Trial “Motherless” [Nota: 9/10] | Ultraje – Metal & Rock Online
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Trial “Motherless” [Nota: 9/10]

Trial-MotherlessEditora: Metal Blade Records
Data de lançamento: 07 Abril 2017
Género: heavy metal

Começo por dizer que não sou o maior fã de power metal ao cimo da Terra. Não é preconceito, é exigência: por muito bom que um álbum de power metal seja, sofre quase sempre daquilo que chamo de “Síndroma de Manowar” – é sempre (SEMPRE!) a mesma coisa, não variam, valem-se de uma legião de fãs por terem atingido um estatuto lendário devido a um ou dois álbuns realmente bons e tudo o resto é uma cópia despudorada do anterior. Há exceções no Power Metal? Claro que há: pensemos em Angra nos seus anos dourados, por exemplo, mas são pontualidades tão raras… Às primeiras notas do disco, pensei “Mais do mesmo não, por favor!”, e eis que os deuses das ligas metálicas ouviram a minha prece mental meros segundos depois do início da primeira faixa. Embora inicialmente “Motherless” pareça ser mais um disco de power metal previsível, é tudo menos, e deu-me uma chapada na cara bastante cedo para calar os meus preconceitos. “Motherless” é uma enormidade sem forma, pois não se prende a estilos e cria um som próprio sem dificuldades. De facto, estamos perante uma mescla do melhor que o metal progressivo nos ofereceu nos últimos 20 anos: ora me faz lembrar o colosso que é “Dead Winter Dead”, dos Savatage, ora me soa a alguns dos momentos mais célebres de “The Spectre Within”, dos Fates Warning. Depois… bem, depois começa a minha frustração, porque o disco, como um bom vinho, tem notas de tudo e mais alguma coisa requintada, o que por vezes me faz perder à procura de um ou outro sabor em particular, mas as notas mais fortes estão na voz de Linus Johansson e no baixo de Andreas Olsson, a voz a fazer lembrar Jon Oliva, Geoff Tate, Bruce Dickinson e James LaBrie e o baixo, pleno de musicalidade e vida própria, a evocar constantemente Steve DiGiorgio, Roger Patterson (!), Tony Levin… mas esperem, que isto não é tudo, não senhor! Há traços de Tiamat era “Wildhoney”, há leves vestígios de algum doom clássico, tipo Solitude Aeturnus e Candlemass, há toques explícitos de Queensrÿche… parece-me que a Metal Blade fez a contratação da década sem espinhas, e só posso imaginar como será o terceiro álbum destes suecos. Assim, quão bom é o álbum em todo o seu espetro? Simplificando, posso dizer que já não lembro do último álbum a que dei nota 8.5, mas sei que este “Motherless” será um dos muito poucos a juntar à curtíssima lista de discos à qual alguma vez dei um robusto 9. Esqueçam estilos musicais: o género deste álbum é “metal”, e o subgénero é “quase perfeito”. Ainda não ouvi melhor em 2017.

 

9/10
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