#ChooseUltraje

Reviews

Twilight “Trident Death Rattle” [Nota: 8/10]

Diogo Ferreira

Publicado há

-

515348Editora: Ascension Monuments Media
Data de lançamento: 01 Maio 2018
Género: US black metal

Foi há quatro anos que os Twilight lançaram “III: Beneath Trident’s Tomb”, aquele que devia ser o derradeiro álbum deste supergrupo composto por músicos relevantes na cena metal norte-americana. Caso não os conheças, ou pretendas que a tua memória seja refrescada, os Twilight eram compostos por Neill Jameson (Krieg), Thurston Moore (Sonic Youth), Blake Judd (Nachtmystium), Wrest (Leviathan), Sanford Parker (Buried at Sea, Corrections House) e Stavros Giannopoulos (The Atlas Moth). Desse terceiro álbum ficaram três faixas por lançar e eis que surgem neste EP surpresa. A demora pode advir de várias situações – incluindo até a intenção de nunca revelar estas composições –, mas também se pode acreditar que o adiamento se deva à vida atribulada que Blake Judd tem tido nos últimos anos à custa dos seus problemas com drogas e má conduta perante fãs que perderam dinheiro com merch que nem sequer existia. Enfim, é o próprio Judd quem lança o mote para este bom momento ao lado dos seus co-conspiradores em Twilight: «Remendámos as nossas diferenças e hoje temos uma boa relação», refere-se na press-release.

Mais experimentais do que noutros álbuns, as três faixas deste “Trident Death Rattle” foram compostas por Judd e Moore mas não deixam de conter em si a visão lunática e o desejo demente dos colegas em relação àquilo que pode ser o black metal. Ao longo de perto de 20 minutos de duração, aquilo que outrora estava perdido ganha vida através de exercícios musicais negros e espessos que digladiam o fundo encorpado (pelas guitarras-ritmo) e por vezes dissonante/inquietante (pelos arranjos noise) com a parte da frente um pouco mais melódica e até cintilante à custa dos leads de guitarra, com especial destaque para a última e melancólica “No Consequence”. Se esta é a interpretação dos Twilight sobre aquilo que o black metal pode ser, então podemos mesmo classificar esta banda e este EP como US black metal – um rótulo já em voga e que tem sido levado a altos picos pela mão de bandas como Krieg e Leviathan. “Trident Death Rattle” é uma poluição sonora com cabeça, tronco e membros que tem a capacidade de evocar um trance singular que nos faz rodopiar o corpo por dentro e por fora, e mesmo que de tradicional já tenhamos pouco na cena metal os Twilight provam que continua a ser possível quebrar convenções e classificações ao fim de todos estes anos de evolução. Este é, assim, um lançamento de raridades que figurará brilhantemente nas nossas estantes.

Reviews

Eneferens “The Bleakness of Our Constant”

Diogo Ferreira

Publicado há

-

Editora: Bindrune Recordings / Nordvis
Data de lançamento: 26 Outubro 2018
Género: post black metal

Imagina um espírito solitário que decidiu viajar pelo globo à procura de respostas para os mistérios do mundo natural e da condição humana. Endurecido por essa batalha e espiritualmente enriquecido, o eremita regressa com muitas questões respondidas. Algumas ainda não estão claras no seu cérebro e outras não estão aptas a serem transmitidas por palavras, mas, irredutível, o viajante decide espalhar a sua mensagem através de música, já que as respostas são demasiado etéreas para meras palavras.

E é assim, muito à volta deste conceito, que Eneferens chega a um terceiro álbum impossível de rotular numa só expressão. Neste “The Bleakness of Our Constant” há toda uma paleta de cores sonoras que se baseia nas regras desreguladas da cena post e que lança até nós várias alusões de várias influências. Evidentemente triste e/ou melancólico, Jori Apedaile criou um álbum que espelha a beleza da natureza e da auto-reflexão da experiência humana numa química delicada, por vezes áspera, e astuta que entrelaça luta e triunfo. “The Bleakness of Our Constant” é um lugar – se assim acharmos correcto utilizar tal palavra – onde crueldade e aconchego representam uma dicotomia cada vez mais próxima, um lugar que uma vez visitado será revisitado vezes sem conta.

Ao longo de sete faixas dinâmicas e bem conseguidas, há espaço para black metal contemporâneo, segmentos calmos que exalam um pouquinho de prog à Opeth mas que depressa nos fazem lembrar uns Alcest, e até funeral doom metal em pontuais partes mais arrastadas e densas. De facto, Jori Apedaile tem razão: não é com simples palavras que vamos conseguir desmitificar “The Bleakness of Our Constant” – é preciso ouvi-lo.

Nota Final

Continuar a ler

Reviews

Sargeist “Unbound”

Diogo Ferreira

Publicado há

-

Editora: WTC Productions
Data de lançamento: 11 Outubro 2018
Género: black metal

Contextualizar a existência dos Sargeist é sempre uma filmaria, não pela complexidade sonora ou pela extensa discografia, mas antes pela panóplia de outros projectos em que os membros estão envolvidos. Logo à cabeça, o mentor Shatraug origina ou participa em dezenas de bandas, podendo mencionar-se apenas algumas como Horna, Mortualia, Nightbringer (ao vivo) ou Behexen (de 2009 a 2015). Por seu turno, a formação da banda também não é nada estável, chegando a 2018 sem os condecorados Horns (bateria, 2002-2016) e Torog (voz, 2002-2016). O que também é surpreendente é não ter havido aquele borburinho prévio de que aí vinha um novo trabalho dos finlandeses – basicamente, a editora disse “amanhã sai um novo álbum de Sargeist”, e aí está ele.

Ao nível da produção podemos colocá-lo num meio-termo entre o polido “Let the Devil In” (2010) e o mais cru “Feeding the Crawling Shadows” (2014); o resto é o que já se conhece de Sargeist e particularmente de Shatraug. Este novo “Unbound” apresenta-se todo ele robusto, extremamente bem executado e cativante a toda a largura. Entre o black metal veloz e obscuro é mais do que óbvio – pelo menos para quem está familiarizado – que Sargeist é também sinónimo de melodia incondicional e tantas vezes melancólica proveniente das guitarras, algo que se mistura facilmente com a bateria incessante e um vociferar demoníaco que tanto oferece raiva electrizante como agonia insuportável.

Ao fim de 20 anos, e esteja quem estiver nesta banda, Shatraug não perdeu o rumo daquilo que quer para Sargeist; por isso, não é de estranhar que “Unbound” seja mais um disco a ter muito em conta e que deve fazer parte da colecção dos amantes de black metal.

Nota Final

Continuar a ler

Reviews

Skálmöld “Sorgir”

Diogo Ferreira

Publicado há

-

Editora: Napalm Records
Data de lançamento: 12 Outubro 2018
Género: viking/folk metal

Cinco álbuns em nove anos de carreira é uma média muito boa; mais: ter cinco álbuns consistentes em discutível tenra idade é ainda um feito maior. Sob a chancela da Napalm Records, os islandeses Skálmöld – que já não são desconhecidos do público português, até porque voltam ao nosso país no próximo mês de Dezembro – voltam a fazer das suas.

Logo na inaugural “Ljósið” percebe-se o tipo de distorção utilizada neste álbum – uma que é granítica e ruidosa sem se perder a percepção sonora do que se quer transmitir. Por aqui há riffs pesados e com groove, juntando-se-lhe um refrão épico que dá o ponto de partida para um disco intenso. “Sverðið” mostra os primeiros leads mais dançantes relacionados ao folk metal, sem nunca nos desligarmos do tino do headbanging, e “Brúnin” é um ataque surpresa com malhas de entrada afectas ao power metal mais thrashy, oferecendo uma mescla de agressividade e diversão. O solo esgalhado e veloz incluído neste tema só prova a intenção mencionada atrás, e o mesmo pode-se aplicar a “Gangári” que não deixará descansar os pescoços.

“Barnið” representa um estilo mais cerimonial, que é expectável neste tipo de bandas, com especial foco na forma como Björgvin Sigurðsson coloca a voz, e a última “Mara” coabita entre a sonoridade própria da banda e uma alusão a riffs de hardrock dos 80s, só que bem mais céleres e ruidosos do que é comum.

“Sorgir” é, portanto, um longa-duração bem-conseguido que espelha a maturidade deste sexteto insular e que assume aquilo que já se compreendeu ao longo da discografia: álbum sólido atrás de álbum sólido.

Nota Final

 

Continuar a ler

Facebook

#UltrajeRadar

Ultraje #17