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Reviews avulso: Vanora | Expander | Necrophile

Diogo Ferreira

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rsz_vanora_-_momentumVanora “Momentum” [Nota: 6.5/10]
Editora: Crime Records
Data de lançamento: 01 Setembro 2017
Género: deathcore / electro

Os Vanora são uma sinergia de cinco jovens músicos que está a emergir em Oslo e vivem numa rivalidade de géneros musicais. De um lado temos os arranjos electrónicos que, com a adição de voz limpa, apresentam construções bem próximas da sonoridade pop e do outro temos a força das guitarras em break e dos growls que fomentam uma abordagem deathcore/metalcore. Apesar da ala electro, nem tudo é luzidio, melódico ou cheesy, pois o grupo tem a noção que toca metal e que as coisas também têm de soar sombrias e, por vezes, dissonantes. Indicado para fãs de Wintersun nuns momentos e Fear Factory noutros – parece muito dispare, mas é verdade.

 

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Expander_-_Endless_Computer_-_cover_haulixExpander “Endless Computer” [Nota: 5/10]
Editora: Nuclear War Now! Productions
Data de lançamento: 15 Setembro 2017
Genero: thrash metal / crossover

Basicamente, “Endless Computer” é sobre uma entidade cósmica sem forma que representa o pináculo do avanço tecnológico e anseia por controlar autonomamente toda a matéria atómica do Universo. Prog metal, portanto? Death metal técnico? Não. Expander é thrash/crossover. Se ficaram desapontados com isso, então musicalmente não melhora. Muito devido à produção ruidosa e por vezes desequilibrada, as 10 faixas apresentadas não são nada de bradar aos céus, especialmente quando os membros da banda acham que utilizar barulho é ser agressivo – e é, só que não com a intenção artística que estamos à procura. Ainda assim, aponta-se um ou outro engraçado segmento mais punk proveniente da parte crossover.

 

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necrophile_awakening_those_oppressedNecrophile “Awakening Those Oppressed” [Nota: 7/10]
Editora: Unholy Prophecies
Data de lançamento: 16 Setembro 2017
Género: death metal

Dizer que “Awakening Those Oppressed” é o tão esperado primeiro álbum destes japoneses tem a sua comédia, porque os Necrophile fundaram-se em 1987 e lançam o longa-duração debutante 30 anos depois. No entanto, splits e demos nunca faltaram àquela que é considerada uma das primeiras bandas de death metal nipónico. Musicalmente, as 10 faixas deste disco são a prova viva de que estes bacanos de olhos em bico nunca saíram da década de 80; devem pensar que o death metal ainda tem obrigatoriamente que soar arcaico, aparentemente atabalhoado e muito parecido ao punk. E sabem que mais? Isso é bem fixe! Sabem donde vêem, têm noção do que se construiu e ainda conseguem fazer death metal old-school que cativa.

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Manes “Slow Motion Death Sequence”

Diogo Ferreira

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Editora: Debemur Morti Productions
Data de lançamento: 24 Agosto 2018
Género: avant-garde / rock / electro

Com 25 anos de carreira, os noruegueses Manes têm a cartada ideal para comemorar este aniversário – é um álbum e chama-se “Slow Motion Death Sequence”.

Com 25 anos de carreira – e este início de frase repetido é propositado –, os Manes não só não têm nada a provar como ainda se mostram artisticamente maturados e humildes ao ponto de apontarem influências contemporâneas, como In The Woods…, Solefald e Ulver.

Assim, e com muito avant-garde, à medida que o álbum cresce em nós, é imensamente evidente que a inclinação à pop faz parte dos nórdicos. Mas num muito bom sentido! Isto é, a bateria aliada aos loops electrónicos funcionam como uma dança síncrona entre dois pares muitíssimo bem treinados que sabem que o resultado final tem de ser emotivo e negro. Por outro lado, o grupo adiciona rock e algum metal com malhas de guitarra bem eléctricas e presentes em momentos críticos que desse instrumento necessitam.

Se a inaugural “Endetidstegn” pode ser indicada para fãs do som actual e mais amigável de uns Leprous, a seguinte “Scion” é como ouvir Karin Dreijer (The Knife, Fever Ray) em masculino, sendo que até o fundo sonoro cheio de loops repetitivos e melodias melancólicas se encaixam na personalidade vocal de Karin Dreijer, mas não esqueçamos que falamos de Manes.

Com base musical idêntica à dos mais recentes Árstíðir, mas ao contrário do que esses islandeses andam a fazer com composições quentes e aconchegantes, os veteranos Manes atiram-se para territórios mais inóspitos que carecem de calor amoroso e alimentam-se do queixume doente originado de algo que muitas vezes não nos quer deixar viver em paz – como por exemplo ataques de ansiedade e experiências de quase-morte. “Last Resort” é, assim, um tema indicado para quem já conhece Árstíðir, mas “Poison Enough For Everyone” já tem muito mais a ver com uns Manes inquietados e obscurecidos, enquanto “Building The Ship Of Theseus” nos entristece com um sentido de partida. Entretanto, a penúltima “Night Vision” é um casamento ménage à trois em que vão para a cama a dissonância, a veia experimental que percorre todo o disco e um jogo de vozes.

Com uma boa dose de música própria a destoar do mainstream, “Slow Motion Death Sequence” é um alinhamento ecléctico por vezes epiléptico, por outras eléctrico, mas sempre contagiante, mesmo na loucura da combinação de sons que se constrói ao longo de nove faixas. Os Manes estão garantidos para noites tardias em que seis horas sem dormir fazem crescer em nós o receio de andarmos zombies em mais um dia que se aproxima.

Nota Final

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Rebel Wizard “Voluptuous Worship of Rapture and Response”

Diogo Ferreira

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Editora: Prosthetic Records
Data de lançamento: 17 Agosto 2018
Género: heavy/black metal

O projecto australiano Rebel Wizard pertence àqueles casos de nicho e de segredo mas está na altura de puxar Bob Nekrasov da toca, ainda que o projecto não esteja esquecido nos meandros do underground – afinal de contas, Rebel Wizard está na Prosthetic Records, casa de bandas como Exmortus, Hour Of Penance, Skeletonwitch ou Venom Prison.

O que se passa de tão interessante nesta banda, e em especial neste “Voluptuous Worship of Rapture and Response”, é a mistura que o artista faz entre black metal e heavy metal tradicional. Curioso é também o detalhe que Nekrasov deseja dar aos seus temas, com foco directamente apontado ao comprimento dos títulos: “The prophecy came and it was soaked with the common fools forboding”, “The poor and ridiculous alchemy of Christ and Lucifer and us all” e “Mother Nature, oh my sweet mistress, showed me the other worlds and it was just fallacy” são os melhores exemplos.

Mas como o que importa realmente é a música, em Rebel Wizard tanto podemos sentir o poder melódico e épico de um lead virtuoso heavy metal sacado lá dos anos 1980 – o que geralmente acontece no início dos temas – como podemos ser invocados a participar em rituais misticamente obscuros através de paredes de som cruas e agressivas que nos remetem a sonoridades black metal típicas de países como Austrália e Nova Zelândia, falando portanto de uma crueza sónica bastante pestilenta e gritante.

Que é bom não há dúvida, restando apenas a questão: e se isto fosse captado e produzido de forma mais profissional e polida? Se ouvires este disco poderás fazer a mesma pergunta e talvez não saibas a resposta, porque se a ala heavy metal é capaz de pedir uma captação mais diamantina, as excursões ao black metal estão bem pensadas por mais que se ouça muito ruído estridente. Todavia não será esta dicotomia que nos vai travar de ouvir Rebel Wizard.

Nota Final

 

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Massive Wagons “Full Nelson”

Diogo Ferreira

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Editora: Earache Records
Data de lançamento: 10 Agosto 2018
Género: rock

O Verão de 2018 tardou mas chegou e para tal nada melhor do que rodar um bom disco de rock n’ roll. Como o Verão não há-de ir já embora, acreditamos que ainda vamos ter muitas ocasiões para ouvir este regresso dos Massive Wagons que, ao longo de 12 faixas directas, nos proporcionam um bom momento musical repleto de malhas rock n’ roll que se inspiram no passado mas que se projectam no presente devido a uma muito boa produção. Todos os membros desta banda inglesa sabem onde se posicionar e todos têm o seu spotlight, mas na verdade esta é uma banda de colectivismo e não individualismo, sendo que tudo funciona muito bem quando unidos faixa após faixa. No entanto, o destaque vai indubitavelmente para Baz Mills que se apresenta um vocalista rock dos quatro costados com um sentido de catchiness incrível que resulta em refrãos orelhudos – mas lá está, sem os companheiros seria impossível chegar-se a secções musicais tão boas, caindo nós na mesma observação anterior de que os Massive Wagons funcionam realmente bem em conjunto. Particularmente, e mesmo com muito humor à mistura, a banda não esquece a crítica à vida digital que levamos em “China Plates”, arranja espaço para uma power-ballad em “Northern Boy” e recorda Rick Parfitt (Status Quo) numa nova versão de “Black to the Stack”. Indicado para fãs de Audrey Horne.

Nota Final

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