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Twilight Force “Heroes Of Mighty Magic” [Nota: 8/10]

Rui Vieira

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166770_tf_coverEditora: Nuclear Blast
Data de lançamento: 26 Agosto 2016
Género: power metal

Ao verificar o tempo de duração de “Heroes Of Mighty Magic” – 70 minutos – fiquei assustado. Confesso que, raras excepções, não tenho (muita) paciência para álbuns acima de 35/40 minutos. Ou está muito bem cozinhado ou fica uma azia sonora tal que não quero voltar a degustar. Setenta minutos soa a épico e é isso que aqui encontramos: total epicness. Estes 12 temas constituem a segunda chama do dragão sueco chamado Twilight Force e a fórmula é há muito usada em países nórdicos (com o sucesso que se lhe reconhece), mas não só. Os nomes, todos sabemos: Stratovarius, Sonata Arctica, Rhapsody, irmãos, primos, etc. Oriundos de Falun (cidade-berço dos companheiros de armas Sabaton), desde 2011 que o sexteto, liderado pelo vocalista/guitarrista Chrileon, se propõe resgatar e prestar tributo ao power metal mais old school dos anos 90, adicionando-lhe uma boa dose de modernismo, técnica e frescura. Seis guerreiros destemidos forjaram, no seu próprio estúdio, estas 12 magníficas viagens ao melhor imaginário power metal dos últimos tempos. Cinematográficos, coloridos, alegres – “metal também é isto”, diria qualquer treinador de bancada. Para além da base bateria/guitarras/baixo/sintetizador, há a acrescentar a flauta que lhe dá um toque muito especial remetendo para uma paz campestre onde nascentes brotam e o verde reina. Também há por estes lados, um ligeiro travo a Manowar, sem cabedais. O penúltimo tema “Epilogue”, em spoken word, que nos lembra automaticamente a emblemática intro de “Blood Of The Kings”, ou “Knights Of Twilight’s Might”, remetem para passagens de “Kings Of Metal”, o aclamado disco de 1988 dos machões de Auburn (Nova Iorque). Não deixa de ser curioso que, apesar do universo fantasioso de dragões (ou não, há quem afirme que existiram), terras longínquas, poções mágicas, guerreiros imortais e castelos no alto de escarpas, estas músicas remetem-nos para a época (fria) natalícia, tal não é a quantidade de campânulas e brilhantes que vamos ouvindo, e porque o Natal é, também ele, uma fantasia. Em suma, aqui não há nada de muito novo ou que saia fora dos carris do estilo, mas trata-se de um trabalho extremamente complexo, sinfónico e concebido por músicos de excepção. Um disco obrigatório para ganhar lugar nas prateleiras dos fãs acérrimos do estilo, mas não só. Uma obra destas prova que o metal não tem de ser medonho e negro. Pode ser de cor safira, sonhador e relaxante.

 

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The Casualties “Written in Blood”

Diogo Ferreira

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Editora: Cleopatra Records
Data de lançamento: 26 Outubro 2018
Género: punk rock

Fundados em 1990, chegamos a 2018 e nenhum dos membros actuais de The Casualties pode contar a história desde o início, ainda que o primeiro álbum “For the Punx” date apenas de 1997. O único original até há bem pouco tempo era o vocalista Jorge Herrera que abandonou a lendária banda de punk rock em 2017. A substituí-lo temos David Rodriguez que até empresta o seu conhecimento em línguas hispânicas ao longo do álbum, aqui e ali. Posto isto, Jake Kolatis é o elemento mais antigo, a tocar guitarra no grupo desde 1993, seguindo-se-lhe Marc Eggers na bateria desde 1995 e Rick Lopez no baixo desde 1998. E pegando neste último, refira-se desde já que o seu instrumento está muito bem representado ao ponto de se ouvir incessantemente e de forma preponderante em relação ao rumo que o ritmo e melodia dos temas ganham – o que é tão necessário e bonito de se ter no punk rock. Conceptualmente, a banda de Nova Iorque continua a desafiar as normas sociais e a querer derrubar a injustiça sociopolítica; já as riffalhadas mantêm-se coesas e corridas como a malta deseja no género e na banda, mas também podemos encontrar uma ou outra malha mais thrashy e leads mais rock n’ roll, o que não é de estranhar e até salpica o som dos The Casualties com as influências que ainda hoje Kolatis & Cia. têm dentro de si.

“Written in Blood” é um disco que pode não trazer nada de novo ao punk – salvo, porventura, um arranjo ao piano na faixa “Feed Off Fear” –, mas a essência honesta da música que tocam é intocável ao fim de 11 álbuns. Com uma produção limpa – os punks também merecem –, é impossível estar-se quieto a ouvir The Casualties, por isso não te assustes se as tuas pernas começarem a querer dar coices.

Nota Final

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Flageladör “Predileção Pelo Macabro”

Rui Vieira

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Editora: Helldprod Records
Data de lançamento: 02 Novembro 2018
Género: speed/thrash metal

Os Flageladör são uma banda querida por cá. Divulgados primeiramente pela Irmandade Metálica (possivelmente, a primeira entrevista para Portugal) e Herege Warfare Productions da Covilhã, a propósito do seu álbum de estreia – “A Noite do Ceifador” -, como quem não quer a coisa, já vão no seu quarto LP, entre vários splits. Mais uma vez, as premissas deste projecto/banda, oriundo de Niterói (Rio de Janeiro) e que tem o carrasco Armandö Executör como mentor e elemento original, são bastante simples e eficazes: old speed/thrash metal na onda de uns Living Death, Razor ou Destructor. Acrescem umas pitadas de Sodom. Aqui não há que enganar e já sabemos ao que vamos quando o assunto é Flageladör. Isso significa qualidade e ambiente 80s no seu expoente máximo e espírito underground, onde nada falha, desde os tópicos e imagem até à própria produção musical do trabalho. Todos os reverbs, bateria acústica e pequenos defeitos estão lá. São 10 faixas, sendo que a última, “M.A.F. (Morte Aos Fachos)”, é exclusiva para a Europa. Trinta e quatro minutos repletos de riffs cortantes e incisivos, solos eficazes e alguns refrãos para repetir em uníssono nas audições seguintes, é a receita dos brasileiros. Destaque para o tema-título, um épico de 12 minutos, algo nada habitual nas composições do niteroiense.

Armandö Executör, o fundador e a alma de Flageladör, é um nome que – juntamente com, por exemplo, Igor Lopes dos colegas Em Ruínas – tem erguido e ressuscitado o old school speed/thrash metal brasileiro nos últimos 10 anos. De forma sustentada, vêm construindo uma base sólida de admiradores, tanto no Brasil como em Portugal, país onde – finalmente – actuaram pela primeira vez no SWR (XXI) deste ano. Nota final para a excelente capa, a de um jovem a descobrir o prazer do heavy metal, ouvindo com largos headphones e olhando para a capa do vinil enquanto o demónio se revela por trás e se apodera da sua alma. Exactamente como era nos saudosos anos 80. Sendo um projecto pessoal de Armandö (a sua cruzada pessoal pelo verdadeiro metal), há garantias que continuará a erguer a sua bandeira de guerreiro underground e a gritar a plenos pulmões: “Unidos Pelo Metal… Flageladör!!!”

Nota Final

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The Browning “Geist”

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Editora: Spinefarm Records
Data de lançamento: 26 Outubro 2018
Género: metalcore / electro

A nova proposta da banda de Kansas City deixa bem patente, desde os primeiros instantes, que continua fiel às raízes no metalcore mas que o futuro está inevitavelmente associado a sonoridades mais industriais. A electrónica encontra-se mais uma vez profundamente integrada nas malhas de guitarra, assumindo sem medo um papel cada vez mais importante, guiando o desenrolar das músicas.

O álbum oscila entre momentos fortes, preenchidos de muita intensidade, e espaços para respirar onde a electrónica sustenta todo o criar de ambientes, bem como a diversidade temática. A prestação vocal de Jonny McBee uma vez mais cobre todo o terreno, desde as passagens mais melódicas e ternas até aos típicos growls de death metal, servindo-se, como seria de esperar, de toda estilística associada ao metalcore. Ao nível das guitarras estamos totalmente submersos no universo do metalcore, alicerçado em riffs e desprezando os leads.

A maior surpresa é sem dúvida “Carnage”, que inclui uma arriscada secção que estaríamos à espera numa qualquer faixa de pop/hip-hop, e que conta com a presença do rapper Jake Hill – que irá certamente polarizar a legião de fãs da banda. A música que dá nome ao álbum contém, provavelmente, os melhores riffs de todo o lançamento, enquanto em “Amnesia” e “Skybreaker” encontramos as maiores tentativas de expandir os horizontes em termos de composição.

Um passo importante para a banda que, contudo, não fará grande mossa no panorama actual.

Nota Final

 

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