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Valkyrja “Throne Ablaze”

João Correia

Publicado há

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Editora: WTC Productions
Data de lançamento: 26 Novembro 2018
Género: black metal

Os suecos Valkyrja têm passado um mau bocado nos últimos 5 anos – as mudanças constantes de membros trouxeram a inevitável estagnação musical e falta de lançamento de novo trabalho. Chegados a 2018, é com profunda estranheza e espanto depararmo-nos com “Throne Ablaze”, indiscutivelmente o melhor trabalho da banda até agora, fruto de um line-up presumivelmente estável e focado em criar black metal de primeira linha da escola sueca na melhor tradição dos Dissection ou Watain, bem como com ares modernos de Marduk. Tudo isto, claro, com a assinatura pessoal dos Valkyrja, que se nota cada vez mais.

Os momentos iniciais de “Crowned Serpent” não deixam margem para dúvidas nem que os Valkyrja são suecos, nem que muito suaram para criar “Throne Ablaze”. A juntar aos clássicos riffs de black/thrash/death metal, encontra-se uma melodia invariavelmente sueca e um jeito de fazer as coisas reservado apenas para a elite da cena. O solo nesta faixa remete-nos para os de obras maiores como “Storm Of The Light’s Bane” sem dificuldade. A seguinte “Opposer of Light” abranda a marcha e centra-se mais ainda na parte melancólica e melódica da banda, sempre com um riff viciante de fundo e um pesar fúnebre a cada momento; já “Tombs Into Flesh” retoma a mesma velocidade estonteante da faixa inicial, com um tremendo ziguezaguear de guitarras (muito devido à sua afinação grave) e norteada por um blast-beat quase constante do princípio ao fim. As três primeiras faixas apontam para um trabalho de elevada qualidade e distinção interpares – é assim tão bom.

“Halo Of Lies” regressa ao mid-tempo e então apercebemo-nos que o disco se reveza na fórmula tema veloz/tema lento/tema meio-tempo, seguindo sempre o compasso incessante da austeridade auditiva. “Transcendental Death” apresenta mais um momento relativamente calmo, ao passo que a besta seguinte, “Paradise Lost”, logra ser a melhor faixa do disco juntamente com “Crowned Serpent”, pois apresenta momentos de complexidade dignos de uma banda da primeira liga, nunca esquecendo a melodia e as variações de velocidade perfeitas, exactamente onde deveriam ocorrer, tanto que, mentalmente, pensamos ‘agora, nesta parte ficava bem um blastbeatzinho…’, o que acaba por acontecer. A final “Throne Ablaze” é o regresso à cadência inicial, veloz e punitiva, repleta de momentos de black metal sueco clássico, bem como mais solos épicos; um final em grande, portanto.

É por pouco que “Throne Ablaze” não é um clássico instantâneo de black metal, tudo culpa da demora em ser lançado. É relevante e vivamente aconselhado para fãs de Sacramentum, Watain, Marduk e Dissection, claro, mas se tivesse sido lançado uns três anos antes, estaríamos perante algo maior. Ainda assim, assume-se nitidamente como um dos melhores trabalhos de black metal de 2018.

Nota Final

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Avantasia “Moonglow”

Diogo Ferreira

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Editora: Nuclear Blast
Data de lançamento: 15 Fevereiro 2019
Género: power metal sinfónico

Com 41 anos, Tobias Sammet é dos compositores e vocalistas mais respeitados na Alemanha dentro do panorama hard rock e heavy metal. Este caminho iniciou-se em 1992 com os reconhecidos Edguy e ganhou enorme visibilidade quando em 2001 e 2002, como Avantasia, lançou as duas partes da “Metal Opera”, uma história fantástica no encalço de salvação que incluiu dezenas de artistas inigualáveis, como Michael Kiske, Kai Hansen, Timo Tolkki, André Matos, entre muitos outros. O sucesso ditou que o projecto megalómano não iria ficar por aí, seguindo-se mais seis álbuns, em que se inclui a novidade “Moonglow” neste lote. Nesta nova aventura, Sammet chamou a si vozes como Michael Kiske, Jørn Lande, Geoff Tate, Hansi Kürsch, Mille Petrozza ou Candice Night.

Longe vão os tempos dos gloriosos coros, dos debates entre personagens e da velocidade estonteante do power metal magicado por Sammet, mas ao fim de quase 20 anos também é evidente que o alemão pretende desenvolver novas tácticas musicais e manter-se no rumo da evolução natural da indústria. Ainda assim, e caso tenhamos saudades dos dois primeiros discos, há refrãos energéticos e catchy a rodos, solos de guitarra, segmentos complexos de baixo e arranjos orquestrais que se desdobram em introduções/interlúdios electrónicos. Porém, e recuperando uma das observações feitas atrás, o que mais sentimos falta é dos diálogos entre personagens vincadas – hoje em dia, é como se cada convidado tivesse que cantar a sua parte e já está. Não quer isso dizer que o tenham feito por favor e que Avantasia seja a autocracia de Tobias Sammet, mas é uma lacuna que os fãs acérrimos vão notar. Todavia, apontamos a épica “The Raven Child” (com Jørn Lande e Hansi Kürsch) como o pináculo musical de um álbum que bebe do hard rock dos 80s em porções generosas e, claro, de musicais à Broadway.

Quase duas décadas depois, o projecto Avantasia não perdeu a noção de fantasia – e “Moonglow” até consegue oferecer um sentido noctívago e por vezes medieval -, mas sente-se que agora é mais um conjunto de boas músicas do que propriamente uma história corrida que nos faz fugir da realidade ao ponto de conseguirmos mentalmente percorrer estradas, florestas e montanhas à procura de um qualquer artefacto que salvará o mundo de poderes malignos.

Nota Final

 

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Diabolical “Eclipse”

Diogo Ferreira

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Editora: Indie Recordings
Data de lançamento: 15 Fevereiro 2019
Género: progressive death/black metal

Será “Eclipse” o melhor álbum dos Diabolical? Sim. Seis anos depois do quarto “Neogenesis”, estes suecos estão mais refinados do que nunca. Num disco conceptual que reflecte o lado negro da humanidade e que força quem ouve a explorar as suas facetas diabólicas, o quarteto tanto oferece refrãos com vozes limpas e melódicas a fazer lembrar uns Enslaved como incorre por robustas e negras paredes sonoras na onda de uns Behemoth. Aliado a isso, existe uma estética musical ainda mais complexa com coros altivos e algumas orquestrações majestosas que proporcionam uma jornada auditiva épica com resquícios de Dimmu Borgir dos nossos dias. Com ideias refinadas que se transportam da mente até à sua real execução, a coesão entre prática e produção é extremamente evidente, originando um álbum que se ouve do princípio ao fim e mais do que uma vez sem qualquer queixume. Para além dos coros, das orquestrações e dos confrontos entre limpo e pesado, há mais alguns destaques que vão invariavelmente para a produção cristalina, para os leads de guitarra que proporcionam dinâmica e para algum experimentalismo quanto a tempos musicais, como se pode ouvir na faixa “Hunter”. A inaugural “We Are Diabolical”, pelo seu sentido melódico, e a última “Requiem”, pela sua abordagem progressiva, serão os temas a ter mais em atenção. Recuperando observações efectuadas atrás, “Eclipse” é como se Enslaved e Behemoth nas suas fases actuais tivessem um filho chamado Diabolical.

Nota Final

 

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Sollar “Translucent”

Diogo Ferreira

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Editora: Raising Legends
Data de lançamento: 25 Janeiro 2019
Género: rock/metal progressivo

Oriundos do Porto, os Sollar, que se propõem a fazer música com melodias fortes e enfáticas, lançaram recentemente o álbum de estreia “Translucent”, um trabalho composto por 10 faixas que se debruçam em sonoridades rock e metal cheias de detalhes que vão para além dos géneros-base. Prova disso surge logo na inaugural “Birth” que se desmonta em orquestrações épicas, mas a banda sabe que o que é bom cedo se pode esgotar, por isso é com sapiência que não incluem este tipo de arranjos a toda a hora e momento, fazendo com que o ouvinte se lembre daquela faixa e daquele segmento específicos quando se chegar ao fim da audição. Com uma bateria trabalhadora, que até brinca com tempos na faixa “See”, todo o disco vive à volta de guitarras com malhas cíclicas e tantas vezes groovadas naquela onda nórdica e sóbria como uns Wolverine são capazes de oferecer. Quem também não pode ser esquecido é o baixo que, descansadinho no seu canto, vai proporcionando algumas linhas importantes ao bass geral do álbum. Faltando mencionar o departamento vocal, Mariana Azevedo apresenta-se diversificada, indo de manifestações de rock alternativo a execuções mais fortes quando a ala metal da banda o diz ser necessário, não esquecendo uma abordagem algo ritualista na faixa “Naked”. Melódicos a toda a largura, os Sollar são também capazes de criar segmentos inquietantes e perturbadores, através dos quais quererão decerto mostrar as facetas mais obscuras do conceito gerado em “Translucent”. Nas menções honrosas podemos destacar “The Image Of Man”, com participação vocal de Miguel Inglês (Equaleft), e a final “The Right Men” com o seu solo emotivo.

Nota Final

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