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[Antevisão] Under The Doom VI: Lisboa a negro

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Dentro de pouco mais de uma semana, a sala Lisboa ao Vivo acolhe a edição deste ano do festival que, sem que (quase) ninguém desse por isso, se tornou a principal referência de doom em Portugal. E, se a integração no roteiro dos festivais europeus de referência do género é já uma realidade, o Under The Doom assume o seu crescimento este ano com duas bandas cabeças-de-cartaz que, não sendo doom propriamente dito, se enquadram perfeitamente no espírito do evento. Deixamos aqui agora um guia quem-é-quem para que se reveja a matéria de que vai ser feito o Under The Doom até aos exames finais de Arcturus e Sólstafir.

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 DIA 1 (07 Dezembro, 18h30)

WYATT E.
Descrevem a sua sonoridade como “doom/pós-rock oriental”, mas na prática o duo israelita conhecido como Wyatt E. (nome inspirado no lendário agente policial do oeste americano do início do século passado) pratica aquilo que normalmente se descreve como drone/doom metal. Apesar disso, as influências da música oriental estão bem presentes neste projecto que contava na sua formação com elementos de Deuil, The K. e Leaf House. Actualmente radicados em Bruxelas, Bélgica, viram o baterista R. falecer em Agosto passado aos 29 anos, e a presença no Under The Doom será uma das primeiras aparições ao vivo do colectivo depois da tragédia.

Discografia:
“Mount Sinai / Aswan” EP (2015)
“Exile To Beyn Neharot” (2017)
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THE WOUNDED
Herdeiros da melhor tradição holandesa de doom rock com contornos mais góticos e melódicos, os The Wounded formaram-se há duas décadas e, desde aí, não têm passado despercebidos a quem tem um radar de coisas mais melódicas dentro do género. Constituídos por músicos experientes da cena holandesa, contam com quatro álbuns editados e uma respeitável consistência na qualidade das suas propostas, apesar de terem estado num ensurdecedor silêncio editorial entre 2004 e 2016. Com uma sonoridade que se situa algures entre Fall Of The Leaf, Paradise Lost da era “Gothic”, e Antimatter, podem ser a surpresa do festival.

Discografia:
“The Art Of Grief” (2000)
“Monument” (2002)
“Atlantic” (2004)
“Sunset” (2016)
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DESIRE
Como a mais antiga banda portuguesa de doom e uma das mais respeitáveis representantes do género no nosso país, os lisboetas Desire dispensam apresentações. A subida ao palco do Under The Doom é uma das raras aparições ao vivo da banda depois do regresso à actividade em 2017 (estiveram parados dois anos) e uma oportunidade única para (voltar a) testemunhar a força do doom/death metal incrivelmente melancólico que Flame, Mist, Corvus e Raiden praticam e cuja história se confunde com a própria história do doom nacional.

Discografia:
“Infinity… A Timeless Journey Through An Emotional Dream” (1996)
“Pentacrow… Misanthropic Tragedy…” EP (1998)
“Locus Horrendus – The Night Cries Of A Sullen Soul” (2002)
“Crowcifix” EP (2009)
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WHILE HEAVEN WEPT
Quando os While Heaven Wept anunciaram o final de carreira em 2017, os fãs de doom/heavy metal progressivo choraram a perda de uma das suas principais referências. Ao longo de duas décadas e meia de carreira, os norte-americanos ombrearam com bandas como Atlantean Kodex, Candlemass ou Solstice na competição pelo trono do doom/heavy metal épico. Agora, a digressão de despedida do colectivo da Virgínia tem passagem marcada por Portugal, pelo Under The Doom, e promete emoções bem intensas.

Discografia (excerto):
Clássico: “Sorrow Of The Angels” (1998)
Imprescindível: “Vast Oceans Lachrymose” (2009)
Injustamente menosprezado: “Lovesongs For The Forsaken” EP (1995)
Mais recente: “Suspended At Aphelion” (2014)
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DRACONIAN
Se houvesse apenas um lugar na cena para uma banda de doom/death metal gótico, esse lugar seria ocupado pelos suecos Draconian. O quinteto liderado pelo guitarrista Johan Ericson e pelo vocalista Anders Jacobsson construiu desde 1994, paulatinamente, uma sonoridade que combina melodia, peso, desespero, negridão e voz masculina e feminina em doses absolutamente perfeitas e irresistíveis. E provou que uma banda não tem de ir à procura da popularidade; quando é boa no que faz, a popularidade encontra-a. Nem que pratique música ferozmente melancólica.

Discografia (excerto):
Clássico: “Arcane Rain Fell” (2005)
Imprescindível: “The Burning Halo” (2006)
Injustamente menosprezado: “Turning Season Within” (2008)
Mais recente: “Sovran” (2015)
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ARCTURUS
O dicionário do metal tem, na palavra “Vanguardismo”, o nome de Arcturus escrito a bold. Os noruegueses formaram-se em 1990 e, para além de serem um autêntico carrossel de malta talentosa da cena local com ligações mais ou menos óbvias a bandas como Ulver, Mayhem, Dimmu Borgir e Borknagar, foi responsável por um dos grandes discos de black metal atmosférico e vanguardista da década de 90: “La Masquerade Infernale”. Com uma formação que inclui o baterista Hellhammer (Mayhem), os guitarristas Sverd (ex-The Kovenant, ex-Ulver) e Knut Magne Valle (ex-Ulver), o baixista Skoll (ex-Ulver, ex-Ved Buens Ende) e o mestre de cerimónias ICS Vortex (Borknagar, ex-Dimmu Borgir), os Arcturus prometem um final de primeira noite apoteótico para a edição deste ano do Under The Doom.

Discografia (excerto):
Clássico: “La Masquerade Infernale” (1997)
Imprescindível: “The Sham Mirrors” (2002)
Injustamente menosprezado: “Sideshow Symphonies” (2005)
Mais recente: “Arcturian” (2015)
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DIA 2 (08 Dezembro, 18h00)

COLLAPSE OF LIGHT
Com três ex-elementos de [Before The Rain] na formação – incluindo o influente vocalista Carlos Borda D’Água (ex-Evisceration, ex-Sculpture) –, os Collapse Of Light podiam ser considerados a continuação lógica de uma das mais geniais bandas nacionais de doom/death metal, mas são tão mais que isso. A presença da vocalista finlandesa Natalie Koskinen (Shape Of Despair), para além de tornar o projecto internacional, dá à sonoridade do colectivo um lado de beleza e luz que contrasta de modo perfeito com a viagem directa para o fundo do abismo que é o death/doom metal atmosférico dolorosamente intenso do disco de estreia.

Discografia:
“Each Falling Step” (2018)
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KONTINUUM
“Pós-black metal progressivo” é uma etiqueta um bocado genérica e um tudo-nada prepotente, mas é precisamente esse o estilo que os islandeses Kontinuum praticam. Contrariando a teoria de que um raio não cai duas vezes no mesmo local (e daquele lado já nos chegaram os Sólstafir, que encabeçam precisamente o segundo dia do Under The Doom), estes cinco nórdicos destilam melancolia com a delicadeza própria de quem cresceu nas paisagens islandesas e com a sensibilidade melódica de quem tem uma banda como Potentiam para libertar o lado mais cru do black metal que lhes corre nas veias. O resultado? Possivelmente o concerto em que mais será possível viajar em todo o fim-de-semana.

Discografia:
“Earth Blood Magic” (2012)
“Kyrr” (2015)
“No Need To Reason” (2018)
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SINISTRO
Expoentes máximos do “novo” doom português, os Sinistro saltaram para as bocas do mundo quando, em 2016, assinaram pela gigante editora francesa Season of Mist e editaram internacionalmente o seu segundo álbum “Semente”. O caldeirão de influências da banda funde sludge, doom, pós-metal e a melancolia do fado, recriada na perfeição pela vocalista e actriz Patrícia Andrade. O projecto conta ainda com músicos veteranos da cena nacional, casos de R (We Are The Damned, Besta, ex-TwentyInchBurial), P (We Are The Damned, Besta, ex-Atentado) e F (Mourning Lenore, ex-F.E.V.E.R.).

Discografia:
“Sinistro” (2012)
“Cidade” EP (2013)
“Semente” (2016)
“Sangue Cássia” (2018)
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ANTIMATTER
Iniciados em 1997 por Mick Moss e Duncan Patterson, que na altura tinha acabado de abandonar os Anathema, os Antimatter cedo se propuseram a ser a linha de ligação entre o dark rock e a sonoridade mais progressiva e melancólica de uns Pink Floyd. E foi precisamente o que fizeram com o sublime disco de estreia «Saviour» e, desde aí, a cada álbum que editam. Sem Patterson desde 2004, Mick Moss é agora o homem do leme, com a sua voz quente e texturada, e os Antimatter têm trilhado o caminho melancólico a que se propuseram há duas décadas, com influências mais variadas mas mantendo o sentido de beleza negra e arranjos sóbrios da génese do projecto.

Discografia:
Clássico: “Leaving Eden” (2007)
Imprescindível: “Planetary Confinement” (2001)
Injustamente menosprezado: “The Judas Table” (2015)
Mais recente: “Black Market Enlightment” (2018)
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SHINING
Considerados os “pais” do SDBM, controversos até quase ao ponto do não-retorno, geniais na abordagem musical, os suecos Shining regressam a palcos portugueses nesta edição do Under The Doom. Na bagagem trazem o novo álbum “X – Varg utan flock” e um espectáculo invulgarmente intenso e imprevisível, em que o mestre de cerimónias Niklas Kvaforth será o elemento fulcral e catárquico, à frente de uma banda competente e autoritária.

Discografia (excerto)
Clássico: “V – Halmstad (Niklas Angående Niklas)” (2007)
Essencial: “IX – Everyone, Everything, Everywhere, Ends” (2015)
Injustamente menosprezado: “Livets ändhällplats” (2001)
Mais recente: “X – Varg utan flock” (2018)
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SÓLSTAFIR
O caminho que os islandeses Sólstafir percorreram entre o black metal avikingalhado dos primeiros discos e o pós-rock/metal sofisticado dos lançamentos mais recentes foi tudo menos perfeito. Mas essa é uma das características da banda de Reiquiavique: fazer das fraquezas forças e das falhas poesia sonora. No Under The Doom estará uma banda ainda em recuperação do divórcio traumático com o baterista Guðmundur Óli Pálmason, mas em plena celebração do melhor rock n’roll atmosférico que é possível ouvir hoje em dia.

Discografia (excerto)
Clássico: “Svartir sandar” (2011)
Essencial: “Masterpiece Of Bitterness” (2005)
Injustamente menosprezado: “Í Blóði og Anda” (2002)
Mais recente: “Berdreyminn” (2017)
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Sabaton History Channel: sétimo episódio dedicado a “Shiroyama” e à rebelião samurai de 1877

Diogo Ferreira

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No sétimo episódio do Sabaton History Channel, Indy Neidell e Joakim Brodén trazem-nos o tema “Shiroyama”, do álbum “The Last Stand” (2016), que versa sobre a Rebelião Satsuma ocorrida no Japão em 1877.

O que fazer quando o modo de vida tradicional é ameaçado por uma força poderosa dentro de fronteiras? Os samurais não hesitaram e responderam a esta pergunta com a espada. Durante a Rebelião Satsuma, o líder dos samurais, Saigō Takamori, lutou contra o governo imperial em voga e o desfecho teve lugar na Batalha de Shiroyama, o último reduto dos eternos guerreiros da cultura nipónica.

Mais episódios AQUI.

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[Antevisão] Moita Metal Fest: melhor do que 2018, só 2019

João Correia

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Lembram-se do massacre do ano passado no Moita Metal Fest? Também não nos esqueceremos tão cedo: The Exploited, Vader, Filii Nigrantium Infernalium, Benighted… Tudo junto, saldou-se num festival brutal para todos os gostos e, certamente, o fest mais diferente que podemos encontrar em Portugal. Para além das bandas, há outros motivos que começam a ser repetidos no Moita Metal Fest e que atraem por isso mesmo, como bom ambiente, localização geográfica (fora de mão, mas espectacular para se passar o fim-de-semana) e um à-vontade que não se costuma ver noutros festivais. Para não variar, a edição de 2019 consegue meter a um canto a do ano anterior, talvez os factores mais importante do festival – as melhorias de cartaz e de condições para festivaleiros a cada ano que passa.

 

Como é habitual, o evento divide-se entre sexta-feira, o dia com menos bandas, e sábado (5 e 6 de Abril). Pode parecer diminuidor, mas é tudo menos quando reparamos no calibre dos grupos que actuam no primeiro dia, que começa com os leirienses Dream Pawn Shop, quinteto de metal alternativo/progressivo que conta com um saxofonista na formação principal. Os leirienses abrem os portões do inferno para os Irae, uma das bandas de black metal nacional que menos apresentações necessitam. Também se prevê que a banda seguinte, os lisboetas Grog, aumentem a taxa de visitas a otorrinos na Margem Sul nas semanas seguintes ao festival, tudo graças ao seu grindcore com golpes de death metal brutal. Ainda de Lisboa chegam os Gwydion e o seu folk metal orelhudo e de alta qualidade, que têm a capacidade de criar uma happy hour dupla: no bar e em palco. O primeiro nome internacional do dia é Enforcer. O quarteto sueco criado por Olof Wikstrand (ex-Tribulation) pratica um heavy/speed metal revivalista e será certamente a melhor banda para anunciar o grande nome da noite, os germânicos Destruction, não fosse o thrash metal o pão e a manteiga do Moita Metal Fest. A dar cartas por todo o mundo há quase 40 anos, influenciaram vários estilos ao longo das décadas. Serão poucas as bandas de black metal que não apontem os primeiros discos como influência; o mesmo se pode dizer de imensas bandas de death metal e thrash metal de vários subgéneros destes dois subgéneros. Com a crise que o metal experimentou no princípio dos 2000, o futuro das bandas thrash metal previa-se negro, mas, com “All Hell Breaks Loose” (2000) e “The Antichrist” (2001), os Destruction deram uma chapada de luva branca ao mundo, tal é a perfeição de qualquer um destes registos. Vamos estar lá à frente a repetir os refrãos de clássicos antigos como “Bestial Invasion”, mas também de clássicos mais recentes como “Nailed To The Cross”. Imperdíveis, como é lógico.

 

Sábado tem o dobro do peso e de bandas, a começar com Moonshade, praticantes de death metal épico e algo atmosférico oriundos do Porto e que ainda se encontram em fase de apresentação de “Sun Dethroned”, álbum de estreia de 2018. Seguem-se-lhes os alentejanos Mindtaker, praticantes de thrash metal da velha-guarda, e os Infraktor, representantes do death/thrash metal mais acutilante do distrito de Aveiro e que também tem em carteira o recente “Exhaust” (2018). O tom e o som começam a mudar de figura com os The Voynich Code, banda nacional que a Ultraje teve a oportunidade de ver a abrir para The Faceless em Madrid, em 2018. Misturam metal moderno com metalcore e são uma das bandas mais refrescantes no nosso panorama, sendo louvados por isso principalmente lá fora e que certamente aumentarão o número de seguidores nacionais depois deste concerto. A seguir, os groove metallers Diabolical Mental State apresentarão “Diabolical World”, álbum de estreia com menos de um mês de vida, dando vez aos punks Artigo 21, a promoverem o novo disco “Ilusão”, também ele com menos de um mês de vida. As coisas começam realmente a aquecer com a subida ao palco dos black/death metallers nortenhos Gaerea, seguramente uma das ofertas mais incisivas do fim-de-semana, seguidos dos mestres do hardcore nacional Simbiose e dos mestres do death metal brutal nacional Holocausto Canibal. Deve ser interessante de ver o espancamento que estas três bandas seguidas causarão ao pobre público. Os cabeças-de-cartaz começam a surgir, primeiro com os suecos Dr. Living Dead!, praticantes de thrash na linha de Suicidal Tendencies e Anthrax. Os lendários No Fun At All vêm a seguir. Praticantes de punk desde 1991, são um dos nomes mais respeitados do circuito mundial quase desde o início e trazem consigo “Grit”, álbum de 2018 que colmata a ausência de novos registos desde 2008, muito devido ao facto do fim da banda e da sua posterior reformação. Por fim, os dois grandes nomes da noite são os britânicos Extreme Noise Terror e os polacos Decapitated.

 

Que dizer dos primeiros se não ‘pais da cena toda mais extrema’? Formados em 1985, já percorreram todo o globo, espalhando o terrorismo sónico que tão bem conhecemos e que tanto nos fode a pinha, segundo após segundo. Do clássico seminal “A Holocaust In Your Head” (1986) ao disco homónimo de 2015, a destruição fica assegurada e confiada aos veteranos de Ipswich. Já os Decapitated são também lendas noutro género, o death metal. Com a eterna aura de Vitek a pairar sobre os ombros da banda, e depois de um cancelamento infeliz no Moita Metal Fest, a rapaziada polaca fará seguramente jus ao legado do death metal ora mais brutal no início, ora mais acessível no presente, sempre com um som potente que não deixará ninguém indiferente. Até porque quem nunca abanou a cabeça ao som de “Winds Of Creation” ou de “Spheres Of Madness” não sabe o que perdeu até agora.

 

Feitas as contas, podemos esperar mais um Moita Metal Fest que não tem medo de apostar na diversidade, sempre com o thrash como pano de fundo e cujo cartaz, ano após ano, melhora em todos os sentidos. Os fan packs, que incluem bilhete ou t-shirt oficial do festival + bilhete estão a desaparecer rapidamente e podem ser reservados aqui. O campismo indoor é gratuito e a um passinho do recinto do festival. Dentro do recinto existem várias opções de alimentação e, nas zonas circundantes, ainda mais ofertas de gastronomia regional. Para quem não tem amigos (pelo menos com carro), a Strike Tours é a opção lógica a sair do Porto e a passar pelas principais cidades do país. Assim, a única desculpa para não ir é não gostar de metal. Vemo-nos lá!

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[Reportagem] Septicflesh + Krisiun + Diabolical + Xaon (15.03.2019 – Porto)

Diogo Ferreira

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Septicflesh (Foto: Vânia Matos)

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Septicflesh + Krisiun + Diabolical + Xaon
15.03.2019 – Porto

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Antes das previstas 19h30 já os Xaon estavam em palco. Oriundo da Suíça, o jovem grupo tem em “Solipsis” o novo álbum, que será lançado em Maio próximo, e esta digressão já serve para o promover. Com a ingrata posição de abrir a noite a uma hora tão peculiar para o público português, a sala pequena do Hard Club estava a meio gás para receber o sangue-novo do metal helvético. Praticantes de death metal melódico com uma forte componente sinfónica, os Xaon não se fizeram rogar pela hora a que estavam a tocar ou pela (ainda) escassa audiência e deram um portento concerto como se se tratasse de um festival com milhares de pessoas. Nota muito positiva para a prestação de Rob que, muito mais do que um frontman de uma banda metal, é, de facto, um cantor.

Com os seguintes Diabolical, a sala encontrava-se praticamente cheia e os suecos vieram a Portugal promover o novíssimo trabalho intitulado “Eclipse”. Num concerto com uma componente cénica e visual, os nórdicos focaram-se, como seria de esperar, no novo disco que será, porventura para alguns, mais prazeroso de se ouvir em casa do que ao vivo. Tudo funcionou, é certo, mas muitos detalhes audíveis em “Eclipse” parecem ter sido abafados pela conjuntura sonora de um concerto. Ainda assim, certinhos naquilo que fazem, ninguém ficou indiferente à voz limpa de Carl Stjärnlöv, a fazer lembrar Enslaved, que cria a ala melódica de um death/black metal contemporâneo. Um das particularidades deste concerto, que uniu som e imagem, acontece na última “We Are Diabolical” em que se critica fortemente a industrialização capitalista da actualidade.

Do outro lado do Atlântico Sul, chegava a vez de uma das bandas mais esperadas da noite: Krisiun. Entusiasmados desde o início por estarem a tocar em Portugal, o público retribuiu com os primeiros (e únicos) momentos de moshpit na zona frontal ao palco. A união pela língua e pela colonização (expressão usada por Alex Camargo para unir e não para achincalhar) foi uma constante ao longo de um concerto veloz (Max Kolesne na bateria é uma fera autêntica!), frenético (os solos de Moyses Kolesne são apenas insanos!), agressivo e com muito groove. Com “Scourge of the Enthroned” (2018) na bagagem, os brasileiros tocaram, por exemplo, o tema-título desse álbum, assim como revisitações a outros tempos da carreira com temas como “Blood of the Lions” ou “Slaying Steel”. O trio aproveitou ainda para homenagear um ídolo de todos nós, que dá pelo nome de Lemmy (1945-2015), ao interpretar a muito batida, mas sempre bem-recebida, “Ace Of Spades”.

Continuamente a viverem dos louros angariados com “Codex Omega” (2017), os Septicflesh regressaram ao nosso país menos de um ano depois. À medida que os gregos iam entrando em cena, os aplausos iam-se intensificando e explodiu-se em êxtase quando o primeiro tema da setlist fora logo “Portrait of a Headless Man”. O mais recente registo de originais seria promovido mais à frente com execuções de faixas como “Martyr”, “Dante’s Inferno”, “Enemy Of Truth” ou a última “Dark Art” que encerrou o concerto e o encore em que também se ouviu “Anubis” com a sua melodia a ser entoada pelo público. Por entre interpretações de músicas como “Communion” ou “Prometheus”, o baixista/vocalista Spiros Antoniou exultou a energia sentida e a que desejava sentir, incentivando aquele aglomerado de fãs intensos a mostrarem os seus devil horns, sem esquecer o chavão final de que por estas regiões sulistas da Europa, portugueses, espanhóis, italianos e gregos são todos os mesmo – união foi o que não faltou durante toda a noite. Coesos até ao tutano, os atenienses mostraram aquilo de que são feitos: profissionais, artisticamente dotados e sonicamente imperiais. Nada, mas mesmo nada, há a apontar de negativo àqueles minutos fervorosos que passaram rápido demais…

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Texto: Diogo Ferreira
Fotos: Vânia Matos
Agradecimentos: Rocha Produções

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