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[Live Report] Toxik Nights @ Cave 45, Porto

Pedro Felix

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TOXIK NIGHTS
Cave 45, Porto
16/09/2016
Atomik Desttruktor – Toxik Attack – Toxikull – Soul Doubt

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A conclusão final foi de que, mais uma vez, ficou provado que o verdadeiro espírito underground está vivo e de boa saúde. Mas uma conclusão destas não se tira de ânimo leve, para além de só ser verdadeiramente compreendida quando vivida na primeira pessoa. Essa foi a sensação com que fiquei no final da primeira etapa das Toxik Nights. Era tarde, e uma viagem de uma hora para casa ainda me aguardava, mas tinha valido a pena, a noite tinha ultrapassado as expectativas.

– Cinco horas antes –

A chegada ao Cave 45, no Porto, na noite do dia 16 deste mês, concretizou-se via indicações por telemóvel. Primeira vez que me dirigia ao local e prontamente recebi indicações do caminho de quem já lá estava.

O local, um pequeno bar nas vizinhanças da Avenida da Liberdade, ocultava, nas suas entranhas aka cave, uma sala de espectáculos maior do que seria de esperar ao se ver o primeiro piso. Mesmo assim, não deixava de ser um espaço pequeno, mas suficiente para se poder realizar um concerto e criar uma boa atmosfera.

As honras de abertura couberam aos Soul Doubt. Banda já conhecida do público, teve logo direito a sala cheia, o que se manteve durante toda a noite. A primeira proposta de heavy metal da noite deu um aquecimento intenso ao público, preparando-os para o que se seguia. Do seu EP de estreia, “Electric Circus”, apenas o tema “Teravolt” marcou presença, optando este quarteto de Leça da Palmeira por apresentar alguns temas que irão fazer parte do álbum de estreia, a gravar num futuro próximo.

soul-doubtSoul Doubt

Continuando na senda do heavy metal, de seguida foi a vez da primeira proposta tóxica da noite subir ao palco. Com um setlist baseado no seu álbum de estreia, “Black Sheep”, que foi apresentado quase na íntegra, os Toxikull impuseram o seu heavy metal musculado, com influências clássicas, mantendo o crescendo sonoro que se havia iniciado com os Soul Doubt. Apesar das bandas que alinhariam de seguida serem de thrash, um estilo já por si mais provocador de reacção por parte dos públicos, a intensidade da actuação dos Toxikull deixou um forte desafio para quem se seguisse.

toxikullToxikull

Esse lugar foi ocupado pela segunda proposta tóxica da noite. O thrash clássico, com elementos melódicos, dos Toxik Attack, inundou a pequena sala, reincendiando uma audiência que se redobrava em, chamemos-lhe, stage diving, embora não seja bem o termo correcto, pois o palco só teria meio metro de altura, e moshpits. Curiosamente, no centro da sala tinha um pilar de suporte do tecto e, por alguma capacidade inata dos elementos do público, por muito activa que estive a audiência, ninguém tinha encontros imediatos do terceiro grau com o referido pilar. “Thrash On Command”, o EP de estreia dos Toxik Attack foi a base para a actuação desta jovem banda de Guimarães, embora ainda houvesse tempo para regressar à demo com “Carne Queimando” e para a apresentação de um tema novo. De salientar a excelente prestação deste quinteto, cuja música parece criada à medida para ser apresentada ao vivo. No final, um exausto João Dinis (v), comentava-nos: «não tenho palavras para descrever o que se passou aqui, que desordem que foi. O Porto é assim, recebe-nos sempre desta maneira, obrigado. Gritem sempre por nós… memorável, nós adoramos-vos. Thrash até a morte

toxik-attackToxik Attack

A hora já ia longa quando os segundos convidados, e última banda da noite, iniciaram a sua avalanche de thrash clássico. Os bastante esperados Atomik Destruktor, de Braga, que já não pisavam um palco desde Junho, demonstraram por que são uma proposta a ter em consideração dentro do género. O álbum “Unnatural Disorder” foi o mote da setlist, mas também houve espaço para duas covers, de Sepultura e Sodom, respectivamente, e para regressar à demo com o incontornável “Alcohol & Thrash”, uma combinação que já não era novidade naquela sala há um par de horas, ou mais. Mais uma vez, como já acontecera com as bandas anteriores, convidados subiram ao palco, principalmente elementos das outras bandas presentes, para participarem em temas. Os Atomik Destruktor chegaram a ter três vocalistas ao mesmo tempo a dada altura. Para além deste relacionamento entre as bandas, a relação com os elementos do público equacionava-se na primeira pessoa, já que os níveis de amizade entre os presentes eram elevados. Esta reciprocidade está bem patente nas palavras de João Pedro Braga (g) aka Pedraça, quando comentava a prestação dos Atomik Destruktor dessa noite, e nos dizia, «curtimos bué tocar aqui no Cave 45, até porque foi o nosso primeiro concerto cá, numa casa em que estamos habituados a ver concertos e a beber copos. Tocar foi um prazer, ainda por cima para uma casa bem composta».

atomik-destruktorAtomik Destruktor

Apesar de a sala não ter as melhor condições para o evento, pois era necessária uma colocação estratégica para se obter o melhor som, que, diga-se em abono da verdade, era bem melhor que o esperado, para além do referido pilar que impedia a visibilidade para o palco de certos ângulos, a prestação das bandas ultrapassou todas essas deficiências, o que resultou numa longa, mas agradável noite.

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Texto e fotos: Pedro Félix

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Possessed: primeiro episódio de “The Creation of Death Metal”

Diogo Ferreira

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O novo álbum dos padrinhos do death metal Possessed intitula-se “Revelations Of Oblivion” e será lançado a 10 de Maio pela Nuclear Blast. O primeiro single “No More Room in Hell” já está em rotação.

A banda liderada por Jeff Becerra passará por Portugal para duas datas:

Entretanto, a banda em parceria com a editora disponibilizam a primeira parte de “The Creation of Death Metal”, uma mini-série documental que podes acompanhar com a Ultraje.

 

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Satyricon: discografia 1994-2017

Diogo Ferreira

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Dark Medieval Times
1994, Moonfog Productions

A sonoridade aliada ao título é das combinações mais perfeitas do black metal. O primeiro álbum dos Satyricon é gelado, arcaico q.b. e folclórico como os invernos medievais. “Dark Medieval Times” soa a florestas nevoeirentas e castelos abandonados que, pedra a pedra, ruirão. A semente estava assim lançada no ano mais prolífico do black metal.

 

The Shadowthrone
1994, Moonfog Productions

Ainda que lançado no mesmo ano do debutante, “The Shadowthrone” mostra-se um disco mais maduro e com malhas de guitarra bem mais apelativas. A frieza continua e o lado medieval prossegue com teclados a fazer lembrar Mortiis e Wongraven (projecto ambient de Satyr). Há, por seu turno, uma intenção narrativa por todo o álbum.

 

Nemesis Divina
1996, Moonfog Productions

Para uma enorme parte de adeptos do género, a perfeição do black metal chegou em 1996 com “Nemesis Divina”. É, de facto, um ponto de viragem no estilo em geral e uma influência ainda hoje sentida em bandas de black metal melódico, nomeadamente finlandesas. Deste terceiro disco exalta-se a imortal “Mother North”, um hino autêntico.

 

 

Rebel Extravaganza
1999, Moonfog Productions

Representa a primeira mudança sonora do duo norueguês e, mais uma vez, o nome é indicado para o momento. Com o quarto álbum, tornam-se realmente rebeldes a modificar o género com a inclusão de malhas groovadas antecedendo o que viria num futuro nada distante, ainda que a velocidade do black metal continuasse presente.

 

Volcano
2002, Moonfog Productions

Se em 1999 o groove era uma ferramenta experimental, em 2002 tornou-se uma certeza e os Satyricon começaram também a fugir aos rótulos quadrados. “Volcano” é afinal o quê? Black metal? Groove metal? Rock pesado com vozes furiosas? É isso tudo. O quinto álbum dos nórdicos é, essencialmente, uma oferta de riffs dissonantes e inquietantes.

 

Now, Diabolical
2006, Roadrunner Records

Este seria o momento para se fazer as pazes com alguns fãs, mas Satyr e Frost sempre fizeram o que lhes dá na veneta. Empurraram a sua sonoridade ainda mais em direcção ao metal/rock musculado/groovado, mas desta vez até se saíram melhor. Para a posteridade fica “K.I.N.G.” que hoje em dia encerra concertos.

 

 

The Age Of Nero
2008, Roadrunner Records

Ouvir “The Age Of Nero” é quase como se “Now, Diabolical” tivesse um segundo CD. A receita é praticamente a mesma, ainda que seja um pouco mais rijo e interligado do que o antecessor. Os riffs quase hipnóticos e as estruturas cíclicas criam a atmosfera de um álbum que prometia actuar como um grande regresso.

 

 

Satyricon
2013, Roadrunner Records

Ainda que nem todas as faixas sejam verdadeiros win-win, o álbum homónimo é uma experiência melancólica em quase toda a sua duração. Entre temas crus, melódicos e agressivos, a ‘balada’ “Phoenix” (c/ a voz sedutora de Sivert Høyem) acaba por ser a melhor composição de um disco que dividiu opiniões. Os Satyricon não querem saber.

 

 

Deep calleth upon Deep
2017, Napalm Records

Numa entrevista concedida por Frost aquando do #4 da Ultraje (2016), o baterista reiterou que os Satyricon não são entertainers, mas artistas que fazem aquilo que unicamente ambicionam – prova disso é que tanto tivemos um “Nemesis Divina” (1996) que ajudou a mudar o paradigma do black metal melódico como um álbum homónimo (2013) que muito pouco tinha de metal extremo. Recuperado de um tumor cerebral, Satyr voltou a reunir-se com Frost e 2017 foi um ano em grande para a dupla com este nono álbum. A inaugural “Midnight Serpent” até pode soar a “Now, Diabolical” (2006), mas a seguinte “Blood Cracks Open the Ground” oferece riffs mais trabalhados do que o normal e uma bateria complexa que quase nos atrevemos a classificar como prog (algo que se prolonga pelo disco todo). Com uma produção mais crua do que tem sido comum na última década de Satyricon, tudo aqui soa seco e orgânico em comunhão com a capa arcaica, havendo espaço para uma faixa melancólica em “To Your Brethen in the Dark”, incursões esotéricas/ritualistas no tema-título com a inclusão de cânticos/coros e instrumentos de sopro em “Dissonant”. E quando menos esperamos, “The Ghost of Rome” é post-punk! Começa a ser vago, confuso e erróneo explicar o que é black metal e esta banda já há muito está separada de rótulos, portanto Satyricon é simplesmente Satyricon. Grande regresso!

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Sabaton History Channel: sétimo episódio dedicado a “Shiroyama” e à rebelião samurai de 1877

Diogo Ferreira

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No sétimo episódio do Sabaton History Channel, Indy Neidell e Joakim Brodén trazem-nos o tema “Shiroyama”, do álbum “The Last Stand” (2016), que versa sobre a Rebelião Satsuma ocorrida no Japão em 1877.

O que fazer quando o modo de vida tradicional é ameaçado por uma força poderosa dentro de fronteiras? Os samurais não hesitaram e responderam a esta pergunta com a espada. Durante a Rebelião Satsuma, o líder dos samurais, Saigō Takamori, lutou contra o governo imperial em voga e o desfecho teve lugar na Batalha de Shiroyama, o último reduto dos eternos guerreiros da cultura nipónica.

Mais episódios AQUI.

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