Usurpress “Interregnum” [Nota: 8/10] – Ultraje – Metal & Rock Online
Reviews

Usurpress “Interregnum” [Nota: 8/10]

63635600-e5d2-4c0c-a5b6-43d118ee0560Editora: Agonia Records
Data de lançamento: 23 Fevereiro 2018
Género: death metal

Disse Picasso que “um artista bom copia; um artista excelente rouba”. Nenhum dos dois se aplica aos Usurpress, que preferem tentar reinventar o death metal da velha-guarda com características muito próprias e originalidade a rodos, desta vez com “Interregnum”, o registo mais bem-conseguido na relativamente breve, mas muito rica história da carreira deste grupo. O anterior “The Regal Tribe” já fazia prever um disco seguinte muito mais polido e a remeter para o progressivo, mas não algo do tamanho de “Interregnum”, onde essa estirpe de death metal, aliada a bom doom primitivo, dança de mãos dadas com o metal e o rock progressivo e bastante melodia, muito culpa das tendências de fusão de jazz de Stefan Hildman e dos sintetizadores de Erik Sundström.

“A Place In The Pantheon”, a primeira faixa, denota uma banda impecavelmente focada em oferecer uma obra erudita e complexa, onde as guitarras de Påhl Sundström demonstram tudo o que está para vir. No entanto, “Interregnum”, a faixa-título seguinte, transporta-nos para um death metal agreste, fazendo lembrar por vezes Bolt Thrower e Carcass, onde a melodia e outras amenidades estão ausentes. Em “In Books Without Pages” voltam à carga com a toada mais melódica e passagens de rock progressivo sempre muito sombrias, misturando doom metal cantado com mais death metal primitivo, mas muito bem composto. Todo o registo continua a este ritmo, lento e melódico por vezes, rápido e gutural nas outras.

Mas é a conjunção de esforços que impressiona em “Interregnum”: há riffs melódicos magistrais em detrimento de solos ultratécnicos, uma gama vocal abastada e precisa, um trabalho de bateria de vanguarda… Acima de tudo há muita alma em todo o trabalho, com a faixa final “The Vagrant Harlot” a ser a pedra mais preciosa num cofre contendo sete gemas guardadas a cadeado. Em “The Vagrant Harlot” podemos sentir o melhor que a gama vocal de Stefan Petersson consegue oferecer – grave e a piscar o olho ao rock de vanguarda dos anos 80 de bandas como The Sisters of Mercy, bem como um trabalho de teclados inspirado e omnipresente. Junte-se-lhe a isto, uma vez mais, um trabalho de guitarra esmerado e será difícil de ignorar “Interregnum” que, no fundo, é um grito de honestidade e musicalidade que, geralmente, se afunda num mar repleto de lançamentos de qualidade duvidosa.

É o tipo de discos que cresce a cada audição, logo não esperem por orelhudice à primeira, mas não há que enganar: se gostam de metal pesado à moda antiga, orgânico, maduro e dinâmico, “Interregnum” será com certeza uma excelente aquisição.

 

8/10
Topo