquando da passagem da banda pela cidade de Aveiro. Os Scúru Fitchádu levam até ao Milhões a sua mistura de funaná cabo-verdiano, punk, metal e noise.

Os passes gerais do festival (que decorre em Barcelos entre os dias 6 e 9 de Setembro) têm um preço de €60 euros, enquanto que os bilhetes diários saem a €20. O primeiro dia será de acesso livre. Mais informações em www.milhoesdefesta.com

Continuar a ler

Features

Ultraje #17 já disponível!

Joel Costa

Publicado há

-

O número 17 da Ultraje, correspondente aos meses de Agosto e Setembro de 2018, está disponível gratuitamente nos formatos físico e digital!

EDIÇÃO EM PAPEL

Recebe o número 17 e as próximas cinco edições da Ultraje na tua morada através da subscrição do Six-Pack: https://shop.ultraje.pt/ultraje-six-pack

O Six-Pack tem um custo de € 10,00 que corresponde ao valor dos portes de envio de seis edições da Ultraje.

Em alternativa podes levantar este número da Ultraje gratuitamente nos seguintes pontos:

LISBOA | Glamorama Rockshop | Clockwork Store | Unkind | Carbono Amadora | Hail Rock Club
PORTO | Bunker Store | Piranha | Red Ram Tattoo Co (Felgueiras)
AVEIRO | Vagos Metal Fest | Lovecraft Beershop | Ultraje (Ovar)
VILA REAL | Blind & Lost Studios
OUTROS | Rastilho Records | Mosher Clothing

EDIÇÃO DIGITAL

Ler/Download [27 MB]: http://ultraje.pt/digital/ultraje17.pdf
Ler no Issuu: https://issuu.com/ultrajept/docs/ultraje17_issuu

Nas próximas páginas encontrarás algumas das novidades musicais que marcam este Verão, como o novo álbum dos Sinsaenum. Este supergrupo, que tem nas suas fileiras músicos como Joey Jordison (Slipknot) e Frédéric Leclercq (DragonForce), tem em “Repulsion for Humanity” uma nova fornada de um death metal que combina o melhor do estilo old-school com o que de mais notável se tem feito em tempos recentes.

Na estrada a promover “Firepower”, os britânicos Judas Priest estiveram em Portugal juntamente com o lendário Ozzy Osbourne, mas foi em Madrid (Espanha) que nos sentámos com o baixista e fundador Ian Hill para dissecar o disco editado em Março e que deixa a banda comandada por Rob Halford mais perto da marca dos 20 lançamentos.

Numa edição em que ‘estatuto’ é a palavra de ordem, a instituição de black metal que é Immortal está de volta aos discos com “Northern Chaos Gods”, o primeiro desde 2009 e o primeiro também sem Abbath na voz. Demonaz resume os problemas que marcaram a banda nos últimos anos e fala-nos do processo desta nova proposta do agora duo norueguês.

Isto e muito mais para descobrir na edição de Agosto/Setembro da Ultraje. Estaremos de volta em Outubro com mais novidades!

Continuar a ler

Facebook

#UltrajeRadar

Ultraje #17