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Ulvegr “Titahion: Kaos Manifest” [Nota: 8/10]

Diogo Ferreira

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new nozh digipack.Editora: Ashen Dominion
Data de lançamento: 17 Abril 2017
Género: black metal

Quando se fala em black metal ucraniano fala-se em Roman Sayenko e todos os seus projectos, com maior destaque para Drudkh, mas há mais dois nomes que se tornaram incontornáveis: o guitarrista/vocalista Helg (Khors, Ygg, Kzohh) e o baterista Odalv (Ygg, Elderblood, Kzohh). É esta dupla que dá vida a Ulvegr, um cruzamento de coisas como Hate Forest, Blood Of Kingu e, claro, as próprias bandas dos dois membros.

Sempre com o black metal feroz e atmosférico como base, os Ulvegr tendem a fazer coisas diferentes a cada álbum: se o terceiro “The Call Of Glacial Emptiness” ofereceu um black metal gelado, este novo “Titahion: Kaos Manifest” é mais terreno, quente e exótico até.

A segunda faixa, “Throne Among the Void”, que sucede a intro, até começa com um riff bem death metal, mas não há que enganar: isto vai ter ao black metal ucraniano, porque, sim, a Ucrânia já representa uma cena – ouvindo este ou aquele ritmo, este ou aquele riff, esta ou aquela abordagem sabe-se que é ucraniano. Depois há o tal cruzamento de bandas, com momentos emocionais (“When Stars Will Turn to Ashes”) e solos épicos (“Black Light of a Dying Sun”) a fazer lembrar Khors sem os teclados, fúrias velozes e florestais com semelhanças a Hate Forest, grandes estrondos de bombo com inspiração em Blood Of Kingu ou berros estridentes na onda de Ygg. No fundo, Ulvegr tem, claro está, a assinatura mais do que impregnada de Helg. Para além dos muitos bons riffs esgalhados que ficam no ouvido e da técnica de bateria inerente a Odalv, o disco é também muito ritualista com interlúdios de quase cinco minutos que até podem complementar o conceito, mas que quebram a correria e tensão que por aqui se faz sentir.

Em suma, “Titahion: Kaos Manifest” é claramente um álbum de excelência com o cunho de dois nomes bem estabelecidos que levam ao resto do mundo a nação ucraniana no que ao black metal diz respeito. Os fãs de Khors e Drudkh não sairão desapontados, já os que não estão familiarizados têm aqui uma boa razão para começar a conhecer.

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Rebel Wizard “Voluptuous Worship of Rapture and Response”

Diogo Ferreira

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Editora: Prosthetic Records
Data de lançamento: 17 Agosto 2018
Género: heavy/black metal

O projecto australiano Rebel Wizard pertence àqueles casos de nicho e de segredo mas está na altura de puxar Bob Nekrasov da toca, ainda que o projecto não esteja esquecido nos meandros do underground – afinal de contas, Rebel Wizard está na Prosthetic Records, casa de bandas como Exmortus, Hour Of Penance, Skeletonwitch ou Venom Prison.

O que se passa de tão interessante nesta banda, e em especial neste “Voluptuous Worship of Rapture and Response”, é a mistura que o artista faz entre black metal e heavy metal tradicional. Curioso é também o detalhe que Nekrasov deseja dar aos seus temas, com foco directamente apontado ao comprimento dos títulos: “The prophecy came and it was soaked with the common fools forboding”, “The poor and ridiculous alchemy of Christ and Lucifer and us all” e “Mother Nature, oh my sweet mistress, showed me the other worlds and it was just fallacy” são os melhores exemplos.

Mas como o que importa realmente é a música, em Rebel Wizard tanto podemos sentir o poder melódico e épico de um lead virtuoso heavy metal sacado lá dos anos 1980 – o que geralmente acontece no início dos temas – como podemos ser invocados a participar em rituais misticamente obscuros através de paredes de som cruas e agressivas que nos remetem a sonoridades black metal típicas de países como Austrália e Nova Zelândia, falando portanto de uma crueza sónica bastante pestilenta e gritante.

Que é bom não há dúvida, restando apenas a questão: e se isto fosse captado e produzido de forma mais profissional e polida? Se ouvires este disco poderás fazer a mesma pergunta e talvez não saibas a resposta, porque se a ala heavy metal é capaz de pedir uma captação mais diamantina, as excursões ao black metal estão bem pensadas por mais que se ouça muito ruído estridente. Todavia não será esta dicotomia que nos vai travar de ouvir Rebel Wizard.

Nota Final

 

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Massive Wagons “Full Nelson”

Diogo Ferreira

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Editora: Earache Records
Data de lançamento: 10 Agosto 2018
Género: rock

O Verão de 2018 tardou mas chegou e para tal nada melhor do que rodar um bom disco de rock n’ roll. Como o Verão não há-de ir já embora, acreditamos que ainda vamos ter muitas ocasiões para ouvir este regresso dos Massive Wagons que, ao longo de 12 faixas directas, nos proporcionam um bom momento musical repleto de malhas rock n’ roll que se inspiram no passado mas que se projectam no presente devido a uma muito boa produção. Todos os membros desta banda inglesa sabem onde se posicionar e todos têm o seu spotlight, mas na verdade esta é uma banda de colectivismo e não individualismo, sendo que tudo funciona muito bem quando unidos faixa após faixa. No entanto, o destaque vai indubitavelmente para Baz Mills que se apresenta um vocalista rock dos quatro costados com um sentido de catchiness incrível que resulta em refrãos orelhudos – mas lá está, sem os companheiros seria impossível chegar-se a secções musicais tão boas, caindo nós na mesma observação anterior de que os Massive Wagons funcionam realmente bem em conjunto. Particularmente, e mesmo com muito humor à mistura, a banda não esquece a crítica à vida digital que levamos em “China Plates”, arranja espaço para uma power-ballad em “Northern Boy” e recorda Rick Parfitt (Status Quo) numa nova versão de “Black to the Stack”. Indicado para fãs de Audrey Horne.

Nota Final

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Reviews avulso: Moenen of Xezbeth | Zero Down

Diogo Ferreira

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Moenen of Xezbeth “Ancient Spells of Darkness…” [Nota: 6/10]
Editora: Nuclear War Now! Productions
Data de lançamento: 01 Agosto 2018
Género: black/doom metal

Devotados ao black metal em mid-pace, este projecto belga tem uma orientação crua que arranca de nós sentimentos cavernosos e obscuros muito à custa da sua sonoridade dungeon, provando que é uma produção rude que faz sentido nesta abordagem musical. Há ainda uma inclinação ao doom que se enquadra no tal andamento a meio-passo. Todavia, e por mais honesto que possa ser, as parecenças entre faixas representam o toque do alarme no que ao enfado diz respeito, já que as malhas de guitarra, a voz e a bateria não saem de uma zona de conforto originada no início do disco. Ainda assim, vale a pena mencionar os teclados que oferecem atmosfera e a tal condução a soundscapes oriundas de caves húmidas.

 

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Zero Down “Larger Than Death” [Nota: 6/10]
Editora: Minotauro Records
Data de lançamento: 10 Agosto 2018
Género: heavy metal

Heavy metal old-school naquela vertente NWOBHM é o que podemos esperar desta banda sediada em Seattle (EUA). Malhas corridas, twin-guitars, baixo grosso, algumas vozes high-pitched e até cowbell – está tudo neste “Larger Than Death”, mas falta algo… E deparamo-nos com o problema quando percebermos que os Zero Down não querem passar do revivalismo doutros tempos. Contra isso nada, mas a indústria musical, os fãs e os críticos dão ar de si se quiserem que o tradicional seja respeitado, ainda que com o arrojo de se estar no Séc. XXI e tentar um ou outro toque mais moderno. Esta nova proposta tem o seu vigor próprio, mas falta-lhe um kick épico e realmente cativante que não se destaca alargadamente. Bem tocado, mas pouco memorável.

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