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Ultha “The Inextricable Wandering”

Diogo Ferreira

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Editora: Century Media Records
Data de lançamento: 05 Outubro 2018
Género: post black metal

Depois do clamor criado no underground com “Converging Sins” (2016), os alemães Ultha dão um esperado salto ao passarem a pertencer ao catálogo da estabelecida Century Media Records.

Empurrados pelo sucesso obtido nos últimos dois anos, o colectivo de Colónia deixou para trás o conceito da consciente habilidade de errar, magoar e rejeitar para se focar no medo, uma pretensão que Ralph Schmidt (voz/guitarra) queria ver ser exposta a um nível conceptual que misturasse música e letras em Ultha.

As longas repetições cativantes mantêm-se como um dos pratos principais da sonoridade da banda, mas nota-se uma intenção de se querer fazer as coisas de maneira diferente. Por exemplo, a segunda “With Knives to the Throat and Hell in Your Heart” apresenta várias camadas sonoras que são tão perceptíveis ao ponto de entendermos bem o que é ritmo e lead, fornecendo assim uma wall of sound melódica e altamente atmosférica. E por falar em atmosfera, essa é agora mais instrumental do que ambiental, ao contrário do que se fazia sentir em trabalhos anteriores, com excepção do interlúdio “There Is No Love, High Up in the Gallows” que dura seis minutos e meio. Há ainda espaço e tempo para uma incursão ao mundo do doom com a lenta e pesarosa “We Only Speak in Darkness” que tenta, e bem, personificar uma espécie de isolamento auto-infligido. Quanto à melodia, esta existe a rodos, mas acaba por ser várias vezes intercalada por vagas de dissonância perturbadora, como é o caso da sexta e última “I’m Afraid to Follow You There” que se estende ao longo de quase 19 minutos de duração.

Mais adultos e mais melódicos, ainda que sempre agressivos e abrasivos sem cessão, encontram-se agora menos influências em Mayhem, o que acontecia pontualmente em 2016, e mais ênfase a uma abordagem ao sludge metal vicioso à custa de uma distorção de guitarra arenosa que também sabe ser suave e luminosa quando os Ultha assim pretendem confundir-nos os sentidos – e isso também pode representar medo.

Nota Final

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Flageladör “Predileção Pelo Macabro”

Rui Vieira

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Editora: Helldprod Records
Data de lançamento: 02 Novembro 2018
Género: speed/thrash metal

Os Flageladör são uma banda querida por cá. Divulgados primeiramente pela Irmandade Metálica (possivelmente, a primeira entrevista para Portugal) e Herege Warfare Productions da Covilhã, a propósito do seu álbum de estreia – “A Noite do Ceifador” -, como quem não quer a coisa, já vão no seu quarto LP, entre vários splits. Mais uma vez, as premissas deste projecto/banda, oriundo de Niterói (Rio de Janeiro) e que tem o carrasco Armandö Executör como mentor e elemento original, são bastante simples e eficazes: old speed/thrash metal na onda de uns Living Death, Razor ou Destructor. Acrescem umas pitadas de Sodom. Aqui não há que enganar e já sabemos ao que vamos quando o assunto é Flageladör. Isso significa qualidade e ambiente 80s no seu expoente máximo e espírito underground, onde nada falha, desde os tópicos e imagem até à própria produção musical do trabalho. Todos os reverbs, bateria acústica e pequenos defeitos estão lá. São 10 faixas, sendo que a última, “M.A.F. (Morte Aos Fachos)”, é exclusiva para a Europa. Trinta e quatro minutos repletos de riffs cortantes e incisivos, solos eficazes e alguns refrãos para repetir em uníssono nas audições seguintes, é a receita dos brasileiros. Destaque para o tema-título, um épico de 12 minutos, algo nada habitual nas composições do niteroiense.

Armandö Executör, o fundador e a alma de Flageladör, é um nome que – juntamente com, por exemplo, Igor Lopes dos colegas Em Ruínas – tem erguido e ressuscitado o old school speed/thrash metal brasileiro nos últimos 10 anos. De forma sustentada, vêm construindo uma base sólida de admiradores, tanto no Brasil como em Portugal, país onde – finalmente – actuaram pela primeira vez no SWR (XXI) deste ano. Nota final para a excelente capa, a de um jovem a descobrir o prazer do heavy metal, ouvindo com largos headphones e olhando para a capa do vinil enquanto o demónio se revela por trás e se apodera da sua alma. Exactamente como era nos saudosos anos 80. Sendo um projecto pessoal de Armandö (a sua cruzada pessoal pelo verdadeiro metal), há garantias que continuará a erguer a sua bandeira de guerreiro underground e a gritar a plenos pulmões: “Unidos Pelo Metal… Flageladör!!!”

Nota Final

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The Browning “Geist”

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Editora: Spinefarm Records
Data de lançamento: 26 Outubro 2018
Género: metalcore / electro

A nova proposta da banda de Kansas City deixa bem patente, desde os primeiros instantes, que continua fiel às raízes no metalcore mas que o futuro está inevitavelmente associado a sonoridades mais industriais. A electrónica encontra-se mais uma vez profundamente integrada nas malhas de guitarra, assumindo sem medo um papel cada vez mais importante, guiando o desenrolar das músicas.

O álbum oscila entre momentos fortes, preenchidos de muita intensidade, e espaços para respirar onde a electrónica sustenta todo o criar de ambientes, bem como a diversidade temática. A prestação vocal de Jonny McBee uma vez mais cobre todo o terreno, desde as passagens mais melódicas e ternas até aos típicos growls de death metal, servindo-se, como seria de esperar, de toda estilística associada ao metalcore. Ao nível das guitarras estamos totalmente submersos no universo do metalcore, alicerçado em riffs e desprezando os leads.

A maior surpresa é sem dúvida “Carnage”, que inclui uma arriscada secção que estaríamos à espera numa qualquer faixa de pop/hip-hop, e que conta com a presença do rapper Jake Hill – que irá certamente polarizar a legião de fãs da banda. A música que dá nome ao álbum contém, provavelmente, os melhores riffs de todo o lançamento, enquanto em “Amnesia” e “Skybreaker” encontramos as maiores tentativas de expandir os horizontes em termos de composição.

Um passo importante para a banda que, contudo, não fará grande mossa no panorama actual.

Nota Final

 

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Blaze Bayley “The Redemption of William Black (Infinite Entanglement Part III)”

Rui Vieira

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Editora: Blaze Bayley Recording
Data de lançamento: 26 Outubro 2018
Género: heavy metal

Se alguém pensa que Blaze Bayley é apenas um mero tradicionalista por ter passado pelos Iron Maiden, engana-se. “The Redemption of William Black” é um álbum futurista, em diversos sentidos. Não só pelo “surfista prateado” que aparece na capa, mas pela sua produção, músicas e as pequenas histórias sci-fi aqui contadas – uma tradição do próprio Blaze (para quem esteja com atenção à sua carreira). Acresce a tudo isto o modernismo implícito neste álbum, uma obra da cabeça de Blaze mas coadjuvado – principalmente – pela banda britânica Absolva. Esta cápsula de 47 minutos (certinhos) traz a voz inconfundível do homem que gravou dois álbuns com a Dama de Ferro (bons, diga-se) mas que acabou por voltar ao seu mundo, após desintegrado o projecto Wolfsbane, para ir em socorro dos britânicos. Em 1999, após sair de Maiden, funda Blaze e, em 2007, Blaze decide enveredar por uma carreira em total nome próprio, e este já é o sexto álbum de originais desde então. O subtítulo “Infinite Entanglement Part III” define mais um capítulo de uma trilogia que começou em 2016. Este é o fim da trilogia de Wiliam Black, a personagem que viverá por 1000 anos e que aqui encontra a sua redenção.

Musicalmente, Blaze é muito esclarecido e “objectivo” actualmente. O importante são músicas simples mas grandiosas, melodias semi-orelhudas e um grande sentido épico. Não sei porquê mas sempre que oiço a voz de Blaze sou automaticamente enviado para as montanhas escocesas e para a altura de Sir William Wallace. Deve ser pelo clássico “The Clansman”, música que gravou com Iron Maiden no álbum “Virtual XI” de 1998, estar tão colado ao cérebro. O arranque com “Redeemer”, e o seu refrão incisivo, marca o tom para o andamento de todo o disco com excepção para os momentos acústicos e de mais introspecção. Há logo aqui um piscar de olho a Maiden (ok, é chapado) e às suas harmonias/construção de músicas (até os ‘Oh! Oh! Oh!’). Aliás, este tema de abertura remete um pouco para “Man On The Edge”, single de estreia de Blaze com Maiden em 1995 para o álbum “The X-Factor”. Longe de ser cópia, este trabalho é daqueles que vai crescendo a cada audição. Diria que é uma obra de elite – a espaços também lembrando Accept ou UDO – que se vai apreciando lentamente, qual vinho envelhecido. O álbum é arrojado – tal como a descoberta do busão de Higgs – e moderno q.b.. Há toques de industrial com notas dissonantes (“Immortal One”), melodias acústicas ao lado da fogueira (“Human Eyes”), um groove apuradíssimo (“Already Won”), melodias orelhudas (“Prayers Of Light”) ou uns ressemblances de Helloween (“The Dark Side Of Black”). A produção assemelha-se à do último de Judas Priest, “Firepower”, com tudo no sítio certo.

Blaze Bayley não é Bruce Dickinson, mas isso não importa até porque este senhor de 55 anos em nada fica a dever a qualquer outro vocalista deste mundo, pois tem o seu timbre muito pessoal e facilmente reconhecível, e isso marca muitos pontos. Sempre achei que Blaze tinha uma voz única e muito boa (quando muitos o criticavam) mas a herança e os agudos de Bruce mataram o seu desempenho em Maiden, principalmente ao vivo. Bayley Alexander Cooke é homem de graves e isso lixou-o. Vi-o em Cascais e, tirando algumas excepções, a coisa era um bocadinho feia. Com a saída de Maiden, a sua reputação foi gravemente atingida e teve de fazer o dobro do que fazia. Mas com este álbum, Blaze não procura a redenção mas antes uma sweet revenge, e consegue. “The Redemption of William Black” dá 10-0 ao último de Iron Maiden, “The Book Of Life”!

Nota Final

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